O visitante indesejado

1 Assassino ou Padrinho?


Notas iniciais
Oii, gente!!! Quis escrever esse cap, pois, qdo li Cálice de Fogo, com toda a apreensão de Harry com a chegada da carta de Sirius, eu não via a hora de o bruxo aparecer na Toca à procura de Harry e imaginava a reação dos Weasley a esse fato. Então, espero que gostem!!!

A Sra. Weasley arfou e deu um passo para trás ao perceber quem era seu visitante. O Sr. Weasley levantou-se do sofá imediatamente, seguido por Gui, ambos com as varinhas em punho.

— Expelliarmus! — bradou a voz rouca de Sirius Black e as três varinhas voaram em sua direção. Sirius apanhou-as agilmente.

— Desculpem-me — pediu, embolsando as varinhas e adentrando a casa com naturalidade, para espanto dos presentes. — É apenas precaução necessária. Harry está aqui, suponho?

— Não! — a Sra. Weasley respondeu imediatamente, dando corajosamente um passo à frente. Sirius arqueou uma sobrancelha para a mulher, não acreditando em uma só palavra.

— Ah! Tive impressão de que ele passaria o resto das férias aqui...

A Sra. Weasley empalideceu por um momento, sob a perspectiva de Sirius Black conhecer os passos de Harry. Ele estaria vigiando o garoto? Estaria esperando a oportunidade ideal para atacar? Como poderia saber que Harry passaria as férias com os Weasley?

Percebendo o temor da esposa, o Sr. Weasley intercedeu por ela:

— Ele iria. Contudo, teve uma briga com meu filho Rony e não sabemos para onde ele foi. Certamente, não deve ter voltado para casa.

— Ah! — Sirius fez outra vez, continuando a andar pelo lugar. Os três Weasley se reuniram, como se assim pudessem se proteger. — E onde está Rony?

O pouco de cor que restava ao rosto da Sra. Weasley se esvaiu.

— R-Ro-Rony? — gaguejou. — O que... O que você quer com ele?

— Bom, estou procurando Harry e, apesar da briga, ele deve saber onde Harry foi — Sirius deu de ombros, sem nem sequer olhar para os Weasley.

— Duvido muito — o Sr. Weasley, tão branco quanto à esposa, falou numa desesperada tentativa de convencer o bruxo a deixar sua casa. — A briga dos dois foi...

— De qualquer maneira — Sirius interrompeu-o, chegando à cozinha e apanhando a chaleira —, não tenho uma boa refeição há tempos. Vida de foragido não é fácil. Não se importam se eu me aproveitar da sua, digamos... hospitalidade?

O Sr. e a Sra. Weasley engoliram em seco e Sirius virou-se para preparar o chá.

— Ele não está acreditando — a Sra. Weasley sussurrou desesperada para o marido. — Arthur, que vamos fazer?

— Vou tentar achá-los antes de voltarem para casa — Gui sussurrou, direcionando-se para a porta.

— Não! — a Sra. Weasley guinchou, agarrando o filho pelo suéter. — Ele vai perceber! E Deus sabe o que pode fazer com você também!

— Molly tem razão — Sr. Weasley concordou, olhando, tenso, para Sirius na cozinha. — Precisamos manter a calma e usarmos tudo que podemos para convencê-lo de que Harry não está aqui.

— Como ele soube onde Harry está afinal? — a Sra. Weasley perguntou com apreensão. — Como ele pode saber da amizade de Harry e Rony?

— Ele pode estar espiando Harry na casa dos trouxas — Gui sugeriu.

O Sr. Weasley balançou a cabeça.

— Improvável. Ele já teria atacado.

A Sra. Weasley abriu a boca, mas tornou a fechá-la assim que Sirius apareceu na sala com a chaleira e quatro xícaras flutuando ao seu lado. Ele se serviu primeiro e, logo em seguida, apontou para os três.

— Aceitam?

Os três Weasley se entreolharam nervosos, mas Arthur negou muito polidamente. Sirius deu de ombros e as xícaras voltaram para a cozinha.

— Nunca fui um bom preparador de chá de qualquer forma — disse, sentando-se displicentemente em uma poltrona em frente aos donos da casa.

Nessa hora, ouviu-se movimentos na escada e Sirius levantou-se imediatamente.

Percy Weasley descia de seu quarto com as varinhas falsas fabricadas pelos gêmeos com muxoxos de desagrado e impaciência.

— Mãe, a senhora precisa urgentemente... — sua voz morreu assim que viu o visitante indesejado. — SIRIUS BLACK! — gritou, largando os brinquedos e fazendo menção de pegar sua varinha de verdade.

Sirius, contudo, foi mais rápido.

— Expelliarmus!

Percy ficou escarlate, notou a xícara na mão de Sirius e olhou para os pais em tom de acusação.

— Como... Como você deixaram esse bandido entrar?! — gritou, estupefato. — Como? Ah! O que direi ao Sr. Crouch quando ele souber que Sirius Black esteve tomando um chá na minha casa? A vergonha que sentirei...

— Percy! — Gui censurou. — Cale a boca.

Sirius voltou a sentar-se na poltrona e dirigiu-se a Percy.

— Você pode dizer que eu estupefiz seus pais e seu irmão, quase matei você em nosso fantástico duelo e fiz para mim mesmo uma xícara de chá enquanto tudo isso acontecia. Minha reputação precede mesmo.

Gui não conseguiu segurar a risada. Os pais e o irmão olharam para ele em censura. O rapaz levantou as mãos, envergonhado.

— O que você faz aqui, afinal? — Percy perguntou, sem demonstrar medo em sua voz. Pelo contrário, sua voz demonstrara autoridade que não cabia a um garoto de dezoito anos.

— Esperando Harry — Sirius respondeu simplesmente, bebericando sua xícara de chá.

— Nós já lhe dissemos...

— Eu sei, mas eu não acredito em vocês — Sirius disse sem apresentar rancor em sua voz. — Mesmo se houvesse tido essa tal briga, duvido muito que vocês deixariam Harry ir embora assim. Não. Vocês se preocupam com ele como se fosse um filho. E fico muito grato por isso. Não pude cumprir muito bem o meu papel de padrinho por esses doze anos e agora estou foragido... Fico feliz em saber que Harry tem alguém prezando por ele como Lílian e James certamente fariam.

O Sr. e a Sra. Weasley se entreolharam confusos. Sirius Black, um assassino condenado, o seguidor mais fiel de Lorde Voldemort, o homem que, possivelmente, mais queria ver Harry morto, depois do próprio Voldemort, estava demonstrando preocupação pelo bem-estar garoto? Não. Não podia ser.

Percy soltou uma risada sarcástica.

— E você realmente se importa com Harry, não é mesmo?

— Sim, me importo — Sirius disse, simplesmente, terminando sua xícara de chá.

— Não acredito — Percy continuou.

— Não preciso que você acredite.

— Você vai acabar em Azkaban. Escute o que estou lhe dizendo. Quando o Sr. Crouch souber...

— Então, já estarei muito longe e o Crouch nem vai sonhar em me encontrar. Escute o que eu estou lhe dizendo: sei como ser um bom foragido.

Percy assumiu uma coloração vermelhíssima, o rosto coberto pela raiva. Ia rebater quando o pai segurou seu ombro.

— Percy, fique quieto — sibilou o Sr. Weasley.

Percy bufou e, nessa hora, a porta se abriu. Fred e Jorge vinham discutindo animadamente o que poderiam fazer com o dinheiro que ganharam de Bagman quando pararam de supetão ao vir o visitante. Gina tombou sobre eles, assim com Rony, Harry e Hermione.

— O que está... — Rony começou a perguntar, mas sua voz morreu assim que notou a presença de Sirius. — Ah, olá, Sirius!

— Olá, Sirius?! — Percy repetiu, alterando a voz. — ELE É UM ASSASSINO CONDENADO, SEU IDIOTA!

— Percy, pelo menos uma vez na sua vida, CALE A BOCA! — Rony gritou de volta.

Percy ficou tão vermelho quanto os seus cabelos, mas antes que pudesse rebater o irmão, Harry ultrapassou Rony, encarando o homem à sua frente.

— O que você está fazendo aqui? — perguntou em tom de censura para o padrinho.

— É assim que você cumprimenta o seu padrinho? — Sirius disse em um tom de fingida mágoa.

— Estou falando sério, Sirius! — Harry exclamou, impaciente. — Por que você está aqui?

Sirius suspirou e olhou para a plateia ao seu redor. Não podia falar ali.

— Precisamos conversar. A sós.

— Harry não vai a lugar nenhum com você! — a Sra. Weasley determinou, corajosamente, prostrando-se defensivamente em frente a Harry.

— Sra. Weasley — Harry chamou gentilmente. Apesar do engano da mulher, sentira-se aquecido pela proteção. — Está tudo bem.

— Não. Não está — a Sra. Weasley continuou, encarando Sirius com uma coragem que ela não julgara ter. — Não vamos deixar você levar Harry.

Sirius suspirou pesadamente.

— Sra. Weasley — Harry tentou novamente, afastando-se delicadamente da mulher. — Eu quero falar com Sirius. Não se preocupe. Ficarei bem.

— Harry...

— Mamãe, pode deixar — Rony interveio. — Harry ficará bem.

— Rony, por que raios você está defendendo um assassino condenado?! — Percy se meteu, acusando o irmão mais novo.

A briga que se seguiu entre os Weasley deu a Harry o momento perfeito para escapar para o lado de fora, sendo seguido por Sirius. Murmurando um feitiço rápido, Sirius trancou a porta pelo lado de fora.

— Por precaução — disse, embolsando a varinha logo em seguida.

Harry continuava a olhar para ele em tom de acusação.

— O que você faz aqui, Sirius? — repetiu a pergunta, muito sério.

O homem suspirou e olhou para os lados, cuidando para que ninguém tivesse observando.

— As coisas não estão nada boas, Harry — confessou, baixinho. — Estou preocupado com você.

— Eu estou ótimo! — o garoto exclamou, afastando-se. — Eu não valho o risco de você ser pego pelos dementadores.

Sirius balançou a cabeça de maneira enfática.

— Harry, você sabe por que seus pais me escolheram para ser seu padrinho? — o menino ficou calado, esperando a resposta. — Porque eles sabiam que, não importava o perigo, eu cuidaria de você como eles fariam. Não pude cumprir essa promessa durante esses doze anos em Azkaban, mas pretendo cumpri-la agora, estando foragido ou não.

— Mas eu estou bem, Sirius, sério...

— As coisas não estão bem, Harry. Sua cicatriz doer no mesmo momento em que a Marca Negra aparece no céu da Copa Mundial de Quadribol... — ele fez uma pausa, parecendo olhar para algo além da compreensão de Harry. — Não me parecem coincidências, Harry. E Dumbledore concorda comigo.

— Dumbledore? — Harry perguntou.

— Ando me correspondendo com Dumbledore também — Sirius respondeu, balançando a mão. — Como disse, Harry, não é uma preocupação à toa.

— Sirius, você acha que... — Harry hesitou. Não sabia se queria saber a resposta a essa pergunta. E não queria deixar o padrinho saber o quão preocupado estivera sob essa perspectiva. Contudo, precisava perguntar. Sirius era a única pessoa para qual podia contar tudo que lhe acontecera. — Você acha que essas coisas têm a ver com... — baixou a voz — Voldemort?

— Acho possível — Sirius respondeu sem nem sequer hesitar. Ele pôs as mãos no ombro do afilhado e acrescentou apressadamente: — Ouça, Harry, quero que tome muito cuidado esse ano, está me ouvindo? Esteja sempre com a Capa da Invisibilidade e o Mapa do Maroto em mãos para não ser pego desprevenido. E não quero você brincando, de jeito nenhum, de solucionar os problemas de Hogwarts. Fui claro?

Harry assentiu, embora tivesse vontade de dizer ao padrinho que os problemas sempre acabavam procurando-o, não o contrário.

— Sua palavra, Harry — Sirius pediu.

Harry levantou a mão.

— Dou-lhe a minha palavra de que serei um garoto obediente, Sirius.

— Ótimo!

Sirius puxou o afilhado para um abraço, que devolveu sem hesitação.

— Meu pai gostaria disso? — Harry perguntou de repente. — Que eu seguisse as regras.

— Seu pai gostaria que você estivesse seguro — o padrinho respondeu, desvencilhando do abraço.

Harry assentiu.

— Estarei.

Sirius concordou com a cabeça e olhou para a casa cheia de cabeleiras ruivas, todas observando com atenção a conversa dos dois. Contudo, não podiam ouvir pela distância.

— Acho que precisamos voltar — o homem avisou, apontando para a casa com a cabeça. — E você precisa devolver essas varinhas, mas só quando eu já tiver desaparatado. Não quero nem pensar no que aquela miniatura de ministro da Magia iria tentar fazer comigo.

Harry riu gostosamente.

— Não vou negar que Percy é o Weasley de que menos gosto — admitiu.

— Boa escolha — Sirius concordou antes de acrescentar: — Fico feliz que você seja querido aqui, Harry. E que os Weasley te protejam como parte da família. Fico mais relaxado.

— Tá vendo? Eu disse que não tinha nada com que se preocupar.

Sirius deu um leve empurrão no afilhado.

— Eu também gosto de ficar mais próximo e mais acessível para você.

— É. Eu também — Harry concordou e Sirius abriu um enorme sorriso antes de pararem em frente à casa e ele desfazer o feitiço.

Os Weasley e Hermione encararam os dois com ansiedade quando cruzaram a soleira da porta.

— Bom, acho que é hora de eu me despedir — Sirius comunicou com um tom solene. — Foi prazer conhecê-los. Menos você, miniatura de Fudge. Você é incrivelmente imbecil.

Fred e Jorge não conseguiram segurar a risada, assim como Harry e Rony. Percy fechou a cara, mais enfurecido que de costume.

— Deixei suas varinhas com Harry e ele as devolverá assim que tiver desaparatado, por precaução. — Sirius continuou. — Bom, é isso. Harry, cuide-se. Hermione, mande-me uma carta caso ele não cumpra as regras.

— Pode deixar, Sirius — Hermione garantiu, olhando para Harry com certa autoridade.

— Bom retorno a Hogwarts — Sirius desejou. — Harry, Rony e Hermione, nos vemos em breve, espero.

— Até mais! — Rony despediu-se com um aceno de cabeça.

E, com um ruído suave, Sirius Black desaparatou, deixando a maior parte da família Weasley se perguntando: o que tinha acabado de acontecer?

Notas finais
Então, gente, é isso!!! Espero que tenham gostado!!! Muito obrigada a todos que leram!!!
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!