OPERA Survivors
13 De volta as ruas - Capítulo 12
Notas iniciais
4 dias após o Dia-Z, muitos ainda não sabiam o que esta acontecendo, os canais de noticias só falam sobre uma nova doença que esta afetando o mundo, mas nunca entram de detalhes. Nas casas dos mais afortunados e inocentes, as crianças desembrulham presentes que estavam debaixo das árvores de natal enquanto seus pais observam e tiram fotos do momento de diversão da família. Outros que já sabem a verdade, ou parte dela, não estão em um momento de felicidade, Larry na manhã de natal embrulhava os corpos sem vida de seus pais, irmão, e namorada, em grandes sacos de lixo preto. Alguns estavam esquentando no fogão o que restou da ceia na noite anterior. Enquanto Larry via o fogo se alastrando de uma pequena chama e em segundos cobrindo todos aqueles corpos. Alguns sentem o cheiro do peru. Larry sente o odor de carne e plástico queimando bem perto dele.
18 dias após o Dia-Z, muitos estão mortos, caminham como um bando de bêbados saindo de um bar fechando no meio da madrugada. Eles não sentem frio, medo, dor, angustia ou tristeza, tudo que eles sentem é fome. Larry acaba de acordar de forma abrupta, seus olhos estão arregalados e o suor escorre pela testa, já fazem dias que ele não dorme uma noite inteira, já que seus pesadelos, suas lembranças, não permitem que ele descanse.
Quando todos estão acordados tem uma breve discussão e decidem sair daquele refugio, os mantimentos estavam acabando, além do que, aquele não era o lugar seguro que eles tanto almejam, e todos estavam preparados quando Yan falou.
— Hora de seguir caminho.
Dark e Matt levantarão o portão, que fez os zumbis distraídos voltarem sua atenção ao local, os mais próximos nem tiveram chance de se quer grunhir e foram atingidos na testa por flechas e facas, vindos de Laís e Gohu.
Matheus, Raquel e Larry saíram depois dos assassinos à distância, cada um dos três derrubou mais um morto-vivo cada na base da contusão com suas armas. Eles foram seguidos por Yan e Júlia, que não tiveram de matar mais nenhum zumbi, já que os que estavam próximos agora estavam definitivamente mortos. Dark ficou chateado por “perder a diversão” como ele pensou, Matt ficou feliz por não ter mais nenhum “Deles” naquela rua. O tempo que se passou realmente fez os mortos-vivos se dispersarem, ou talvez outra coisa tenha chamado à atenção deles, porem ninguém percebeu um corpo devorado que há alguns metros de lá, e que não estava ali dias atrás.
— Será que a gente ainda ta muito longe? — Perguntou Raquel ao grupo todo, embora só Matheus e “seu grupo” soubessem mais informações sobre o CASA.
— Eu espero que não, já estou cansado de toda essa merda de “Noite dos Mortos-Vivos”. — Matt falou deixando claro sua referencia ao clássico dos cinemas.
— Se é que essa coisa de CASA existe. — Larry falou descrente. — ‘Cês’ falaram que ouviram no radio e que era só seguir que a gente ia ver informações, mas até agora nada.
Laís apertou os olhos e tentou não frisar a testa, ela ainda não ia com a cara de Larry, e ele estar lá era irritante, mas por andar a frente do grupo naquele momento ninguém percebeu sua feição.
Matheus ainda tentando ser um mediador entre o grupo unificado tomou a palavra, e tentou ser o mais educado e calmo o possível com Larry, como sempre, embora por dentro se sentisse como Laís.
— Posso te garantir que é, e talvez não tenhamos visto algo ainda por estarmos um pouco longe, ou passamos perto de algum sinal sobre a localização e nem tenhamos percebido.
— Será que estamos indo para o lado certo mesmo? — Júlia perguntou olhando para os lados como se procurasse uma grande seta de indicação.
Gohu olhou para o céu cobrindo a testa com uma mão para dar sombra e impedir toda a luz do sol, abaixou a cabeça e olhando para a Ruiva respondeu.
— Sim estamos, estamos QUASE em linha reta desde que saímos daquela casa.
Júlia pareceu confusa e Gohu deu uma risada baixa ao se lembrar de que a jovem não estava com eles naquele momento, quando a risada acabou ele deu quatro largos passos e cravou uma faca na têmpora de um morto-vivo que estava perto.
Yan que estava atento a tudo no local em que estavam, ignorava os diálogos supérfluos que as pessoas estavam conversando, cada um em seu devaneio sobre o mundo como era antes, ele tocou no ombro de Laís e apontou em uma direção, a arqueira logo notou o desmorto que vagarosamente se aproximava, ainda bem distante, e ela o eliminou com uma flecha, que ao recolher iria perceber que estava danificada e inútil. Um toque no braço de Gohu e um dedo apontando a direção, o rapaz entendeu a mensagem e com destreza se moveu, cravou a faca no zumbi e retornou ao grupo. E foi assim por algumas quadras, Yan não dizia muitas coisas, ouvia pouco também, mas os olhos estavam atentos, e em qualquer movimentação que ele notasse antes dos outros ele dava a ordem com um apontar de dedo.
Uma parada de vinte minutos foi tudo que o grupo fez desde que começara a caminhada, o sol era imperdoável e exaustivo, por um momento houve comentários sobre protetores solar e piadas com Matt que tinha a pele mais clara entre eles. O ritmo da caminhada ia tranquilo e sem correrias, já que estavam andando por uma zona domiciliar, e não encontravam tantos zumbis pelo caminho.
Um som auto ecoou e aves cruzaram os céus, cerca de um quarteirão à frente, era indiscutivelmente o disparo de uma arma, e em seguida outro, outro, e mais outro, todos se olharam, os cochichos começaram, sobre o que deveriam fazer, sem perder tempo Yan falou.
— Salvando pessoas ficamos sabendo sobre CASA. Além do mais temos de ter empatia, vamos averiguar, mas sem correr riscos desnecessários. — Ele disse isso dando alguns passos e ao terminar se virou olhando para todos, ele pode ver Matheus sorrindo com o canto da boca com um olhar de quem teria dito a mesma coisa.
O grupo trocou olhares mais algumas vezes e então concordarão com as cabeças, e com Yan seguindo em frente todos iam em direção ao som. Júlia teve um mau pressentimento, a ultima vez que ela sentiu isso foi quando estava no shopping e ouviu disparos, e sendo sorrateira chegou perto de uma beirada e viu um homem que foi mordido por um morto-vivo e aquele grupo se aproximando para ver o que havia acontecido. Mesmo nervosa a garota não disse nada, talvez fosse apenas medo, talvez.
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