O tomo do sete

1 Primeira cena: Abram as cortinas de sangue.


Notas iniciais
;) se convidem a ler a lástima.

A impressa estava esperançosa e ansiosa para capturar cada momento do grande baile da socialite Sophia Cruz, que acontecia em sua luxuosa mansão no litoral do Rio de Janeiro. Naquela noite a mansão suportou as maiores celebridades brasileiras; desde um exímio ator á empresários e atletas. A maioria dos cômodos estavam abertos para abrigar os ricaços de classe alta ou então para as equipes de som, bifé, iluminação, promoters, segurança entre tantas outras que organizaram minusciosamente, para que nada saísse do eixo do planejado. No lado de fora, uma multidão de fotógrafos,jornalistas,repórters e curiosos se reunião para capitar cada passo que os convidados do baile davam no tapete persiano vermelho que levava até a respectiva recepção de entrada.

— A sua revista virtual que não saí de moda. — Disse Rebeca Praga encerrando a sua gravação para sua matéria. — Gravou tudo?

— Alguma vez falhei? — Respondeu Josh.

— Sempre acontece a primeira vez de tudo.

A área da impressa começou a se agitar quando o ator Fernando e sua esposa e anfitriã do baile: Sophia caminharam em direção de sua própria residência. com muito elegância, ela usava um vestido vermelho escarlate recortado. Seu marido usava um smoking que combinava com seus cabelos negros com tons de grisalho. Juntos formavam o casal mais badalado brasileiro.

— Seu insolente, tente pelo menos sorrir. — Sophia falou ao seu marido, sorrindo sempre para os holofotes.

— Você é bela meu amor, mas não sou seu fantoche.

— Que desobidiente, nunca te vi tão maucriado.

— Somente agradeça pelo seu colar de diamantes, em silêncio.

Ao chegar na entrada, fizeram questão de pousar para os flashes do paparazis, fingindo que nada estava acontecendo entre eles.

— Encontro-lhe com uma amante, finjo que tenho alzaimer e é assim que você retribui? Onde está seu coração?

— Ficou com a amante. — Disse ele secamente.

Sophia desmontou seu sorriso forçado, mas não perdeu o seu brilho e sua beleza montada por algumas cirurgias estéticas. Seus seguranças abriram as portas pratiadas com maçanetas de ouro e quando o casal iria entrar, houve uma interrupção já esperada.

— Que baile deslumbrante Sophia, digno de uma princesa britânica. Pórem o que todos querem saber é sobre seu relacionamento. Você confirma seu terceiro mês de gravidez? — Rebeca aproximou o microfone nos lábios vermelhos dela. Em contra partida Fernando ficou pasmo, parecia não querer que ela dissesse sim, ele queria e quase rezou para isso.

— infelizmente sua pergunta é inválida, meu ventre não carrega nenhum herdeiro dos Cruz. E sim este baile está o que eu imaginava, luxuoso e acolhedor, pensei em todos os detalhes com carinho, afinal — Ela olhou para ele com brandura, entretanto Fernando só percebia o veneno que aquele olhar trazia — são cinco anos de casamento.

— Mais que vestido maravilhoso, só pode ser exclusivo não é?

— Conhece La Boton?

— Claro, o alfair francês de renome das celebridades. É uma de suas peças, acertei?

— Você é bem informada, pena que não pode ter nas mãos um exemplar como este ou um com o preço aproximado. Mesmo que tivesse, pelo seu gosto, seria um vestido listrado com tons de roxo e bolinhas amarelas gritantes — O tom de Sophia foi ácido. Mesmo assim arrancou risos não sinceros da sua entrevistadora que ficou com o rabo entre as pernas.

— Obrigada pela entrevista.

— Obrigada você, querida.

Rebeca olhou para sua jaqueta verde e suas botas marrons e logo viu que com certeza não teria financeiro para um La Boton, ela odiava sua vida.

Eles entraram na mansão, ainda com grande etiqueta e classe e foram recebidos com uma calorosa salva de palmas dos convidados ilustres. Sophia largou os braços de seu marido com prazer, e subiu em seu mini palanque de mármore para falar ao microfone seus agradecimentos.

— O dia de hoje é o nosso dia, nesta mesma data me apaixonei loucamente e até cegamente por um homem culto, intrego e galanteador por sinal. — Os convidados riram — Cinco anos se passaram, mesmo assim ele nunca desaprendeu a me reamar a cada noite e dia, como sempre fez desde as primeiras trocas de olhares. É com orgulho e prazer que anunciou a abertura do baile, e não se esqueçam. — Ela pegou sua máscara de sua bancada e a colocou. — Sem máscaras, sem diversão.

O salão foi invadido por música clássica e passadas de valsa, nada estragaria a noite de Sophia a não ser seus cinco anos de casamento, que sempre foientediante e forçado, ou seja sem um pingo de amor por ambos os lados.

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Não existia correria maior do que na cozinha, onde o bifé preparava os retoques finais dos pratos oferecidos nas mesas de mármore e madeira espalhadas pelos os corredores. O chefe Reynaud comandava tudo ali, os garçons, os cozinheiros e os auxiliares.

— Penélope!

— Pai — Ela escondeu o que estava comendo.

— Minha filha, estamos precisando de você e aqui está você comendo tudo o que vê?

— Bem, um bacalhau ao molho, um caviazinho não faram falta. — Penélope retrucou guardando tudo que havia pegado em sua bolsa.

— Por isso você não é saudável! Come sem parar, paresse uma porca desesperada!

— Alguém de cento e vinte quilos é saúdavel? E essas minhas dobrinhas são sexy, tenho que mantê-las! Mas, concordo com você, da pra fazer isto enquanto lhe ajudo.

— Até que enfim concordamos em algo — Reynald limpou suas mãos em seu avental branco e ajudou sua filha a se levantar da despença.

No salão os garçons vestidos de gravatas borboletas costumam passar de um lado para outro levantando suas bandejas com champanhes entre outras coisinhas. Mais um quiz contrariar esse movimento decidindo então se sentar numa cadeira com acolchoamento de plumas de ganço e jogar em seu celular, fazer algo que não seja trabalhar. Era assim que "LP" (Leopoldo) vivia, sempre na moleza e tranquilidade até que sua mãe adoeçeu parando então a renda da família, alguém tinha que tomar a rédia da situação e o escolhido foi o preguiçoso.

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— Alô? Sim, eu quero um relátorio sobre as vendas ainda hoje, preciso que marque as reuniões com os clientes americanos e me informe sobre os contratantes coreanos.

— Amor desligue o telefone, dance comigo aquela valsa como quando viajamos pela primeira vez na argentina. Foi tão bom. — Citou Raquel ao seu esposo de cabelos grisalhos chamado Xavier, que não parava de atender ligações relacionadas ao seu trabalho exaustivo em uma empresa de tubulações.

Ele abafou o som do celular com a mão e se direcionou a esposa que emburrada ainda parecia mais linda do que já era.

— Não há lucros na dança, neste telefonema sim.

— Papai, você dança então comigo? — perguntou a pequena Michele.

— O papai está ocupado, mas promete que irá dançar com você próxima quinta... — ele voltou ao seu relefone — Sim direcione tudo naquele material...

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Nos fundos sujos da mansão, Maicon já estava guardando cartuchos e munições para sua calibre trinta e oito. O homem de barba rala e cabelos loiros estava preparado para matar seu alvo, até ser morto na sua operação pessoal de vingaça contra o mandate do assassinato de seus pais, que hoje completava doze anos. Em passos curtos ele passou pelas latas de lixo encardidas para então alcançar a porta dos fundos e abri-lá com uma chave mestra. Ele caminhou atenciosamente para a cozinha, a onde encontrou os cozinheiros do bifé. Como disfarce ele já havia estudado as roupas dos chef's e vestia avental branco, botas brancas e touca comum da profissão.

Maicon pegou uma bandeja e fechou-a com sua tampa para que não vissem sua arma que estava nela partindo então para o salão. Ele olhava para os lados incrédulo vendo o luxo que a mansão estava, os castiçais, o lustre, os quadros, tudo harmonizando o ambiente. Mas, Maicon não pensava em obras de arte ou o quão o baile permanecia estontiante, somente perguntava a si mesmo onde se encontrava o homem de sua vingaça. Pouco tempo depois, observando todos os lados ele conseguiu encontrar o que procurava. O mandante estava próximo a um quadro de portinari bebendo todos os champanhes que via pela frente. A sua expressão se enfureceu ao olhar o rosto dele, sim, era ele que tinha que morrer. Com um ódio interminável, Maicon saiu em disparada para se aproximar dele, e com sangue nos olhos retirou a arma da bandeja. Apontou. Mirou. E quando apertou o gatilho, todas ás luzes do salão e da residência se apagaram

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.