O que importa?
4 Matemática
As you walk on by
Will you call my name?
When you walk away
(Simple Minds: Don't you forget about me – How to Dismantle an Atomic Bomb,1984)
Quando Bulma finalmente parou de rir, Yamcha disse:
— Provavelmente você acordou o cretino aí do lado.
— Não sei – ela disse, enxugando as lágrimas de riso – de repente ele tem sono pesado. Lembra como o Goku era quando criança?
— Verdade – Yamcha riu – podia cair uma bomba na cabeça dele e ele não acordava.
A risada de Bulma havia sido justamente por causa de uma piada que Yamcha fizera sobre Goku, assim que ele e ela haviam acabado de fazer amor. Ela dissera que estava até agora se perguntando se Goku transaria com Chichi na forma de super sayajin e ele dissera, com espanto:
— Bulma, e se ele fizer a coitada explodir? Sabe-se lá como um super sayajin goza!
A vulgaridade estúpida da piada a fizera chorar de tanto rir, mas ela logo disse, um pouco mais séria:
— Eu espero que eles tenham se entendido. Chichi é uma mulher e tanto para aturar essa mania do Goku de treinar eternamente. Eu tenho certeza que jamais aguentaria!
— Ainda bem que eu sou mais equilibrado – ele disse, beijando-lhe o rosto repetidas vezes enquanto dizia: – posso te dar toda atenção que merece.
— Mas você também deve treinar, sabia? Não quero você morrendo outra vez!
— Eu não vou morrer, prometo. – ele suspirou – em três semanas acaba a temporada do baseball e eu vou poder tirar algumas semanas para viajar e fazer uma jornada como a que eu fiz com Tenshihan e Chaos quando treinamos para o torneio.
— E vai me deixar aqui sozinha perto desse monstro?
— Não faça drama, Bulma. Você mesma disse que ele se comprometeu a cumprir um acordo. E eu nem vou ficar tanto tempo assim fora.
— Verdade. Mas meu lado racional diz que ele não vai ser louco de me fazer nada enquanto o subconsciente ainda o encara como aquele sujeito que pode me matar com um peteleco. E eu sonhei que ele me matava quando estava lá no planeta do Piccolo. Nunca acordei tão aliviada!
— Ele não vai te fazer nada – ele a beijou de leve – já eu... Quero fazer outras coisinhas contigo, mas acho que você vai gostar...
— Abusado – ela disse, puxando-o para si.
No dia seguinte, logo cedo, Bulma e Yamcha foram acordados por Vegeta esmurrando a porta:
— Ei, mulher, você disse que ia me mostrar a câmara de gravidade aumentada. Estou esperando.
Ela olhou o relógio na cabeceira. Ainda não eram sete horas. Yamcha levantou a cabeça ao lado dela e disse, sonolento:
— Por que não manda esse babaca embora? Isso não é hora de acordar um ser humano normal.
— Eu prometi a ele que ia mostrar a câmara de gravidade da nave – ela disse, levantando-se e vestindo um roupão. Vou me livrar dele. De repente, se ele ficar treinando a gente fica livre dele pelo dia todo.
Ela se dirigiu à porta e enquanto Yamcha se virava e voltava a dormir. Quando abriu, deu de cara com Vegeta usando o que restara de sua roupa sayajin, sem a armadura, que estava no laboratório dela.
— Bom dia pra você também. – ela disse, bocejando – eu sempre me arrependo das promessas que faço.
— Eu preciso treinar. – ele disse, já andando pelo corredor, querendo chegar logo na nave.
— E eu precisava dormir. Deus, hoje é DOMINGO.
— O que é domingo?
— Dia de descanso.
— Não preciso de descanso.
— Como se eu não tivesse notado...
Seguiram em silêncio o resto do caminho. Quando chegaram à nave e ele conseguiu abri-la sozinho, Bulma se tocou que talvez ele já tivesse descoberto a câmara de gravidade aumentada. Então disse:
— Você treinou aqui quando estava no espaço, não?
Ele não disse nada.
— Qual a graça de me fazer acordar tão cedo num domingo se você já sabia?
— Eu percebi que havia um controle de gravidade. Mas não entendi muito bem como ele funcionava. E eu não tenho culpa se você foi dormir muito tarde tendo um compromisso logo pela manhã.
Ela o encarou, irritada, percebendo a insinuação maldosa nas palavras dele.
— Se você conseguiu aprender o básico, acho que não precisa da minha ajuda. – ela foi se dirigindo à saída da nave e ele disse:
— Espere. Preciso realmente da sua ajuda. Não entendo o seu sistema numérico muito bem ainda.
— É mesmo? – ela se virou, parecendo-se bem feliz. – eu consegui decifrar o de vocês perfeitamente.
— Eu sei – ele disse – ou não decodificaria os rastreadores.
— É mais fácil do que você imagina. Estenda as mãos, por favor.
Ele hesitou, mas acabou estendendo as duas mãos diante dela. Ela sorriu e disse:
— Vê que você tem dez dedos? Como os humanos, os Sayajins contam de dez em dez, como os dedos das mãos. Se tivessem mais ou menos dedos, provavelmente teriam um sistema que eu não conseguiria decifrar, mas supus que, tendo dez dedos, contavam da mesma forma que nós. E acertei, mas quando estudei os caracteres e sua frequência, percebi que em vez de se parecer com os números que usamos, seu sistema parecia com o dos romanos, que usava caracteres de escrita em vez de algarismos.
Ele não estava entendendo nada, mas ela se aproximou do display eletrônico de gravidade e disse:
— Veja: o display indica um. É a nossa gravidade normal – ela mostrou um dedo. Se eu puser em 5 – ela aumentou o display mas não ativou o aumento de gravidade. – a gravidade vai ficar cinco vezes mais forte – ela mostrou os cinco dedos. – dez vezes, dez dedos – ela levou o display até dez. O seu sistema não tem o algarismo zero, vocês representam o zero com um traço. Por isso você não conseguia entender o nosso. Ela pôs o sistema em zero e disse: – zero é sem gravidade. Quando completamos uma dezena, usamos o zero para indicar. Quanto mais zeros, maior o número.
Repentinamente, ele entendeu o conceito.
— Então, dois zeros após o um significa que são dez dezenas. Cem. Para nós, o número cem é um novo caractere.
— Exatamente – ela sorriu. Agora que você compreende a matemática da coisa, tudo fica mais fácil, não?
— Sim, fica. Pode ir dormir.
— Meu Deus, como você é grosso. Não pensou em me agradecer? Eu acabei de te ensinar a coisa mais útil que você poderia aprender. Matemática serve para tudo.
Ele a olhou, aborrecido e ela continuou:
— Sayajins não aprendem o básico sobre educação e gentileza?
— Não, não aprendem. – ele respondeu – Não somos diplomatas, somos soldados.
Ela deu uma gargalhada e disse:
— Era uma pergunta retórica. Mas deixa para lá. Só que da próxima vez que te fizerem um favor, agradeça, ok? – ela se virou e ia saindo quando ele disse:
— Bulma?
— Ah, ele aprendeu meu nome – ela disse, virando apenas o rosto – precisa de mais alguma coisa?
— Não. Mas obrigado.
Ela não disse nada, apenas sorriu e continuou andando na direção da saída. Vegeta se viu de repente pensando se ela estaria nua sob o roupão, mas rapidamente olhou para o outro lado, reprimindo esse pensamento tolo.
Para ele, se habituar à gravidade aumentada em dez vezes não foi tão difícil. No fim da manhã, quando estava coberto de suor e faminto, foi surpreendido por uma aparição do rosto de Bulma numa enorme tela que ocupava todo canto da sala.
— Vegeta, vamos almoçar no jardim. Não está com fome?
— Estou – ele disse, sem parar os movimentos que fazia.
— Está treinando em gravidade aumentada em quantas vezes? – ela perguntou.
— Dez. Considerando aumentar logo para vinte, está muito fácil.
— Vá com calma. Pode ser que seu corpo não se habitue tão rápido.
— Cuide de sua vida, mulher. Eu estou bem.
Ela o encarou irritada, mas não retrucou, dizendo apenas:
— Ok. Mas o almoço sai em vinte minutos. Não invente de demorar mais.
Ele ia responder irritado quando se lembrou de que não tinha muita certeza de como funcionava o sistema de tempo da Terra. Mas antes que pudesse perguntar, o rosto dela sumiu da tela, deixando-o um tanto perdido. Acabou parando de treinar, ainda sem entender porque aquela mulher o irritava tanto. Descansou um curto tempo antes de desligar a gravidade aumentada e sair da nave para se juntar aos outros, no jardim.
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