I- O poeta ressurge

Numa certa manhã, como em todo clichê, levantei-me e fui a uma certa padaria, como todos os finais de semana... Algo estava diferente... Não me recordo ao certo da história... Apenas um nome vinha à minha cabeça... Poeta da Maldição...

O café do Seu Chico estava delicioso e me deparo com o celular vibrando no meio do jornal, não esperava nenhuma mensagem, nem se quer o bom dia das minhas tias no grupo da família. Um número desconhecido saltou na tela, apenas consegui ver a foto do perfil... Uma bela moça de cabelos cacheados castanhos, óculos pretos... Um belo retrato no espelho. Ela me pedira para fazer uma pregação uma vez em uma Igrejinha bem charmosa... Como se chamava, não me recordo...

Suas mensagens caiam na minha tela, e, eu a respondia com toda pressa, afinal, o mundo estava de pernas pro ar. Há um mês todas as fábricas haviam parado, todas as lojas haviam fechado e todas as igrejas estavam de portas fechadas. Acaso eu, não teria como não ficar em situação semelhante... Em exílio não posso fazer muita coisa, confesso que ela tem alegrado meus dias e minhas noites nesses dias infinitos com poucos afazeres.

Ela, ela, ela... Bem não tenho palavras para descrevê-la, nem sou digno de assim fazer, meus erros ortográficos e gramaticais não permitem isto, mas hão de conhecê-la como eu conheci e ainda não conheci... Esta história não é só minha... Não sei dizer ao certo onde ela começa ou termina, se é que termina. Por inúmeros dias e inúmeras noites conversamos e discutimos sobre música, boas leituras e bons filmes, intelectuais.

Entretanto, em nossa pauta diária, a literatura se tornou o nosso tema central. A essa altura do campeonato essa conversa fiada deve lhe estar causando sono, mas prometo não me alongar mais... Prometo que logo concluo o meu raciocínio... Prosseguindo... ela tipo Mônica, eu tipo Eduardo, eu químico, ela enfermeira, eu formador, ela coordenadora...

Já fazem alguns anos que não escrevo alguma coisa, porém, tudo que está acontecendo merece estar gravado, não só no interior de nossos corações, mas ao acesso de quem quiser ler, se alguém quiser, temos essa possibilidade também. Nossa amizade foi crescendo e crescendo cada vez mais e mais...

Esta noite, por exemplo, gastamos nosso tempo falando do futuro, nossos sonhos, nossas metas, nossas ambições e nossas futuras conquistas. Acho que aos poucos ela vai quebrando a maldição que um dia foi jogada sobre mim e quando isso acontecer serei o primeiro a dizer como e quando tudo isso aconteceu, tudo será explicado futuramente ao decorrer de palavras e versos, logo, logo, nós diremos o que aconteceu e o que vai acontecer nessa trama onde a realidade e a ficção se encontram e se unem separadas por um fino véu que pode ser rasgado. Enquanto isso aguardo uma mensagem dela... Espero-a... Ela estará aqui para dizer um pouco mais sobre ela e sobre o que pode ser o próximo livro do ano... Eu, Tristan, o Poeta da maldição me despeço por hora, mas concluo... Um poeta ressurge em meio a seus papeis e canetas tinteiras, o poeta voltou...

O café em minha xícara esfriou

Ao ver sua mensagem o mundo parou

Dias e noites se passaram

Nossos laços foram firmados

O futuro disso não sabemos

Afinal o que viveremos

Quem sabe ao certo o que estamos fazendo

O poeta como a fênix ressurge