O que dizem ao meu respeito
1 único
Zoro desceu de um ônibus numa rodoviária, ele carregava uma bolsa pesada e olhava ao redor. Finalmente chegara em Loguetown, a cidade que sonhava em morar desde criança. Usava uma jaqueta surrada com uma calça jeans, a camisa tinha a mesma cor de seus cabelos tingidos de verde. Procurou seu celular no bolso da calça e abriu o google maps, estava à procura de um lugar para dormir urgentemente. Por mais que dormira a viagem inteira, ele ainda sentia sono. Bocejava e piscava os olhos até. E por incrível que pareça, a ideia de tomar um banho quente para relaxar não lhe pareceu um absurdo. Zoro não gostava de tomar banho ou, pelo menos, era isso que diziam a seu respeito. Depois de dez minutos procurando a saída, ele deixou a rodoviária lotada de gente. Pensou que estava tão cheia, que não conseguia olhar ao redor. Zoro se perdia facilmente, mas ele discordava sobre isso ao seu respeito e dizia sempre uma desculpa qualquer por não conseguir andar nem em linha reta.
Perambulava na cidade grande e com grandes centros de comércios. Zoro viu tantos anúncios de Coca-Cola que ficou com vontade de tomar uma. Na sua cidade natal não havia tantas luzes e era mais cheirosa, ele sentia um cheiro forte de combustível e volta e meia alguém esbarrava o ombro nele. Na sua cidade isso costumava terminar em briga ou pediam perdão, mas ali as pessoas simplesmente seguiam andando, porque era comum se esbarrarem umas nas outras quando as calçadas eram tão lotadas.
Uma mulher de maquiagem carregada e roupas curtas se desgrudou da parede de um prédio e chegou perto de Zoro.
— E aí bonitão? — Ela disse com um sorriso safado depois de fitar o corpo atlético do esverdeado. Andava balançando suavemente seu quadril de um lado pro outro, ainda estudando o corpo alheio, e nos seus dedos segurava um cigarro.
— A senhora pode me dizer onde posso alugar um quarto para dormir?
A mulher não gostou de ser chamada de “senhora”, ainda tinha 29 anos e todos a tratavam de um jeito como se tivesse 30! Um flashback do seu gigolô passou na cabeça, eram cenas dele dizendo que ela deveria cobrar menos por conta da idade.
— Vai à merda!
Cuspiu no rosto de Zoro e voltou a se recostar na calçada. Mas que porra, foi o que ele pensou enquanto se limpava. No entanto, não ia brigar com uma mulher naquela rua estranha com outras mulheres iguais a ela. Havia também uns homens mais altos e fortes do que ele. Aquele lugar cheirava a confusão e procurou pelo celular para ver uma saída. Aliás, por que um aplicativo o mandaria entrar numa rua suspeita dessas?
Zoro não se perdia, ele tinha certeza disso.
Andava olhando o celular, não entendia aquele mapa e nem o gps, até mesmo ganhara uma mensagem de morte e concluiu que era vírus. Porém, algo veio voando e bateu contra o seu rosto. Zoro pensou que ficou cego por alguns segundos, até entender que se tratava de um anúncio de uma pensão. Sorriu de orelha a orelha, a sorte estava ao seu lado quando havia endereço, telefone e tudo mais. Quem precisa de celular? Foi o que ele pensou.
Saiu perguntando onde ficava tal rua e teve que pegar um metrô e um ônibus. Achou o prédio finalmente, era todo pichado. O portão de ferro e enferrujado estava aberto, talvez a cidade não era perigosa, subiu os degraus de cimento da escada de caracol até o último andar. Chegou arfando o ar e bateu na porta, aquela senhora foi quem atendeu.
— A senhora está alugando um quarto?
A mulher teve uma gastura ao ouvir “senhora” novamente. — Não, mas deve ser o apartamento do lado. — Fez um sinal apontando pra porta ao lado da dela.
A porta foi fechada, antes que Zoro dissesse que gostaria de se juntar a ela. A mulher cheirava a álcool e o rapaz gostava muito de beber, era o que diziam ao seu respeito. No entanto, também percebeu que não era bem-vindo e resolveu bater na outra porta.
Um rapaz sem camisa, de cabelos desgrenhados e loiros, abriu a porta. Zoro notou sua sobrancelha enrolada e quase deu uma risada. Contudo, o rapaz fechou a porta na cara dele sem mais nem menos. O que diabos tem nessa cidade que todo mundo bate a porta na cara? Foi o que Zoro pensou.
— Ei! É você o dono do anúncio? — Gritou para que o outro ouvisse. — O anúncio que diz que quer um colega de quarto?
O rapaz loiro voltou a abrir a porta e suspirava aliviado. — Cristo! Com essa cor horrível de cabelo pensei que era uma pessoa perigosa!
— Meu cabelo? Pessoa perigosa?
— Sim, tipo um agiota. — Abriu caminho. — Entra, por favor.
Zoro não gostou do que ele disse sobre seu cabelo, mas entrou. O cansaço era maior que seu orgulho, pelo menos naquele momento era.
Assim que entrou, sentiu cheiro de cigarro. O apartamento era pequeno e simples, mas organizado.
— Meu nome é Sanji, qual é o seu?
— Zoro.
Sanji pegou uma prancheta num banco que servia de suporte para o xbox e se sentou na mesa redonda. — Senta, vou te fazer algumas perguntas.
Estreitou o olhar com o que ouviu, mas obedeceu.
— Marimo, quantos anos você tem?
— 20, e meu nome é Zoro.
— Quer beber algo?
— Quero! — Disse numa felicidade que até não se importou mais com o apelido que ganhou.
Sanji se levantou e foi até a cozinha, trouxe uma garrafa e a abriu para os dois. — Como é de maior, posso te dar álcool.
— E você tem quanto?
— 20 também. Bem, a próxima pergunta seria se você bebe e, bem, já tenho a resposta. — Riu e Zoro retornou o sorriso. — Então... você fuma?
— Não.
— Tem problema com quem fuma?
— Acho que não.
— Já botou fogo na casa?
Zoro vacilou ao responder, se lembrou de uma vez quando era ainda uma criança, sem querer botara fogo no tapete da sala. — N-Nunca.
— Prefere peito ou bunda?
— Os dois.
— Ótimo, você passou! — Sanji disse e esticou os braços pra cima, simulando uma felicidade fingida.
— Que bom!!! — Por sua vez, Zoro estava verdadeiramente contente. — Será que posso tomar banho?
— Ora, você gosta de tomar banho? Isso é ótimo, não aguento cheiro nenhum, nem de chulé. Ah, espero que o cheiro de cigarro não te incomode.
— De forma alguma.
Os dois continuaram a beber, enquanto pensavam o quão legal o outro era. Definitivamente, se tornariam grandes amigos.
Fale com o autor