O silêncio pairava no Palácio, todas as janelas cobertas de preto. Os príncipes não eram vistos há quase dois dias, e o rei só havia aparecido para declarar aos conselheiros que as reuniões estavam suspensas até segunda ordem. Não houve objeções.

Eu observava tudo de longe, invisível aos olhares alheios. Vi quando o rei Charlie bateu fraco na porta do quarto dos filhos. Vi a dor passar seus olhos quando nenhum deles abriu-a.

Observei também quando ele saiu no meio da noite de dentro de seu quarto. Os mordomos e serviçais que trabalhavam ali prestavam reverências, e um foi chamado para trazer a bebida mais forte da adega.

Talvez o rei Charlie tenha bebido demais. E talvez, só talvez, o vaso de alabastro tenha se quebrado porque foi arremessado com tamanha violência pelo pai que perdera seu filho para os rebeldes.

Quando um dos guardas teve a coragem de entrar naquela sala, encontrou Charlie sentado no chão, olhando para o nada. Sua mão sangrava com cortes feitos pelos estilhaços. Charlie abafou gritos de raiva no casaco do guarda, enquanto este o abraçava com força. Não se importavam se eram guarda e rei naquele momento. Não havia hierarquia.

Havia apenas dor.

Notas finais
Espero que tenham gostado Sim, precisei repostar por que tinha dado bug, desculpe. O narrador é a morte, viu? Ou melhor, um de seus Mensageiros.