Notas iniciais
Vou aproveitar que o universo Naruto tá movimentado esses dias menina. É cada briga que eu estou lutando para não me meter. Meu coração fica tão quentinho quando vocês comentam sobre o que acharam da história. Fico super emocionada e meus dedos ficam nervosos para escrever mais!!! Eu grito “CAPÍTULO” e vocês gritam “NOVO” kkkkkkk OBS.:A fic está seguindo um rumo que eu não imaginei. O objetivo era ter apenas 1 capítulo, agora já estamos no terceiro kkkkkkk E eu não sei se aceito logo que transformei ela em uma long fic ou se dou um jeito de finalizar ela no próximo. Eu prometi postar antes, e juro que até conseguiria escrever para postar, se eu não tivesse me atolado de trabalhos. Eu estou literalmente a Sakura nesse capítulo, surtando a cada 5 segundos. A cena do banheiro, que vocês vão ver durante o capítulo, eu vou reproduzir ao vivo daqui a pouco.

Você acredita em má sorte? No azar eminente… Naquela famosa lei de Murphy que diz, que se alguma coisa tem chances de dar errado certamente ela dará. Então, Murphy só esqueceu de informar que iria dar errado da pior forma possível; Ele esqueceu de avisar que a humilhação vem depois da vida te bater com três chineladas e dar dois tiros na sua testa.

Murphy esqueceu de avisar muita coisa naquela lei.

Muitaaaaa coisa!

Ele esqueceu de avisar que o destino é um fodido traiçoeiro, e que adora brincar com sua vida; Murphy esqueceu de avisar que a lei dele não demorava, e que aparecia em uma segunda-feira com um terno de grife. Murphy também esqueceu de avisar o quão fodidamente lindo era esse azar, o quão odiosamente atraente era.

Se meu azar era assim tão terrível, o dia que eu, Sakura Haruno alcançar um pinguinho de sorte nessa vida, eu ganho na mega sena.

Estou a quase dez minutos encarando meus pés por debaixo da mesa de vidro, o vidro transparente da mesa de reunião evidenciava aquela sandália horrível que escolhi calçar — dava para ver meus dedos dos pés se apertando, eles estariam enroscados para trás se não fosse o solado da sandália. Uma gota de suor correu pelas minhas costas, queimando toda extensão da minha coluna espinhal enquanto que o homem de terno preto se apresentava para todos os funcionários da editora.

“Me chamo Sasuke Uchiha” Algo como isso saiu de sua boca ao começar a apresentação, ao menos foi o que deveria ter falado, mas eu não sabia ao certo o que ele estava falando, não consegui prestar atenção depois de ouvi um “se fudeu, cadela” em forma de um sussurro. Não sei se aquele sussurro realmente veio dele ou se eu estava alucinando pelo possível vestígios de álcool no organismo. Abri a boca tentando puxar um ar quando ouvi ele falar outra vez com os lábios, sem sair nenhum som.

“Te peguei”

Me arrependi amargamente por ser boa em leitura labial, e praguejei baixinho torcendo para que ninguém tenha notado suas “palavras” acaloradas direcionadas a minha pessoa. Eu não sabia o que estava acontecendo com meu corpo!

Eu estava envergonhada? Sim, era minha resposta.

Envergonhada por causa dele? Não, era minha resposta.

“Você tem certeza que não está envergonhada por causa dele?!” Dessa vez minha mente gritou em afirmação, ou era uma pergunta?

Apertei fortemente a ponta do meu nariz, e não conseguia lidar com minha mente barulhenta naquele momento, era muita informação acontecendo. Eu queria prender a respiração até ficar inconsciente e ser levada por uma ambulância para longe daquele indivíduo, mas não, meus pulmões tinham que reclamar da falta de ar, tinham que não ajudar naquele momento.

Para não bastar a falta de consciência, que não veio, minha cabeça resolveu entrar em curto nessa mesma hora. Os divertidamentes estavam ateando fogo na minha rede neural, desencadeando impulsos elétricos direto para os meus olhos. Minhas pálpebras tremiam a todo momento, e se não fosse meu rosto inclinado para baixo, encarando entre o vidro o aperto nos dedos dos pés, alguém teria notado meu novo tic nervoso.

O Uchiha continuava sua apresentação, parando a todo momento os olhos sobre meu corpo, eu sentia as faíscas saindo de suas orbes e respingando sobre a minha cabeça, eu estava entrando em combustão pelas chamas ardentes que seus olhos jogavam sobre mim.

— Espero nos darmos bem! — finalizou sua apresentação recebendo uma chuva de aplausos que foram seguidos de cochichos de como o Uchiha era um deus.

As palavras de uma das funcionárias sentadas logo ao meu lado, me causaram ânsia de vômito e vertigem, o aperto de mão que aquele homem desgraçado dava em cada funcionário que tentava puxar seu saco era digno de um manipulador barato. Ele abria um sorriso, dava um pequeno aperto de mão acalorado em cada pessoa e virava os olhos para a esquerda quando elas viraram as costas. Aquilo era um claro sinal de alguém que sabia que estava sendo bajulado, alguém que conhecia muito bem onde estava se enfiando.

Arrastei a cadeira para trás, levantando e voltando o objeto para o lugar, minhas pernas tremiam ao ficar em pé, enquanto que minhas mãos estavam geladas ao ponto dos meus dedos começarem a ficar duros.

— Podemos dispensar apresentações, não é? — levantei minha cabeça vendo meu chefe, Kabuto, ao lado do demônio ardiloso. — Vi que vocês já se conhecem!

— Eu tive o prazer de conhecer essa figura no casamento do meu primo. — ele falava, encarando meu rosto com superioridade. — Podemos dizer que somos família, não é, Sakura?

Quão podre pode ser uma pessoa para chegar ao ponto de brincar descaradamente assim com meu psicológico? Era nítida a minha falta de raciocínio naquele momento, era tão claro como a água que eu já não estava no meu juízo perfeito a algum tempo, talvez até antes do casamento, talvez até antes de nascer.

Suspirei pesadamente ao fechar os olhos e tentar parar todo o turbilhão de pensamentos que se formavam ao mesmo tempo na minha cabeça. Colando uma post-it mental no fundo do meu cérebro, para me lembrar de conversar sobre isso com minha psicóloga — talvez esse mês ela tenha que cobrar um valor extra pela carga emocional que eu iria jogar nela.

“E eu, o desprazer!” praguejar aquele demônio ardiloso mentalmente, não tendo capacidade para proferir uma ofensa na frente do meu chefe… Meu olho mais uma vez mostrava para que ele prestava, o tic nervoso voltava a atacar ao lembrar que o demônio agora era chefe do meu chefe, então por hierarquia, ele era mais do que meu chefe. O filho da mãe era quase um imperador naquela editora.

Suspirei outra vez, constatando com veemência que “enrascada” era pouco, para o que eu estava. Eu estava completamente fodida. Lutei tanto para conseguir essa merda de emprego, não que meu emprego seja uma merda, longe disso, eu tenho um ótimo emprego, um emprego focado no que amo e no que almejo para o meu futuro, mas agora… Agora meu emprego estava na balança por culpa da moral duvidosa desse cretino.

Nossos olhos se encaravam quando levantei a cabeça, depois de abaixar ela milhares de vezes em um único segundo, e a dúvida me bateu. Eu jogaria tudo para o alto, todo meu serviço durante esses anos que estive trabalhando na empresa, todo o meu cargo que lutei para conseguir, todo meu esforço teria sido em vão? Eu gritaria com o novo dono da empresa igual uma histérica, tiraria aquela minha sandália ridícula e enfiaria goela a baixo na linda boca do meu algoz? Quando eu vi aqueles lindos olhos, me encarando com superioridade e firmezas eu tive a certeza que faria… Eu faria isso!

— Seja bem-vindo a nossa empresa, senhor Uchiha! — e eu não fiz.

Não joguei nada para o alto, não gritei igual uma maluca, não enfiei a sandália pela sua goela e retirei por lugares que supus que ele nunca tenha usado. Ao invés disso, por um único momento, por um único mísero segundo, o mesmo segundo que eu deveria ter tido naquele casamento, eu tive a maior alegria que um ser humano pode ter… Eu tive bom senso!

— Será um prazer trabalhar com voce, senhorita Haruno! — Maldito sorriso de lado!

°°°

— Aaaaaahhh! — o grito foi abafado pela almofada da área de descanso que eu arrastei para dentro do banheiro. — Maldito, maldito, maldito!

— Ele fez isso de propósito, ele comprou essa empresa de propósito! — Eu andava de um lado para o outro dentro daquela pequena cabine no banheiro feminino. — Crédito, arrogante….Aaahh — mais um grito abafado. — quem ele pensa que é? quem esse maldito pensa que é?

Bati a palma das duas mãos na porta trancada da cabine, se alguém estivesse nas outras cabines, ou mesmo passando do lado de fora do banheiro, teriam os tímpanos estourados pelos meus gritos dentro daquele lugar.

— Infernooooooooo — foi o último grito que dei, antes de ajustar a coluna e abrir a porta da cabine, indo em direção ao espelho do banheiro para ajeitar meu rosto.

— Você tem uma ótima garganta. — dei um pulo ao ouvir a voz feminina, olhando pelo espelho, Hinata estava escorada na porta fechada, me encarando pelo reflexo.

Eu não era completamente distraída, não o tempo todo, assumo que no meu trabalho, era comum me pegar fantasiando com alguma cena, ou mesmo criando cenários na minha cabeça, mas toda aquela confusão, e a presença daquele homem estavam mexendo completamente comigo, ao ponto de eu não ouvir Hinata entrar naquele banheiro.

— Por que você está tão… — Ela parou por um momento, parecendo pensar no que diria. — Tão fora de você hoje?

— Ai Hina, você nem sabe o que está acontecendo — afirmei quase começando a entrar em prantos, olhando para minha amiga que concordou com a cabeça e se aproximou. — , eu estou surtando… surtando, Hina!

— Tenta ficar calma e me contar o que está acontecendo. — Hinata segurou minhas mãos me passando uma corrente elétrica de confiança e carinho, e aquilo foi como minha kriptonita, eu só precisava daquele mísero empurrão, para me debruçar em lágrimas.

O primeiro soluço veio acompanhado do seguinte, e quando eu vi já estava chorando e soluçando nos braços da minha amiga. Minhas pernas não aguentaram o peso da minha própria carga emocional e cederam, fazendo meu peso cair em cima do corpo pequeno de Hinata, e ela escorregar pelo chão com meu corpo desfalecido em lágrimas no colo.

— Eu… eu.. — Mais lágrimas saiam, fazendo o bolo na minha garganta aumentar cada vez mais. Eu não sabia se estava pronta para contar as merdas que aconteceram rapidamente na minha vida, eu não sabia se a vergonha me fariam conseguir contar aquilo. Mas, se tinha uma pessoa que eu confiava em todos aqueles anos de trabalho, em todas as horas extras feitas no escritório e em todos os cafés divididos na cantina era em Hinata. — Eu estou completamente ferrada. O novo dono da empresa parece que tem um prazer em fazer da minha vida um inferno, e acho que vou ser demitida.

— Por que acha isso?

Contei para Hinata o que aconteceu naquele final de semana, desde a primeira taça de champagne até aquela maldita manhã, até eu encontrar aquele maldito homem. E ela ouviu atentamente cada palavra, acolheu cada soluço e limpou cada lágrima que escorria pelo meu rosto, assim como uma amiga faria — o que ela era, sem sombra de dúvidas.

— Sakura Haruno com o rabo preso? — tentou brincar depois de longos minutos em silêncio. — nunca pensei que veria você assim!

— Estou tão mal, assim? — questionei tentando passar as mãos pelo rosto.

— Amiga, estamos sentadas no chão do banheiro do escritório. Sabe se lá Deus quantos micróbios tem nesse chão! — Ela brincou levantando e estendendo a mão para me ajudar levantar. — e seu rosto está um bagulho.

Por alguns segundos, tive vontade de ir. Mas rir loucamente, ao ponto de cair no chão e fazer xixi nas calças. Eu estava fazendo um escarcéu à toa, não completamente à toa, mas isso não era o fim do mundo. Eu poderia arrumar um novo emprego, poderia até mesmo fundar minha própria editora. Eu não tinha dinheiro suficiente para algo grandioso, mas eu tinha amor à minha profissão; tinha o talento, a dedicação e o principal, eu tinha contatos no meio. Então se eu fosse demitida, por aquele demônio de calças, eu poderia me reerguer.

— Obrigada, Hina, você me ajudou muito! — depositei um beijo molhado em suas bochechas que tomaram uma coloração vermelha e virei para o espelho, tentando trazer dignidade ao meu rosto, e talvez para minha vida.

— Mas eu não fiz nada! — Hinata tentou falar, mas o sorriso que começou a estampar meu rosto era grande demais, fazendo minha amiga sorrir também. — você vai aprontar.

Ela afirmou!

— Como você sabe disso? — questionei alargando o sorriso.

— Eu te conheço há algum tempo, e você está com o mesmo sorriso que os vilões das histórias dão quando vão aprontar… aquele sorriso maléfico de quem não tem nada a perder.

— Mas eu tenho muito a perder. — afirmei. -, tenho um emprego que amo, e pessoas maravilhosas, mas…

— Mas, isso não vai impedir você. — constatou.

— Exatamente, Hina. Exatamente!

— Ai amiga, você está indo na sua psicóloga? As suas mudanças de humor estão cada vez mais terríveis.. — Hinata estava certa, eu estava variando o tempo todo. Pois a minha luta interna estava terrível.

A cada momento eu tinha uma briga interna pior ainda, a cada dia isso ficava mais sério, mas isso não iria mudar o fato de que eu não iria me rebaixar para aquele cretino.

Eu, Sakura Haruno, não iria perder para ele!

Se ele pensa que pode chegar aqui e me demitir, ele estava muito enganado, porque antes disso, eu tacaria o café na sua cara e iria pedir minha própria demissão.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.