O vizinho dos meus pais
17 Rugindo
Notas iniciais
Sakura saiu do hospital cansada depois de um plantão exaustivo com direito há três emergências gerais e uma de suas pacientes. Seus pés e suas costas pediam descanso. Abriu a porta do carro e pendurou o jaleco no banco do carona, sentou-se e suspirou derrotada deitando a cabeça no encosto do banco e fechando os olhos por um instante. Pensou em suas primas que estavam na casa dos seus pais e ponderou se seu corpo cansado merecia passar por tal prova de dedicação. Lembrou-se de um belo par de ônix que faziam conjunto com cabelos negros rebeldes, músculos maravilhosos e um bumbum de dar inveja, talvez seu corpo merecesse essa prova de dedicação, mas só de lembrar de Saya seu pensamento retrocedia. Ligou o carro sem saber ao certo o que fazer.
“São nove e vinte dois, eu sou Kiba e vocês já sabem que estarei aqui com vocês até o meio dia trazendo as melhores músicas pra animar o seu domingão. Quem não tem aquela pessoa chata que fica te pondo pra baixo? Que fica tentando enfiar na sua cabeça que você não pode nada? Aquele serzinho das trevas que tá ali só pra te azucrinar? Quanto tempo faz que você aguenta isso hein? Vai lá cara, levanta, sacode a poeira e mostra essa pessoa incrível que você é. Pra te inspirar vou mandar essa aqui pra vocês, Katy Perry, Roar. Libere seu lado animal e vem rugir também!”
I used to bite my tongue and hold my breath
Eu costumava morder minha língua e prender a respiração
Scared to rock the boat and make a mess
Tinha medo de virar o barco e fazer bagunça
So I sat quietly, agree politely
Então me sentava quieta, concordava educadamente
I guess that I forgot I had a choice
Acho que me esqueci que tinha uma escolha
I let you push me past the breaking point
Deixei você me empurrar além do ponto
I stood for nothing, so I fell for everything
Suportei por nada, então eu caí por tudo
Sakura deixou que a música a inspirasse. Estava na hora mesmo de encarar esse receio juvenil e voltar a reencontrar a prima que não via há um bom tempo. Quando adolescentes, Saya era tudo o que os garotos com os hormônios a flor da pele queriam: linda, loira e “gostosa”. E ela poderia ser a definição de patinho feio, sem peito, magrela, cabelo estranho e testa enorme. Um terror. E tudo piorou quando a família dela se mudou para Konoha por um tempo. Sakura se sentia mal todas as vezes que os garotos a comparavam com sua prima e ficava ainda pior quando Saya resolvia dar uma de “boa samaritana” que de bondade não tinha nada. Depois dos dezesseis, Sakura começou a sentir os milagrosos efeitos da puberdade que sua prima já havia sentido, mas é claro que para a rosada toda a mudança foi bem mais humilde. Quando os meninos começaram a se interessar por ela, Saya percebeu que seus “domínios” estavam sendo ameaçados... Os meros dotes mortais de Sakura não foram suficientes para manter seus possíveis pretendentes interessados quando sua prima loira passou a jogar charme para todos eles. Só quando Sakura foi para a faculdade e conheceu Ino, que sua autoestima foi “criada” e a partir daí ela pôde experimentar as vantagens de ser uma mulher poderosa.
Enquanto Sakura se tornava médica sua prima investia na carreira de modelo, onde aparecia com frequência em capas de revistas de fofocas e tabloides. Atores, jogadores e empresários caíram aos montes na mão de Saya e isso havia acostumado a prima a ter sempre tudo que queria, inclusive os homens.
Sakura podia ter suas aventuras da faculdade e até mesmo após ela, mas nada que se comparasse a prima. Respirou fundo estacionando na frente da casa de seus pais, olhou para a casa dos Uchiha e viu a camionete estacionada na rua, um balde e a mangueira estavam deixados ao lado dela. Sakura desceu do carro e olhou e volta buscando a imagem do capitão Uchiha. Nada. Caminhou-se para os fundos da casa e mal tinha chegado na metade do caminho quando ouviu as risadas e conversas que vinham da cozinha da casa.
Midori e o noivo estavam sentados um do lado do outro e de frente para a porta, Kizashi se sentava na ponta da mesa, Mebuki , em pé, servia café nas xícaras em quanto sorria e olhava, juntamente com os outros, na direção da moça que se encontrava de costas para a porta. Mas não era necessária muita observação para saber que o corpo escultural e o cabelo loiro amarrado num elegante rabo de cavalo, pertenciam há Saya. Ela vestia um legging rosa na altura do umbigo, um tênis rosa com detalhes em amarelo, um top preto e sobre ele uma curtíssima e larga camiseta branca que não se dava ao trabalho de cobrir aquela barriga chapada e lisa que a loira exibia. Todos continuaram rindo, mas se viraram para a rosada assim que ela pôs os pés na porta da cozinha. Saya foi a primeira a se adiantar para ela lhe dar um abraço que Sakura retribuiu de bom grado, sentiu as costas úmidas da prima e observou o rosto corado, sinais claros de que estava praticando algum tipo de atividade física recentemente.
– Saky! — Saya manteve as mãos no ombro de Sakura e a olhava nos olhos. — Você está péssima. — Riu. — Bem que a tia disse que você estava num plantão extenso... Prima... você está com umas olheiras enormes. - Riu mais um pouco e Sakura forçou uma pequena risada.
– Tive uma longa noite e uma extensiva madrugada. — A rosada se soltou da prima e abraçou a mãe, em seguida cumprimentou Midori e o noivo e por último o pai que permaneceu sentado tomando seu café tranquilamente.
– Você está bem querida? — A mãe perguntou lhe estendendo uma xícara com o líquido preto fumegante e indicando a cadeira vazia ao lado de Kizashi.
– Estou, apenas um pouco cansada, tive algumas emergências durante a madrugada e isso deixa a gente mais exausto. Mas estou bem. E vocês? — Sakura sorriu e apertou a mão da prima Midori por sobre a mesa e recebeu o sorriso gentil da mesma.
– Melhor impossível. — Midori abriu um sorriso gigantesco e apertou de leve a mão da prima. — Estou com as pessoas que eu amo, comendo um bom desjejum e convidando vocês para o meu casamento, tudo caminha bem. Do que eu teria que reclamar? — Sorriu virando a cabeça para o lado e recebendo um selinho carinhoso do noivo. — Como anda a vida do hospital, Saky?
– Tumultuado como sempre. Tsunade vem me dando cada vez mais obrigações, mas pelo menos a ala infantil para qual eu dei a ideia está caminhando e isso me deixa muito feliz, inclusive a própria Tsu me disse que há alguns médicos interessados tanto no projeto quanto no investimento do mesmo e isso me deixou ainda mais empolgada para vê-lo funcionando.
– Fico muito feliz que seu projeto esteja dando certo querida, lembro-me como se fosse ontem quando você se descabelava para escrever o projeto perfeito. — Kizashi sorriu e acariciou o braço da filha. — Lembra Mebuki? Sakura estava com olheiras enormes no dia da apresentação do projeto, foi um Deus nos acuda até ela aceitar que estava bonita o suficiente para falar na reunião. - Kizashi recebeu um beijo no topo cabeça dado pela esposa quando ela o abraçou pelas costas.
– Foi muito difícil convencê-la de que as olheiras estavam disfarçadas pela maquiagem, mas no fim ela foi lá e arrasou. — Mebuki riu acompanhada do marido.
– Nem precisa lembrar desses detalhes. — Sakura e os outros acompanharam as risadas. — Mas enfim, quando será esse casório ?
You held me down, but I got up
Você me segurou, mas eu me levantei
Already brushing off the dust
Já tirando a poeira
You hear my voice, you hear that sound
Você ouve minha voz, ouve aquele som
Like thunder, gonna shake the ground
Como um trovão, vou fazer o chão tremer
You held me down, but I got up
Você me segurou, mas eu me levantei
Get ready, ‘cause I've had enough
Prepare-se, porque eu já cansei
I see it all, I see it now
Eu vejo tudo, eu vejo agora
Conversaram um pouco mais sobre o casamento da prima Midori enquanto Saya dava-se ao luxo de fazer pequenos comentários sobre o evento e Sakura não pode deixar de observar como a loira parecia ainda mais bonita e madura, as feições ainda eram delicadas como Sakura se lembrava, mas agora traziam traços ainda mais femininos, a rosada podia ter seus contras, mas tinha de admitir que a prima tinha uma aparência muito angelical. Saya dissertava sobre as opções de local que Midori demorou para escolher, mas parou de falar de supetão e se levantou desculpando-se .
– O Uchiha disse que precisava lavar a camionete dele e eu como uma mulher muito prestativa devo ir lá e perguntar se ele precisa de ajuda, é claro. — Ela riu e os demais, exceto Sakura , a acompanharam. — A propósito tia, depois podemos falar um pouco do vizinho bonitão ali, fazia tempo que não via um real tão... como posso dizer... gostoso? — Piscou para Sakura e Midori repreendeu a irmã enquanto ria. — Vamos lá Midori, eu conheço muitos homens bonitos, mas muitos deles são fúteis ou coisa pior esse me parece tão autêntico.
– Conversaram durante a corrida Sa? — Mebuki perguntou entre um gole de café.
– Ele não é de falar muito, tentei puxar uma conversa, mas ele é bem evasivo. — Sorriu pensativa. — Mas não tem problema eu adoro um desafio. — Apertou de leve o ombro de Sakura e piscou, mais uma vez, marotamente para a rosada e saiu da cozinha.
– Saya correu com o Sasuke? — Tentou parecer desinteressada do assunto, mas sentia uma leve ansiedade a corroer por dentro.
– Ela disse que gostava de se exercitar logo pela manhã e então eu tomei a liberdade de pedir ao Sasuke que a acompanhasse, ele como bom rapaz que é, não recusou. — Kizashi olhava para a filha e sorria. — Acho que Saya gostou dele.
– Ele é adorável e muito bonito Kizashi, como não gostar? — Mebuki virou-se para o marido e depois para a filha que os olhava.
– Acho que esqueci meu carro aberto, preciso ir dar uma olhada. — Sakura se levantou pegando as chaves do carro de dentro da bolsa. — Eu já volto. — Saiu da cozinha indo na direção de onde havia deixado o carro. E não demorou muito para ver Saya quase que debruçada por sobre a cerca observando um Sasuke lavar a camionete.
– Apreciando a visão? — Sakura se aproximou da prima e cruzou os braços alternando o olhar da loira para o moreno.
– E como! Com um desses eu abria um lava-jato fácil. — Sorriu maliciosamente na direção do moreno, coisa que Sakura não pode deixar de perceber. — Não vai me dizer que não gosta, não é? — Riu olhando para a rosada. — Você melhorou muito desde a adolescência.
– Oh eu gosto sim. É uma bela de uma visão e obrigada pelo elogio se é que posso considerar como um. — Sakura olhava para Sasuke que estava concentrado em seu trabalho.
– Que isso Saky, você sabe muito bem que nunca foi nada de especial no colégio. — A loira também não tirava os olhos do moreno. — Mas fico feliz que a puberdade tenha feito seu serviço. — Ela riu de leve e mordeu a unha do polegar. — Quando você vem visitar seus pais e vê essa belezura tenho certeza que se arrepende de ter se mudado, até eu queria me mudar para cá, e posso te contar um segredo? — Sakura olhou para a prima e concordou com um aceno de cabeça. — Ele já foi namorado da minha ex-produtora. – Saya olhou Sakura nos olhos e sorriu. — Pois é, eu o vi pouquíssimas vezes e quando o vi era um simples cumprimento ou nem isso, entretanto minha cabeça não se lembra dele ser tão bonito, mas já que ele está disponível e eu em busca... Nada nos impede.
– E o seu namorado modelo? — Sakura perguntou agora olhando para o rosto de perfil da prima.
– Terminamos há um bom tempo já e as revistas começaram a perguntar o que eu ando fazendo que não tenho um novo affair, mas acho que isso está prestes a mudar. - Ela apertou o rabo de cavalo e saiu portão a fora na direção de Sasuke que usava a mangueira para tirar a espuma da camionete. Sakura ficou observando à loira se aproximar. E para completar a cena a rosada viu Sasuke tirar a camiseta de forma lenta após desligar a mangueira e recebeu da prima uma piscadela toda animada. Ficou olhando o desenrolar da cena.
Saya se aproximou de Sasuke e Sakura podia ouvir a conversa dela com ele, que não passou de um “oi” e “posso ajudar” que foi respondido por um “não” e “obrigado”. Sakura quis rir, levou uma das mãos à boca a cobrindo. Enquanto via a loira tentar puxar conversa com um Uchiha todo sério. Não demorou muito e Saya deu meia volta para o quinta, provavelmente repensando em suas técnicas de abordagem, enquanto ela se afastava os olhares de Sakura e Sasuke se encontraram por um instante e ela o viu sorrir de lado e não pode deixar de retribuir.
– Que tipo de homem não percebe que uma loira linda está dando em cima dele e simplesmente diz que precisa terminar o que está fazendo? Me diz Sakura, por acaso ele é gay ? — Sakura quis rir, rir muito da pergunta de Saya, se tinha algo que aquele homem não era, era gay. Mas ao olhar nos olhos da loira ela pôde perceber que a pergunta estava mais para algo retórico do que realmente para uma pergunta. — Sem problemas, vou ter de apelar para as artimanhas que já havia deixado de usar a muito tempo. — Ela voltou a se escorar na cerca e continuar a observar o Uchiha encerar a lataria limpa. — Ele é difícil de ler, estou na dúvida se ele gosta mais de ver pele ou se ele prefere o tipo comportada. O que você acha?
– Talvez ele goste de ser deixado em paz. — Sakura observava a Saya olhar para Sasuke como se ele fosse um troféu passível de ser conquistado.
– Sakura, Sakura... priminha querida, do modo como você fala eu consigo perceber que se tornou uma mulher frustrada em relacionamentos, se eu não estivesse tão interessada naquele mau caminho ali eu poderia lhe ensinar um truque ou dois para conquistá-lo, mas como não quero concorrência não posso fazer isso, não é mesmo? Vou tomar um banho e caprichar no visu. — A loira cruzou os braços e ficou de frente para a rosada, Saya era poucos centímetros mais alta, as duas se encaravam.
– Não sou frustrada em relacionamentos. — Sakura fez cara séria.
– Saky eu sei que você é, no colégio os garotos não gostavam de você e viviam te comparando comigo e eu sei que na faculdade você deve ter ficado estudando e seu jeito nerd não deve ter te ajudado na aproximação masculina. — O olhar de pena e deboche eram claros.
– Tem uma coisa que se chama mudança, você não sabe disso? — Sakura começava a ficar realmente irritada com as insinuações e tudo mais que vinha de Saya, isso porque ela havia pensado que a prima podia ter mudado.
– Sakura querida. — A voz de Mikoto cortou a resposta que Saya estava prestes a retrucar. — Fiz uma nova receita de bolo recheado e gostaria de saber sua opinião já que o militar ali nem faz questão de provar. — Mikoto riu e Sakura sorriu doce.
– Claro dona Mikoto, Saya disse que precisa tomar um banho então estou disponível. – Sakura saiu do quintal dos pais, cumprimentou Sasuke passando uma mão no deltoide desnudo pela camiseta regata e recebendo um sorriso de lado dele, quando se aproximou de dona Mikoto olhou para Saya do outro lado da cerca e sorriu internamente com o olhar um tanto quanto incrédulo da moça. — Prima diga pra minha mãe que estou com dona Mikoto sim?! — Sakura saiu acompanhando a Uchiha para os fundos e depois para a cozinha enquanto uma loira acompanhava suas costas.
I got the eye of the tiger, a fighter
Eu tenho o olho do tigre, uma lutadora
Dancing through the fire
Dançando pelo fogo
'Cause I am a champion
Porque sou uma campeã
And you're gonna hear me roar
E você vai me ouvir rugir
Louder, louder than a lion
Mais alto, mais alto do que um leão
‘Cause I am a champion
Porque sou uma campeã
And you're gonna hear me roar
E você vai me ouvir rugir
Oh, oh, oh, oh, oh, oh, oh
Oh, oh, oh, oh, oh, oh, oh
Oh, oh, oh, oh, oh, oh, oh
You're gonna hear me roar
Você vai me ouvir rugir
O sorrisinho que Sakura ostentava na mesa do almoço poderia ser atribuído há dois motivos: primeiro porque Saya parecia realmente interessada em observá-la e depois que ela foi a casa dos Uchiha a loira parecia um tanto quanto contrariada; segundo, Dona Mikoto parecia ainda mais amável e Sasuke estava de um bom humor invejável o que levou ao corpo feminino preso contra a parede da garagem com mãos bobas da parte dela e um beijo demorado da parte dele e até mesmo o cansaço do plantão havia passado.
As conversas variavam entre os familiares distantes que não se viam e o casamento de Midori. Mas o sorrisinho de Sakura sumiu quando Saya resolveu jogar baixo.
– E você Saky, como vai sua vida amorosa? — A loira cortava sua carne assada com uma inocência que não enganava Sakura, mas para os outros ela parecia um anjo inocente.
– Aí querida, Sakura foge do enlace da mesma forma que o diabo foge da cruz. — Mebuki e Saya riram da comparação, os outros apenas esboçaram um sorriso divertido.
– Sério tia? Sakura, como assim você não vai desencalhar dessa vida? — Saya a olhou com o veneno destilando pelo canto da boca.
– Até onde eu sei, você também não têm nenhum relacionamento em vista. — Sakura rebateu de primeira.
– Mas eu ainda não achei o meu amor para toda vida, alguém para casar e construir uma família. — Ela fez cara de menina inocente.
– Isso é muito bonito querida, Sakura se arrepia inteira se o nome dela e a palavra casamento estiverem juntas na mesma frase. — Mebuki lançou um olhar terno para a loira.
– Mamãe, não é bem assim, eu só nunca me interessei antes por isso. — Sakura disse sem prestar muita atenção enquanto degustava as vagens de seu prato.
– Foquem bem que ela disse “antes” quer dizer que agora ela se interessa. — Midori levantou os olhos de sua refeição e olhou divertida para a rosada que sentava a sua frente.
– Olha, quer dizer que nossa rosadinha está mudando de ideia! Conte para sua prima Saya quem é o felizardo. — Saya apontou o garfo para rosada e sorriu zombadora.
– Está de namorado, querida e não me contou? — Mebuki a olhou curiosa.
– Você está namorando? Quem é o rapaz eu conheço? — Kizashi também desviou a tenção de seu almoço. Todos olhavam para a rosada agora e Sakura podia ver o rosto risonho de Saya juntamente com seus olhos brilhantes.
– Não estou namorando ninguém, é modo de falar tudo bem? Estou ocupada com o hospital e tenho outros planos, não estou procurando ninguém. — Sakura odiava ser o centro das atenções, principalmente quando todos resolviam falar de sua vida amorosa.
– Vamos deixá-la gente, Sakura não quer falar da vida amorosa que ela não tem. Mas eu quero falar do vizinho ali. — Saya dissimulava muito bem, enquanto sorria inocentemente para os outros da mesa e para ela um sorriso vitorioso era exibido.
– Sasuke?! — Mebuki perguntou inocente enquanto comia. — Fora o que ele é do exército, mora com a mãe, perdeu o pai e o irmão em um acidente delicado e que é um verdadeiro cavalheiro não temos muitas outras informações. Gostou do rapaz Saya? — A mulher sorriu para a sobrinha.
– Não tem como não gostar, não é mesmo tia? O homem é tudo de bom. — Saya falava e era possível ver o brilho predador em seus olhos.
– Você tinha que ter o visto ajudando seu tio a construir o pergolado do quintal, foi uma cena linda e quando ele se oferece para ajudar as outras casas de moradores mais idosos, e sendo bonito como é algumas das senhoras aqui não perdoam o coitado. — Mebuki ria.
– Quando o apresentei para os meus amigos, Sasuke foi tão perfeito que recebi elogios por ter arrumado um genro tão perfeito, muitos deles até disseram que se eu não quisesse era para mandá-los para suas filhas.- Kizashi riu junto da mulher. — Mas o Uchiha é um bom homem, as crianças do Naruto o adoram e pra completar ontem ele deslocou o ombro protegendo o menino, tudo bem que ele é treinado para agir rápido, mas eu vejo que um pouco daquilo foi instinto paternal.
– Oh, então ele tem veia de papai? - Saya continuava as perguntas para tentar saber mais de Sasuke.
– Com toda certeza tem, e tem uma veia de cozinheiro, fiquei sabendo que o macarrão que ele faz é um espetáculo, Sakura provou e aprovou. — Mebuki levava tudo em tom casual.
– Ele cozinhou para você Saky? — Os olhos da loira faiscaram e Sakura pode perceber.
– Sim, ele mesmo preparou a massa e o molho, estava divino. — Sakura sustentou o olhar da prima.
– Oh, vejo que você é bem amiguinha dos Uchihas.
– Digamos que dona Mikoto gosta de mim e Sasuke não me odeia. — Oh se Saya soubesse que aquele moreno havia dormido noite retrasada em sua cama depois de uma noite mais que maravilhosa e no dia seguinte havia preparado panquecas para comerem... Se a loira soubesse era capaz de deixar o queixo cair e dar o braço a torcer com essas palavras, Sakura tinha vontade de jogar na cara dela que naquela delícia de corpo ela já tinha estado e que hoje de manhã mesmo, o Uchiha se mostrou muito disposto a repetir a dose, queria dizer na cara da prima, mas respirou fundo e manteve a compostura que lhe era digna, não era a hora de encarar Saya, não durante o almoço em família.
Now I'm floating like a butterfly
Agora, estou flutuando como uma borboleta
Stinging like a bee, I earned my stripes
Ferroando como uma abelha, conquistei minhas listras
I went from zero, to my own hero
Fui de zero a ser meu próprio herói
Enquanto os outros se espreguiçavam na varanda dos fundos Sakura e Saya estavam na porta da frente vendo o Sasuke pintar a cerca do vizinho da frente. Quando conversou com Mikoto pela manhã, ela havia dito que Sasuke tinha prometido ao senhor e senhora Nakasaki que pintaria a cerca para eles, mas como no sábado ele havia sofrido o acidente a tarefa ficou para o domingo e como hoje o neto de doze anos dos Nakasaki havia vindo especialmente para ajudá-lo, ele não teve como negar e agora estava lá pintando uma cerca de madeira branca com um ajudante de doze anos.
Era bonitinho vê-lo dando instruções ao garoto e desenvolvendo uma tarefa tão real e cotidiana que parecia até impossível que um homem daquele realmente existisse. Mas Sakura não observava sozinha e ela tinha quase vontade de bufar por conta disso, Saya havia sentado ali do lado dela e ficava observando as costas que tinham a camiseta suada grudada dando uma boa visão dos músculos ali trabalhados, hora ou outra ela fazia uma cara de aprovação para algum movimento que ele fazia, principalmente quando ele dava uma visão mais privilegiada de seu bumbum redondinho.
A loira havia colocado um vestido simples e florido muito bonito, que ia até a altura do joelho, deixava os braços livres e seu decote muito bem trabalhado. Ela realmente havia tentado misturar um visual leve com um provocativo e por seu trabalho envolver esse ramo ela tinha muita experiência nisso, mas aparentemente não havia conseguido traçar um plano de aproximação de Sasuke. E isso deixava Sakura com certa leveza dentro de si, não que estivesse preocupada de fato, se Sasuke quisesse a prima o que ela poderia fazer? Eles não tinham nada. Mas mesmo assim sua autoestima ficava feliz em saber que a loira estava precisando usar alguma tática para se aproximar do moreno.
– Água. — Saya levantou-se em um pulo, entrou na casa e logo voltou com uma jarra com água gelada e dois copos. Ela saiu em direção a casa da frente e Sakura a seguiu.
– Sasuke-kun, trouxe uma água gelada para que você se refresque, não deve ser fácil ficar nesse calor mesmo com a sombra das árvores. — Ela esticou o copo para Sasuke que pegou e esticou o outro para o pequeno ajudante e serviu os dois.
– Obrigado. — Sasuke tomou o primeiro copo rapidamente e logo Saya lhe serviu mais um pouco.
– Você costuma sempre a ajudar no bairro? — A loira tocou o braço dele com a mão livre, mas Sasuke não pareceu se importar.
– Faço o que posso. — Sasuke respirava normalmente, mas seu rosto estava levemente avermelhado e o suor era mais que nítido, pois sua camiseta já grudava em quase todo o corpo, já que ele havia ficado na parte que tomava sol e havia deixado o garoto pintar o lado onde à sombra da árvore batia com mais intensidade.
– É uma sorte que um bairro com pessoas mais velhas tenham o privilégio de ter um homem como você disposto a ajudar a todos...
Saya continuava falando, mas Sakura havia parado de prestar atenção quando focou a pequena ação da loira de tocar Sasuke enquanto falava, eram toques sutis, mas mesmo assim estavam lá no braço dele, no peito, na mão... maldito hábito de falar e tocar nas pessoas, ela não podia simplesmente conversar com ele sem tocá-lo? Aparentemente não e a cabeça de Sakura começou a bolar diversos planos para parar com aquilo, que iam desde um pigarrear até ao uso de uma serra elétrica.
Sacudiu a cabeça diante de tão boba atitude, porque estava preocupada com aquilo? Por que Saya tocando Sasuke e jogando charme para cima dele era tão irritante? Estava tomando a decisão de sair dali quando foi tirada de seus devaneios por um muxoxo de indignação da prima. Sasuke havia voltado ao serviço e a loira segurava os dois copos. Saya saiu então devolver ao que havia pegado, mas Sakura tinha certeza que ela voltaria, aquele brilho no olhar dela só mostrava ainda mais a determinação dela.
– O que você disse para Saya? — Sakura se recostou no tronco da árvore mais próxima e observou o Uchiha distribuir pinceladas na cerca.
– Hn. — Ele parou o que fazia e olhou para ela. — Nada demais, só agradeci.
– Ela não parecia muito feliz agora no final além do mais você parecia muito a vontade com ela te tocando. — Sakura cruzou os braços e o encarou.
– Ciúmes? — Ele sorriu de lado.
– Foi só uma observação. — Ela não desviou o olhar.
– Tem certeza disso? — Ele se levantou e, agora mais perto, Sakura podia observar respingos de tinta no braço, na calça e na camiseta que ele vestia.
Ele então levou a mão até a barra da camiseta e a puxou retirando do corpo e revelando aquela perfeição esculpida pelos deuses. Ele se aproximou perigosamente, mas não se encostou na rosada, apenas pendurou a camiseta na árvore que ela estava encostada e voltou ao serviço, Sakura viu que as marcas de unha nas costas dele ainda eram bem visíveis e sentiu o rosto corar de leve pela falta de pudor dele em mostrar aquelas marcas ali que eram bem sugestivas.
You held me down, but I got up
Você me segurou, mas eu me levantei
Already brushing off the dust
Já tirando a poeira
You hear my voice, your hear that sound
Você ouve minha voz, ouve aquele som
Like thunder, gonna shake your ground
Como um trovão, vou fazer o chão tremer
You held me down, but I got up
Você me segurou, mas eu me levantei
Get ready, 'cause I've had enough
Prepare-se, porque eu já cansei
I see it all, I see it now
Eu vejo tudo, eu vejo agora
Saya havia voltado pouco tempo depois de ter deixado a jarra e os copos de volta na cozinha e agora secava as costas definidas e maravilhosas do moreno, mas é claro que volta e meia os olhos dela desciam para as marcas e ela expressava algumas pequenas caretas que davam vontade em Sakura de virar para ela e perguntar: “Gostou das marcas? Fui eu quem fiz.”
Segurou todas as suas vontades de falar algo mordendo a língua, pois Sasuke agora respondia vez ou outra o que Saya perguntava ou falava, ele estava realmente dando trela para aquela loira oferecida, o que a faziam bufar vez ou outra quando a prima elogiava o corpo dele ou perguntava alguma coisa do exército como se aquilo fosse a coisa mais interessante que ela ouvia.
Uma senhora passou na rua cumprimentou Sakura e agradeceu falando que o neto estava muito bem depois que a rosada havia começado a tratá-lo, que a doutora era a melhor de todas. A idosa foi embora e Sakura ficou com um sorriso gigante no rosto por saber que seu trabalho era reconhecido. Saya parou de fitar Sasuke e desviou a atenção para a prima quando o Uchiha se afastou um pouco para ensinar algo ao seu ajudante.
– Pelo jeito você é muito boa no que faz agora. Seus pais falaram muito e agora até as pessoas na rua. Isso me faz lembrar de quando você não era boa em nada, sempre precisava de ajuda...
– Eu raramente precisava de ajuda com disciplinas no colégio. — Sakura cortou rápido, não aguentava mais ouvir as memórias da prima, estava na hora de parar de aceitar. — Já você sempre vinha me pedir para ajudar e só depois conseguia acompanhar.
– Não é bem assim que me lembro. — A loira levou um dedo aos lábios e fez cara de concentração. — Lembro de você sempre dizer aos outros que eu que te ajudava nas tarefas de casa e afins.
– Você pedia para que eu dissesse isso, porque ajudava na sua imagem de popular e inteligente. — Sakura fechou a cara e sentiu o sangue começar a ferver.
– Sakura, eu nunca precisei de você para manter minha imagem. E se era assim por que você aceitava? — Saya mostrava a falsidade no brilho do olhar e quando viu Sasuke se aproximar lançou o sorriso mais doce que tinha.
– Você dizia que ia me deixar andar com os populares se fizesse isso e na época eu era muito infantil e não percebia suas mentiras . — Sakura se levantou do meio-fio onde estava e Saya a acompanhou.
– Eu não tenho culpa se a sua autoestima era tão baixa ao ponto de precisar fingir que precisava de ajuda para ter amigos. — Saya cruzou os braços e encarou a rosada. Sasuke parou o que fazia e agora observava as duas.
– Eu não precisaria se você não fizesse questão de ir lá e destruir todas as minhas amizades com suas conversinhas. — Sakura também cruzou os braços.
– Sakura eu nunca fiz isso, você que nunca foi capaz de manter as amizades, tenho minhas dúvidas se você tem amigos agora. — A loira deu um sorrisinho cínico.
– Eu tenho, Saya, e são muito melhores que os seus. E sabe por quê? Porque eles são verdadeiros. Eles estão aqui por mim da mesma forma que eu estou aqui para eles, não são iguais aqueles interesseiros que você chama de amigos. Ou você acha que não vejo noticias sobre você, acha que só porque não tenho contato com você que não tenho contato com Midori e com os tios eu não sei? — Sakura não queria causar um barraco no meio da rua, mas precisava desabafar, cansou de Saya ficar comparando as duas para Sasuke, cansou das insinuações dela, cansou de tudo, iria falar, não tinha nada há perder e precisava disso, precisava se sentir livre.
– Você não tem direito de falar dos meus amigos, você nem os conhece. — Saya parecia um pouco mais alterada agora, Sakura havia tocado no teto de vidro da loira: o mundo de pessoas falsas em que ela vivia a cultivava “amigos”.
– Não os conheço porque você não tem bons amigos. Você tenta parecer melhor que eu Saya, mas o mundo que te cerca é superficial, eu posso não pensar em relacionamentos, mas caso venha a pensar em um será com uma pessoa real, que não interpreta papéis, eu não preciso aparecer a cada dois meses com um namorado novo para me sentir amada, se para mostrar a você que não tenho problemas com minha vida amorosa eu precisar fazer esse tipo de papel que você faz eu prefiro que continue pensando que não nasci para os relacionamentos. — As duas se encaravam com fúria nos olhos, as respirações eram pesadas e Sakura viu com o canto dos olhos Sasuke se aproximar pronto para acabar com aquilo. — Sasuke por favor, não se meta.
– Isso mesmo Sasuke, Sakura precisa ouvir uma boas. Você tem inveja da vida que eu levo, cercada de gente bonita e famosa enquanto você fica enfurnada naquele hospital cuidando sei lá de quê. E você nunca foi como eu, nunca conseguia conversar com as pessoas, era tímida e sem graça. Era por isso que as pessoas preferiam a mim e preferem até hoje, sou muito mais bonita e simpática. — Saya levantou o canto do lábio num sorrisinho enjoado.
– Pare de nos comparar! — Sakura ergueu os braços em exasperação. — Sempre tivemos personalidades diferentes e você tinha sim facilidade para se aproximar das pessoas, mas no lugar de ajudar sua prima você preferia dizer aos outros que eu era estranha e sem graça e é claro que no mundo de aparências juvenis todo mundo te ouvia, mas agora é diferente Saya, eu sou uma mulher realizada, faço o que gosto e modéstia à parte faço muito bem, tenho excelentes pessoas que gostam de mim e sou muito feliz com isso, não preciso provar nada pra você, só quero deixar claro que suas insinuações e comparações não me afetam da mesma forma de quando eu era garota, agora elas só me irritam e mostram como você ainda precisa crescer como pessoa. — Sakura já se sentia melhor, havia dito o que queria, Saya bufava ali em sua frente, mas não importava ela se sentia mais leve .
– Essa conversa de mal comida eu não esperava de você Sakura, parece amargurada com a vida, talvez precise arrumar um namorado pra dar um jeito em você. — Saya insistia, queria deixar Sakura no chão provar que as palavras da rosada nada mais eram que nada. Sakura já ia responder quando foi cortada por uma senhora que corria pedindo ajuda.
– Sasuke querido, o Snowbell subiu na árvore novamente e não consegue sair de lá. — Uma senhorinha baixinha agarrou a mão de Sasuke e o puxava na direção contrária da rua. — Ele é só um filhotinho você sabe disso querido e ele está miando em puro desespero. — Sasuke seguiu a mulher até a árvore do fundo do quintal da mesma, Sakura e Saya seguiram atrás deles, era uma espécie alta e o miado era constante. Uma mulher segurando uma criança no colo e outro menininho, de uns seis anos, olhavam para a copa da árvore procurando o dono do miado. — Ele está lá em cima novamente querido, por favor, o tire de lá.
Sasuke olhou para a árvore procurando o dono do miado, o encontrou em um galho alto. Subiu com exímia destreza na árvore. Os pés davam o apoio que os braços musculosos precisavam para içar o corpo para o alto, o tronco era de difícil escalada devido ao formato, mas era possível ver o corpo preparado dele superando a dificuldade criada pela mãe natureza.
Saya estava do lado de Sakura e a rosada podia ouvir a garota elogiar ainda mais o porte atlético do moreno. Em pouco tempo ele escalou a árvore até onde precisava. Pegou o gatinho e veio descendo, em uma certa altura da do tronco ele saltou até o chão de forma perfeita parecendo um super-herói que acabara de fazer seu trabalho, ele sorriu de lado e devolveu o gato a dona dele. A senhora agradeceu milhares de vezes o Uchiha que só acenava com a cabeça e pedia que ela tomasse mais cuidado com o felino da próxima vez. Ele deixou se aproximou das duas e Saya se adiantou para ele.
– Uhau! Isso foi incrível. Um verdadeiro macho-alfa. — A loira o tocava no braço e olhava para o peito ainda desnudo dele. — Merece até um beijo de recompensa por tamanho feito. — Ela se oferecia na cara dura.
– Mereço? — A voz grave de Sasuke saiu seguida de um sorriso de canto. Sakura não podia acreditar que o moreno tinha caído na falsidade da prima, sentiu algo dentro de si doer, ela que havia pensado que Sasuke era diferente, mas só de ouvir que ganharia um beijo fácil de uma mulher bonita ele havia se interessado.
Viu Saya molhar os lábios em expectativa. Suspirou derrotada. Mas Sasuke tirou a mão de Saya que tocava nele e se adiantou para a rosada que agora olhava atônita para o Uchiha que se aproximava com um sorriso de lado.
– Ela disse que eu mereço um beijo de recompensa. E eu também acho que sim. — Os lábios do moreno colaram-se nos dela e os braços dele lhe enlaçaram a cintura feminina a trazendo mais para perto.
As mãos de Sakura voaram para os cabelos rebeldes entrelaçando os dedos nos fios negros. O beijo foi rápido e arrebatador. Logo se separam e Sasuke sorriu de lado e lançou uma piscada para a rosada. Saindo e seguida em direção à rua.
Sakura olhou para a cara incrédula de Saya, a boca aberta e o olhar de espanto eram provas de que a loira sabia que tinha perdido. A Sakura que conhecia quando mais jovem em nada se comparava a de agora, as palavras que haviam sido ditas por ela eram fortes, mas não deixavam de ser verdade. E por fim ela tinha o bonitão nas mãos dela. Talvez Saya tivesse percebido isso desde o início, mas nunca daria o braço a torcer, sempre tinha os homens que queria, mas esse a havia dispensado sem mesmo lhe dar chance, os únicos momentos em que ele resolveu lhe dar bola fora pra causar ciúmes na rosada e Saya sentia isso. Fechou a boca e recuperou a compostura sorrindo logo em seguida.
– Você tinha razão Sakura, minha vida não é perfeita, mas eu gosto dela. Fico feliz que seja uma Sakura mais madura e decidida. — Saya deu alguns tapinhas nas costas de Sakura e seguia pelo mesmo caminho que o Uchiha havia feito. Parou um instante olhando para trás e sorrindo. — Talvez não seja tão mal comida como eu pensei. — Saiu rindo. Sakura também não pode deixar de sorrir.
I got the eye of the tiger, a fighter
Eu tenho o olho do tigre, uma lutadora
Dancing through the fire
Dançando pelo fogo
'Cause I am a champion
Porque sou uma campeã
And you're gonna hear me roar
E você vai me ouvir rugir
Louder, louder than a lion
Mais alto, mais alto do que um leão
‘Cause I am a champion
Porque sou uma campeã
And you're gonna hear me roar
E você vai me ouvir rugir
Oh, oh, oh, oh, oh, oh, oh
Oh, oh, oh, oh, oh, oh, oh
Oh, oh, oh, oh, oh, oh, oh
You're gonna hear me roar
Você vai me ouvir rugir
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