O primeiro encontro
1 Capítulo 1 - O primeiro encontro
O PRIMEIRO ENCONTRO
Eu sabia que algum dia ele viria... mas, por alguma razão, minhas visões nunca foram claras sobre quando isso aconteceria. Entretanto, mesmo com tantas oportunidades de namoros e até mesmo relacionamentos mais sérios, preferi esperá-lo. Sim, porque de que adiantaria iludir a outros se meu destino já estaria selado com ele?
Ele... eu ainda não sabia seu nome. Quando aparecia em minhas visões, via somente um homem alto, magro, porém com corpo definido e bem proporcionado, cabelos médios e loiros. Tinha um rosto de anjo, com feições perfeitas, como que talhadas especialmente para me deixar sem fôlego! Assim passei cerca de dez anos esperando por ele. E sabia que valeria a pena!
Certo dia, voltando pra Forks de um de nossos “acampamentos” forçados, paramos para abastecer em um pequeno posto de gasolina. Em frente havia um pequeno restaurante. Enquanto segurava a bomba de gasolina caindo aos pedaços, olho para frente e vejo uma visão do paraíso: era ele, o homem das minhas visões, dos meus sonhos mais íntimos que saía pela porta daquela espelunca. Um contraste! O que um homem daqueles estaria fazendo em um lugar tão ordinário?
Fiquei sem ação olhando pra ele até que senti a gasolina molhando minhas botas e quando olhei, o chão estava totalmente encharcado. Ao voltar os olhos para cima, ele estava muito próximo de mim.
— Posso ajudá-la, senhorita? — perguntou o deus grego com um sorriso meio de lado, que me deixou de pernas bambas. Se ele já era lindo, era uma covardia que tivesse uma voz daquela...
— Eu- eu... eu estava terminando de abastecer o carro. — disse, gaguejando e me odiando por isso.
— Permita-me, senhorita! — disse retirando a bomba de minhas mãos. — Deixe que me apresente: sou o Major Jasper Whitlock, ao seu dispor. — Retirou o chapéu educadamente e se inclinou.
— Meu nome é Alice Cullen. — respondi, sem conseguir desviar os olhos de sua boca.
— A senhorita vive por aquí? — perguntou demonstrando interesse.
— Na verdade, sim... vivo em Forks. Estávamos voltando para lá após um acampamento em Everett.
— Então suponho que esta seja sua família e algum desses sortudos deva ser seu namorado. — comentou algo decepcionado.
— São meus pais e meus irmãos. Eu não tenho namorado! — deixei escapar. Fiquei com vontade de dizer que não tinha ninguém porque o estava esperando.
— Ah! — abriu um sorriso — sendo assim, gostaria de conhecê-la melhor! Poderia me conceder a honra de tomar um café comigo em alguma cafeteria de Forks? Que tal amanhã, às 18? Basta me dizer o local e estarei ali.
Eu estava sentindo borboletas no estômago. Sim, sei que soa a algo cafona e de adolescentes, mas esse homem mexia comigo como nenhum outro havia feito. Concordei rapidamente, antes de que ele pudesse mudar de ideia:
— Que tal a Cafeteria Hibisco? Fica no centro de Forks, na Praça do Relógio.
— Estarei lá pontualmente! — ele disse sem hesitar e olhando profundamente em meus olhos.
— Então até amanhã, senhor Jasper Whitlock!
Então era esse seu nome: Jasper Whitlock! Logo após me despedir dele, passei a imaginar as possíveis combinações para meu nome: Alice Whitlock Cullen. Ou só Alice Whitlock? Não, quero continuar usando Cullen, sobrenome este que meu pai adotivo, Carlisle, emprestou-me e que eu tanto honrava. Então será Alice Whitlock Cullen.
Durante o dia tive de aguentar as provocações de meus irmãos. “Finalmente parece que vai desencalhar, Alice!” ou “Já estava na hora, Alice! Até que enfim alguém quebrou seu coraçãozinho!”. Suportei-os com paciência pois sabia que eles não estavam fazendo por mal e sim porque estavam muito felizes.
Mal pude esperar amanhecer. Queria que as horas passassem rapidamente. Precisava me encontrar com Jasper e tudo tinha de ser perfeito. Pulei da cama logo cedo para escolher minha roupa. Mas nada parecia adequado para um encontro daquela relevância! Eu queria deixar uma excelente impressão! Então saí para fazer compras.
Voltei com um vestido azul marinho, discreto, mas não deixava de ser sexy. Sapatos de salto alto para tentar ficar um pouquinho mais alta e uma bolsa perfeita para a ocasião. Muito bem, eu já tinha a roupa, os sapatos... agora só faltava um bom banho de beleza, maquiagem, unhas, ufa!
Após o banho, fiz meu cabelo. Sempre o usei curto pela praticidade e, sinceramente, esse tipo de corte deixava meu rosto muito mais delicado. Em seguida, a maquiagem. Nada muito pesado, só um destaque nos olhos.
Pronto! Eu já estava devidamente produzida... mas ainda eram 3 da tarde! Sempre fui ansiosa, mas agora estava de parabéns. Tentei me distrair vendo TV, mas não tinha paciência para ver nada em concreto. Zapeava os canais, mas não conseguia me concentrar em nada. Eu só pensava nele: Major Jasper Whitlock. E em sua voz! Com ela, poderia hipnotizar a qualquer pessoa e esta faria o que ele quisesse. E me encantou de tal maneira que não conseguia pensar em outra coisa.
— Mas o encontro não é só às 18 horas, Alice? Por que já está arrumada tão cedo? — Minha irmã Rosalie perguntou.
— Você sabe que sou ansiosa, maninha! Não quero nenhum contratempo, nenhum deslize, nada!
— Ok, ok! Tudo sairá bem! Você é tão maravilhosa e está tão linda! Certamente esse homem já está no teu laço. — riu.
— Obrigada por me animar... mas acho que já é hora de ir. Não quero chegar atrasada. E me deseje sorte, maninha!
— Boa sorte, meu bem! Fico muito alegre por te ver tão feliz! Você merece!
Peguei meu Porsche amarelo, presente de Edward, e me dirigi até a cafeteria. Um frio intenso na barriga arrebatou minhas forças por alguns instantes, mas fui forte e segui até a porta. Entrei, dei um sorriso amarelo para uma moça que saía pela porta enquanto eu queria entrar. Passei os olhos atentamente pelo local e o vi sentado nos fundos, em uma mesa mais reservada. Se meu coração batesse, acho que ele teria saltado pela minha boca naquele instante. Eu me dirigi até a mesa, tomando cuidado para não tropeçar. Aqueles segundos que me separavam da mesa pareciam intermináveis.
Ao notar minha presença, logo se levantou e ajeitou a camisa. Meu Deus, como estava lindo! Com uma camisa branca impecável, muito bem passada, uma calça jeans com uma lavagem azul muito bonita, um paletó azul-marinho e lindos sapatos marrons! Que homem perfeito!
— Oi, Jasper! — disse, estendendo minha mão para cumprimentá-lo.
— Oi, Alice! — ele respondeu, beijando minha mão. Em seguida, saiu de seu lugar e puxou a cadeira para que eu sentasse. Que homem mais gentil!
Depois que me sentei, abriu um sorriso nervoso e disse:
— Fiquei com um pouco de medo de que não viesse... que havia marcado aqui para se livrar de mim naquele posto de gasolina.
— Ah, não! Eu jamais faria uma coisa dessas. Deixar um cavalheiro esperando aqui, inutilmente.
— Fico feliz de que não foi assim. — sorriu. — Aqui está a carta. O que deseja pedir?
— Bom... você deve saber que não me alimento como as demais pessoas, não é? — sorri — e nem você!
— Sim, estamos sempre em dietas especiais, não é verdade? Mas pedirei capuccinos para os dois, para disfarçarmos. — sorri.
— Então, de onde você é, Jasper? — comecei tentando fazer que não parecesse um interrogatório.
— Sou do Texas. Mas com o exército confederado, vivi em várias partes do país até chegar a Port Angeles. Moro ali com um casal de amigos.
— E eu, como comentei, moro com minha família. Pais e irmãos adotivos. Somos o que os vampiros consideram “vegetarianos”. Só nos alimentamos de animais.
Jasper baixou os olhos.
— Eu me alimento de sangue humano, entretanto, procuro pessoas que, a meu parecer, são más. Consigo sentir o que elas sentem. Esse é o meu dom... eu tenho muita empatia e posso manipular emoções.
— O meu dom é poder ver o futuro. Na verdade, eu já sabia que te encontraria naquele posto de gasolina.
— É mesmo? Então você viu o encontro momentos antes de que acontecesse?
— Na verdade não. Você me deixou esperando um tempão!
— Minhas desculpas, senhora!
— Está desculpado, cavalheiro! Desde que não fique mais um instante longe de mim!
— Essa tarefa não será nada difícil já que não consigo nem tirar os olhos de você! — disse com seu sorriso torto.
— Você deixaria tudo e viria viver comigo aqui em Forks, na casa de meus pais?
— Se eles me aceitarem, sim! — respondeu sem titubear.
— É claro que te aceitarão! Eu já vi isso! — tratei de assegurar-lhe.
— E quando poderemos ir?
— Agora mesmo, se quiser!
Ele me pegou pela mão e me guiou até a porta da cafeteria. Antes que eu pudesse falar alguma coisa, levantou meu queixo delicadamente e me beijou ardentemente. Naquele instante tive a certeza de que tinha valido a pena esperar tanto por ele. O encaixe perfeito de nossas bocas e o seu cheiro delicioso me deixaram ali, rendida.
— Agora sim já podemos ir! — sorriu.
Eu sorri de volta, ainda atordoada. Fomos até meu carro entre um sorriso e outro, de mãos dadas. Eu não conseguia tirar os olhos dele. Logo chegamos à mansão Cullen, onde todos nos aguardavam. E eu mal poderia esperar por aquela noite!
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