O que importa?

23 Primeira e última dança


Notas iniciais
Então, chegamos a fim da nossa história. Não vamos fugir dos clichês, acaba em casamento, sim

I hear the echo of the promise I made
When you're strong you can stand on your own
But those words grow distant as I look at your face
No, I don't wanna go it alone

I never thought I'd lay my heart on the line
But everything about you is telling me this time it's

Forever
This time I know
And there's no doubt in my mind
Forever
Until my life is through
Girl, I'll be loving you forever

(Kiss: Forever – Hot in the Shade, 1989)

— Eu gostaria de saber como eu me meti nisso – disse Vegeta, aborrecido, enquanto Bulma ajeitava a gravata que ele, obviamente, não fazia a menor ideia de como se usava ou exatamente para que servia.

Ela parou um instante e disse, olhando para ele, aborrecida:

— Foi VOCÊ quem falou em casamento.

— Você me disse que as pessoas da Terra se casavam quando ficavam juntas. Mas não disse que elas faziam isso na presença de uma centena de pessoas! E eu não sabia que ia ter de usar essa roupa ridícula!

Ela riu. Lembrou-se de quando comparecera ao casamento de Chichi e Goku e imaginara como aquela lua-de-mel seria constrangedora. Pelo menos ela tinha certeza que Vegeta sabia exatamente o que deveria fazer depois que eles se casassem.

— Prontinho... – ela deu um passo para trás para contemplar sua obra e disse, sorrindo – agora você realmente parece um príncipe! Pegue o Trunks e vá para a festa. Entretenha nossos convidados, eu vou logo.

Ele se abaixou para pegar o filho, que brincava sentado no chão usando uma miniatura idêntica do seu fraque. Bulma havia dito a ele que se arrumasse ali no quarto do bebê, mas como ele não fazia a mínima ideia de como vestir um fraque, ela viera em seu socorro. O filho riu da careta que o pai fez quando o pegou no colo, tentando ajeitar a gravata. Ele estava agora com um ano e dois meses, e era um garoto muito forte, já estava andando e agora parecia querer seguir o pai para todos os lados, inclusive para dentro da câmara de gravidade. Quando Vegeta olhou de novo para Bulma, percebeu que o “logo” dela não seria tão logo assim:

— Você ainda está de roupão e chinelos. Quer me fazer acreditar que vai estar pronta em menos de duas horas quando para um simples jantar eu preciso esperar uma hora e meia?

Ela abriu a porta do quarto e praticamente o empurrou para fora, dizendo:

— Tem cinco pessoas esperando no meu quarto para me arrumar. Se você soubesse como vestir um fraque eu já estaria quase pronta.

— E como você espera que eu “entretenha” alguém? – ele disse, bem ciente de sua inabilidade social.

— Ah, apenas ande com o Trunks no meio das pessoas. Todo mundo vai preferir dar atenção a ele que a você, não se preocupe.

Ela abriu a porta do quarto deles e um intenso vozerio feminino encheu o corredor, fazendo com que ele seguisse imediatamente para a direção da festa, que aconteceria no terraço ajardinado da ala norte da construção. O filho o olhava intrigado, virando a cabeça de vez em quando na direção da câmara de gravidade e ele disse:

— Não vamos treinar hoje, filho... a não ser que isso conte como treino de paciência!

— Ença! – disse Trunks alegremente, tentando repetir o que o pai dissera.

Foi impossível seguir o conselho de Bulma. Assim que ele chegou à festa, a mãe dela levou o neto embora, dizendo que era o netinho mais lindo e elegante do mundo e ia ficar no colo da vovó. Vegeta sequer tentava discutir com a futura sogra: ela parecia simplesmente não ter a capacidade de ouvir o que ele dizia.

Ele se limitou a parar num canto da festa e cruzar os braços, aborrecido, ainda pensando que deveria ter proposto qualquer coisa que o fizesse escapar dessa situação. Alguém chamou seu nome e ele se virou, pensando, aborrecido, que gostaria de estar invisível. Era Gohan. Era a primeira vez que via o menino depois da batalha com Cell. De alguma forma, em apenas três meses ele havia crescido uns 15 centímetros, o que o deixava quase da altura de Vegeta.

— Senhor Vegeta – ele disse – eu nunca o agradeci por ter ajudado contra Cell...

Ele pretendia evitar esse assunto pelo resto da vida, mas ainda assim respondeu:

— Não precisa agradecer, garoto... fiz o que foi preciso.

Repentinamente ele ficou alerta quando uma mulher loura apareceu no seu campo de visão. Quase involuntariamente, assumiu uma posição de luta, até ver que ela estava de mãos dadas com...

— Kuririn? – ele chamou. O rapaz veio andando, deixando a androide conversando com uma moça de cabelos negros. Quando o careca estava diante dele, ele disse, sem cerimônia:

— Você sabe que está saindo com uma androide assassina, não?

— Shhh! – Kuririn o censurou – Ela não é mais assim!

Vegeta o encarou, com um ar desconfiado e ele continuou:

— Ela não sabia o que fazer e não tinha para onde ir depois de tudo que aconteceu e eu... a ajudei.

— Você tem certeza que ela é confiável? – Vegeta quase sussurrou, sem tirar os olhos da androide, que ria com a outra moça de alguma coisa.

— Engraçado – Kuririn disse, rindo – eu tive essa mesma preocupação quando a Bulma te convidou para ficar aqui...

Vegeta o encarou sem saber o que dizer. Para sua sorte, a irmã de Bulma, que ele conhecera apenas na véspera, já que ela morava em outro país (ou seria outro planeta?) se aproximou e disse:

— Ei, cunhado, está na hora! Você entra comigo! – ela o puxou pelo braço deixando-o bastante desconfortável. Não estava acostumado a ser tocado por ninguém que não fosse Bulma.

— O que eu preciso fazer? – ele disse, se sentindo perdido.

— Nada demais, apenas andar devagar comigo até o altar. E esperar sua princesa. Não se preocupe, ela vai estar linda.

Ele sorriu, involuntariamente. Era engraçado pensar em Bulma como “sua princesa”. Logo eles estavam passando lentamente por um corredor de pessoas, na direção de um altar montado imediatamente antes de um lago com uma cascatinha.

— E eu preciso te agradecer – ela quase sussurrou – como você, de uma vez, deu um neto e resolveu se casar com a minha irmã, meus pais pararam de me perturbar com essas coisas para as quais eu definitivamente não nasci!

— Seus pais realmente sabem como perturbar alguém – ele disse e ela conteve uma gargalhada, indicando onde ele deveria ficar e indo para o lado oposto.

***

Chichi ajeitou o véu de Bulma e disse:

— Você está simplesmente maravilhosa, Bulma.

Ela sorriu, grata que a viúva de Goku tivesse concordado em ser uma das amigas escolhidas para ajudá-la.

— Eu sempre me lembro do meu casamento em ocasiões como essa – suspirou Chichi, deixando Bulma um pouco triste. Ela realmente gostaria que Goku estivesse ali.

— Você também foi uma noiva muito bonita, Chichi! E eu sinto muito que Goku...

— Shhh – disse Chichi – Não se lamente pelo meu Goku. Eu sei que ele está bem onde está agora – ela sorriu – ele falou comigo depois... depois de tudo que aconteceu.

— Oh... – Bulma não sabia o que dizer.

— E ele está se dando muito bem com o senhor Kaioh... só é pena que ele não possa acompanhar... ela baixou os olhos, e agora parecia triste – bem, eu gostaria muito que ele estivesse aqui quando nosso segundo filho nascesse.

— Segundo filho? – Bulma arregalou os olhos – você está grávida?

Chichi assentiu. Havia quase três meses que Goku havia morrido, e de repente, Bulma percebeu que realmente Chichi parecia mais cheinha

— Fizemos esse com ele transformado em super sayajin – sussurrou Chichi e deu uma risadinha. – Vocês poderiam tentar também... é maravilhoso, Bulma...

Bulma fechou os olhos tentando evitar uma imagem mental imprópria mas agora era tarde demais. Sua cabeça já estava cheia de ideias.

***

Vegeta sentia o tédio e o aborrecimento aumentarem, conforme o tempo passava e nada acontecia. Estava no altar e já vira uma fileira interminável de padrinhos entrando, depois a mãe de Bulma com o pequeno Trunks e agora havia apenas aquele burburinho de pessoas tentando falar baixo e não conseguindo. Casamentos na Terra talvez fossem interessantes para os convidados, mas ele não via muita graça observando da sua posição de noivo.

Foi então que os portões do jardim abriram e Bulma apareceu, de braço dado com seu pai, e ele esqueceu todo aborrecimento. Porque Bulma não estava apenas linda. Ela estava resplandecente e perfeita, num vestido branco com muitos detalhes azuis, um véu branco que se assentava como uma nuvem sobre os cabelos turquesa e os olhos brilhantes, olhando apenas na sua direção. Naquele momento, ele esqueceu todo o resto e tudo valeu a pena.

Com o jovem Kami-Sama como celebrante, eles repetiram os votos que haviam ensaiado e ele percebeu, pela primeira vez, que estava nervoso, se esforçando para não gaguejar. Era uma bobagem para ele dizer que aceitava Bulma como esposa. Para ele, ela se tornara parte dele há muito tempo, precisamente quando ele a marcara como par. No ritual sayajin eles já estavam casados há muito tempo.

O beijo dos dois foi rápido, apenas porque ela o avisara que era assim que devia ser. Por ele, não pararia mais de beijá-la e fugiria dali com ela, deixando toda aquela gente que o aborrecia para trás. Mas, assim que a cerimônia acabou ela disse para ele, quase num sussurro:

— Você se comportou como um príncipe!

Ele a olhou desconfiado e respondeu:

— No fundo acho que você estava com medo que eu explodisse tudo.

— Lógico.

Ele se conteve para não revirar os olhos a cada sub-ritual que ela inventou para o casamento deles: um brinde, cortar o bolo, o discurso da madrinha (porque ele não tinha ninguém para fazer um discurso de padrinho) e a tal da primeira dança como casados. Quando se dirigiram ao centro da pista de dança ele disse, entre os dentes:

— Eu ainda não sei como concordei com isso.

Ela sorriu para os convidados e disse, segurando a mão direita dele e conduzindo a esquerda para a sua cintura:

— Apenas sorria e se mova de forma graciosa. É a nossa primeira dança como casados.

Ele bem que tentou, mas se movia com a graça de um macaco gigante.

— Certamente também será a última – disse, aborrecido.

— Prometo que assim que a música acabar nunca mais eu te peço para dançar comigo – ela disse, sorrindo.

— Você não precisa prometer, eu não vou mesmo dançar. Nunca mais.

Ela riu e disse:

— E se nós fugíssemos? Eu reservei uma suíte monumental no melhor hotel da cidade para nossa noite de núpcias. Não precisamos esperar acabar a festa para sair.

— Sabe que você tem razão?

Antes que Bulma pudesse protestar, Vegeta a segurou pela cintura e simplesmente levantou vôo com ela, deixando os convidados todos perplexos enquanto o casal sumia, voando na direção do céu noturno.

— Vegeta seu louco! – Bulma gritou – eu tinha um helicóptero pronto!

— Não reclame. Apenas me diga em que direção fica o hotel.

A princípio ela ficou com raiva, mas voando com ele, mesmo sabendo que aquilo provavelmente arruinaria o seu vestido ela começou a achar tudo bem engraçado e um tanto romântico. Ele a tirou do devaneio perguntando novamente:

— Onde é o hotel?

— No centro. – ela riu e disse – E você me deve uma. Me sequestrou no meu casamento! Acabou com a festa.

— Eu sou o noivo. E duvido que a festa acabe enquanto tiver comida e bebida.

— Não importa. Você ainda me deve uma e eu vou cobrar.

— Contanto que eu não te deva outra dança, pode me pedir qualquer coisa.

— Então está bem. Eu quero que você passe o resto da noite como super sayajin.

— Por quê? – ele a princípio não entendeu o que ela realmente queria.

— Por que não? É a nossa noite de núpcias, não é? E você disse que eu podia pedir qualquer coisa – ela disse, inocentemente – e eu estou pedindo para passar a noite com você como super sayajin...

Ele ergueu uma sobrancelha e disse:

— Por que não?

Bulma fechou os olhos quando ele foi envolvido por um clarão e sentiu a temperatura aumentar quando ele se transformou. Abriu os olhos e o viu, com os cabelos dourados e os olhos azuis. Sorriu quando ele disse:

— Satisfeita?

— Ainda não... mas já estamos bem perto do hotel. Eu tenho a noite toda para ficar satisfeita...

— E eu posso ficar assim a noite toda, se você quiser. – ele disse, sustentando o seu sorriso malicioso.

Ela se aconchegou a ele e apontou o prédio do hotel. Sorriu satisfeita. Tinha uma noite inteira pela frente com seu super sayajin, uma vida inteira pela frente com seu príncipe. E tudo ficaria bem.

Contanto que ela não o chamasse para dançar.

Fim

Notas finais
Quero muito agradecer a quem leu, favoritou, comentou, etc etc etc. Agradeço ainda a PATI minha amiga que me pediu para escrever essa história que me trouxe de volta ao mundo das fics. À Letícia que betou a História. E ao meu filhote, o Abilio, que me fez gostar de Dragon Ball. Nos vemos por aí, e virão outras histórias. E se quiserem, leiam minha nova história: https://fanfiction.com.br/historia/764802/Dividida_-_A_historia_de_Tenshin_Han_e_Lunch/
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!