O preço de uma dívida
5 Punição
Notas iniciais
“Quando tá escuro e ninguém te ouve;
Quando chega a noite e você pode chorar;
Há uma luz no túnel dos desesperados;
Há um cais do porto pra quem precisa chegar...”
Lanterna Dos Afogados
Os Paralamas do Sucesso
Armazém Adrian Chase (Quarta, 21/7/73 — 14:20 p.m)
** Thomas **
“...Quando estiver a serviço do senhor Chase sentirá falta das implicâncias da senhorita Snow”...o alerta feito por Harper um mês atrás ecoou em minha mente já no primeiro dia a serviço de Adrian Chase após haver passado o mês anterior servindo os Snow (haviam alterado o acordado entre si anteriormente optando cada receber um mês completo).
O homem era absurdamente prepotente, arrogante, intolerante, conseguindo superar a detestável senhora Carla Snow. A mulher infernizara minha vida com seus desmandos e mudanças de ideia repentinas. Uma hora queria uma coisa, na seguinte outra, sem mencionar que contava (literalmente) meu tempo de almoço e descanso. Sua implicância fora, sem sombra de dúvida, potencializada por ter-me pego observando a senhorita Caitlin (definitivamente aquela pequena será minha perdição!) certo dia quando esta encontrava-se na varanda bordando junto com as irmãs.
Porém, sua implicância e desmandos eram nada se comparado ao que Chase estava fazendo-me passar desde o momento em que pus os pés em seu armazém.
Parecia sentir um prazer mórbido em humilhar-me. Já no primeiro dia fez-me limpar toda a frente de sua loja no horário em que o sol estava a pino, coincidentemente o de maior movimento na cidade, bem como realizar todas as entregas, grandes ou pequenas, no restante do dia (isto revelou-se bastante útil posto que acabei por descobrir quem de fato era amigo e quem apenas fingia o ser).
Não irritava-me executar tais tarefas, de forma alguma. Na verdade, já esperava. Sua postura que me havia irritado. Fizera questão de berrar comigo diante de todos, por pouco não causando um atrito entre ele, o senhor Queen, meu pai e Oliver, em momentos alternados pois o fizera, propositadamente ou não, quando os mesmos passavam defronte sua loja. Tive que usar muita diplomacia para evitar uma confusão maior e que certamente iria prejudicar apenas um lado: o meu....E estou a seu serviço há apenas três dias!
— Este será um longo mês! – murmuro, pegando um dos caixotes de madeira que fora entregue no dia anterior, dirigindo-me para o interior do armazém, reduzindo o numero enorme destes além de caixas e outras coisas a serem postas de volta em seus lugares. Chase cismara em limpar e reorganizar todo setor de estoque separando mercadoria antiga da nova, recém adquirida.
Evidente que não consegui fazê-lo em um único dia, ficando grande parte das mercadorias no lado externo protegido por uma lona e um segurança armado.
Levei toda manhã de hoje finalizando a limpeza do espaço e reorganizando o estoque antigo. Agora, após breves minutos de descanso depois da refeição, comecei a pôr tudo para dentro sem pressa pois se quebrasse algo fatalmente seria punido. De que forma? Não fazia a mínima ideia...e não pretendia descobrir.
Há pouco um amigo do senhor Chase chegara fazendo-o sair de cima de mim. Este mesmo amigo fora a casa do senhor Snow outro dia. Pelo que pude entender através das conversas dos empregados da casa, andava cercando uma das filhas dele. Caitlin mais precisamente. Havia deixado claro que tinha intenção em fazer-lhe a corte. Chegara a cogitar pedir permissão, mas fora informado pela senhora Snow que as filhas mais novas somente teriam permissão para serem cortejadas depois que a mais velha estivesse noiva, fato que ocorreria amanhã à noite.
Ela vinha sendo cortejada há algum tempo por um dos velhos babões aos quais Caitlin se referira. De uma hora para outra o homem resolvera apressar as coisas e pedira a mão da senhorita Yvie em casamento. Talvez devido a idade avançada (era cerca de vinte e cinco anos mais velho que ela) decidira encurtar a corte.
Por conta do tal jantar, a cidade estava em polvorosa. Todos queriam saber quem seria convidado a participar de tal evento e posteriormente do casamento.
Sabia de antemão que eu estaria lá....servindo!
— Você é mesmo um velhaco! – a voz de Adrian Chase faz-me estancar alguns passos da escada que leva a seu escritório, num nível elevado no interior do deposito – Bem que desconfiei de toda essa pressa do velho Fletcher – ouço-o dizer.
— Tudo que fiz foi dar um empurrãozinho no indeciso Fletcher, meu amigo – outra voz responde, o cheiro característico de charuto rescindindo pelo ar.
— E qual teria sido este empurrãozinho? – o senhor Chase pergunta, seu riso sendo ouvido mal o outro começa a responder.
— Lembrei-lhe da pequena diferença de idade entre eles, do quão fogosa a senhorita Yvie parece ser frisando que a mesma poderia perder a paciência convencendo os pais a buscarem outro pretendente. O pobre diabo está tão decidido a possui-la que mal dei-lhe as costas e já se encaminhou ao banco antes mesmo de o expediente terminar. O resultado sabe bem qual foi – conclui.
— A meu ver, não é apenas ele a estar decidido possuir alguém. Parece-me bastante entusiasmado com a jovem senhorita Caitlin – Chase comenta fazendo-me reter o ar nos pulmões.
— Está tão evidente assim? – questiona o outro, surgindo à janela, obrigando-me recuar dois passos para não ser visto. Reconheço-o de imediato: Slade Wilson!
— Por demais, eu diria – Chase responde – Mas não o culpo. As filhas de Snow são belas, de fato. As duas mais novas, no entanto, têm um algo a mais que não consigo explicar. A senhorita Caitlin, por exemplo, é realmente tentadora – Chase comenta fazendo meu sangue ferver.
— E como meu amigo. Confesso que havia um bom tempo não me sentia atraído por uma jovem desta maneira. Aquele rosto angelical, os lábios vermelhos, a pele rosada e delicada fazem meu membro latejar – ouço-o dizer e cerro os punhos – Sem contar o desafio contido em sua atitude, sempre repelindo minhas tentativas de aproximação. O simples fato de pensar em ser o primeiro homem que conhecera excita-me ainda mais.
— Tenho pena dessa delicada flor do campo quando finalmente a tiver em seus braços – comenta Chase – Toda essa conversa deu-me sede. Aceita uma bebida ? – convida, fazendo-o sair da janela.
Aproveito para afastar-me retomando minhas atividades, forçando-me a engolir a raiva após ter escutado aquela conversa.
Conhecia, de vista, o senhor em questão. Salde Wilson gostava de sodomizar as garotas da casa de Mama Smoak (era assim que a sogra de Oliver era conhecida na cidade, em especial pelos homens mais jovens), o que lhe rendeu algumas semanas como persona non grata na casa.
Ajudei a socorrer a última garota com quem estivera lá. Apesar de não a ter espancado, como chegou a fazer com outras em outras casas (Mama jamais permitiria), não foi uma coisa bonita de se vê. A pobre garota tinha marcas por todo o corpo, de mordidas inclusive. Durante vários dias ficara afastada do serviço recuperando-se. Soube depois, por uma das meninas com quem costumo me deitar, que fora obrigada a aceitar que a possuísse em posições nada confortáveis para ela...além do tão temido pelas profissionais do ramo (pelo que me disse) sexo anal.
O homem é um pústula pervertido, mas posava de bom cidadão, bom pai (tinha uma filha quase da idade da senhorita Caitlin). Evidente que se alguém contar estas coisas em público ninguém dará importância posto que estava pagando pelos serviços da garota. Outros dirão que jamais faria isto a sua esposa. Eu tenho para mim que faria sim. Imaginar o crápula pondo aquelas patas imundas sobre Caitln faz minhas entranhas revirarem e meu sangue ferver ainda mais.
— Pior que estou de mãos atadas. Nada posso fazer para impedi-lo – revolto-me, distraindo-me, acabando por não colocar o caixote corretamente sobre a prateleira, este vindo ao chão assim que o solto, espatifando-se com seu conteúdo, fazendo barulho e espalhando sujeira por todo lado.
— Droga! – bufo, agachando-me a fim de recolher os cacos – Merda, tinha que ser justamente este – resmungo, lendo o nome na etiqueta: Carla Snow – Mais que bela encrenca foi arranjar Tommy. Não basta o senhor Chase, que certamente quererá matar-me pelo prejuízo, a bondosa senhora Snow tratara de enterrar as sobras...isto se houver sobras! – murmuro enquanto cato os cacos do caríssimo aparelho de porcelana inglesa pintado a mão (minhas avós, materna e paterna, possuíam um em suas casas, na Inglaterra. Minha mãe chegara a ter um também , mas vendera quando partimos para a America) cujo valor deve beirar os trezentos mil para comprar. Incluindo as taxas de embarque no navio pagas na origem, outras tantas pagas ao desembarcar, mais os custos da carruagem que o trouxe, mais a percentagem de lucro, estou com um prejuízo de cerca de mil dólares em mãos, ou melhor, aos meus pés – O melhor de tudo é que não faço a mínima ideia de como pagarei por isto – reflito, erguendo a cabeça ao escutar a interjeição de espanto.
— Oh céus, o senhor quebrou a encomenda da senhora Snow! – uma das jovens atendentes do balcão exclama, levando as mãos a boca e retenho a muito custo o comentário irônico que ameaçava escapar – O senhor Chase ficara furioso – diz e rolo os olhos, retomando a limpeza – Deixe isto comigo. Melhor que o patrão não veja...
— O que não devo ver senhorita Fischer? – a voz de Adrian Chase faz-se ouvir sobressaltando-a– Mais o que diabos aconteceu aqui? – questiona olhando o chão, o rosto avermelhando ao lê a etiqueta – Isto Era a encomenda da senhora Snow? Qual dos dois a quebrou? – pergunta, olhando dela para mim.
— Eu patrão – adianta-se a garota, dando um passo a frente, recuando quando ele a encara – Fui eu. Tropecei ao passar, apoiei-me na prateleira e acabei por derrubara o caixote – sustenta mesmo assustada – Perdoe-me patrão. Pa- pagarei por....
— Logico que pagara infeliz! – esbraveja, dando um passo em sua direção fazendo-a encolher-se – Tem noção do prejuízo que acaba de causar-me? – pergunta – Trabalhara sem recebe até me pagar cada centavo! – avisa, fazendo-me sair da inércia.
— Não! – protesto, pondo-me de pé, a jovem olhando-me amedrontada, balançando a cabeça negativamente – Agradeço a ajuda senhorita, mas não permitirei que assuma a responsabilidade por meus atos – afirmo, vendo a expressão de Chase mudar lentamente – Distrai-me um segundo e deixei o caixote cair. Ela nada teve a ver com isto – garanto.
— Tem ideia do quanto essa distração custou-me? – pergunta em tom perigosamente calmo.
— Se não errei nos cálculos aproximadamente mil dólares – contabilizo vendo-o arquear a sobrancelha surpreso, um meio sorriso cínico iluminando o rosto logo a seguir.
— Evidente que saberia quanto vale um aparelho como este, tem berço ao contrario da jovem palerma aqui – escarnece, levando-a à beira das lágrimas – Engula o choro mulher, e vá até a porta de ligação entre aqui e o balcão. Pegue o artefato pendurado por detrás da mesma, feche-a e retorne – ordena, ela obedecendo apressadamente – Deve recordar, jovem Merlyn, de que, pelo acordado diante do conselho, caso venha a causar prejuízo a qualquer um de seus senhores poderá ser punido, correto? – pergunta, um brilho estranho nos olhos.
— Sim senhor – respondo, sustentando seu olhar, notando a garota aproximar-se, temerosa, trazendo o que ele pedira.
— Fosse um de meus empregados, como essa jovem irritante aqui – diz, tomando o tal artefato de suas mãos com brutalidade, impedindo-a retirar-se quando faz menção fazê-lo – Onde pensa que vai senhorita? Acaso a dispensei? – questiona sem olha-la.
— Na-Não senhor – gagueja.
— Como dizia, fosse um empregado comum teria seu salário suspenso até me ressarcir todo o prejuízo – retoma, rindo com o canto da boca – Mas, como não é o caso, posso optar por outra forma de punição. Estou no meu direito, correto? – pergunta, esticado o chicote e percebo aonde quer chegar.
— Sim senhor – anuo, respirando fundo.
— Dito isto, com base nos cálculos feitos pelo senhor mesmo, corretos diga-se, quantas chibatadas devo aplicar-lhe para que equivalha ao valor perdido? – pergunta, me encarando, não aguardando resposta – Suponhamos que cada cem dólares correspondam dez acoites. Seguido este raciocínio e de acordo com seus cálculos perfazem um total de cem chibatadas, correto? – calcula, satisfeito.
— Sim – limito-me responder, mantendo-me firme.
— Tire a camisa e vire-se Merlyn – ordena, fazendo o chicote estalar para me intimidar.
Obedeço ante o olhar amedrontado da jovem, dando-lhe as costas em seguida, atirando a camisa sobre as sacas de cereais a minha frente, preparando-me mentalmente para o que viria a seguir.
Apenas uma vez, em todos estes anos, passara pelo que estava prestes a enfrentar. Apanhara de meu pai com o cinto por tê-lo desobedecido. Certamente não iria comparar-se ao que aconteceria dentro em pouco.
— Senhorita Fischer, por ter-se mostrado tão solidária, terá a honra de fazer a contagem a fim de que não me perca e desfira golpes a menos – determina, a garota murmurando algo ininteligível – Não entendi. O que disse senhorita? Fale mais alto caso contrário posso não ouvi-la – diz, aplicando o primeiro acoite.
Pego de surpresa, por pouco não perco o equilíbrio precisando buscar apoio na estante a minha frente, a dor e o ardor da tira de couro fazendo-me fechar os olhos apertado encolhendo-me levemente.
— Fale alto senhorita ou perder-me-ei na contagem, o que não será nada bom para o jovem Merlyn, não acha? –ironiza, aplicando dois golpes seguidos – Quantas já foram senhorita? – inquire, ela balbuciando mais uma vez – Quantas? – repete, aplicando mais um golpe.
— Qua- quatro – a voz da garota finalmente se faz ouvir.
— Está certa disso? – questiona, e ouço um “sim” vacilante –Tem certeza? – reinquire, iniciando uma seqüência ininterrupta de golpes, a dor fazendo-me perder o fôlego e apoiar-me mais firmemente a estante.
— Qual a contagem agora senhorita? – pergunta alguns minutos depois, interrompendo a sequência. Aproveito para respirar, concentrado em manter-me de pé.
— Vinte – a voz feminina responde reprimindo, soluçando.
— Faltam apenas oitenta agora– contabiliza , voltando a carga.
Não sei se pelo material do qual era feito ou se por Chase estar distribuindo os golpes por toda extensão de minhas costas, mas apenas quando ouço a voz chorosa anunciar a metade do total, sinto algo escorrer sobre minha pele anunciando o ferimento. Coincidência ou não, Chase alivia os golpes, concentrando-os em meus ombros e quadril. Busco apoio ajoelhando-me as sacas a minha frente, reunindo forças para aguentar até o final. Àquela altura já não conseguia respirar com facilidade muito menos acompanhar a contagem. Desejava apenas que acabasse logo, o que acontece alguns minutos depois.
— É mais forte do que julguei Merlyn – escuto Chase dizer ao mesmo tempo em que sinto-o aproximar-se, apoiando uma mão no lado esquerdo da estante, inclinando-se para ver meu rosto – Esperava vê-lo desmaiar logo que comecei – afirma, rindo, erguendo-se, desferindo mais três golpes seguidos antes de por uma mão em meu ombro, apertando o ferimento que formara-se ali – Espero que tenha aprendido a lição – declara junto a meu ouvido – Um aviso pense bem antes de lamuriar-se diante do conselho. Sua mãe encontra-se prestes dar à luz. Certamente um dissabor como este a afetaria. Sem falar naquele garotinho, seu primo, sempre tão serelepe, ou em sua meio irmã. Seria uma pena algo acontecer-lhes não acha? – ameaça, aumentando a pressão em meu ombro – Me fiz entender Merlyn?
— Certamente senhor – respondo, entre dentes, encarando-o.
— Excelente! – exclama, afastando-se — Vista-se e volte ao trabalho. Há muito a ser feito e não quero ter que pagar segurança por mais uma noite sequer – ordena – Quanto à senhorita, mantenha-se de boca fechada ou sofrerá as conseqüências – ouço-o ameaçar enquanto levanto – Recomponha-se e volte para o balcão. Saiba que irei descontar de seu salário o tempo que passou aqui – avisa, aguardando-a sair para só então fazer o mesmo após dirigir-me um olhar ameaçador.
Visto-me, secando com o dorso da mão algumas lágrimas que caiam tanto pela dor quanto pela raiva, retomando minhas tarefas lentamente.
**** Residência Snow (15:15 p.m) *****
Caitlin
Sentada na varanda que dá para o quintal tento concentrar-me no bordado que fazia enquanto minhas irmãs tagarelam sem parar.
Esta estava sendo, de longe, a semana mais estressante de toda minha vida.
Primeiro, o pretendente de minha irmã mais velha, Yvie, decidira tirar da estagnação seu “namoro” tomando a iniciativa de pedi-la em casamento pegando a todos de surpresa.
A princípio, minha irmã irritara-se, mas após exatas vinte e quatro horas estava saltitante de alegria, cantarolando sem cessar, aceitando de bom grado seu jantar de noivado ter sido marcado para a semana seguinte ao pedido oficial ter sido feito a papai, ou seja, a semana na qual encontrava-nos. Mais precisamente amanhã à noite. O que me leva ao segundo motivo de estresse: Slade Wilson!
O referido senhor começara frequentar nossa casa mais assiduamente, a convite de meus pais, e para minha infelicidade havia deixado claro seu interesse em me cortejar.
Mal o conhecia, mesmo assim não suportava a ideia de ser tocada por ele. Chegava a sentir ânsias de vomito.
Papai deixara claro que Liv e eu poderíamos receber a corte apenas depois que Yvie estivesse noiva, ou seja, o infeliz poderá fazer-me já a partir de amanhã a noite e a ideia atormentava-me.
—Ai! – espeto-me, levando o dedo a boca instintivamente.
—Tenha mais cuidado Caitlin, não quero meu enxoval manchado de sangue. Dá azar! – Yvie ralha e rolo os olhos – Faz assim porque não é seu enxoval – resmunga, pondo o bastidor de lado, esticando os braços, suspirando – Ahh, amanhã a noite estarei noivando...
— Com um velho que tem quase o triplo de sua idade maninha! – Charlie provoca-a, adentrando a varanda, sentando na mureta, brincando com uma maçã – No seu lugar, tratava de fazê-lo preparar o testamento antes de contraírem núpcias. Vai que ele não aguenta o tranco e morre enquanto estiver consumando a união! – teoriza, mordendo a fruta, fazendo Liv rir, Yvie irritar-se e a mim corar.
— Isto foi no mínimo deselegante irmãozinho – rebate nossa irmã, bufando – Ainda bem que não estará aqui para o casamento – lembra, remetendo-me a outro motivo de estresse: Charlie.
Nosso irmão decidira, de uma hora para outra, ir para a Europa retomar seus estudos. Sabia que tinha ficado decepcionado por não haver-se casado com Thea, por quem era assumidamente apaixonado. Evidente que não concordara com a maneira pela qual tentou aproximar-se dela, o que gerara certo mal estar entre nós durante um tempo. Apesar disto sentiria sua falta. Muito.
— Precisa mesmo partir? – questiono-o pela milésima vez.
— Acho que já respondi essa pergunta um milhão de vezes Cait – começa dizer, atirando o resto da maçã no lixo – Mas, para satisfazê-la, responderei um milhão e uma: sim, tenho que ir – reafirma, vindo até mim, segurando minhas mãos – Estou cansado deste marasmo. Quero voltar a estudar, ter uma profissão que não gerente de banco. Nada contra, mas quero mais do que isso e ficando em Starling dificilmente irei conseguir – argumenta, sorridente – Pense no lado bom: quando estiver para entrar de férias, escreverei a papai e, caso não estejam casadas, você e Liv podem ir visitar-me em Londres, o que acham? – pergunta, olhando de mim para nossa irmã do meio.
— Adorei a ideia! – admite Liv – Quem sabe possamos dar um pulo em Paris – sugere, animada – Mas isso tudo está condicionado ao Se – suspira, encarando-o – Vou sentir sua falta chato. Com quem irei implicar? Quem disputara a última fatia de bolo comigo? Ou nos levara a passear em Central City? – resmunga fazendo-o gargalhar.
— Quer dizer que sentirá minha falta por estes motivos não é mocinha? Bom saber – diz, beijando-lhe a fronte – Se servir de consolo, falei com papai e mamãe e ambos permitiram que me acompanhem na sexta, ou seja, poderemos dar um ultimo passeio jutos antes de meu embarque, que me dizem? – pergunta.
— Será maravilhoso Charlie – comemoro envolvendo seu pescoço com os braços, Liv imitando-me.
— O navio parte após o meio dia, logo poderemos nos despedir com um almoço – acrescenta, olhando-nos com carinho – Sentirei saudades de meus docinhos – afirma, voltando-se para Yvie, que observava-nos em silencio – Até mesmo de você, jiló, sentirei falta – a provoca novamente.
— Pois eu não! – responde, malcriada, levantando – Já que papai e mamãe deram permissão para irem a Central City, farei uma listinha de coisas a serem compradas para o enxoval, afinal o comercio de lá ainda é melhor que o daqui – afirma, entrando sem esperar resposta.
— O convite entende-se a ela, só pra constar – Charlie comenta, nos fazendo rir – Bem, vou terminar de organizar meus livros. Separei alguns para você, tracinha! – brinca, tocando a ponta de meu nariz, voltando-se ao escutar alguém chegar, enrijecendo ao ver Thea aproximando-se em companhia de sua dama.
— Boa tarde a todos – minha amiga cumprimenta, sorrindo.
— Boa tarde – Liv e eu respondemos juntas, Charlie limitando-se acenar – Que bom que pode vir Thea – digo, segurando suas mãos – Quero muito conversar com você.
— Queremos – Liv me corrige.
— Neste caso, vou deixa-las. Boa tarde senhorita Queen, maninhas – meu irmão despede-se, saindo.
— Verdade que ele vai embora? – Thea pergunta, sentando na cadeira que lhe indicava.
—Sim. Sexta à tarde – revelo – Sei que tem magoa dele por motivo justo, mas sentirei falta de meu irmão – admito vendo-a abrir os olhos assustada.
— Ele não está partindo por minha causa está? – quer saber, apreensiva.
— Não boba, claro que não. Decidiu retomar os estudos– respondo – Falando em estudos, conseguiu conversar com a senhorita Darlene sobre eu ajudá-la na escolinha? – pergunto ansiosa.
— Ela disse que, caso seus pais permitam, iria adorar mais um par de mãos para cuidar dos pest...digo, anjinhos – corrige-se, fazendo-nos rir.
— Que boa notícia! – vibro – Assim que passar todo este tumultuo de noivado falarei com meus pais – digo, arqueando a sobrancelha visualizar a “listinha” nas mãos de Yvie.
— Prontinho....Ah, olá senhorita Queen, como vai? – pergunta com ar afetado.
— Bem obrigada. A propósito, parabéns por seu noivado. Não sei se poderei vir, logo....
— Por que não Thea? – quero saber, interrompendo-a.
—Bem , toda essa situação envolvendo os Merlyn, e Tommy...Fico sem graça sabe – admite, sincera como sempre.
— Bobagem! Isto não tem nada tem a ver. A situação de seu meio irmão não é culpa sua ou nossa, mas sim do pai que não soube administrar seus bens. Aguardo sua presença minha cara. Aliás, ficaria muito chateada se não viesse – Yvie discursa, Thea e eu, segurando a língua para não dizermos o que pensávamos daquilo tudo – Tome Caitilin, guarde consigo pois do jeito que estou sou bem capaz de perdê-la. Falarei agora mesmo com mamãe sobre dar-lhe dinheiro extra para minhas compras – declara, girando nos calcanhares, entrando em casa novamente.
— Ela está bem animada para quem vai casar-se com um ancião! – Thea brinca e rimos.
— Esqueça Yvie – peço – Conte-me como foi sua conversa com a senhorita. O que ela disse exatamente? – pergunto, ela narrando a conversa com a professora da única escolinha da cidade.
Nossa conversa expande-se para o casamento do irmão e toda a situação, engraçada, segundo ela, envolvida no fato, encerrando-a apenas quando a noite caia, despedindo-nos com a promessa dela em vir ao jantar (caso os pais também viessem ou permitissem vir com sua dama) para me dar apoio e cobertura (palavras dela) me ajudando a fugir de meu “pretendente”!
**** Armazém Adrian Chase (20:40 p.m) ****
Narrador
A noite começava a cair quando finalmente Thomas termina sua tarefa, deixando o armazém pela porta dos fundos, um empregado trancando o lugar e partindo, o deixando sozinho no beco.
Sentia-se exausto física e emocionalmente, as costas ardiam terrivelmente, a cabeça doía imensamente dificultando-lhe o raciocínio.
Tinha ciência de que não poderia chegar em casa no estado em que se encontrava sob pena de os pais descobrirem o que lhe acontecera acarretando uma serie de acontecimentos que acabaria por expô-los a ameaça de Adrian Chase.
O som de vozes e risos chama sua atenção e volta-se a tempo de ver o grupo de rapazes passar, seguindo-os com o olhar, uma ideia formando-se me sua mente cansada.
— Mama Smoak- murmura, respirando fundo, caminhando devagar até a casa mais animada da cidade, evitando expor-se, batendo a porta de trás do lugar, esta sendo aberta segundos depois.
— Thomas, o que faz aqui? Por que não está na porta da frente? – questiona a jovem ruiva, sorrindo animadamente, ficando de lado para lhe dar passagem.
— Dayna, Mama pode me receber? – pergunta ao entrar, a garota notando as manchas em sua roupa.
— Oh céus, o que aconteceu? Está ferido? – preocupa-se, fazendo-o sentar-se – O que houve? – insiste.
— Só veja se mama pode receber-me, por favor – pede novamente, a garota assentindo, retirando-se rapidamente.
Alguns minutos depois retorna em companhia da dona da casa, a loira indo direto até o rapaz, examinando-o atentamente.
— O que aquele homem horrível fez a você meu bem? – pergunta, compadecida.
— Tenho que melhorar, mama. Não posso chegar em casa neste estado. Ajude-me, por favor – pede, desnorteado.
— Óbvio que ajudarei meu bem – garante a loira, erguendo os olhos para a ruiva a sua frente – Dayna, me veja uma jarra com água limpa, bacia e toalhas. Leve tudo a meu quarto – orienta – Venha meu querido, apoie-se em mim – pede, ajudando-o a levantar enquanto a garota mexe-se, providenciando o que pedira.
Com calma, conduz o rapaz, através de uma passagem privativa até seu quarto, fazendo-o sentar-se em sua cama, despindo-o devagar, deitando-o de bruços após terminar de fazê-lo.
— O que aquele monstro fez com você meu bem?! – revolta-se ao ver os cortes e hematomas na pele, erguendo o rosto ao escutar a expressão de espanto da ruiva – Ponha as coisas aqui perto e pegue aquela caixa que guardo em meu armário – orienta, a garota obedecendo enquanto a loira despeja a água na bacia – Minha querida, veja se a água em minha banheira ainda está morna, por favor – pede, umedecendo o pano, limpando os ferimentos.
— Está madame – avisa a garota, fazendo menção de ajudá-la.
—Não querida, não preciso de ajuda – afirma a loira, enrolando uma toalha a cintura do rapaz, fazendo-o sentar-se – Quero que me faça um favor: vá a casa de minha filha. Busque-a e a meu genro – pede, ajudando-o levantar, conduzindo-o a banheira ali perto – Traga-os aqui pela passagem – orienta sinalizando que saísse – Entre aí meu bem, vai sentir-se melhor –ordena, encarando a ruiva – Espera uma ordem escrita por acaso? Mexe-se criatura! – exclama, batendo palmas, a garota saindo voando do quarto.
Durante alguns minutos a loira ajudando o rapaz a banhar-se, murmurando palavras de conforto como a uma criança. Ao final, o conduz até sua cama novamente, fazendo com que deite de bruços outra vez, trocando a água da bacia, colocando um pouco do pó arroxeado dentro antes de umedecer a pequena toalha em suas mãos.
— Isto vai arder, mas ajudará a cicatrização – avisa, pondo o tecido sobre a pele ferida fazendo-o contorcer-se levemente – Aguente firme meu bem – pede, repetindo o gesto, suspirando, balançando a cabeça negativamente – Isto não pode repetir-se. Não pode!
**** Residência Queen ****
Felicity
Suspiro, erguendo os olhos do bordado em minhas mãos, olhando a volta.
É estranho me sentir deslocada no lugar que deveria ser minha casa???, pergunto-me mentalmente, sobressaltando-me ao escutar a voz de meu marido junto a meu ouvido.
— Não, não é...e está Ainda não é Nossa casa! – afirma, deixando um beijo que faz minha pele arrepiar-se.
— Me diz que sua mãe não escutou-me pensar alto, por favor! – imploro, olhando discretamente para minha sogra, esta parecendo alheia ao que se passava a sua volta (postura que não engana-me), o rosto aristocrático parcialmente encoberto pelo enorme bastidor.
— Fique tranquila, fui apenas eu a ouvir seu pensamento, amor – garante, massageando meu pescoço como que adivinhando a tensão – O que acha de irmos para nosso quarto? – convida.
— Não é muito cedo? – questiono, voltando o rosto para encara-lo, reconhecendo o brilho em seus olhos.
— Não – responde, me dando um beijo rápido, fazendo uma careta ao escutar o mordomo da casa chamá-lo.
—Senhor Oliver, uma ...senhorita encontra-se a porta pedindo para vê-lo – avisa, minha sogra, sogro e cunhada erguendo os olhos de suas atividades, olhando-nos atentamente.
— Hã...do que se trata Philip? – Oliver pergunta, sem graça, dando de ombros quando o encaro.
— Não adiantou-me o assunto, mas disse-me que caso não possa atendê-la, sua esposa poderia fazê-lo – diz, causando-me um sobressalto.
— Poderia descrevê-la, por favor? – peço, rezando para estar enganada.
— Jovem, bonita e ruiva – especifica deixando-me tensa.
— Alguém que conheça minha nora? – meu sogro pergunta, fechando o jornal que estava a lê.
— Acredito que seja uma das...meninas da casa de minha mãe – digo, sincera, completando – Deve ter vindo a mando dela, o que me leva a crer seja algo importante ou não o faria. Importa-se que a recebamos meu sogro? – pergunto, tensa ante o olhar de minha sogra.
— Se pensa ser importante – diz, voltando-se para o mordomo – Conduza a jovem até aqui Philip – ordena, este fazendo uma mesura antes de obedecê-lo – Melhor que a recebam aqui dentro, em nossa companhia, para evitar falatórios – aconselha e anuímos, Oliver e eu, em silencio.
Apesar de não ser preconceituosa (ao menos não parecia) minha sogra deixara claro que gostava de manter os limites e distancias entre as classes. Mesmo tratando bem todos os serviçais, jamais se permitia intimidades, como Oliver e Thea por exemplo, com eles.
— A senhorita Halliwell – anuncia o homem, Dayna adentrando timidamente.
Ela tinha minha idade e fora resgatada juntamente com as irmãs e uma prima pelo ex marido de minha mãe (um dos ex, melhor dizendo) ainda meninas. Quando ele fora assassinado, as garotas passaram para a guarda de mamãe. Tudo isso aconteceu bem antes de ela se tornar a “mama”...
— Desculpem-me vir aqui a essa hora – a voz suave corta minhas lembranças e ergo os olhos, encarando-a – Mam...a senhora Smoak pediu-me que viesse busca-los pois precisa vê-los com urgência – explica, olhando de mim para Oliver.
— Minha sogra quer vernos agora? Por que? — Oliver verbaliza a pergunta em minha mente.
— Qual a urgência minha jovem? Como deve estar ciente, Felicity agora é uma senhora casada. Não fica bem ser vista adentrando certos lugares após o anoitecer, mesmo tratando-se da casa de sua mãe e em companhia do marido – minha sogra intervém e sinto vontade de perguntar-lhe quando exatamente teria permissão de fazê-lo, Oliver pondo a mão em meu ombro como a adivinhar meu pensamento.
Durante alguns segundos Dayna pondera, parecendo travar uma pequena luta intima, suspirando antes de falar novamente.
— Mama irá matar-me,por certo, mas ...– murmura, nos encarando –O jovem senhor Merlyn ....
— O que tem Tommy? – Thea a interrompe, ficando de pé de um salto, largando o livro que fingia lê.
— O jovem Merlyn chegou a casa minutos atrás...ferido – revela, fazendo-me reter o ar nos pulmões – Parece ter sido açoitado com chicotadas...
— Chase! – Oliver rosna, socando a mesinha a seu lado, antes mesmo que ela o dissesse – Sabia que aquele miserável faria algo a Tommy! – exclama, pegando seu paletó – Desculpe-me pai, mãe, mas tenho que ir — pede, voltando-se para mim – Fique em casa meu amor, será melhor – diz e anuo, entendendo a mensagem.
— Irei com você filho – meu sogro avisa, fazendo o mesmo que ele – Voltaremos o mais rápido possível querida – avisa, beijando o topo da cabeça de minha sogra – Nem mais um passo mocinha. Ficará em casa – determina, fazendo minha cunhada sentar-se, cruzando os braços, zangada – Senhorita, por favor, leve-nos até a senhora Smoak – pede, Dayna acenando afirmativamente, os três saindo em seguida.
— Há uma passagem privativa por onde podem entrar sem serem vistos, não se preocupe minha sogra – peço, ela voltando-se para mim, sorrindo discretamente.
— Na verdade, estava pensando em Rebeca – revela – Sua gravidez não está sendo fácil, pelo soube, e um susto como este pode causar um grande estrago – diz, sincera.
— Tenho certeza de que farão o possível para poupá-la – tento tranquiliza-la.
— Sei disso, minha querida. Mas uma mãe sempre sabe quando seus filhos não estão bem – assegura, pensativa.
**** Oliver Queen ****
A jovem conduz-nos, a mim e meu pai, através da passagem a qual conhecia bem (usara diversas vezes a fim ver Felicity longe de olhares curiosos).... Impressionante como mesmo tendo tido todas as oportunidades em nossa cidade, fora justamente longe daqui que acabamos por cair em tentação!-penso, seguindo corredor adentro junto com meu pai, parando a porta do quarto de minha sogra, a garota batendo antes de abri-la.
— Desculpe mama – pede, nos dando passagem, minha sogra sorrindo complacente.
— Tudo bem, querida. Pode recolher-se agora – libera, a jovem retirando-se.
Me próximo da cama onde meu amigo encontrava-se deitado, as costas exibindo ferimentos e marcas vermelhas, a respiração tranquila e regular indicando que dormia.
— Miserável filho da mãe! – vocifero, parando junto a cama – Foi o Chase não foi? – pergunto por mera formalidade.
— Sim – confirma minha sogra e cerro os punhos – Thomas deixou cair um dos caixotes com uma encomenda cara e foi punido – conta, retirando o pano de cima de um dos ferimentos, umedecendo-o na água roxa antes pô-lo de volta – Despois o fez continuar trabalhando normalmente mesmo estando ferido – conclui, aumentando minha raiva.
— Ele me paga – rosno, fazendo menção de sair, meu pai impedindo-me.
— Aonde pensa que vai? – segura meu braço, retendo-me.
— Como aonde? Acertar as contas com aquele filho da...
— Antes que prossiga, devo avisá-lo que o senhor Chase ameaçou a mãe, o garotinho e sua irmã caso alguém fosse até ele tomar as dores de Thomas – minha sogra alerta, levantando-se, sinalizando para que fossemos até perto da janela, abrindo discretamente a cortina – Vê o sujeito mal encarrado na esquina? – aponta o homem recostado a uma coluna no mercado em frente a sua casa – É um dos capangas de Chase. Não sei se sabe da presença do jovem Merlyn mas certamente deve tê-los visto entrarem em companhia de Dayna, por mais cuidadosos que tenham sido – alerta, fechando a cortina novamente, nos encarando – Ele veio pedir-me ajuda para proteger a família. Não estrague o esforço do rapaz meu genro – pede.
— Além do mais, por mais que odeie, Chase está em seu direito – meu pai diz e o encaro estupefato – Pelo que li no acordo, Thomas pode ser punido caso seus senhores julguem ter-lhes causado prejuízo – revela – Evidente que ninguém espera que usem de violência impondo castigos físicos, mas em se tratando de Adrian Chase...- cala-se, olhando em direção a cama – Não o acorde Donna. Deixe que durma aqui. Irei ter com Quentin e veremos uma maneira de deixar claro a Chase estarmos cientes de sua atitude e não iremos permitir que repita sem expor os familiares ou minha filha ao perigo.
— Como farão isso pai? – pergunto, preocupado.
— Pensaremos em algo. Por hora, vá a casa dos Merlyn e diga a Malcom que Thomas está aqui em companhia dos amigos, para não o esperar acordado. Assim evitamos preocupações desnecessárias. Por hoje, manteremos todos seguros. Amanhã logo cedo irei ter com Quentin – reitera, voltando-se para minha sogra – Caso o rapaz acorde, diga-lhe que mandou avisar em casa que estaria aqui. Não o deixe sair na escuridão sem termos certeza de não está sendo vigiado. Diga-lhe que não o deixara perder a hora de apresentar-se na casa dos Snow, onde servirá amanhã por conta do noivado – orienta.
— Farei o que pede – concorda ela, nos acompanhando até a porta – Tranquilize minha filha por favor – pede, sorrindo discretamente – E desculpem ter enviado Dayna a vossa casa. Apesar da ameaça, achei que alguém deveria saber o que houve – justifica-se.
— Fez bem – garanto, dando uma última olhada em meu amigo – Cuide dele por favor Donna. Tommy é como um irmão para mim – peço.
— Fique tranquilo. Cuidarei – garante, despedindo-se de nós.
Do lado de fora, sigo para a residência dos Merlyn enquanto meu pai retorna a nossa casa, o tal sujeito nos observando de longe.
Após falar com o senhor Merlyn, retorno para casa notando que o sujeito sumira, uma ponta de preocupação atingindo-me.
Entro em casa encontrando Felicity a minha espera, ela informando-me que meus pais e Thea (após escutar mil vezes que Tommy estava bem) haviam se recolhido e a convido fazer o mesmo.
Em nosso quarto, conversamos por algum tempo acerca da situação de meu amigo, chegando a conclusão de que não iriamos ficar assistindo de braços cruzados. De alguma forma iriamos ajuda-lo a livra-se do julgo a que fora submetido.
“...Uma noite longa, uma vida curta;
Mas já não me importa, basta poder te ajudar;
E são tantas marcas que já fazem parte;
Do que eu sou agora, mas ainda sei me virar...”
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