O Quarto Minguante


Ontem me aconteceu algo estranho, mas interessante. Estava caminhando por uma rua qualquer, sem compromissos ou preocupações. Já era noite, estava acompanhado por uma amiga, quando olhei para o céu e vi um objeto que se parecia com a lua em quarto minguante, mas que piscava longamente em intervalos sem ritmo — ou era simplesmente a névoa que tentando esconde-la, fazendo parecer como tal?

Fiquei empolgado ao vê-lo e quis mostrar a garota, porém, ele logo sumiu a caminho do horizonte. Foi uma pena. Mas notei que, lá no ponto aonde se ia, mesmo ainda o vendo, ele atirou um objeto, ou coisa, na cidade. Então fui indo embora. Vi de viés uma nuvem azul cobrindo a cidade rapidamente, chegando próximo ao nosso apartamento enquanto subíamos os primeiros degraus do andar.

Saímos correndo desesperados pela rua, quando um ônibus urbano, parecendo ter nós notado, parou e deixou que subíssemos. Dissemos para o motorista ir rápido e ele disse que sim, concordou friamente como se a pergunta fosse desnecessária demais. Em alta velocidade, pegamos uma via de trânsito rápido em direção a qualquer lugar que fosse longe o suficiente daquela massa azul, roxa, gasosa, dançante – água viva -, que envolvia toda a área da cidade como um manto de seda longo e colorido. Senti como se aquilo fosse matar todos nós apenas ao seu toque, e um desespero me atingiu profundamente. Devido a nossa velocidade, acabamos batendo em um muro ou carro (não sei) violentamente. Paramos. Lembro que olhei para a cidade ainda, enquanto perdia as forças lentamente antes de desmaiar e mergulhar na escuridão: o manto não estava mais lá. Em mim sensação de sono, medo, tranqüilidade, odores, tudo sumindo...

Não sei quanto tempo passará, mas quando abri meus olhos, lentamente, senti um gosto horrível em minha boca. Azedo, fedido. Minha cabeça rodava e sentia um cheiro de fumaça impregnado em minha roupa. Vi então que havia mais gente no ônibus, mais do que eu, o motorista e a minha amiga, e esta estava com a mão em meu ombro, me acordando e respondendo como se eu houvesse perguntando sobre o que era aquele gosto na minha boca: “Você vomitou. Olha o chão!”. Quando olhei, o chão estava sujo e seco, como se aquilo estivesse lá por muito tempo, e eu passeando no ônibus, louco, assim como aqueles que me deixaram subir-lo. Então fomos para casa. Alguém disse a ela no caminho: “Até que enfim você o encontrou.”. E ela: “É verdade.”. Eu não entendi e pensei (ou perguntei?) o que aconteceu com aquela invasão, o belo manto, a batida: “Ué! Estávamos andando pela rua, você parou de falar comigo e saiu sem dizer nada. Você ta há um tempão fora de casa. Foi muita sorte dê-lo encontrado” – e como ela me encontrou? Não entendi mais nada e fiquei imaginando se tudo aquilo realmente aconteceu, ou se aquele objeto me hipnotizou ou se estava drogado ou algo parecido.

Lembro de algo vindo do escuro, parecendo uma batata com três furos como uma face...

Acordei.

Notas finais
É minha primeira Fic aqui. Ainda tenho que aprender sobre como funciona aqui ainda, mas espero me dar bem com vocês.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!