O templo de Harzen

2 Capitulo 1 - Rebeldes


Capitulo 1 — Rebeldes.

16 anos depois

Will sentiu o sangue escorrer do nariz, quando um dos soldados deu-lhe um soco na cara o derrubando no chão.

–Vocês não podem fazer isso. Soltem-na. — gritou para o outro homem que prendia os pulsos da sua irmã em uma algema azul.

Este olhou com pena para o menino. O soldado era jovem, provavelmente tinha 20 anos,era loiro com olhos verdes e uma cicatriz abaixo do queixo.

Sophie olhava o policial com raiva. Will sabia que a menina faria algo idiota.

–Sua irmã estava além do vale. Ela infligiu a lei. -disse o mais velho levantando o queixo menina, fazendo-a olhar em seus olhos. — Admiro a sua coragem,mas também vejo que é uma menina estupida por ir aquele lugar . Ela pode influenciar os outros, trazendo risco a todos.

–Eu prometo que Sophie não irá até lá, nunca mais. — disse sua mãe com as lágrimas escorrendo pelo rosto.

Sinto muito senhora. Mas não posso fazer nada. Talvez meu superior possa ajudar,mas duvido que isso ocorra.

O irmão viu Sophie ser levada até uma carruagem negra. O soldado loiro tentou ajudá-la a entrar,mas a moça era como um gato arrisco e cuspiu na cara do homem.

–Não preciso de ajuda de monstros como você.

"Agora,com certeza está tudo perdido" — pensou Will.

Mas, para a surpresa de todos o homem riu e entrou com a menina dentro do veículo. Sua irmãzinha deu um sorriso triste para o irmão e para a mãe, com uma lágrima escorrendo pelo rosto. Sua mãe correu e a abraçou,mas Will ficou lá parado, sem ação. Porque de algum modo ele sabia que veria sua menininha novamente.

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A primeira coisa que fez ao chegar em casa foi olhar para os quadros da família. O primeiro era da sua mãe. Os cabelos escuros chegavam-lhe às costas e os olhos castanhos demonstravam bondade. Ao lado dela, estava Sophie, ela tinha os mesmos cabelos e olhos da mãe, mas seu sorriso e olhar indicavam que iria fazer uma travessura em qualquer instante. E por último,ele se viu,mas era como se fosse alguém que não conhecesse. Will, também tinha cabelos escuros,mas seus olhos eram verdes e as vezes quando costumava se irritar muito eles mudavam para um cinza intenso. E a expressão séria como se nada o atingisse; muito diferente da sua expressão de hoje cedo, quando brigara com o soldado. O garoto não sabia de quem herdara aquele comportamento e aqueles olhos. Com certeza fora do pai, mas Rebeca nunca falava sobre aquele assunto.

Como você consegue mudar de comportamento tão rápido?

Ele olhou para Mikaela. Ela tinha a mesma idade que a dele, 19 anos. Era bronzeada com olhos azuis e cabelos loiros lisos. Semana que vem, seria o dia do casamento deles.Mas, agora com a prisão de Sophia, tudo mudou.

–O que quer dizer?

–Você sabe. — disse ela colocando um pano no nariz dele para parar o sangramento. -Em uma hora você estava furioso e na outra parecia que não sentia nada.

Ele a encarou e ela deu um longo suspiro.

–E os sonhos?

–Que sonhos? — disse tentando disfarçar.

Não tentem me enganar. Sei que você sonha com algo toda noite.

Ela tinha razão. Já fazia um mês que ele tinha o mesmo sonho.

Na verdade, eram vários sonhos unidos em uma única coisa: a primeira coisa que Will via era o rosto bondoso de uma mulher idosa e ouvia uma voz suave. Depois eram várias imagens que apareciam tão rápido quanto um furacão. Um bebê em um berço, um lugar cheio de sangue, uma mulher gritando para ele fugir e alguém encapuzado o puxando pela mão fugindo de alguma coisa que rosnava. O sonho sempre acabava ali, acordando o menino com o coração acelerado.

–Pode ser um sinal. Ninguém tem o mesmo sonho por tanto tempo.

–Você tem razão. Mas, eu não sei o significado deles.

–Ouviu isso?

–O que?

–Uma janela quebrando. Vem do quarto da sua mãe. -a menina disse séria.

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Rebeca havia sido descuidada. Ela se acostumara demais com a vida no vilarejo, que se esqueceu dos perigos que haviam lá fora. E agora, como consequência do seu descuido, Sophie estava presa e o inimigo ladrava na sua porta.

A mulher pegou a espada, a única coisa mágica que lhe restara. E se preparou para o ataque.

–Podem vir. Eu não tenho medo de vocês.

Um dos lobos negros de olhos amarelos estilhaçou a janela e uma forma humana deles entrou.

Olá prima. Faz muito tempo que não nos vemos. — sorriu.

Não posso dizer que estou feliz em encontrá-lo, Lucas.

Lucas sorriu maldosamente.

–Ficamos te procurando por 16 anos Beca. Você escapou dos meus amigos e por isso o mestre me pediu para encontrá-la. Mas, de algum modo você conseguiu se esconder por todos esses anos. E por isso, eu estou muito contente por ter te encontrado prima. Para poder finalmente acabar com a sua vida.

O homem puxou a espada e a atacou. Rebeca se defendeu. Ele era forte e rápido,mas ela também era.

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–Mãe?

Will entrou no quarto a mãe lutava com um homem de sobretudo e vários lobos estavam ao redor deles.

–Fuja daqui Will. Vá embora.

–Eu não posso. O que está acontecendo aqui?

Mãe, ein? — Lucas disse. — Faz mesmo tempo que não nos vemos, prima.

Lucas fez sinal para os lobos e eles seguiram em direção aos mais jovens.

–Mikaela corra. Vá chamar ajuda.

A moça correu e um dos monstros derrubou Will no chão.

–Vão atrás da menina. — o homem estranho gritou.

–Se concentre Lucas- sua mãe gritou empurrando o homem e empurrando a espada em direção ao seu peito.

Ele desviou,mas mesmo assim a espada perfurou a área próxima as costelas.

–sua vadia.

Lucas se levantou e fez um sinal. O lobo deixou Will e foi em direção à Rebeca. O bicho atacou a mulher por trás. Ela perdeu a concentração e o inimigo aproveitou e perfurou seu coração com a espada.

–Hrm. O meu trabalho acabou aqui.

Will sentiu algo dentro dele. Uma raiva enorme crescer em seu peito. Ele viu a mãe caída no chão. O corpo sem vida. Pegou a espada da mão dela e atacou o homem mais velho.

Acha que um pirralho como você pode me vencer? — riu. — Pode vir.

Lucas empurrou o jovem o derrubando no chão. Se aproximou e pisou na mão do primo.

Não tente algo que você não pode fazer, menino. Você já perdeu a mãe. Não queira perder a vida também. — deu um assobio e continuou — talvez sua namorada tenha escapado. Esqueça tudo, se case e seja feliz.

Os lobos chegaram e o líder deu as costas para Will.

–Espere. — disse se levantando.

O jovem com toda a força que tinha cortou a cabeça de um dos lobos. Quando o bicho caiu no chão ele se tornou humano.

–Essa é minha resposta para você.

O mais velho pareceu furioso.

–Seu pirralho.

Segurou Will pelo pescoço.

Quer morrer? É o que vou dar a você. — de repente ele sorriu. — Não. Não vou te matar. Você vai ser preso por assassinato.

Will riu por dentro. O que esse louco estava pensando? Se ele chamasse a polícia, eles veriam sua mãe.

–Eu acho que sua mãe nunca lhe disse sobre magia,certo? Talvez, porque ela tenha perdido a dela.

–Vocês. Fiquem em torno do garoto e calem essa boca. — ele disse aos lobos enquanto tocava a testa do menino.

–Você não pode se mexer Will, nem falar. Não se preocupe é por pouco tempo. — disse rindo.

Lucas saiu e voltou com um soldado.

O primeiro olhou para Will e o segundo prendeu suas mãos com as estranhas algemas azuis.

–Não acredito WIll. Como pôde fazer isso? Coitada da sua mãe! Não tem pena dela? — disse Lucas falsamente.

Espere. Ele não estava entendendo nada. Como o policial não conseguia ver sua mãe? Ela estava ali. Como ele não podia?

–Eu ouvi falar que a irmã foi presa. A mãe estava depressiva. Talvez não tenha suportado e ficado louco. — disse o guarda.

"Não é nada disso" "Eu não sou louco" " Ele é o assassino" “Aquele corpo no chão é o de um lobo" — ele queria dizer. Mas a voz não saia. Ele abaixou a cabeça envergonhado, quando as lágrimas começaram a escorrer pelo rosto.

–Vamos. — o policial o puxou pelo braço. Os seus movimentos voltaram porém a voz não o tinha.

O menino entrou na carruagem, olhou para traz e viu o outro homem sorrindo e indo embora com os seus lobos.

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Acorde pirralho- disse o guarda.

O homem era gordo e vermelho, a barba era ruiva e o cabelo nem aparecia. Olhava para Will como se ele fosse algo que gostaria de se livrar logo.

Ei. — disse Will esfregando o rosto, já havia apanhado muito hoje.

Ele olhou em volta. Eles já estavam dentro da prisão, que não era nem um pouco parecida com o que ele imaginava. A única coisa que impedia a passagem dos prisioneiros para fora da "cela" era uma parede de luz azul.

O que são aquelas paredes? — perguntou ao soldado.

Hmm. Agora que voltou a falar vai ficar fazendo perguntas? A única coisa que você tem que saber é que aquilo te machuca muito se você tentar fugir. — disse rindo.

Will ficou quieto e continuou olhando o lugar e viu uma sala com uma porta branca e janela transparente. Assim, pôde ver uma menina de cabelos roxos e pele morena deitada em uma cama branca. Ali deve ser a enfermaria, concluiu. A menina que antes estava de olhos fechados, os abriu e sorriu para ele. Logo depois o garoto sentiu algo, seu peito doía e a tosse começou,mas o que veio em seguida o assustou mais. Sangue. Ele estava tossindo sangue.

Ei. Você está bem? — o ruivo perguntou.

O menino não respondeu.

Jack, o guarda, levou o jovem até a enfermaria.

Espere. — ouviu alguém chamar. — A bruxa está lá.

O que?

Logo ele entendeu o aviso, quando a menina de cabelo roxo e olhos verdes sorriu. A enfermeira estava desmaiada no chão. Jack pegou algo que Will nunca havia visto. Algo preto em forma de L.

Você sabe que pólvora não pode me machucar.Não é?

Ela impulsionou a perna contra o soldado, antes que ele fizesse algo. Ele caiu no chão e bateu a cabeça.

–Sinto muito por nós conhecermos assim Will.

A moça sorriu para ele e tocou seu ombro, seus olhos verdes ficaram amarelos e ela encostou na porta ciando uma barreira em volta dela. Depois disso, a jovem se aproximou dele e disse :

Eu me chamo Mira. — disse dando- lhe um beijo.

E eu estava esperando por você.