O vizinho dos meus pais
2 Conhecendo os vizinhos
Notas iniciais
“Bom dia Konoha!! O fogo da juventude está cada vez mais forte. Todos deram boas-vindas à primavera? Sim?! Então vamos aproveitar. Se você ainda não sentiu a influência da primavera...aguarde...boas coisas virão. E agora vamos começar bem o dia com essa super música da bela Meghan Trainor...All About That Bass. Fiquem comigo e curtam o melhor da música e da estação aqui na Konoha FM.”
Because you know I'm all about that bass
'Bout that bass, no treble
I'm all 'bout that bass, 'bout that bass, no treble
I'm all 'bout that bass, 'bout that bass, no treble
I'm all 'bout that bass, 'bout that bass
Sakura cantarolava com o rádio e fazia o café. Todos os dias de manhã ouvia o rádio, um de seus amigos, Rock Lee, era locutor no programa da manhã, um bom rapaz apaixonado por Sakura desde o colegial, mas nunca tivera uma chance com ela.
–Bom dia testuda. – Ino pegava uma maça na fruteira. – Foi a casa dos seus pais ontem?
– Sim, já estava com saudades. –Ela riu e se sentou com a caneca cheia de café. – Jantamos juntos e ficamos conversando....Nada demais. – Mordeu a torrada com geleia que havia preparado. – E como foi o seu café da manhã com o Sai? Não te vi ontem à noite depois que cheguei. – Ino se sentou defronte a rosada, mordendo a maça.
Yeah it's pretty clear, I ain't no size two
But I can shake it, shake it like
I'm supposed to do
'Cause I got that boom boom that all
The boys chase
All the right junk in all the right places
I see the magazines working
That photoshop
We know that shit ain't real
C'mon now, make it stop
–Cheguei mais tarde. Fui com o Sai ao cinema. Temos de aproveitar quando é mais barato. – Riu.
–Sei, cinema. Você finge que é verdade e eu finjo que acredito. — A rosada folheava o jornal do dia.
–É verdade sua testuda pervertida. – Ino ria, Sakura deu de ombros. – Alguma novidade com seus pais?
– Nenhuma importante. Cheguei lá ontem e eles estavam cuidando do jardim, tudo naquele bairro é sempre igual. – Ela cortava um pedaço de mamão.
– É o bairro dos velhos no fim das contas. – As duas riram.
– Mas meus pais terão vizinhos ou uma vizinha, eles não sabem ainda. A casa vizinha foi vendida e já foi repintada, num azul muito bonito, meus pais também disseram que a mudança já havia sido trazida, mas a pessoa que ia morar não tinha chegado ainda. – Sakura começou a organizar as coisas.
– Deve ser algum casal mais velho procurando por calmaria ou então antigos moradores de Konoha retornado. – Ino lavava as mãos.
– Provavelmente. Vou dar uma passada lá hoje, quem sabe não é um cara gato e sarado buscando por um amor de primavera que dure para a vida toda? — Ambas riram.
“Espero que tenham gostado da música pessoal, pois tem muito mais de onde essa veio. Vamos aproveitar, vamos sentir, vamos queimar o fogo da juventude! Bom dia Konoha, vamos alegrar esse dia.”
I stay out too late
Got nothing in my brain
That's what people say, hmm, hmm
That's what people say, hmm, hmm
I go on too many dates
But I can't make them stay
At least that's what people say, hmm, hmm
That's what people say, hmm, hmm
Mais uma seleção de músicas do Lee tocara antes que Sakura saísse de casa e fosse para a academia. Lá flertou com o instrutor Hidan, era um homem muito bonito, sempre se provocavam.
No hospital tudo correu tranquilo, somente um parto fora de programação aconteceu, as crianças de hoje em dia são muito apressadas.
Sakura aproveitou o fim do expediente para ir à casa dos pais, amanhã teria plantão e então não teria tempo de visita-los.
Estacionou como de costume na frente do portão. A casa azul tinha uma camionete parada na frente uma moto bonita parada na entrada da garagem, algumas caixas de papelão se amontoavam, em perfeita ordem, na beirada da calçada, pedaços de plástico estavam bem prensados e presos, pedaços de isopor estavam devidamente encaixados em caixas. Seja lá quem for o vizinho... Era uma pessoa muito organizada.
Os pais não estavam na porta da frente, então deu a volta no quintal e encontrou a mãe conversando com uma mulher de cabelos negros compridos, através da cerca.
– Imagina Mikoto, você e o seu filho são convidados pra jantar aqui em casa assim que vocês estiverem instalados. Faz tempo que não temos vizinhos na casa de baixo e é muito bom conhecer pessoas simpáticas como você. – Escutou a mãe dizer para a mulher que abriu um sorriso lindo e agradeceu o convite.
– Mamãe?
– Oi Sakura querida. Tudo bem com você? Venha, venha conhecer a Mikoto.- A mulher fez sinal com a mão para que Sakura se aproximasse, assim ela o fez. – Mikoto essa é minha garotinha que te contei. Sakura essa é Mikoto Uchiha, nossa nova vizinha, ela e o filho acabaram de se mudar, lembra que você nos perguntou quem moraria na casa?! Pois então, eles chegaram hoje pela manhã.
– Prazer em conhecê-la Senhora Uchiha. Espero que minha mãe não tenha contado nada de constrangedor sobre mim ainda. – Sakura sorriu e fez uma leve reverencia para a mulher do outro lado da cerca.
–O prazer é todo meu Dra. Haruno. – A mulher retribuiu o sorriso, a voz dela era suave e melódica. – Fique tranquila, pois sua mãe e seu pai só disseram coisas boas sobre você, só acho que faltaram me contar sobre quão bela era. É uma mulher muito linda. – A mulher tinha um sorriso sincero no rosto.
– Muito obrigada senhora Uchiha, fico lisonjeada, mas pode me chamar só de Sakura não preciso desse tipo de tratamento. – Um leve rubor apareceu nas bochechas de Sakura após o elogio. – Falando no papai....Cadê ele mamãe? – Olhou ao redor.
– Foi correr com o Sasuke, foi mostrar na verdade um bom percurso pro rapaz porque seu pai nunca iria conseguir acompanhar um rapagão daquele numa corrida. – Riu e a senhora Uchiha manteve o sorriso sereno no rosto.
– Papai foi correr? Pensei que ele só corresse nos dias de pelada. – Sakura arqueou uma sobrancelha imaginado o pai correndo.
–Pois é, seu pai gostou tanto do Sasuke que quando o garoto disse que ia correr ele se ofereceu para mostrar um bom percurso e o rapaz como um verdadeiro exemplo de educação aceitou a companhia. Já devem estar para voltar.
Sakura então acenou com a cabeça e ficou ali escutando a conversa da mãe e da vizinha. Sua imaginação voou para o pai e o garoto. Imaginou um rapaz de uns dezessete/dezoito anos, apesar de dona Mikoto aparentar ter a idade próxima de sua mãe, algumas mulheres escolhiam ter filhos mais tarde, o garoto devia ser carente de atenção e por isso o senhor Haruno resolvera ser uma companhia.
– Então Sakura, sua mãe me disse que você é vice-diretora do hospital de Konoha, deve ser um trabalho puxado. – Mikoto perguntava com serenidade.
– É um trabalho puxado, mas quando se faz o que ama nada parece difícil demais. Eu estou tentando instalar uma área própria para atendimento de crianças, é difícil porque faltam alguns recursos, principalmente monetários, mas nada que não dê para superar. – Retribuiu o sorriso, parecia fácil conversar com aquela mulher de profundos olhos negros.
– Vejo que é realmente uma mulher dedicada. Nada como seguir nossos sonhos e instintos. Vai dar tudo certo querida, se houver algo em que eu possa ajudar pode ter certeza que eu farei.
–Obrigada senhora Uchiha.
Ouviu o barulho do portão sendo aberto. Escutou os passos vindo na direção do quintal dos fundos. E Sakura viu o pai sendo amparado por um homem que ela não conseguiu olhar direito, correu para o pai.
– Pai, pai, o que houve tá sentindo alguma coisa? O braço está dormente? Sente alguma palpitação? – Ela tocava no rosto do pai, passava a mão no peito, sentia a pulsação, abanava o pai que parecia tentar recuperar o folego. O homem sentava o pai no banco do quintal.
– Calma querida. – A voz sem fôlego do pai tinha um tom brincalhão. –Eu estou bem, só me esforcei demais e fui pego por essa maldita dor de lado aqui na barriga, então perdi o ritmo da respiração, mas pra minha sorte Sasuke é um rapaz forte que fez questão de me trazer amparado até aqui. – O homem já recuperava o fôlego e mantinha a mão no local da “dor de lado”, ria ocasionalmente, Sakura ainda não havia desviado os olhos do pai, sua mãe estava agachada ao lado do pai segurando a mão livre dele. — Sou atleta de final de semana mesmo, sem chance pra mim. –Riu com vontade. – Desculpe por estragar sua corrida Sasuke, mas obrigado por ser atencioso.
– O senhor tem certeza que está bem senhor Haruno? – A voz grave masculina chegou aos ouvidos de Sakura fazendo a mesma buscar o dono dela. – Posso leva-lo ao hospital, a camionete está estacionada ali fora ainda.
–Não, não Sasuke obrigado. Minha filha é médica ela poderá dizer se eu preciso ou não ir ao hospital, apesar de eu querer evitar. – O pai olhou para o outro homem ao seu lado.
Sasuke não era nem de longe um garoto de dezoito anos, Sakura pensou cravando os olhos no homem de cabelos negros. Era alto, bem alto, devia ter quase 1,90. E era forte, um corpo que daria inveja á muito body fitness. Vestia uma camiseta regata cinza apertada que deixava a mostra os braços musculosos, e evidenciava o peito largo. O shorts preto que ele usava era curto, daqueles que os jogadores usavam nos anos oitenta, deixava parte da coxa musculosa à mostra, evidenciando a potencia daqueles quadríceps, pelos deuses quem deixou aquele deus grego sair vestido assim? Os olhos de Sakura passearam umas duas vezes pelo corpo do homem de cabelos, e olhos negros, voz grave, ela se aproveitou da evidente preocupação do homem que mirava firmemente seu pai.
–Acha que seu pai precisa ir ao hospital? – Ele desviou o olhar para ela. Skura fo tirada de seus devaneios.
– Be-bem, a respiração dele já se normalizou, o coração parece regular. – Sakura mexeu nos olhos do pai e se repreendeu mentalmente por ter gaguejado. – As pupilas estão normais. Acho que pode passar essa noite, mas amanhã cedo o senhor vai ao hospital fazer exames de rotina pai. Não vamos dar chance para azar. – Sakura olhava para o pai e com o canto dos olhos observava o moreno de braços cruzados que concordava com a cabeça e mantinha os olhos no mais velho.
– Eu o levo amanhã cedo ao hospital. – Não havia sido uma alternativa. – Senhor Haruno descanse, amanhã cedo eu o levo.
– Não preciso eu posso ir sozinho. – O Haruno tentava argumentar.
–Kizashi, eu ficarei mais tranquila se ele for com você. – Mebuki agora repreendia o marido. – Você nem devia ter tentado dar uma de garotão, achou mesmo que ia conseguir acompanhar o Sasuke? — A mulher deu um leve riso.
–Mebuki tem razão Kizashi, meu filho pode acompanha-lo amanhã até o hospital, assim ele já conhece onde é e depois vocês podem passar na loja de ferramentas. –Mikoto parecia um pouco aflita do outro lado da cerca.
– Se insistem tanto eu aceito a oferta. – Kizashi já começava a levantar do banco, sua cor já havia voltado ao rosto, à mulher o ajudava nessa tarefa de andar. – Agora eu preciso tomar um banho e comer um bom jantar. - Soltou uma risada e já se dirigia para dentro da residência Haruno. – Vejo você amanhã cedo então Sasuke, obrigado por me ajudar e me aturar. Boa noite Mikoto até amanhã e o brigado pela educação desse menino. – Mikoto abriu um sorriso desejou boa noite e agradeceu pelo elogio.
– Não se preocupe senhor Haruno, não é nenhum tipo de problema. Tenha uma boa noite. – A voz de Sasuke era calma, ele continuava de braços cruzados ressaltando os músculos do braço e do peito.
O senhor e a senhora Haruno entraram na casa, deixando Sakura, Sasuke e Mikoto do lado de fora. A rosada voltou os olhos para o homem ao seu lado.
–Bom obrigada por cuidar e trazer o meu pai de volta e obrigada por se oferecer para leva-lo amanhã ao hospital. – Sakura olhava nos profundos olhos negros do homem.
–Não precisa agradecer. Espero que ele esteja bem. – A voz grave era sincera. – Sou Sasuke Uchiha prazer. –Ele estendeu a mão para Sakura.
– Sakura Haruno, prazer é todo meu. –Apertou a mão do Uchiha aproveitando para correr novamente os olhos pelo corpo do moreno, pontuando para si mesma que era realmente muito prazer.
–Sasuke querido vamos entrar, Sakura deve estar querendo dar mais uma olhada no pai e nós dois temos mais algumas coisas para organizar. –A Uchiha mais velha acenou para o moreno e seguiu na direção da casa.
– Claro mamãe. – Sasuke concordou com um aceno de cabeça. – Boa noite Sakura. – Com isso ele deu voltou pelo mesmo lugar que entrou.
Sakura ficou parada alguns instantes no mesmo lugar, anotando coisas em sua cabeça:
Primeira: Uchiha Sasuke era um homem, não um garoto como sua mãe dava a entender;
Segunda: Aparentemente era um cavalheiro;
Terceira: Chamava a mãe de mamãe;
Quarta: Era um gato, um deus grego em forma humana.
Escutou a mãe a chamando sendo então retirada de seu mundo pessoal. Entrou na casa. Ia monitorar o pai um pouco mais, jantar com eles e depois voltar para casa.
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