O tal do Will Graham
1 Forniquentas encefalites!
Notas iniciais
Hannibal Lecter arrumava seus antigos livros rapidamente em uma de suas enormes estantes do alto de sua escada móvel. Ele conseguia observar pela janela a noite que caíra há pouco. Soltou um suspiro aliviado; sabia o que aconteceria dentro de alguns minutos. Ao virar novamente seu olhar para a rua escura, avistou um indivíduo do lado de fora de seu portão e logo o reconheceu.
"Olha lá, quem tá lá!" Hannibal gritou com o entusiasmo de uma criança ganhando um brinquedo novo e quase caindo de sua escada. "É o tal. Olha lá, olha lá; é o tal do Will Graham!"
O doutor desceu apressadamente as escadas, derrubando alguns livros que haviam tomado horas preciosas de seu tempo para serem arrumados. "Caralho, é a melhor hora do dia, seus filhos da puta do FBI." Lecter estava aos prantos. Will, naturalmente, tocou o interfone, sem saber o que acontecia dentro do consultório. "Pode passar tudo aqui, pode passar o capeta, o wendigo, mas porra, é o Will Graham, viado. Já pensou?"
O psicólogo abriu o portão, apertando um botão no aparelho do interfone e se jogou contra a parede. "A melhor... a melhor coisa que o ser humano pode ter na vida é isso aí, ó." Murmurou, se esfregando na janela e vendo seu paciente entrar. "Forniquentas encefalites! Vai tomar no cu, eu amo o Will Graham, caralho!"
Sem desconfiar de nada anormal, Graham bateu na porta da sala trancada de Hannibal, que foi correndo abri-la. Ele não parava de tremer e dar vários gritinhos histéricos; mal conseguia destrancar a fechadura. Até que, finalmente, conseguiu. Uma animação sobre-humana consumia seu cérebro, e um calor alcançava partes inimagináveis de seu corpo. Ele nunca se sentira assim antes; a maçaneta sendo girada era um momento profundo de êxtase. Sentia o suor escorrendo por todas as suas extremidades. Era agora, o momento decisivo; o momento em que ele finalmente, depois de um dia cansativo, estaria cara a cara com Will Graham. A porta se abriu, e um imenso clarão ocorreu. Hannibal perdeu todos os sentidos, não conseguia mais pensar em nada. Num estado entre a vida e a morte, soltou seu suspiro final, um bordão vitorioso.
"Olá, Will."
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