O vizinho dos meus pais
4 Convite
Notas iniciais
Sakura acordou naturalmente do sonho, mas uma pequena frustação tomava conta da rosada.
–Droga, precisava ser no melhor momento do sonho?- Ela olhou acusadora para o teto do quarto. Olhou para o relógio da cabeceira 13h30. Não sentia mais sono. Ficou rolando na cama e relembrando o sonho até o momento em que seu estômago reclamou de fome. Levantou da cama. Ligou o rádio do quarto.
Nice to meet you, where you been?
I could show you incredible things
Magic, madness, heaven, sin
Saw you there, and I thought
"Oh my God, look at that face"
You look like my next mistake
Love's a game, wanna play?
New money, suit and tie
I can read you like a magazine
Ain't it funny, rumours fly
And I know you heard about me
Começou a cantar com o rádio e a dançar sozinha no quarto enquanto buscava algo para vestir. Escolheu uma calça jeans de aparência surrada e uma regata branca larguinha com um desenho abstrato na frente.
So hey, let's be friends
I'm dying to see how this one ends
Grab your passport and my hand
I can make the bad guys good for a weekend
So it's gonna be forever
Or it's gonna go down in flames
You can tell me when it's over
If the high was worth the pain
Got a long list of ex-lovers
They'll tell you I'm insane
'Cause you know I love the players
And you love the game
'Cause we're young and we're reckless
We'll take this way too far
It'll leave you breathless
Or with a nasty scar
Got a long list of ex-lovers
They'll tell you I'm insane
But I've got a blank space, baby
And I'll write your name
Continuava cantando, vez ou outra o sonho voltava a sua cabeça, ela continuava se vestindo. Foi ao banheiro e pegou a maquiagem, passando um leve batom na boca.
Cherry lips, crystal skies
I could show you incredible things
Stolen kisses, pretty lies
You're the King, baby, I'm your Queen
Find out what you want
Be that girl for a month
Wait, the worst is yet to come, oh no
So it's gonna be forever
Or it's gonna go down in flames
You can tell me when it's over
If the high was worth the pain
Got a long list of ex-lovers
They'll tell you I'm insane
'Cause you know I love the players
And you love the game
'Cause we're young and we're reckless
We'll take this way too far
It'll leave you breathless
Or with a nasty scar
Got a long list of ex-lovers
They'll tell you I'm insane
But I've got a blank space, baby
And I'll write your name
A Taylor Swifit cantava suas ultimas frases e Sakura passava mais um pouco de pó no rosto. A próxima música começou, era a hora sem intervalos.
She's been my queen since we were sixteen
We want the same things
We dream the same dreams
Alright? Alright!
I got it all cause she is the one
Her mom calls me "Love", her dad calls me "Son"
Alright? Alright!
I know, I know, I know for sure
Everybody wanna steal my girl
Everybody wanna take her heart away
Couple billion in the whole wide world
Find another one cause she belongs to me
Sakura continuava se arrumando, dançando e cantando com o ritmo da música.
Everybody wanna steal my girl
Everybody wanna take her heart away
Couple billion in the whole wide world
Find another one cause she belongs to me
Na na na na na na (oh, yeah)
Na na na na na na (alright)
Na na na na na na (she belongs to me)
Kisses that queen, her walk is so mean
And every jaw drops
When she's in those jeans
Alright? Alright!
I don't exist if I don't have her
The sun doesn't shine, the world doesn't turn
Alright? Alright!
But I know, I know, I know for sure
Deu uma boa olhada no espelho e gostou do que viu. Mandou um beijo pra si mesma.
Everybody wanna steal my girl
Everybody wanna take her heart away
Couple billion in the whole wide world
Find another one cause she belongs to me
Everybody wanna steal my girl
Everybody wanna take her heart away
Couple billion in the whole wide world
Find another one 'cause she belongs to me
Na na na na na na (oh yeah)
Na na na na na na (alright)
Na na na na na na na
Na na na na na na na
She knows, she knows
That I never let her down before
She knows, she knows
That I'm never gonna let them
Take her love away from me now
Everybody wanna steal my girl
Everybody wanna take her love away
Couple billion in the whole wide world
Find another one cause she belongs to me
Everybody wanna steal my girl
Everybody wanna take her heart away
Couple billion in the whole wide world
Find another one cause she belongs to me
Na na na na na na (oh, yeah)
Na na na na na na (alright)
Na na na na na na (she belongs to me)
Na na na na na na (oh, yeah)
Na na na na na na (alright)
Na na na na na na
She belongs to me
Pegou uma bolsa separando algumas coisas básicas de mulher. Desligou o rádio, pegou as chaves do carro. Desceu pelas escadas cantarolando.
–Bom dia doutora Haruno. – O porteiro cumprimentou. – Está muito bonita.
–Bom dia senhor Tazuna, muito obrigada.
Dirigiu-se para o estacionamento, entrou no carro, fechou porta, ligou o carro e saiu. Inconscientemente dirigiu para a casa dos pais. O relógio do carro marcava 14h23min. Estacionou no mesmo local de sempre. Ao descer do carro escutou marteladas e a risada de seu pai juntamente com a voz da sua mãe. Seguiu para os fundos e encontrou uma cena inusitada.
Estava uma bagunça, havia uma pilha de tábuas de madeira em um canto, próxima a entrada dos fundos uma armação feita em madeira se erguia no que seria um pergolado Sakura pensou. Ferramentas para carpintaria se espalhavam pelo chão, sua mãe, de vestido amarelo, segurava uma garrafa com água e sorria para o pai que estava sem camisa, todo suado, com a barriga a mostra, a senhora Uchiha estava parada do outro lado da cerca e sorria também, e então ela viu Sasuke. O moreno serrava uma tábua de madeira com um simples sorriso no rosto, o serrote fazia movimentos sincronizados de vai e vem e a madeira cedia aos movimentos, em poucos segundos um pedaço da tábua se separou da outra. Sasuke passou o antebraço na testa tentando secar o suor que escorria, ele vestia uma camisa xadrez vermelha, uma calça jeans surrada e uma bota marrom com cara de velha, pelo menos dessa vez ele tinha dois botões a menos fechados.
–Boa tarde querida. – O pai chamou animado.
–Boa tarde filha. – A mãe veio em sua direção depositando um beijo na bochecha.
–Boa tarde Sakura. – Dona Mikoto disse do outro lado da cerca.
–Boa tarde, papai, mamãe, dona Mikoto, Sasuke. – Ela olhou um por um e parou em Sasuke que lhe deu um pequeno sorriso de lado dando um leve aceno de cabeça enquanto erguia o pedaço de madeira que acabara de cortar.
Kizashi se adiantou para ajuda-lo. Colocaram na beirada e seguraram, Sasuke escorou com o corpo enquanto o pai segurava com as duas mãos, o moreno pegou os pregos e o martelo e começou a desferir poderosas marteladas na madeira. Poucos minutos depois a madeira já estava presa na estrutura. Ele e Kizashi soltaram e se esticaram.
–Posso saber o que está acontecendo aqui? –Sakura saiu do sol e se sentou na sombra da área.
–Estamos fazendo aquele pergolado que eu e sua mãe sempre quisemos. Ontem conversei com Sasuke e descobri que ele tem habilidades de carpintaria que aprendeu no exército, então perguntei para ele se era possível fazermos isso e então ontem à noite desenhamos o projeto e hoje cedo começamos a construir. - Apontou para a estrutura, sem telhado, que se erguia. – Estamos com boa parte dela pronta. – Kizashi se aproximou de Sasuke e passou a mão entorno dos ombros dele, num tipo de abraço torto. – O rapaz aqui sabe das coisas, além de esperto tem a força de um cavalo. – Sasuke apenas deu um sorriso de canto.
Sakura ficou observando os homens trabalhando. Sua mãe lhe trouxe um prato de comida quente, sobras do almoço provavelmente. Ficou sentada na varanda comendo e vendo-os trabalhar. Cortavam madeira, pregavam, riscavam, faziam medições, aos olhos de fora poderiam parecer pai e filho trabalhando juntos. Sasuke dava casuais sorrisos de lado e trocava algumas palavras com Kizashi. Já o mais velho ria e falava pelos cotovelos, Sakura havia puxado isso dele.
Tudo estava tranquilo, Mikoto havia vindo para a casa dos Haruno e agora ela e mãe discutiam receitas enquanto faziam um bolo para o café da tarde, a rosada continuava a observar os homens trabalhando, uma vez ou outra levava um copo de água para um deles, mas a melhor visão da tarde ainda estava por vir.
Sasuke se caminhara para a pilha de madeira que se encontrava perto da cerca, Sakura observava todos os movimentos dele, viu quando a camisa esticou com o movimento dele de abaixar e agarrar uma das tábuas que parecia bem pesada, os músculos das costas dele se contraíram, e todos os hormônios femininos de Sakura resolveram despertar no momento em que ele levantou segurando um pedaço de madeira no ombro segurando ela com as mãos, o suor no rosto e pescoço faziam com que ele quase brilhasse na luz do sol, os cabelos úmidos e bagunçados davam um ar rebelde e travesso, os músculos do braço contraídos juntamente com a camisa molhada o faziam gritar de virilidade, tudo naquele homem naquele momento faziam os hormônios de Sakura gritarem em êxtase, e no momento em que os olhos ônix e esmeraldinos se encontraram ele ajeitou a madeira no ombro e deu seu discreto sorriso torto, suficiente para Sakura perceber que estava ficando “molhada”. Levantou depressa, saindo dali e entrando na casa, não aí mais ficar lá fora sendo bombardeada pelo cheiro de masculinidade no ar e tendo todo seu corpo respondendo com muita facilidade.
–Oh querida, nos ajude aqui a enrolar essas bolachinhas. –A mãe a chamou assim que ela entrou na cozinha, ambas as mulheres estavam sentadas ao redor da mesa com bacias de massa no colo.
Seria a oportunidade de tentar desviar os pensamentos.
–Mikoto me contava que Sasuke foi do exército. –A mãe falava enquanto esperava a outra continuar de onde parou.
–Sim, ele foi das forças especiais assim como o pai. – Mikoto tinha um sorriso terno no rosto. – Ele entrou muito novo, o pessoal das forças armadas o considerava um prodígio. Ele ascendeu muito rápido aos maiores cargos, chegou até o título de capitão. Como ele vivia muito tempo fora aprendeu a fazer de tudo um pouco. Ele sabe cozinhar, ele faz uma massa de macarrão que é divina. – As mulheres riram e minha mãe olhou pra mim, ela sabia que eu não era nenhum mestre cuca. - costura um pouco, é bem organizado, aprendeu carpintaria, tem noções de engenharia, mecânica, elétrica.
–Nossa Mikoto assim vou ter de largar o Kizashi. – As mais velhas riram com a piada. – Ele tem uma ficha invejável não é Sakura? – A mãe tentou introduzi-la na conversa.
–Ah sim claro, um currículo muito bom. – Todas riram do gracejo. – Quantos anos o Sasuke tem dona Mikoto?
– Vinte e oito anos minha querida, assim como você.
– Um rapaz tão novo e ainda assim cheio de conhecimento. Ele nunca pensou em casar Mikoto? – Mebuki sempre tinha esse péssimo hábito de perguntar da vida romântica dos outros, mas Mikoto não pareceu se importar com a pergunta.
–Sasuke sempre foi um menino muito bonito assim como o irmão, as garotas tinham o habito de mandar cartinhas, fazer declarações, me chamarem de sogra....- Riram. – Mas ele também sempre foi muito quieto, na dele, eduquei para que fosse um perfeito cavalheiro, isso não ajudava muito com as meninas mais atiradas, na verdade só ajudava para trazer mais meninas para o fã clube. Depois que ele conseguiu a vaga no exército só trouxe uma vez uma namorada pra casa, mas não deram muito certo, eles se separaram tempos depois, parece que a garota começou achar ele muito “careta” e atarefado. Depois disso nenhuma garota me foi apresentada oficialmente. Fico imaginando se um dia eu terei netos. Eu gostaria muito. – Mikoto lançou um olhar sonhador pela janela que recaiu sobre o filho alheio a tudo que se passava dentro da casa, sua mãe lançou um olhar de compreensão que fez Sakura se arrepiar.
As conversas seguintes transcorreram com banalidades do dia-a-dia, como o capítulo de ontem da novela, as noticias recentes da TV, e reclamações sobre a juventude de hoje em dia.
Quando boa parte das bolachas estava assada, uma mesa farta com pães, bolo, bolachas, suco, café, geleias, manteiga e tudo mais o que fosse merecido foi posta na varanda. Os homens foram chamados para comer algo e descansar um pouco. O cheiro bom do café recém-passado, das bolachas saídas do forno, e do suculento bolo de laranja preenchiam o ar, e Sakura achou aquele momento muito íntimo e familiar, era como se os Uchiha já fizessem parte dos Haruno ou vice e versa.
A mãe do Sasuke mandou que ele tirasse a camisa suada e então trouxe outra para ele, Sakura queria ser uma daquelas gotinhas de água que percorriam aqueles seis tijolinhos no abdômen quando ele ligou a mangueira do quintal e passou uma água nos cabelos chacoalhando-os em seguida, mas não impedindo que algumas gotas teimosas e pervertidas percorressem seu peito e abdômen e se perdessem no cós da calça. Mal ele tirara uma camisa e já colocara a outra, tudo muito rápido, era como se a nudez incomodasse nosso Uchiha. Mebuki trouxe uma toalha de rosto pra cada homem, que assim que se sentiram mais bem apresentáveis se sentaram à mesa. O patriarca Haruno se sentou na ponta da mesa, sua mãe sentou-se logo a direita seguida de Mikoto, Sakura e Sasuke acabaram se sentando um do lado do outro, ficando muito próximos devido ao tamanho da mesa.
– Desculpe se eu não estiver cheirando muito bem. – Sasuke disse assim que Sakura sentou ao seu lado no banco da lateral da mesa. Ele não fedia apesar de todo o suor que ele havia transpirado Sakura ainda podia sentir, bem de leve, um perfume amadeirado. Fez um sinal com a mão dizendo que não havia problema algum.
Ocasionalmente suas pernas ou seus braços se tocavam, eram simples resvalar ou do tecido da calça ou a pele exposta do braço, mas mantinham ambos cientes da proximidade.
–Diga que nosso trabalho não está ficando magnífico Sakura? – Kizashi dizia olhando para a filha. – Agora só falta a parte de cima e estará pronto.
–Está ficando muito bom pai. O senhor e o Sasuke fizeram um bom trabalho. – Sakura percebeu o rápido olhar vindo do Uchiha. – Seu bolo de laranja está maravilhoso dona Mikoto, sinto o sabor da laranja vivamente. – Sakura elogiava.
–Obrigada querida, é o único tipo de bolo que o Sasuke come. Ele não gosta muito de coisas doces, quando criança ele renegava bolos de chocolate. – A mais velha riu e arrancou um pequeno riso da rosada que imaginava um garotinho nos seus seis aninhos fazendo bico por não querer comer um pedaço de bolo de chocolate.
–Como alguém não pode gostar de coisas doces, ou melhor, quem não gosta de bolo de chocolate? – Ela cutucou Sasuke no ombro descontraidamente, esquecendo-se completamente de que não tinha intimidade com aquele homem. Ele simplesmente deu de ombros e lançou um sorriso de lado, continuando a tomar o seu café e comer seu pão francês.
Assim que se deram por satisfeitos os homens voltaram ao serviço, e ao cair da noite eles haviam terminado o trabalho. Kizashi tinha um sorriso vitorioso nos lábios, Sasuke mantinha sua expressão neutra e Sakura se perguntou como ele e o pai se aproximaram tanto já que o Uchiha era muito fechado.
–Fizemos um bom trabalho rapaz. Juntos somos uma boa dupla. — Kizashi ria e admirava o trabalho de um dia inteiro. – Você e sua mãe vem almoçar conosco amanhã para podermos inaugurar nossa construção. Que tal Mikoto? – Ele gritou para a mulher que se despedia e ela acenou um “sim” com a cabeça e começou a falar algo com Mebuki.
Sakura se aproximou dos homens e observou mais de perto a “obra arquitetônica” que eles haviam feito, tinha, de fato, ficado muito boa.
–Amanhã você está de folga não é querida? – O pai perguntou abraçando a filha pelo ombro, ela não se importou com a sujeira dele.
–Sim pai.
–Então vem almoçar conosco é claro? – O sorriso do pai era largo.
Na verdade Sakura nem havia pensado na possibilidade. – Claro pai.
–Perfeito, teremos um delicioso almoço em família e amanhã você pode conversar um pouco com o Sasuke e falar um pouco sobre a cidade. Vai ser ótimo. – O homem saiu em direção a casa falando alguma coisa para a mulher que respondia de volta, deixando Sasuke e Sakura sozinhos.
–Sasuke querido, vamos para casa, você deve estar cansado. –Uma paciente Mikoto colocou a mão suavemente nas costas do filho. – Precisa de um banho e de um bom jantar, amanhã fazemos mais coisas. Boa noite Sakura querida nos vemos amanhã no almoço. – Dizendo isso deu um beijo na bochecha da rosada.
–Boa noite Sakura. – O homem acompanhou a mulher, Sakura queria que ele também tivesse se despedido com um beijo.
–Filha venha cá. – Mebuki chamava a filha. – Já que vamos almoçar todos juntos amanhã decidi fazer minha famosa carne assada, você não poderia passar no mercado amanhã cedo e me trazer os ingredientes?
–Claro mãe, só me passar. – Sakura sorriu pra mãe e pode escutar seu pai cantarolando no banheiro, riram juntas.
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