O velho e a Criatura

1 Capítulo 1: O velho e a Criatura


(arte de https://marschelarts.deviantart.com/)


Puxo a cadeira e abro meu livro de aventuras. A elfa acende a lareira e os outros estadista se reúnem em volta de mim. Dou um pigarro para não falhar a voz e começo:


— Essa não é uma história com final feliz, muito pelo contrário, sangue de minha família foi derramado aqui. Essa é a história de Yuric Russ (dei intonação na voz para deixar a todos surpresos), o meu bisavô.

Yuric Russ, um gnomo alquimista renomado, com grande poder na nossa sociedade, questionava o porque de tudo e experimentava das mais perigosas aventuras, cogitava naquele momento a ideia de sua última jornada. Mas ele não sabia disso.

Certa vez, em meados da 3ª Era, uma terra profanada pela batalha de criaturas com tamanha magia que poderiam quebrar as dimensões e vagar infinitamente pelo conhecimento, até transcenderem a grandiosidade, tornaram nossa terra perigosa e traiçoeira. Bestas, demônios, espíritos amargurados de guerreiros que lutaram em outrora, entre demais criaturas que se eu ousasse dizer sequer o nome cairia morto diante de vocês, ocupam estas terras agora. Meu bisavô, como sempre em busca do desconhecido e inquestionável, foi atrás dos resquícios da magia antiga que ali foram conjuradas para entender um pouco mais sobre o que havia lá, crescido. O motivo? Ninguém nunca soube.

Ao adentrar naquelas terras selvagens, após horas e horas de procura, ele se encontra frente a um antigo templo que emanava magia de acordo com seu medidor. Sem pensar duas vezes ele foi caminhando em direção a grande porta da antiga estadia. O destino não iria lhe contar tudo se ele não continuasse, o frio que percorreu sua espinha pela primeira vez o deixou com medo. Uma espécie de rugido ecoou por todos os salões daquele templo. Ele sentiu o doce gosto do pavor.


— Quem está aí?! — Gritou meu bisavô a procura de algo, ou alguém, e teve apenas o ecoar de sua pergunta frustrada como resposta.

Acendeu uma tocha que conseguiu iluminar parte do vasto salão. Quanto ouro, quantos livros, que tamanha biblioteca ele havia encontrado. O quão avançado nossa civilização poderia chegar com todo esse conhecimento? Anos, talvez séculos, quem iria saber? Mas o destino não foi benéfico com meu ancestral. Em sua frente, uma criatura tão horrenda, que fariam com que vocês suplicassem por seus piores pesadelos para tirarem aquela imagem de suas cabeças, emergiu das cinzas.


— Ousas adentrar no templo de Kar'voz, pequena criatura? — vociferou a besta com chifres.

O terror causado ao ouvir aquela voz, o gelo e o medo que tomava conta de seu pequeno corpo, fez com que a vida do velho gnomo passasse diante de seus olhos em questões de segundos. Ele então desembainhou sua espada e partiu em direção ao diabo caído.

Ao atingir a besta, fez com que ela urrasse e o arremessasse longe. A tocha se apagou. A única coisa que se ouviu depois disso foi um grito abafado.

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