O vazio que habita em mim
6 5. Familia
O tempo passou e com ele cada vez mais presente, começou a namorar minha mãe e depois de três meses Álvaro me fez o pedido.
Eles tinham uma relação de cumplicidade, como eu nunca tinha visto com o meu pai de verdade. Em nossas conversas e brincadeiras eu sempre dizia que queria que ele fosse meu pai, mas ele nunca me respondia nada.
Apenas sorria...
Me lembro como se fosse ontem, era um domingo a tarde, mamãe estava na cozinha terminando de lavar a louça enquanto Álvaro e eu assistíamos a um filme na TV largados no sofá da sala.
— Ei Mick eu posso vir morar aqui? — Perguntou-me ele de supetão.
— Como assim?
— Morar aqui, com você e com a sua mãe. Eu posso?
— Então eu vou ter que te chamar de pai?
— Se você quiser..., então, eu posso morar aqui?
— Então tá, você pode. — respondi inocente.
— Agora você tem que me ajudar a fazer o pedido para a sua mãe.
— Tá!
Nos planejamos tudo para o dia seguinte, ele comprou uma pizza e eu colhi algumas flores meio murchas quando vinha do caminho da escola. Mamãe sempre se admirava de uma roseira que tinha por traz da escola. Então eu colhi algumas para dar a ela.
Eram por volta das 19:00 horas quando Álvaro chegou com a pizza na mão e uma garrafa de refrigerante na outra. Ele estava bem arrumado, para uma pizza com refrigerante.
— Nossa como ele tá bonito, vai casar é? — mamãe brincou sorrindo.
— Depende... — Aquela era a deixa que ensaiamos. Corri até o meu quarto, peguei as flores e voltei para a sala às pressas. Ficamos os dois de joelhos e então ele disse: — Você quer se casar comigo?
— Isso é sério? — Perguntou ela com os olhos em lagrimas.
— Você quer casar comigo? — Ele repetiu pondo-se de pé.
— Casa mamãe? — perguntei entregando as flores.
— Sim!
Álvaro a abraçou puxando o corpo dela para junto do dele, tirando-a do chão e os dois se beijaram felizes enquanto eu pulava de alegria.
Naquela noite, comemos aquela pizza como se fosse um verdadeiro banquete, mamãe e Álvaro faziam planos para o futuro em meio a risos.
Mamãe parecia estar realmente feliz. Uma semana depois Álvaro trouxe as coisas dele para a nossa casa e passamos a viver como uma família. Mamãe deixou de trabalhar a noite e passou a ficar mais em casa cuidando de mim e do Álvaro. Ele era um homem muito bom, sempre carinhoso, ajudava nas tarefas domesticas, me levava e me buscava na escola, brincava comigo sempre que podia.
Ele era um paizão.
Estávamos sempre saindo, nos divertindo, rindo, sendo felizes.
E o mais importante, Ele não era como o meu antigo pai, ele não batia nela. Mas um dia, as coisas mudaram. Elas sempre mudam!
Dessa vez foi para pior.
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