O preço de sua posse: entre arte, amor e poder
8 Capítulo 8 - Algo errado?
Eu estava deitada na cama sozinha... Adam saiu, deve ter indo ao escritório... algo ainda está me incomodando... eu... beijei o cara que simplismente me deu a escolha de morar com ele ou ir pra rua... estou namorando um cara perigoso... senti ciumes dele... ele sentiu ciumes de mim... está me protegendo de uma ameaça desconhecida... eu amo ele... mas...
Me levantei rápido, jogando a coberta para o lado, no relógio digital marca 08:47 da manhã. Eu normalmente diria que dormi muito, pois sempre acordei cedo, mas hoje fiquei muito tempo pensando na cama.
Fui ao banheiro, joguei um pouco de água no rosto, levantei o olhar, encarando o meu próprio reflexo -- olha pra você... nem parece que seu namorado é um perigo eminente que podia ter te dado a pior morte da sua vida e que faz terapia por causa dele -- falei olhando nos meus olhos pelo o reflexo do espelho, dando um sorriso cínico. Logo dei uma risada sem graça, olhando pra pia onde ainda me apoiava antes de voltar a me olhar no espelho.
-- admito, eu não sei o que eu tô fazendo -- falei sorrindo, mesmo estando agoniada, voltando a encarar a pia -- você não sabe o que está fazendo, Skarlet? -- a voz de Adam estava baixa, com um tom incomodado... eu escutava ele chegando mais perto. Quanto eu levantei a cabeça deu pra ver ele pelo o reflexo do espelho -- eu perguntei e você tem que me responder. Você não sabe o que está fazendo? -- ele questiona, chegando mais perto, até eu sentir o peito dele colado em minhas costas.
Eu mantive o contato visual pelo o espelho, mas me recusei a falar o que eu tava pensando... não por não confiar, eu só não estava confortável pra isso -- Adam, agora não -- falei num tom firme, me virando de frente para ele.
Saí andando para fora do quarto indo em direção ao meu ateliê, eu andava sentindo minhas mãos tremerem de leve, meu coração parecia errar as batidas.
Assim que cheguei em meu ateliê, peguei um caderno vazio e uma caneta rosa neon e comecei a escrever furiosamente rápido, minha letra que sempre foi bonita, agora parece apenas linhas feitas com força.
Eu levantei o caderno lendo o que escrevi ''ele não entende... o que eu faço pra ele entender? Por que as pessoas não me entendem? Eu saí de casa por um maldito contrato, andei na chuva e fui parar aqui pra surtar por causa de um homem.'' Depois que eu li essas linhas, senti uma vontade de chorar, mas meu corpo parecia ignorar esse detalhe. Voltei a escrever, mais calma agora.
------------------------------------------------------------------------------------------------------------
Quando eu a vi andando, meu primeiro instinto foi ir atrás dela, mas... deve estar tudo sob controle, ela é independente, consegue resolver sozinha e se não conseguir ela pode pedir ajuda. Pensava enquanto andava em direção ao meu escritório novamente, tenho que terminar o relatório essa semana, antes de interrogar o Luca.
Assim que entrei no cômodo, na minha mesa estava o caderno de Skarlet, aquele azul-marinho com flores brancas... azul... ainda não me acostumei com o fato dela amar essa cor... a mesma cor que não me traz boas lembranças. Suspirei, passando a mão pelo rosto, indo a minha cadeira e terminar esse maldito relatório.
Os minutos se passavam, mas o silêncio é quase supulcral, um silêncio meio tenso e diferente do comum... ''será que ela está bem? Ou só procurando o caderno dela?'' me questionei olhando para o caderno, ao lado do meu computador.
''será que a mestrução dela chegou e ficou de mau-humor?'' pensei enquanto olhava o aplicativo que eu abaixei pelo o meu celular, ainda tem tempo até chegar. ''será que tem outra ameaça pelo o celular dela e ela não quis me falar?'' essa é possibilidade que quero descartar... já tenho problemas o suficiente.
Talvez eu possa preparar algo para ela se sentir melhor -- Jason, quero me traga uma caixa dessa cor e que traga ainda hoje -- comandei, ele ficou visivelmente confuso, mas não questionou. Perfeito -- sim, senhor -- ele responde e sai da sala apressado.
------------------------------------------------------------------------------------------------------------
Após escrever dez páginas de como me sentia, desci em direção a cozinha, procurando algo para comer, não tomei café ainda. Mel com frutas parece bom para continuar o dia, antes de eu colocar o meu na minha tigela, Adam estava parado escorado no balcão ao meu lado.
-- o que foi, Skarlet? Vai esconder o que está acontecendo de mim? -- ele pergunta com a voz um pouco mais rouca que o normal -- desviei o olhar, olhando pro chão, como se ali tivesse algo interessante -- Skarlet, olha pra mim -- quando ele pediu isso dei dois passos para trás.
-- eu... -- comecei a falar, mas a minha voz não saia, levantei a cabeça olhando pra ele... ele parecia confuso e meio preucupado, algo que ele deve ter tentado esconder -- Skarlet, eu estou pedindo... me fala o que aconteceu, no seu tempo... mas eu preciso saber -- ele pediu com um tom vulnerável, sem a postura de poder que ele sempre tem -- você quer saber? Eu sinto medo.... medo de me entregar demais, medo do risco que você me traz... de que isso não seja o que eu esperava que fosse... naquele dia no shopping eu senti ciumes de você, eu tentei fazer você se sentir melhor com suas próprias cicatrizes, eu faço terapia e... tenho medo de que isso não seja o bastante... -- confessei, sentindo um nó na garganta, sem conseguir chorar.
-- não ser... o bastante? -- ele pergunta como se tentasse entender o significado -- por favor, Skarlet, não se sinta assim... olha pra mim -- ele pediu, pondo as mãos no meu rosto, limpando as minhas lágrimas com os dedos -- isso, shh... está tudo bem -- ele diz enquanto me puxa pra perto, escondi o meu rosto no peito dele -- nunca pense isso de si mesma, Skarlet e nunca mais esconda o que está sentido para mim, entendido? -- ele fala, com um sorriso sereno, algo raro e fofo vindo dele.
-- entendido -- falei com a voz abafada pelo tecido da camiseta dele -- era tudo o que eu precisava ouvir... obrigada, amorzin -- agradeci um pouquinho de deboche -- agora, minha gatinha, vai tomar seu café da manhã e depois vamos ver a sua surpresa -- ele nunca tinha me chamado de gatinha antes e... falou em surpresa. O que será que é?
Fale com o autor