Eu vagava pelo castelo, enquanto flutuava lentamente, vendo pelas janelas as campânulas enfeitarem o reino. Era tão lindo, mas um sentimento alheio ao que acontecia ali dentro.

Por duas semanas, ninguém da família real foi visto e nem se viu. Cada um fazia as refeições, ou melhor, reviravam as refeições com o garfo, em seu próprio quarto e lá ficavam o dia inteiro. Irina se afundou em livros e a mobília do quarto de Bast precisou ser reformada.

Era estranho para mim não escutar Brianda ou Irina brincando pelo castelo, ou o leve farfalhar que o vestido de Elizabeth fazia quando ela se mexia ou caminhava, ou a voz grossa de Charlie debatendo com seus conselheiros. Ou, ainda, as espadas de Sebasthian e Adam se chocando durante o treino dos príncipes.

A primeira voz que ouvi foi a de Sebasthian. Ele me chamou até o quarto de Brianda, e ao entrar nele, quase precisei levar a alma da princesinha. Eu não queria, então dei um jeito de interferir e levar Charlie até o quarto.

A noite, o rei permaneceu ao lado da maca da filha, segurando seus dedos enquanto ela dormia. Ele sussurrava uma pergunta.

— Por que tudo isso aconteceu?