O tempo das crivanas
22 Queda
Notas iniciais
Quando o frio se foi totalmente as crivanas voltaram a crescer por toda a parte e mesmo que ainda não houvessem flores, era tão lindo que Calil mal podia acreditar em seus olhos. As plantas cresciam até tão perto da borda do desfiladeiro que parecia como uma pintura perfeccionista.
E ainda havia o dourado do cabelo de Dara, refletindo o sol. Ela sorria tanto. Ela era tão linda. Seus lábios faziam perfeitamente as curvas e o rapaz de repente se perdeu no pensamento de tocá-los.
E assim o fez. Primeiramente com o polegar, trilhando o caminho suave lentamente. Depois ele provou como era encostar seus próprios lábios ali. E ele foi imediatamente transportado ao céu das sensações. Suas estavam frias de nervosismo, mas cada parte do corpo de Dara em que tocava parecia estar tão quente.
Calil daria tudo para continuar se sentindo no céu.
Infelizmente, algumas horas depois, seu encontro foi interrompido por um garoto da cidade.
— Finalmente te encontrei. – O menino disse, sem fôlego. – Você é Calil Saldivar, não? Me mandaram te avisar. O Dr. Donezere acaba de falecer.
E Calil sentiu então que alguém precisaria resgatar os rebotalhos de seu coração na mais profunda das valas.
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