O vizinho dos meus pais

11 Transformando sapo em príncipe


Notas iniciais
Oi meus amores!! Saudades de mim? Desculpem o atraso, mas tem coisas na vida que fogem do programado. Mas aqui está!! Quero agradecer a todos que deixaram seus recadinhos eu amo cada um e respondo com muito amor. "texto em itálico e entre aspas são pensamentos" Leiam as notas finais.

“Bom dia Konoha! E Seja muito bem vinda quarta! Eu passei a minha tarde de ontem aproveitando ao lado do meu afilhado e isso me deixou muito animado, vê-lo queimando o fogo da juventude foi incrível. E falando nisso... Há coisa mais fofa que uma criança e sua inocência? Eu acho que não. Eles são seres de luz que veem mais do que nós, transformam gestos simples em coisas grandiosas e fazem uma simples pergunta constranger uma sala cheia de adultos. *RISOS*. Por isso eu digo: deixe o dia de hoje na mão de uma criança e se surpreenda com ela. E para completar que tal uma música inspirada em uma conversa de crianças? João e Maria, Chico Buarque.”

Agora eu era o herói
E o meu cavalo só falava inglês
A noiva do cowboy
Era você além das outras três.

–Bom dia Lee. – Sakura preparava o café da manhã. Cantarolava junto da música.

O final e o começo da semana ela passou a maior parte dele no hospital. Não reclamava. De certo modo fez bem para sua cabeça que ficava martelando a imagem de um moreno, alto, forte e de olhar sedutor. Segurou um suspiro. Tudo bem. Admitia que gostaria de ter passado no Sarotubi não somente para vê-lo, mas também para visitar os pais é claro.

Entretanto estava um pouco receosa de ver os Uchiha. Havia dormido na cama do Sasuke, usado a camiseta dele e ainda por cima flertou descaradamente com ele. Mikoto era observadora, com toda certeza havia percebido isso. Logo a senhora Uchiha que era um doce de pessoa? Oh céus! Mas a culpa era do Sasuke. Quem mandou ser tão bonito? Precisava chegar mais cedo do que o esperado estar vestindo uma camiseta branca que marcava seu peitoral e seus braços fortes e definidos, com aquela Dog Tags* pendurada no pescoço, uma calça jeans preta e um coturno igualmente preto, cabelo rebelde e barba por fazer? Ele precisava? Lançar aquele olhar de quem aprovava, com louvor, que ela vestisse sua camiseta? Ele precisava? Contar uma história sobre estar doente, fazê-la se preocupar, ter o rosto masculino anguloso, com olhos ônix profundos e misteriosos, e lábios firmes? E ainda por cima cheiroso? C-H-E-I-R-O-S-O... Pelos deuses, por que aquele homem tinha que ser tão atraente? Qual a necessidade disso?

Sentou-se derrotada.

–Bom dia testa. – Ino se serviu do café. – Tá com essa cara de derrota por quê?

–Não estou com cara de derrota. – Fez uma careta para a amiga.

–Pois parece.

–Mas não estou.

– Ok. Vamos mudar de assunto. Me conta aí, já foi ver o “Sasuke-kun” novamente? – Mordia uma fatia de pão.

Sasuke-“kun”?! – Arqueou uma sobrancelha para a amiga. – Até você com isso?

–Isso o que? – A loira a olhou curiosa.

Sasuke-kun. Porque esse “kun” aí? – Olhou para a loira com cara séria. Ino desatou a rir. – Tá rindo por quê?

– Não tem por que, tem alguém. Você! – Continuava rindo. – Não acredito que você fez essa cara de ciúmes pra mim. Saiba que eu acho o capitão super gotoso, mas sou comprometida e muito bem comprometida.

–Não fiz cara de ciúmes. Só tô querendo entender o motivo pelo qual o Sasuke se tornou Sasuke-kun para um monte de gente. – Lançou um olhar irritado para a amiga por causa do comentário sem sentido. Ela com ciúmes? Ciúmes de que?

Quem mais tá chamando ele assim. A mãe dele? – Ino riu mais um pouco.

Yuno chamou ele de Sasuke-kun semana passada. Na realidade nem sei como ela sabia o nome dele. E eu também ouvi uns cochichos no hospital nos quais eu ouvi um “Sasuke-kun” seguido de risadinhas. – Bebeu mais um pouco da sua caneca.

–Pode existir mais de um Sasuke no mundo. – A loira arqueou uma sobrancelha desafiadora. – Como você pode ter tanta certeza que era o SEU Sasuke?

–Ele não é MEU Sasuke. Mas eu ouvi meu nome logo em seguida, além disso, eu estou sabendo que dentro do hospital estão rolando boatos de eu estar de namoro com o Uchiha. – Olhou sério para a amiga. – Deve ser culpa do pessoal novo, só pode.

Outro assunto agora, vai mesmo sair com o Hidan hoje à noite? – A loira a olhava curiosa.

Vou. – Sakura levantou os olhos da caneca de café e os dirigiu a amiga a sua frente. – Por quê?

–Por nada ué, só para ter certeza. Tava na hora de vocês dois darem uma volta. Hidan também parece um bom pedaço de mau caminho. – A loira riu e Sakura apenas sorriu para o comentário da amiga. – Vamos lá, o que foi?

–Não sei. Parte de mim quer sair com Hidan a outra parte não. – Confessou e olhou a amiga nos olhos.

–Oh! Bem, isso é novo pra mim. Por que uma parte sua não quer sair com ele?- O olhar da loira era curioso.

Se eu soubesse era fácil resolver né porquinha?! Não sei, acho que é só cansaço, até a noite estarei melhor. – Sorriu e piscou para a amiga.

Assim que se fala. – Ino lavou suas coisas. – Vou para minha rotina de malhação com o Sai. Te vejo depois. Beijos. – Saiu cozinha a fora e Sakura escutou a porta bater.

Repetiu sua rotina matinal. Mesmo em seu dia de folga era difícil ficar muito tempo na cama. Por sorte não encontrou Hindan na academia, era melhor que só se encontrassem a noite mesmo, assim evitava gastar toda a conversa agora.

Já em casa e de banho tomado, Sakura olhou o relógio: 09h38min. Era dia de semana, todos seus amigos estavam no trabalho. Sentou na beirada da cama e considerou suas opções. Tirando a parte de ir ao bairro Sarutobi, nenhuma das outras opções lhe pareceu muito chamativa.

Seria muito cedo para aparecer na casa dos seus pais? Concordou internamente que sim.

Levantou em um salto. Precisava por o lixo para fora, repreendeu-se mentalmente, já deviam ter esvaziado as latas do prédio então teria de levar o lixo para a rua . Recolheu o lixo, fechou o saco e desceu as escadas até os latões na frente do prédio, hesitou um segundo ao ver a pessoa que também depositava um saco lá : Idate. Engoliu em seco e se aproximou.

Para sua surpresa os olhos do homem saltaram quando ele a viu se aproximar e ele então recuou um passo.

–Bom dia?!- Sakura arqueou uma sobrancelha, curiosa.

Bo-bom bom dia Sakura. – O homem parecia tenso.

–Você está bem? – Sakura depositou o saco no latão e cruzou os braços.

–Es-estou ótimo. – Ele pôs as mãos no bolso nervosamente. – E você, como vai? – Ele parecia louco para sair dali.

–Vou indo bem, obrigada. – Ela deu um passo à frente e ele recuou um. – Tem certeza que está bem?

–Sim, claro, ótimo. E seu namorado capitão como ele está? – Era impressão ou ele tinha apreensão na voz?

Uhm?! – Demorou em processar a informação. – Sasuke?! Ele vai bem, muito bem na verdade, está lá em cima dormindo. – Enfatizou a mentira para ser mais convincente.

–Oh, fico feliz, muito feliz em saber disso. Desculpe mas tenho que ir. Foi muito agradável. – Ele se atropelava nas palavras com a pressa que tinha. – Mande um “olá” para ele sim?! Adeus. – Saiu sem dizer mais nada.

Sakura ficou olhando o homem entrar em casa, tão rápido que teria dado inveja a qualquer corredor. Ele não a havia assediado e estava com medo. Muito medo e aparentemente era do Sasuke. Se isso a livrava do stalker não tinha do que reclamar, mas o que será que o fez ter tanto medo assim? Sasuke era todo sério, de olhar gélido e até mesmo intimidador algumas vezes, mas ela não havia percebido nada que desse um medo tão grande. Lembrou-se do dia em que ele a salvou de Idate e mostrou e falou algo para o homem, algo que ela não sabia o que era. Deveria interroga-lo sobre isso. Concordou com a cabeça para si mesma enquanto voltava para seu apartamento.

Mal havia entrado e ouviu o celular tocando na mesa da cozinha. Adiantou-se para atendê-lo e o visor indicava Hinata.

–Alô?!Hina? – Sua voz saiu um pouco apreensiva, não era muito comum receber ligações dela essa hora da manhã.

Bom dia Sakura, tudo bem? – A voz do outro lado parecia um pouco apressada.

Estou bem, mas e você? Parece um pouco com pressa.

–E estou. Me diga por favor que você está de folga hoje.

– Sim estou. O que ouve? Aconteceu alguma coisa com as crianças? Com Naruto?

–Se acalme. Na verdade preciso de um favor gigantesco. Você tinha planos pra hoje? – Vozinhas de crianças podiam ser escutadas ao fundo.

Só para a noite, por quê?

–Perfeito! – A voz foi abafada e Hinata falou com Boruto algo que Sakura não entendeu. – Preciso que alguém olhe as crianças agora tarde pra mim. Por favor. Minhas babás dos planos A, B e C não podem cuidar deles hoje, Naruto está ocupado com o trabalho e eu tenho uma reunião importante e de urgência na câmara de educação...Você será minha salvação. Por favor.

–Claro Hina, sem problemas eu adoro as crianças. Não posso negar um favor desses. – Sakura se sentiu aliviada por ser algo assim.

Muito obrigada Sakura, você não faz ideia de como isso vai me salvar. – A voz de Hinata era mais tranquila. – Estou preparando eles, daqui vinte minutos eu passo aí na sua casa par deixa-los.

–Claro. Estarei esperando. Beijo.

–Beijo.

Não poderia negar um favor a Hinata, ela nunca pedia nada, nunquinha. Sempre tinha diversos planos na manga para resolver imprevistos, mas parece que dessa vez nem isso adiantou. Não havia problemas em ficar com as crianças, elas gostavam dela, juntos eles poderiam ir ao parque, tomar um sorvete...

Eu enfrentava os batalhões
Os alemães e seus canhões
Guardava o meu bodoque
E ensaiava um rock para as matinês.

Como prometido Hinata apareceu em seu apartamento pouco tempo depois da ligação. Trajava uma camisa simples branca e uma saia preta de cós alto e que ia até um pouco acima do joelho.

Nem sei como agradece-la Sakura. – Ela abria a porta do carro e começou a desfivelar as crianças das cadeirinhas. – Juro que se não fosse urgente eu não te pediria isso. – Lançou um olhar que continha um pedido de desculpas e colocou Boruto no chão.

–Imagina Hinata. – Sakura se agachou para receber um abraço apertado no pescoço. – Eu adoro as crianças. Vai ser um prazer.

–Eu sei que você gosta das crianças, mas não é justo eu atrapalhar seu dia de folga. – Hinata tirou Himawari do carro e a menininha estendeu os braços para Sakura que a pegou no colo e recebeu um beijo todo carinhoso na bochecha.

Se continuar pedindo desculpas eu vou ficar chateada. Não custa eu te ajudar a cuidar deles se você precisa. Além do mais, eu só tenho compromisso à noite. – Pegou as mochilas, provavelmente cheias de brinquedo, que Hinata lhe entregava.

Vai sair? – Hinata fechava as portas do carro e se agachou para beijar o filho.

Sim, tenho um jantar com Hidan.

–Oh, bem isso é realmente inesperado. – Hinata agora se despedia da filha.

Por que inesperado? – Sakura arqueou uma sobrancelha para a morena.

–Por nada só pensei que, sei lá, você estivesse interessada no Sasuke. Só isso. – Hinata entrava no carro.

–Quantas vezes tenho de dizer que nós somos só amigos?! – Sakura se aproximou um pouco do vidro.

Não está mais aqui quem falou. – Hinata sorriu. – Obrigada mais uma vez. No final da tarde eu ou Naruto passamos pega-los.

Sakura e as crianças acenaram para o Hinata que virou a rua e sumiu de vista. A rosada levou as crianças para cima. Elas contavam coisas de criança e Sakura ria das histórias. Deixou os dois sentadinhos no sofá assistindo a programação infantil quando perguntou sobre a preferência para o almoço escutou um insistente batatas fritas vindo deles.

O celular de Sakura tornou a tocar o visor exibia Senhor Yoko. Atendeu.

–DOUTORA, É UMA EMERGÊNCIA, MEU BEBÊ VAI TER UMA ESPOSA. NÃO, NÃO, MINHA ESPOSA VAI TER O BEBÊ. – O homem gritava e era mais que perceptível o medo em sua voz. O casal Yoko eram um dos casos de gravidez de risco que ela acompanhava.

–Senhor Yoko se aclame, por favor, não ajuda em nada esse seu desespero. Agora me diga, a bolsa estourou? – Sakura mantinha o tom sério de médica.

– Sim e inclusive ouve início de sangramento. Estamos na ambulância a caminho do hospital, chegaremos em cinco minutos. – A voz do homem era sofrida.

–Certo irei ligar para o hospital e pedir para que preparem a sala de cirurgia, vamos precisar de uma cesárea de emergência. Vejo vocês lá. – Sakura nem esperou a resposta do homem e desligou o celular. Ligou para o hospital e pediu para que preparassem tudo. Ia para quarto quando deu de cara com as crianças a olhando sem entender o motivo de tanta urgência em sua voz.

“Droga as crianças! O que ela ia fazer?”

Agora eu era o rei
Era o bedel e era também juiz
E pela minha lei
A gente era obrigado a ser feliz.

–Meus pais! – Pegou o celular novamente e discou o número da casa dos pais. Torceu para que eles não demorassem a atender. Tocou, tocou, tocou...Até que Sakura ouviu a voz da mãe.

Alô? – A voz de Mebuki era doce.

Alô mamãe?! Tenho uma urgência no hospital e preciso de um favor. – Sakura não podia se alongar na conversa. – O papai pode vir buscar as crianças da Hinata aqui em casa? Ela precisou da minha ajuda, mas uma das minhas pacientes de risco está indo para o hospital, precisa ser agora. – O tom de voz de Sakura era sério e urgente.

Claro querida deixe os pronto. – O telefone foi desligado e Sakura se apressou.

Crianças tia Sakura precisa ir para o hospital, então vocês vão para a casa dos tios Haruno, tudo bem? Vocês conhecem o lugar e sabem que lá é bem mais divertido e depois a tia Sakura vai leva-los para tomar sorvete, que tal. – Sakura estava agachada para ficar na altura das crianças e eles concordaram rapidamente, eles gostavam do quintal dos Haruno.

A rosada se trocou rapidamente, recolheu as poucas coisas que as crianças haviam espalhado e desceu. Qual foi sua surpresa quando viu um Sasuke parado em frente ao seu prédio. Ele guardou o telefone no bolso assim que a viu se aproximar.

Sasuke?! Onde está meu pai? – Himawari estendeu os bracinhos para o moreno assim que eles se aproximaram.

O pneu do carro estava murcho. – Ele disse pegando Himawari no colo com um braço e pegando as duas mochilas no outro. Sakura reparou que a camiseta preta dele tinham algumas manchas de terra, mas não tinha tempo para se importar com isso.

Certo, tudo bem. Crianças o tio Sasuke vai levar vocês. Se comportem ok? – Sakura observou Sasuke abrir a porta de trás da camionete e colocar Himawari e as mochilas lá dentro, Boruto nem se mexeu.

Não quero ir com ele. – A criança cruzou os braços.

Por que querido? – Sakura se agachou para ficar na altura dele.

–Eu não conheço ele e ele também é muito grande e dá medo. – Boruto olhava nos olhos de Sakura, ela quis rir da inocência da criança. Sasuke tinha uma sobrancelha arqueada e olhava para os dois.

Ele já foi na sua casa e ele é amigo da tia, e ele não mau, só tem essa cara séria. – Tentava persuadir a criança, mas ela parecia impassível de ser convencida. Boruto não era uma criança que se apegava rápido e fácil como Himawari, ele era extremamente genioso. – Boruto a tia Sakura precisa ir ao hospital, por favor vá com o tio Sasuke. – Lançou um olhar pedinte ao garoto que apenas acenou um não com a cabeça.

–Eu sei fazer um salto igual ao do Max Xtreme. – Sasuke apontou para a camiseta que o garoto vestia, nela um personagem dava um tipo de mortal vestido em roupas camufladas. – E tenho um boné igual também. – A voz de Sasuke era séria, mas ele abriu a porta da frente da camionete, abriu o porta-luvas e retirou um boné camuflado de lá de dentro, era realmente parecido com o do desenho. Colocou o na cabeça de Boruto. Os olhinhos do garoto se iluminaram.

– Você me mostra? – Ele segurava o boné na cabeça como se fosse um prêmio e olhava para Sasuke com os olhinhos brilhando.

–Só se você vier comigo e deixar a tia Sakura trabalhar. – Sasuke fechou a porta da frente aberta e sorriu de lado para o garoto. Boruto a olhou com os olhinhos cheios de expectativa.

–Tia Sakura eu vou com ele. – Boruto lhe laçou o pescoço, depositou um beijo na bochecha e depois correu para a porta aberta da camionete, Sasuke precisou ajuda-lo a subir e logo depois fechou a porta. Sakura levantou-se e olhou Sasuke nos olhos.

–Você vai sempre me salvar assim? – Ela sorriu e tocou o rosto dele.

–Hm. –Ele deu um sorriso de lado.

–Obrigada. Deixe eles com os meus pais e eles saberão o que fazer. Preciso ir tenho pressa. – Depositou um beijo na bochecha dele e saiu, nem esperou pela partida deles.

E você era a princesa
Que eu fiz coroar
E era tão linda de se admirar
Que andava nua pelo meu país.

O parto de sua paciente foi complicado. Tiveram algumas complicações, o bebê estava com o cordão umbilical enrolado no pescoço a mãe deve um início de hemorragia. Mas tudo deu certo no final, o bebê nasceu saudável a mãe estava fora de risco e os dois passam bem. Depois de algumas horas no hospital e da cesárea complicada Sakura estava cansada e com fome.

Dirigiu-se para casa de seus pais, 13h43min. Chegou estacionando no lugar de sempre. Dirigiu-se para a porta dos fundos e estranhou o excesso de silêncio. Não que as crianças fossem tão bagunceiras, mas onde tem criança tem barulho.

–Mãe? Pai? – Chamou entrando pela porta dos fundos.

Sakura meu amor. – Mebuki se aproximou secando a mão em um pano de prato e abraçou. – Como você está? Como foi sua emergência?

–Oi mãe. – Sakura retribuiu o abraço. – Eu estou bem. Minha paciente teve que sofrer uma cesárea e o bebê tinha o cordão umbilical enrolado no pescoço, mas no final deu tudo certo e os dois estão bem. E com vocês mãe?

– Estamos bem querida. Fico feliz que tenha dado tudo certo, imagino como essa mãe deve ter ficado assustada com tudo isso. – Ela voltou para o fogão que ela limpava.

Onde está o papai? E as crianças? – Sakura foi até a sala e esticou a cabeça pela escada depois voltou para cozinha. – Está tudo tão silencioso.

–Seu pai está lá em cima consertando a porta do guarda roupa. – Mebuki riu. – E as crianças estão na casa ao lado.

–Vocês deixaram as crianças com os Uchihas? – Sakura arqueou uma sobrancelha para a mãe como se não acreditasse no que ela disse.

Não me culpe. Elas que quiseram ficar com o Sasuke. – Mebuki riu novamente.

– Boa tarde querida. – Kizashi se aproximou com uma pequena caixa de ferramentas na mão e depositou um beijo na bochecha dela. – Nenhuma das nossas táticas de conquista foi suficiente para que as crianças ficassem aqui. – Ele riu.

– Eles chegaram aqui, Sasuke desceu eles da camionete, mas eles não ficaram nem cinco minutos aqui. – Mebuki contou.

– Boruto disse que o Sasuke ia ensinar um pulo pra ele ou algo tipo. Você acredita que o Sasuke consegue dar um salto daqueles que vira o corpo e salta pra trás? Sei lá como explicar isso. – Kizashi olhava impressionado para a filha. – Boruto só faltou adora-lo. Sasuke estava mexendo no jardim antes de ir busca-los e depois que chegou voltou a mexer e as crianças ficaram ajudando ele ou atrapalhando. – Riu. – Mas aparentemente Sasuke não se importou.

Risinhos e vozinhas de crianças foram ouvidas vindo na direção da casa e logo esta foi invadida por Boruto e Himawari que correram para suas pernas e a abraçaram, o garoto ainda não havia tirado o boné militar.

Eu cheguei primeiro. – Boruto olhou para irmãzinha e mostrou a língua.

Não chego, eu chego. – Himawari olhou séria para o irmão.

Sasuke ficou na porta observando as duas crianças agarradas na perna da rosada e disputando a atenção da mesma.

–Sasuke meu garoto, estávamos falando de você e de sua incrível capacidade de encantar as crianças. – Kizashi riu para o moreno e olhou para as crianças. – Mas parece que você terá de disputar a atenção delas com a Sakura. – Saiu pela porta recebendo apenas um aceno de cabeça e um sorriso de canto do moreno.

–Sasuke, obrigada por olhar as crianças. — Sakura lhe lançou um de seus melhores sorrisos e ele deu um de seus sorrisos de lado.

–Tia Sakura o tio Sasuke sabe pular igual o Max e ele sabe lutar também e ele também é forte e grande e eu quero ser igual o tio Sasuke quando eu crescer. – Boruto olhava com os olhinhos brilhantes para Sakura.

Agora ele é o tio Sasuke? – Sakura riu e olhou do Boruto para Sasuke, uma coisa era certa se Boruto ficar forte, alto e aliar isso aos seus olhos azuis e cabelo loiro, com toda certeza era seria o pacote completo para as garotas do futuro. Riu mais um pouco. O garotinho fez um aceno para que ela se abaixasse e assim ela o fez.

É porque ele é legal tia Sakura. – Segredou baixinho. – Mas ele ainda dá um pouco de medo. – Olhou de esguelha para o moreno parado na porta como se torcesse para que ele não ouvisse. Sakura riu mais um pouco.

–Tia Sakula, o tio Sasuke fez um balanço. Um balanço bem grandão que dá pra voar nas nuvens. – Himawari puxava de leve a manga da camiseta verde dela.

Oh! Ele fez?!- Sakura olhou para o moreno que deu de ombros.

Feizi. – A menininha gesticulou fortemente com a cabeça. Sakura riu.

–A gente vai pro parquinho agora?- Boruto perguntou animado.

–Agora não. O sol ainda está muito quente e a tia Sakura ainda nem almoçou. – Ela se levantou e bagunçou os cabelos do garoto. – Mas podemos ir mais tarde. – Sorriu para as crianças. – Agora não tá na hora do desenho? – Sakura olhou para o relógio no pulso.

–Desenho!- As crianças gritaram juntas e correram para a sala. Mebuki os seguiu com um sorriso no rosto.

Obrigada novamente por olhar as crianças. – Não deixou de sorrir para o Uchiha. Se quiser podemos ir com eles ao parque.

–Não, obrigado. Vou ter de dispensar a oferta. – Sasuke cruzou os braços e sorriu de lado.

“Por que ele tem que sorrir assim?!”

– Tudo bem. — Sorriu. - Deixe me almoçar antes que eles terminem de ver o desenho e voltem querendo ir ao parque. – Recebeu um pequeno aceno de cabeça de despedida de Sasuke e foi procurar sobras do almoço na geladeira.

Não, não fuja não
Finja que agora eu era o seu brinquedo
Eu era o seu pião
O seu bicho preferido.

Olhar as crianças de Naruto e Hinata era relativamente simples. Como eram pequenos era só não deixarem se afastar muito ou brincar com algo perigoso, no mais era tranquilo e divertido. Passaram parte da tarde no parque. Fazia muito tempo que Sakura não tirava um tempo para ir até lá, observou as crianças maiores brincando, o playground, os velhinhos, mães com seus filhos... Tudo muito normal. Quando voltaram para a casa dos Haruno, Sakura finalmente viu o tal balanço, pois as crianças não pensaram duas vezes antes de correr pelo quintal dos Uchiha.

Um balanço de pneu pendurado na árvore no quintal dos fundos dos Uchiha. Sentiu-se nostálgica. Tinha um desses em sua casa até que a frondosa árvore tivesse de ser cortada devido a uma infestação de cupins que comprometeu-a.

Vem, me dê a mão
A gente agora já não tinha medo
O tempo da maldade
Acho que a gente nem tinha nascido.

–Sakura querida. – A voz doce de Mikoto a chamou.

Boa tarde dona Mikoto. Como vai? – Sakura sorriu para a morena.

–Vou muito bem obrigada. E você como vai? Sasuke me disse que teve uma cirurgia importante de emergência hoje. – Mikoto a olhou preocupada e depois olhou para as crianças que brincavam juntas.

Uma das minhas pacientes deu a luz antes da hora e por ser uma gravidez de risco ela precisava de toda a atenção. Mas no final correu tudo bem, ela e o bebê estão fora de perigo e se recuperam no hospital. – Sakura sorriu para Mikoto e sentiu uma mãozinha puxar a mochila de sua mão. Himawari queria alguns brinquedos, entregou sem relutar e logo Boruto veio em busca da sua.

Que bom, fico feliz que tenha dado tudo certo. Crianças são uma benção. E sempre me fazem lembrar dos meus quando pequenos.

Sasuke apareceu no quintal carregando um vaso grande feito de barro.

–Oh filho, você trouxe! – Mikoto se adiantou para mostrar onde colocar e Sasuke logo retornou para a frente de casa e trouxe outro vaso semelhante. – Vou plantar patas de elefante. – Contou para a rosada. E depois virou para o filho novamente. – Obrigada querido. – Sasuke apenas concordou com um aceno. Mikoto entrou na casa.

–Tia Sakula, vem blincar comigo. — Himawari a puxou pela mão na direção do balanço, a criança vestia uma espécie de asa de borboleta nas costas e segurava uma varinha com uma estrela na frente. – Eu sou a fada madlinha. E você é a princesa e o balanço é a cadeira da princesa.

Sakura sentou-se no balanço e Boruto se aproximou.

–Sou o guarda Boruto princesa. – O garotinho fez uma espécie de reverencia e apontou o boné camuflado.

Oh sim, você é o guarda da princesa?! Sinto-me muito protegida obrigada.– Depositou um beijo na bochecha do garoto e o viu corar de leve.

–Eu ganhei um beijo da princesa ?! – Levou a mãozinha ao rosto e sorriu, saindo logo em seguida gritando ordens para soldados imaginários. Sakura sorriu com a inocência das crianças.

Aqui tia Sakula. – Himawari trazia uma coroa do Burguer King um tanto amassada na mão, mas a rosada entendeu o recado e baixou a cabeça para que a garotinha colocasse ali a coroa. – Pronto agola você é a princesa e eu sou a fada. – A garotinha saiu correndo pelo quintal com os braços abertos. Sakura riu e se segurou nas cordas que prendiam o balanço.

Sentiu uma mão grande e firme lhe tocar o centro das costas. Endireitou-se num rompante.

– Posso empurrar Vossa Majestade? – A voz masculina soou deliciosamente perto da orelha e os pelinhos da nuca da rosada se arrepiaram. Ela quase fechou os olhos para aproveitar a sensação, mas se segurou, limitou-se apenas a concordar com um leve aceno.

Agora era fatal
Que o faz-de-conta terminasse assim
Pra lá deste quintal
Era uma noite que não tem mais fim.

Sentiu então as duas mãos se acomodarem em suas costas e sentiu um leve empurrão, mas o suficiente para o balanço se mover, na volta sentiu as mãos masculinas lhe tocarem novamente, um arrepio gostoso percorreu seu corpo. Fechou os olhos e aproveitou a sensação do vento e das mãos que, mesmo firmes, lhe tocavam com leveza. Sentiu a coroa voar da cabeça e logo depois não sentiu as mãos masculinas na volta. Pôs os pés no chão e parou o balanço. Olhou para trás e viu Sasuke recolhendo o objeto do chão para logo depois deposita-lo de volta na cabeça da rosada. Ela sorriu e ele retribuiu com um sorriso de canto.

“Lindo!”

Assim que Sakura voltou a olhar para frente percebeu que Himawari olhava para os dois e dava leves batidinhas com a varinha do lado da cabeça como se pensasse em algo, o que Sakura logo confirmou quando a menininha parou o movimento e sorriu gigantescamente para a rosada e veio em sua direção.

–Eu já sei. – Puxou Sakura pela mão a colocando de pé. – Tia Sakula é uma princesa e princesas tlansformam sapos em príncipes. – Sakura arqueou uma sobrancelha para a criança sem entender a lógica da situação e entendeu ainda menos quando ela se dirigiu a Sasuke e o puxou pela mão até trazê-lo e deixa-lo frente a frente com a rosada. Ela ficava na altura do peitoral masculino que marcava de leve o tecido da camiseta azul que ele vestia. Os braços fortes e musculosos marcavam a manga da camiseta e se desenhavam lindamente fora dela. Sakura quase suspirou ao subir os olhos e se deparar com os olhos ônix lhe fitando de cima. – Tia Sakula beija o tio Sasuke e ele vira príncipe.

Sakura tombou a cabeça de lado enquanto tentava processar. Sasuke fitou a criança e arqueou uma sobrancelha.

De onde você tirou isso Hima-chan? – Sakura resolveu perguntar a criança.

Eu vi um filme de princesas onde o sapo vira príncipe quando a princesa beija ele. – A garotinha sorriu ainda mais com a lógica que apresentava aos adultos. – E o tio Sasuke disse que era um sapo e eu quero que ele seja um príncipe para poder brincar com a gente, então a tia Sakula tem que dar um beijo nele. — Sakura olhou da criança para o Uchiha do Uchiha para a criança, olhou de volta para Sasuke e viu o sorriso de lado e o dar de ombros do moreno. – Vamos tia Sakula, antes que os inimigos invadam o castelo. – A criança a empurrou na direção do Uchiha.

–Não sei de onde você tirou isso, mas tudo bem. – Sakura ficou na ponta dos pés e Sasuke nem se mexeu, aproveitou-se um pouco da situação e apoiou as mãos nos peito firme e então ela depositou um beijo calmo na bochecha direita do moreno, demorando-se um pouco mais que o necessário para aproveita perfume que exalava do moreno.

Cheiroso!”

–Não, assim não! – Himawari inflou as bochechas. – Tem que ser que na boca. – Himawari empurrou as pernas de Sasuke dessa vez.

–Hima-chan, não é bem assim que funciona. Adultos não podem ficar se beijando assim do nada. – Sakura tentava explicar para a criança que continuava empurrando, sem sucesso, a perna esquerda do moreno.

Mas sem um beijo o tio Sasuke não pode ser príncipe. Você quer ser pla sempre sapo tio Sasuke?- A menininha não desistiu de empurrar, mas olhou firme para os olhos do moreno que a encarava. O Uchiha desviou o olhar para a rosada.

Sakura o encarou, olhos verdes no ônix.

Talvez não fosse tão ruim transformar um sapo daquele, e que sapo, em um príncipe. Mas seria certo?

Os olhos dela vagaram pelo rosto anguloso e pararam na boca bem desenhada do moreno, sentiu-se molhar os lábios e voltou rapidamente aos olhos.

Princesa! –Boruto correu na direção deles montado em um cabo de vassoura. “Onde ele tinha arranjado aquilo?” – Os inimigos estão chegando. Precisamos de ajuda.

Sakura voltou a olhar para Sasuke, fitando rapidamente os olhos e olhando novamente para os lábios. “Que gosto teriam?” Percebeu um dos cantos dos lábios se curvarem, subiu o olhar e os cravou nos olhos negros, Himawari continuava empurrando a perna de Sasuke, Boruto corria ao redor deles montado no cabo de vassoura, mas tudo isso sumiu de sua mente quando ela sentiu o braço forte enlaçar a sua cintura e com uma pegada forte, e que pegada, puxa-la para mais perto fazendo a rosada apoiar as mãos no peito trabalhado e aproximar os rostos. Sakura foi fechando os olhos lentamente junto com o aproximar de dos lábios do moreno, até que eles se tocaram.

No começo não passou de um encostar de lábios. Mas Sakura gostou da sensação de descarga elétrica que percorreu seu corpo e levou uma das mãos a nuca do Uchiha e o puxou com mais vontade apertando os lábios um contra o outro e iniciando um beijo mais profundo. Sentiu o braço forte a apertar mais contra o corpo masculino e Sakura pode sentir que os corpos se encaixavam lindamente.

Sentiu a língua de Sasuke pedir passagem e quando ia autorizar sentiu mãozinhas empurrando os corpos tentando afasta-los.

–Chega. – A vozinha infantil da garotinha lhe entrou nos ouvidos.

Separaram-se lentamente, Sakura inda segurava a cabeça dele com a mão e seus olhos foram da boca semiaberta do Uchiha para os olhos do mesmo deslizando suavemente a mão pelo peito dele, e pode perceber que ele também estava reabrindo os olhos e fazia o mesmo percurso e mantinha a pegada na cintura dela.

Eca! – Boruto gritou e tirou os dois do transe, fazendo Sasuke soltar sua cintura e ela soltar a cabeça dele. – Não acredito que eles se beijaram. Isso é nojento. – Boruto fez cara de nojo pondo a língua pra fora.

Não é não. Agora tio Sasuke é príncipe. – Himawari mostrou a língua para o irmão que revidou na mesma moeda.

Bem, é, bem, é...Crianças por que vocês não voltam a brincar? – Sakura sugeriu para as crianças se agachando na altura de Himawari que estava mais perto.

Sem graça, envergonhada e sem saber o que fazer. Nesse exato momento era assim que ela se sentia. Pelos deuses como aquele homem era a perdição. Sua mente só conseguia pensar nele durante o toque dos lábios. Segurou um suspiro. Himawari concordou com a cabeça e saiu correndo atrás de Boruto e agora ela teria de encarar Sasuke.

“Mas como?”

–Hima-chan, Boruto!. – A voz do Naruto foi ouvida e ele apareceu logo em seguida. – Papai veio busca-los.- Um sorriso típico dele apareceu e ele então abriu os braços para o qual as crianças correram gritando Papai.

“Salva pelo gongo.”

Pois você sumiu no mundo
Sem me avisar
E agora eu era um louco a perguntar
O que é que a vida vai fazer de mim.

Notas finais
E aíiiii?? Pra começar o GAIDEN LACROU A VIDA!! Tô emocionada até agora. Gostaram do capítulo? Teve beijo.....ebaaaaa!! E as coisas vão começar a desenvolver mais fácil (ou não). aushaushaush Quero agradecer todos que comentaram o último capítulo pois vocês são uns lindos. Música: João e Maria-Chico Buarque *Dog tags são aquelas plaquinhas de metal para identificação do militar. Espero ansiosa os reviews de vocês seus lindos. Valeu quem leu....Fui!