O tempo das crivanas
27 Notícia
Notas iniciais
Calil não sabia o que havia de errado e de onde vinha o comportamento arrefecido de Dara nas últimas semanas, mas seguiu com o planejamento da viagem. Era importante demais para eles.
Foi numa tarde em que os botões das crivanas balançavam suavemente ao vento que, após ela se atrasar para o encontro, a moça disse.
— Eu não posso fazer essa viagem.
O rapaz sentiu seu mundo desabar pela segunda vez em pouco tempo. É claro que já imaginou o pior e em segundos já tinha os olhos cheios de lágrimas e segurava a moça pelos ombros. Aquilo não podia estar acontecendo. Não podia. Não podia.
— Por favor, Dara… Dara, não me deixe. Eu fiz algo de errado?
— Calil! – Ela não sabia se ficava preocupada ou ria. – Se acalme. Eu só disse que não vou viajar.
— Dara…
A moça segurou as mãos deles e ficou muito séria.
— Eu acho que posso estar grávida.
E o mundo de Calil não só voltou imediatamente ao eixo, mas ganhou todas as cores e aromas da felicidade. E tudo era melhor, mais nenhum problema parecia grande o bastante e as crivanas começavam a se abrir para celebrar que tudo era tão bom e incrível.
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