OPERA Survivors

11 A noite as ruas pertencem aos mortos - Capítulo 10


Notas iniciais
Ao anoitecer os mortos parecem estar mais... vivos, isso pode ser um problema para os sobreviventes, mas já chegaram até aqui, e o objetivo é chegar em CASA, eles precisam se apressar para ficarem seguros.

16 dias após o Dia-Z, no Brasil o sol já se pôs, e sem a sorte de encontrar um carro funcionando os sobreviventes voltam a enfrentar as ruas com seus pés e sua coragem.

Já haviam passado alguns minutos desde o grupo saiu do shopping, eles andavam com muita cautela e silenciosamente pelas ruas desertas, e o silencio não trazia conforto muito pelo contrario, o silencio só trazia tensão aos jovens, o ar começava a esfriar com o cair da noite e a ascensão das estrelas e da lua no céu, já se podiam ver as Três Marias, nome dada à constelação de três estrelas que estão quase que equidistantes e em uma linha, a lua quarto minguante brilhava lá no alto porem não era a única fonte de luz ali, os postes traziam algum conforto com sua luz, mas a sensação de perigo era como um alarme disparado dentro de cada um. Eles precisavam encontrar um lugar para passar a noite, embora os zumbis não sejam como vampiros, é quase possível afirmar que eles preferem rondar pelas ruas durante a noite, a luz do sol embora pareça não os incomodar, diminui o número deles durante o dia.

Yan seguia a frente do grupo com Gohu ao seu lado, este havia colocado o capuz se sua jaqueta por cima da cabeça por começar a sentir um pouco de frio. Atrás seguiam Matheus e Larry lado a lado sempre atentos ao redor e em fila atrás deles vinham Raquel, Dark, Laís, Júlia e Matt.

— Espera. — Disse Yan levantando sua mão, um a um todos pararam, até as Laís, Júlia e Matt que não haviam ouvido a ordem.

— O que foi? — Perguntou Larry já preparando o rifle de caça caso fosse necessário.

— Vocês ouviram alguma coisa?

— Eu não ouvi nada Yan. — Respondeu Matheus e os outros responderam negativamente com suas cabeças.

Ainda sim todos continuaram parados alguns segundos, olhando ao redor, torcendo para que nada passasse de uma impressão daquele que estava a frente do grupo. Yan abriu a boca para dizer que eles deviam continuar quando a luz do poste que os iluminava se apagou de repente, todos sentiram a espinha gelar naquele momento, e após mais alguns curtos segundos eles prosseguiram depois de Yan dizer para isto ser feito.

Seguiram por mais alguns quarteirões enquanto os grunhidos e criavam o novo som da cidade, como se fossem grilos e sapos no interior, o som dos mortos fazia a trilha sonora de horror gerava ainda mais medo para todos, eles definitivamente precisavam encontrar algum lugar para ficar, e foi quando o Gohu avistou uma pequena loja que tinha uma porta aberta, a placa em cima da porta escrita Moda Teens dava indícios de ser uma pequena loja de roupa situada ali no bairro, não teria nada de útil ali porem poderia pernoitar e pela manhã seguir caminho com menos perigo.

Gohu falou com Yan da loja e este virou-se e quando todos já prestavam atenção nele, apontou para a loja na espera de uma resposta coletiva. Esta veio como um sim realizado com a cabeça e eles seguiram para a loja rapidamente.

Ao entrar ali todos os sobreviventes suspiraram aliviados, poderiam manter a porta fechada de alguma forma e descansar ali. Matheus procurou por um interruptor, pois no interior da loja mal podia se enxergar alguma coisa, o pouco que se via era graças à luz externa que entrava ali, as paredes laterais traziam diversas roupas penduradas em cabides e no centro a loja era dividida ao meio por mais uma porção de roupas que ali estavam penduradas em cabides encaixados em uma grande haste de ferro que tinha seu fim nas quinas curvadas que direcionavam o metal até o chão onde estava colocado.

Chegando ao fundo da loja o rapaz pode ver na parede atrás do balcão com o caixa, um interruptor que estava ao lado de uma porta, sem pensar duas vezes o rapaz passou ao lado do balcão que dava na altura de seu umbigo, e se aproximou do interruptor, assim que apertou o botão e acendeu as luzes do local sentiu duas mãos agarrarem suas pernas e puxarem, o que fez com que ele caísse dando um grito de susto.

— AAAAHH?!

Matheus caiu de costas no chão e tentando recobrar rapidamente o controle de seu corpo depois de enfrentar a “bendita gravidade” como ele pensou, pode ver duas mãos pálidas e sujas de sangue segurando suas pernas na altura dos joelhos, e logo em seguida viu o rosto também pálido de uma moça, cabelos castanhos presos em rabo de cavalo, óculos quase na ponta do nariz; pareceria outra sobrevivente não fossem os olhos cinza e sem vida e a marca de mordida no cotovelo esquerdo com a carne faltando e o sangue coagulado no lugar. Instintivamente o rapaz pensou em pegar seu facão nas costas, porem este ficava preso ao cinto e sua cintura estava junto ao chão dificultando esta empreitada, tentou dar uma joelhada na morta-viva que se aproximava, mas além dessas coisas possuírem uma certa força o peso dela começava a ficar por cima de suas pernas. Embora não quisesse fazer isso a situação desesperadora quase o obrigava a tal ato, sacou então a pistola 9mm da lateral traseira de seu cinto, parte que ainda conseguiu mais mobilidade, e apoiando a mão direita armada na esquerda, destravou a arma e sem precisar mirar muito puxou o gatilho.

O som do disparo ecoou dentro da pequena loja e provavelmente atrairia os zumbis para ali, o sangue e os miolos acompanharam o trajeto da bala que atravessou a testa da zumbi pouco acima da sobrancelha esquerda. O ato de descuido custou o local que passariam a noite, pois sabia que ali não era mais tão seguro depois do barulho.

Foi então que todos chegaram ali quase que ao mesmo tempo, o som do grito e do baque no chão o trouxe, mas todo o decorrer do acontecido foi tão rápido que não chegaram antes que Matheus puxa-se o gatilho. Laís estendeu a mão e ajudou o amigo a se levantar depois de empurrar a desmorta morta com as pernas.

— Foi mal pessoal, não consegui puxar o facão e tive que usar a arma.

O segundo de silencio que todos fizeram por perder a segurança daquele local foi o bastante para constatarem uma coisa, a segurança não era a imaginada. Da porta ao lado do interruptor começaram a se ouvir grunhidos e eventualmente batidas raivosas contra a porta, que possuía ainda a chave balançando do lado de fora.

— Ela deve ter trancado algum ali, mas foi mordida... — Disse Laís.

— Ainda sim poderíamos lidar com um só. Droga, vamos logo procurar outro lugar. — Reclamou Larry impaciente por ter perdido a oportunidade de ficar ali mesmo, ele assim como os outros já estava cansado e queria poder parar e comer alguma coisa.

— Certo então vamos pessoal. — Falou Yan e então todos saíram da loja.

Assim que voltarão as ruas os jovens puderam ver que o número de zumbis havia aumentado, e que ao ouvir o disparo, se dirigiam para a direção deles. Yan olhou aquilo e voltou seus olhos para Matheus, como se dissesse mentalmente “vamos nos recompor, não foi sua culpa”, o olhar do rapaz fez com que Matheus voltasse a sua expressão seria e concordasse com a cabeça.

— Fiquem juntos. — Falou Matheus com ímpeto.

— Não se descuidem e cubram um ao outro, os errantes estão por todos lado agora. — Disse Yan já começando a correr em uma direção especifica sendo seguido por todos.

Yan correu pela rua e no primeiro zumbi que topou deu uma troncada com o ombro esquerdo jogando-o ao chão, assim que ele caiu deu um chute em sua cabeça, e em seguida acertou-a com seu pé de cabra esmagando parte dela. Larry correndo atrás de Yan deu com o rifle na barriga de um desmorto, que ao inclinar as costas um pouco teve o cano do rifle enfiado em sua boca empurrando suas costas de volta, e com o rifle na boca da criatura Larry girou um pouco a arma e ao atirar conseguiu com que a bala atravessasse a cabeça daquele zumbi e acertasse outro que estava alguns passos atrás. Dark por um momento pensou em usar o machado mas decidiu por utilizar sua AK-47 desta vez, ele parecia não temer os mortos, partia pra cima de cada uma empurrando e derrubando-os com sua força e então jorrando uma rajada de balas na cabeça de cada um. Gohu as vezes sumia de vista até dos amigos que as vezes só o percebiam quando ele cravava a faca na cabeça dos mortos-vivos, ele era sorrateiro e silencioso e matava de forma rápida e precisa. Matt também era sorrateiro, mas não como Gohu, porem ainda sim trazia a morte aos errantes de forma rápida, contornava-os sem que eles percebessem e então matava de vez cada um deles com uma faca de mergulho que encontrará na mesma loja de esportes que Raquel estava no shopping, antes de irem para a praça ele havia passado lá. Raquel também matava alguns zumbis, porem em um deles ao correr para ataca-lo, acabou tropeçando em um pedaço de osso, provavelmente humano, que estava no chão, quando caiu olhou para cima com os olhos arregalados e com medo, viu o rosto faminto pronto para mordê-la do morto-vivo que ela ia atacar, e pode ver uma flecha atravessar sua têmpora e seu corpo cair desfalecido, ela sorriu ali mesmo no chão e retirou a flecha, se levantando e entregando-a a Laís agradecendo. Laís usava bastante seu arco para acertar os zumbis mais próximos e com as flechas os que estavam em seu caminho só que mais distantes, e assim que passava por eles recolhia sua flecha. Matheus ficava ao lado de Júlia, a garota segurava a faca em com força em suas mão, mas não conseguia parar de tremer, quanto menos atacar, Matheus matava os errantes que surgiam pelo caminho com seu facão e sempre que precisava corria para matar algum que se aproximava de Júlia, somente uma vez mais precisou atirar, estava longe da garota para correr até lá e disparou a distancia, mesmo com um pouco de chance de acerta-la de raspão, não o fez e o zumbi caiu no chão.

O grupo corria e matava os não-mortos para sobreviver, já estavam começando a se cansar quando Júlia gritou e apontou.

— ALI!

Eles viram um local próximo com porta uma grande porta dupla de vidro e janelas ao lado da porta; do lado de fora, as janelas estavam fechadas com aquele sistema de portas de ferro de comércios, que se enrolam do lado de dentro na parte superior e se as janelas estavam assim, eram grandes as chances o mesmo ser com a porta. Matheus já pensando nessa possibilidade tomou impulso e se lançou velozmente para o local, antes mesmo de chegar lá pode ver a grande porta de ferro enrolada acima das portas de vidro, comprovará sua tese porem faltava um detalhe, por isso continuou correndo a frente dos outros, chegando lá abriu as portas e olhou rapidamente do lado de dentro do estabelecimento, não parecia haver ninguém, vivo ou morto, então acenou para todos.

— Venham rápido! Podemos ficar aqui.

Os outros correram e entraram, Dark, Larry e Gohu foram os últimos a entrar, pois ficaram dando cobertura aos outros. Assim que todos estavam ali dentro, Yan e Dark puxaram com força a porta metálica para que fechasse o quanto antes, a porta fez seu som mais parecendo uma grande maquina de costura enorme e rápida se chocando contra o pano. A porta estava fechada, e os sobreviventes escaparam de mais uma situação de vida ou morte.

Notas finais
Espero que tenham gostado, para mais criações minhas vejam minha página no facebook Matheus HQD.