O'Lantern
4 Curse at the Wind
Notas iniciais
Quando a lembrança acabou. Sentia lagrimas quentes escorrendo de meu rosto, eu nunca havia chorado em minha vida como espírito, já tinha me esquecido dessa sensação. Olhei para os meus irmãos, eles estavam no mesmo estado que eu, suas bocas que sempre estava sorrindo estavam serias e seus olhos arregalados transbordavam lagrimas. Minha boca estava aberta, mas não saia nenhuma palavra dela, depois de alguns segundos nesse estado de choque, minha voz voltou.
– V-você é o nosso pai? – perguntei espantada, agora fazia sentido o por que de Breu ter nos ajudado em alguns momentos difíceis e que ele nunca nos fez nenhum mal, ele até nos ensinara a usar nossos poderes direito.
– Sim – disse ele olhando para o chão, pera, aquilo brilhando no olho esquerdo dele é uma lagrima? Breu, o bicho papão, esta chorando?
– Por que nunca nos contou? – dessa vez quem perguntou foi Patrick
Então Breu olhou para nos, seus olhos dourados iguais a dos meus irmãos estavam carregados de tristeza e ele definitivamente estava chorando.
– Eu não tinha coragem – disse ele e em seguida suspirou – Vocês são espíritos por culpa minha, eu não cheguei a tempo, se eu estivesse por perto para proteger vocês naquele dia, vocês não teriam morrido e viveriam com sua mãe felizes, é tudo culpa minha. Eu ainda amaldiçoo o vento por aquele dia.
– Pai – disse meio que involuntariamente, o coitado do Breu estava realmente se culpando, mas não era culpa dele, então fui até o homem de preto na cadeira de balanço e o abracei, não me pergunte o motivo, talvez tenha sido dó, talvez compaixão ou talvez um abraço carinhoso de filha para pai – A culpa não é sua Breu, o culpado foram aqueles malditos estúpidos fazendeiros que pensaram que eu era uma Bruxa
– Jackie tem razão – disse meu irmão Peter – A culpa não é sua, eu sei que esta sendo sincero em se achar o culpado, mas essa não é verdade.
E pela primeira vez na vida, ou talvez segunda, Breu estava sem palavras. Seus filhos, que ele tanto amava e tanto se arrependia de não te-los protegido, não o culpavam pela as suas mortes. Aquele era o momento mais feliz da vida do pobre Bicho-papão.
– Pai – chamou Peter
– Sim? – perguntou Breu ainda secando umas lagrimas que cismavam de cair
– Como ela era? A nossa mãe – perguntou Peter, ele de nos três com certeza era o mais obcecado em saber como a nossa mãe era, e nisso o Breu soltou um leve sorriso triste.
– O nome dela era Marielle, mas ela gostava que a chamassem de Mary, ela era uma mulher encantadora e ótima cozinheira, corajosa e digamos que era melhor não contrarias a sua mãe – disse ele soltando mais um leve sorriso – Nos conhecemos em um dia de inverno, eu passava por um vilarejo qualquer para dar pesadelos a algumas crianças, mas ela me viu, é muito raro um adulto, principalmente mulher ver algum espírito, mas mesmo assim ela me viu. E mesmo sabendo quem eu era ela converso comigo, conversávamos por horas e no dia seguinte eu voltava, essa era a nossa rotina. Então um dia eu percebi que havia me apaixonado por ela e depois de 1 semana que eu percebi isso tomei coragem e me declarei para ela, ela me respondeu com um beijo. – disse ele por fim e ele voltou a chorar – Nos éramos felizes juntos... Quando vocês morreram eu os transformei em espíritos usando algum tipo de poder veio do meu amor por vocês, mas quando eu contei isso para Mary, ela fico mais triste ainda, pois por algum motivo ela não conseguia ver vocês. Cegada pela tristeza e depressão ela se matou dois dias depois. – Agora uma cascata de lagrimas caia de Breu.
Depois de mais alguns minutos, que para mim pareceram horas, o choro parou, nos três encarávamos o nosso, recentemente descoberto, pai.
– O que vocês pretendem fazer agora? – perguntou Breu
– Como assim? – perguntei confusa, sobre o que ele estava perguntando?
– Sabe, eu sou inimigo declarado dos Guardiões – disse ele – E vocês? Até agora acredito que vocês são neutros
Então eu entendi, esse maldito Breu, mal descobrimos que ele é o nosso pai e já quer nos usar para algum dos seus planos contra os Guardiões. Olhei para os meus os irmãos e eu me surpreendi àqueles idiotas planejavam se juntar a Breu? Então eles olharam para mim e eu entendi o que se passava na cabeça deles: “Breu é nossa única família”, “Ele é o nosso pai”, “Ele vai proteger a gente”, “O coitado vai sofrer se abandoarmos ele”. Soltei um suspiro me dando por vencida, eu nunca iria abandonar os meus irmão e se eles vão se juntar a Breu, nosso pai, eu também irei.
– Pai, é claro que nos... – disse Patrick
– Ficaremos ao seu lado. – completou Patrick
– Afinal – disse por fim – A família deve ficar unida. E se vocês não se importam eu preciso ir lá fora um pouco, e ficar sozinha por um tempo.
– É claro querida, por ir — disse Breu.
– Não me chame de querida – falei baixo o suficiente para somente eu ouvir, e voei por uma abertura no teto do esconderijo.
Sinceramente esse esconderijo precisa de uma reforma, do lado de fora, ou lado de cima, do esconderijo estava uma grande e densa floresta escura, e com a minha abobora iluminei um pouco a floresta, adianto quase nada, mas eu consegui ver um lago. Andei até o lago, me ajoelhei em sua margem e coloquei a abobora ao meu lado. Olhei meu reflexo na água, cabelos ruivos, pele pálida e olhos vermelhos, essa era a minha aparência natural, bem na verdade, quase natural, me concentrei em mudar a cor dos meus olhos, os antes vermelhos eram agora amarelos, exatamente iguais aos olhos dos meus irmãos e de Breu, essa sim era a minha verdadeira aparência como espírito.
Quando voltei para o esconderijo Breu já não estava lá e meus irmãos me esperavam.
– Ué, pensei que você não gostasse dos seus olhos assim – comentou Peter quando viu os meus olhos.
– E não gosto, mas acho que eu não posso mais esconder meus olhos, é a marca da família- disse sorrindo e meus irmãos corresponderam o sorriso – Cadê o Breu?
– Ele falou que precisava descansar, e pediu para fazermos duas coisas – respondeu Patrick.
– Pra que você fala que ele pediu pra fazermos duas coisas e não falou o que ele pediu? – perguntei indignada
– Okay, esquentadinha, ele pediu para espalharmos medo pra ele ficar mais forte e para “avisar” os guardiões sobre nós.
– Vocês tem certeza que devamos fazer isso? – perguntei ainda indecisa
– Jackie, nós somos espíritos do Halloween, querendo ou não esta na nossa natureza, além disso, somos filhos do Breu, não tem o porquê de ficar na duvida, nós nascemos para isso – disse Patrick
E Peter olhou para mim de uma maneira que não deu para resistir, ele sabia que eu estava passando, por que eu sei que ele passou pelo mesmo, eu conheço os meus irmãos.
– Então, acho melhor começarmos indo fazer uma visitinha para os guardiões – Disse por fim e de alguma maneira eu senti alguma coisa mudar em mim, era um sentimento de dor, de vontade de fazer mal aos outros para diminuir a minha dor, mas depois de um tempo com esses sentimentos ele passou.
Chegando ao polo norte, para ser mais exato na oficina do Norte, observamos pela janela antes de entramos. Todos os guardiões estavam lá, eles estavam sentados em uma longa mesa retangular e comiam um belo bufe de natal, e até os duendes e os Yetis estavam participando, todos felizes e alegres, afinal o natal havia sido bem sucedido e sem nenhum tipo de problema. Combinei com os meus irmãos uma entrada “triunfal” e então colocamos nosso plano de entrada em pratica, primeiro eu entrava escondida na oficina e os meus irmãos esperavam pelo lado de fora da oficina e observavam pela janela, depois eu iria até o meio da sala na frente dos guardiões e eu ficaria visível novamente e nesse estante meus irmãos se teletransportariam até o meu lado.
No momento que eu reaparecia escutei um barulho de espanto vindo de fada e alguns pulos de susto vindo de quase todos na sala, e então senti meus irmãos se teletransportando, um de cada lado de mim.
– Jackie, o que faz aqui? – perguntou Norte com uma suspeita na voz, somente Jack dos Guardiões “confia” em mim – E quem são eles?
– Nós – disse apontando para mim e para o meus irmão – Queremos lhes avisar uma coisinha bem importante – disse com um sorriso sádico no rosto, nem parecia ser eu.
– É o seguinte – disse Patrick se pondo um pouco na frente de mim e Peter fez o mesmo e em seguida eles disseram juntos – A partir de agora nós seremos seu pior pesadelo.
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