O renascimento de Jon Snow

10 Sonhos e visões- parte 1


Notas iniciais
Espero que gostem. Hoje fiz um capítulo um pouco longo, longo até demais.Por isso o dividi em duas partes. Queria novamente agradecer pela recomendação. Fiquei muito feliz. Abraços

Daenerys

Drogon, seu dragão negro, parecia mais calmo e menos selvagem. Isso a alegrava muito, pois saber controlar plenamente o dragão seria importante em sua conquista.

Além do controle do dragão, outro fato que a alegrava era o modo como foi recebida pelo khalasar de Khal Jhago. Ela ainda lembra do momento em que foi cercada por ele e seus cavaleiros. Também lembra da forma como Khal Jhago queimou quando Drogon soltou a bola de fogo. Culpa dele que tentou levar Dany como escrava.

Após a morte de Khal Jhago, praticamente todo Khalazar a seguiu. Ela guiava o Khalazar montada em seu dragão, enquanto era seguida por seus novos guerreiros. Logo que conquistou o Khalazar, pensou que era a oportunidade perfeita para conquistar o Trono de Ferro, pois tinha novos soldados e sabia controlar Drogon, porém ela resolveu ir para Meereen primeiro.

Queria rever todos que havia deixado lá e juntar o que sobrou de seus Imaculados para que a conquista fosse mais fácil. Os guerreiros de seu novo Khalazar lutavam bem, isso era fato, mas os seus Imaculados conheciam mais artes da guerra.

Tinha dias,que enquanto voava no seu dragão, pensava nas palavras que Quaithe havia lhe dito:

Para ir ao norte, você deve viajar ao sul, para alcançar o oeste, você deve ir para o leste. Para ir para frente você deve ir para trás e para tocar a luz você deve passar pela escuridão [

Dany entendia que o voltar atrás era uma referencia aos seus tempos no Khalazar, porque foi em seu casamento com Khal Drogo que tudo começou a mudar, era ali o seu começo. Quando Drogon matou Khal Jhago e ela assumiu o Khalazar foi como se tivesse voltado ao inicio e tudo. E segundo a profecia, ela teria que para alcançar o Oeste, ir para o Leste, ou seja tinha que voltar para Meereen. A única parte da profecia que ela não entendia era a que falava da escuridão.

Dany sempre sonhava com as palavras dessa profecia. Era um sonho recorrente. Assim como o que ela se via chegando nos Sete Reinos.

Porém, em uma noite mais fria que o normal, teve um sonho diferente. Sonhou com sua passagem pela casa dos imortais. Se viu novamente por aqueles corredores escuros. Ela seguiu pela escuridão até que imagens conhecidas se passaram pela sua frente. Primeiro, brilhando como o pôr do sol, uma espada vermelha foi erguida na mão de um rei de olhos azuis que não projetava sombra. Depois um dragão de pano oscilou em mastros por cima de uma multidão exultante.. . Após ver essas cenas, ouviu uma voz que a arrepiou toda, a voz dizia:
“Mãe de dragões, matadora de mentiras.”

Depois dessa voz, para surpresa de Dany, ela viu a si mesma montada em Drogon. Ela e o dragão estavam no meio de muita neve. Um homem segurando uma espada se aproximava deles. Esse homem estava acompanhado por uma mulher toda de vermelho. Dany não conhecia nenhum dos dois.

O homem erguia a espada alto, enquanto a mulher falava algumas coisas em uma língua que Dany não conhecia. Nesse momento, seu dragão soltava uma bola de fogo que acendia a espada. Tudo ocorria muito rápido, quando ela via, a espada estava em chamas.

Dany ainda estava tentando entender essa visão, quando a mesma voz disse:

“Acenda a espada lendária dos heróis com o fogo verdadeiro. Mate a mentira, fazendo a verdadeira espada acender”

A voz sumiu tão rápida quanto surgiu, mas Dany entendeu que a voz havia lhe dito como matar a mentira que apareceu primeiro.

Uma outra visão apareceu em sua frente, essa começou de forma semelhante a do dragão de pano. Uma multidão em um grande salão saudava um homem sentado no Trono de Ferro, só que logo esse homem virava um dragão de pano e partes desse pano ficava presa as pontas aguçadas do trono de ferro.

Dany acordou assustada, antes de ver como matar essa última mentira. Ela voltou a dormir, na esperança de talvez no próximo sonho vim a explicação.

O próximo sonho começou de forma igual ao anterior, porém as imagens que apareceram se mostraram diferentes. Ela viu sua prata trotando pela grama, dirigindo-se a um riacho sombrio sob um mar de estrelas. Essa cena lhe lembrou da consumação do seu casamento com Khal Drogo. As lágrimas logo molharam seu rosto.

Após isso, uma flor azul cresceu de uma fenda numa muralha de gelo e encheu o ar de doçura… Ela ouviu a mesma voz dizendo: “Mãe de dragões, noiva do fogo.”

Jon

Naquela noite, Jon teve um sonho que já havia tido algumas vezes antes, em tempos passados. Sonhou que andava sozinho por uma Winterfell deserta. Chamava por seu pai, seu tio, seus irmão, porém ninguém respondia.

Ele seguia sozinho, sempre chamando seus parentes. Ele geralmente acordava assustado desse sonho, sem nunca consegui achar ninguém, mas dessa vez foi diferente, uma voz doce o chamou em direção as criptas. Jon lembra que começou a se dirigir para lá, quanto mais ele se aproximava, mais doce a voz ficava. Depois Jon ouviu a voz se transformar em uma canção e também ouviu o som de uma harpa. Antes que ele chegasse na origem do som acordou com a sensação de que tudo havia sido real.

Ao acordar, Jon olhou para o lado e viu que Melisandre não estava mais na cama. Ele olhou ao redor e viu a mulher em pé próxima da lareira, olhando fixamente para as chamas. Ainda confuso por causa do sonho se levantou da cama e foi na direção dela.

Jon lembra da primeira vez em que Melisandre passou a noite com ele. Foi na noite do dia em que a carta do suposto Aegon chegou. Ele estava em seu quarto, quando a sacerdotisa chegou e se sentou ao seu lado e o envolveu em seus braços. Jon lembra que os braços dela estavam novamente quentes. Naquela noite eles não fizeram nada, apenas dormiram próximos um do outro e conversaram. Afinal, Melisandre ainda estava machucada.

Naquela noite, ela lhe contou algo que lhe deixou pensando por muito tempo. Contou um pouco sobre Asshai e do seu tempo com Stannis. Sobre o passado em Asshai, ela apenas falou da visão nas chamas que a fez crer que o Azor Ahai era Stannis. Segundo ela, a visão mostrava que o Azor Ahai era o herdeiro legitimo do trono de ferro, por isso ela pensou se tratar de Stannis. Sobre Stannis ela falou um pouco mais. E disse que ficou com algum remorso por o ter abandonado, mas que ela só fez isso por sua missão.

Nas noites que se seguiram ela sempre vinha ficar com ele. Jon reparava que o machucado havia melhorado quase que milagrosamente após o rubi ser devolvido. Outro fato ligado ao rubi que lhe chamou a atenção, foi que Melisandre o tirou na primeira noite em que se amaram. E nas noites seguintes também. Havia algo de sobrenatural naquele rubi. Assim como havia algo de sobrenatural na mulher.

Jon sentia que havia muito mais sobre o seu passado do que ela havia contado. Ele pensava isso também porque tinham noites em que ele ouvia a mulher durante o sono dizer duas palavras. Que para ele não faziam sentido. Eram essas palavras: “Melony” e “Lote 7”.

–Dormiu bem, Jon?-perguntou ela com um sorriso, lhe tirando de seus pensamentos. Depois de muita insistência ela havia parado, pelo menos quando estavam sozinhos, de o chamar de Vossa Graça- Vi algo nas chamas que pode ser de vosso interesse., mas não creio que esse seja o momento para contar. Tens muitos compromissos hoje.

Melisandre estava certa. Aquele foi um dia cheio. A cada dia que passava Jon tinha mais apoio do Norte, até os vassalos que de inicio não o apoiaram por causa dos selvagens, mudaram para seu lado depois que ele conquistou algumas vitórias e reconquistou alguns castelos.

Jon estava lendo algumas cartas, quando uma voz lhe chamou. Era meistre Xhitos.

O meistre era um bom meistre, havia cuidado bem dos machucados de Melisandre e de alguns homens do seu exército. Também ,pelo que ele tinha ouvido, cuidado de alguns vassalos importantes. Porém, mesmo assim ,tinha algo no homem que não lhe permitia simpatizar totalmente com ele. Talvez fosse saudade do antigo meistre . O meistre que ainda estava vivo na primeira vez que ele saiu de Winterfell.

–Seria prudente se Vossa Graça se casasse antes de partir para outra batalha- aconselhou o meistre Xhitos ,segurando sua corrente, como se temesse dizer algo

–Continue- disse Jon para o meistre. Ele sentia que ele ainda tinha algo para dizer

–Os vassalos reconhecem o seu valor, tanto que daqui há alguns dias terá um festa em vossa homenagem. Para comemorar as vitórias que conquistou. Nessa festa seria uma ótima chance para escolher a vossa rainha. Os seus principais vassalos vão trazer suas filhas, primas e sobrinhas. Terão várias donzelas para Vossa Graça escolher. E seria prudente fazer a escolha logo, pós o inverno já está ás portas.

–Creio que ainda não seja o momento.

–É mais que o momento, Vossa Graça. – o meistre olhou para os lados e continuou com uma voz mais baixa- Tem também a questão da lady Melisandre... As pessoas comentam sobre o tratamento que Vossa Graça dá a ela.

Jon sabia o tratamento a que o meistre Xhitos se referia. Desde que tomou Winterfell , Melisandre sempre nos banquetes se sentava ao seu lado em um local de honra e por algumas vezes ficava em pé ao seu lado, enquanto estava no cadeirão de Winterfell. Ele melhorou o tratamento ainda mais após o ataque que ela sofreu. Estava sempre perto dela.

–As pessoas falam, Vossa Graça. Sussurram pelos corredores como essa mulher opina em suas decisões. Como nos conselhos ela lhe fala para onde marchar com seu exército. Chegam até a fazer piadas sobre isso. A influencia dela é perigosa.

–Venci todas as batalhas até agora. Os conselhos da senhora Melisandre me são muito úteis.

–A questão não é essa. A questão é que as pessoas falam em como a presença dela em vosso quarto é constante.Em como a cada dia ela ganha mais voz e autoridade. Logo ela vai querer falar em vosso nome.Isso se torna ainda mais perigo por Vossa Graça não possuir uma rainha. Pode ocorrer o que ocorreu com Lorde Tytos. Ele tomou uma amante, uma mulher qualquer que era filha de um veleiro. Só que ele começou a dá um tratamento honrado demais a amante.Depressa começara a sentar a mulher a seu lado no salão, fazendo chover sobre ela presentes e honrarias, chegando mesmo a pedir-lhe a opinião sobre assuntos de estado. Num ano, a mulher passara a despedir criados, a dar ordens aos cavaleiros da sua casa, até a falar por sua senhoria quando ele estava indisposto. Não se pode dá muita voz a pessoas como elas. Sem falar que ela tem um deus totalmente estranho. ..

Jon respirou fundo e disse encerrando a conversa:

–Aprecio seus conselhos, mas gostaria que o senhor nunca mais discutisse a presença da dela ou sua participação em minhas decisões.

O meistre se desculpou, fez uma reverencia e se retirou, mas antes de sair falou:

–Pense no que eu disse, Vossa Graça. No banquete terão muitas moças de família.

De noite, em seu quarto. Quando Melisandre se deitou ao seu lado, ele contou para ela do banquete que teria e de como o meistre o havia aconselhado a escolher sua rainha.

–Não é da vontade do Senhor da Luz que a Graça Real se case com qualquer uma dessas moças- falou Melisandre em um tom sério

–Não? Quem o Senhor da Luz indica?- falou Jon em um tom mais divertido. A seriedade no tom de Melisandre o havia assustado.

–A vossa noiva será a noiva do fogo. Vi isso nas chamas hoje de manhã. Tão claramente quanto vi o dragão de três cabeças que é o símbolo da vossa casa.

Após isso, ficou um silêncio incomodo. Esse silêncio e algo a mais, fez Jon contar a ela sobre a conversa que teve com o meistre e o que ele falou dela. Ao terminar de ouvir a narrativa, Melisandre comentou em como os boatos eram semelhantes aos que tinham quando ela servia o rei Stannis. E falou de alguns que ouvia.

–Ouvi um ajudante da cozinha falar que eu agia como vossa rainha. Que apenas faltava a coroa.

–Amanhã posso providenciar uma coroa. — falou Jon sorrindo, de forma divertida, mas havia algo sério em sua voz- Estava pensando, o inverno está chegando, logo ocorrerá a grande batalha e realmente preciso de uma rainha...

–Já lhe disse, vossa noiva será a noiva do fogo. A coroa de rainha pertence a ela. Essa noiva será perfeita para o Azor Ahai.

Após um tempo de silêncio, Jon perguntou:

–Você disse que viu o símbolo da casa de meu pai?

Melisandre somente concordou com a cabeça.

–O símbolo é o dragão de três cabeças por causa de Aegon ,o conquistador e de suas duas irmãs-esposas. Então se eu tomasse duas esposas não seria estranho e não seria o primeiro Targaryen a fazer isso. .. Apenas pense nisso...

Melisandre pareceu querer falar algo, mas mudou de ideia. O olhar que ela lhe fez lhe lembrou o olhar que Arya muitas vezes lhe lançava. O olhar de quem está escondendo algo ou quer dizer algo e não pode, ou não consegue. As duas pareciam ter muito em comum. Jon até notava um aproximação entre ambas.

Devido ao silêncio da mulher, Jon não insistiu no assunto. Assim como não insistia com Arya quando a menina parecia não querer responder uma pergunta.

Ele apagou a vela e a abraçou. Naquela noite os dois logo adormeceram. Envoltos no silêncio que era tão denso quanto a escuridão.

Ao adormecer, Jon sonhou aquele sonho em que caminhava por uma Winterfell deserta. Foi o mesmo sonho que havia sonhado na noite anterior. Ele acordou igualmente assustado. Só que dessa vez, diferente da outra, Melisandre percebeu isso e perguntou se havia algo de errado. Jon contou o sonho para ela. Quando acabou de conta, a mulher disse:

–Amanhã devemos ir até as criptas de Winterfell. Fazer o mesmo caminho que você faz nos sonhos.

–O que você espera encontrar nas criptas?

–Talvez a verdade...

Notas finais
Comentem. O que acharam? Ansiosos pela segunda parte?