O preço de sua posse: entre arte, amor e poder
6 Capítulo 6 - Mudança de rotina
Notas iniciais
Desmarquei todas minhas reuniões de hoje, prometi a Skarlet que hoje eu iria fazer a terapia e passar um tempo com ela. Acredito que essas reuniões fiquem para o fin de semana que vem, já que no início da semana que vem tem a consulta de casal, então devo as deixar para o meio e o final de semana. Mas, talvez posso as marcar para de depois de terça-feira que vem.
Pensava em como gerenciar isso, andando para a biblioteca, onde ia ser minha consulta com a doutora Elena. Um dos meus funcionários me avisou que ela já estava me esperando, assim como Skarlet me ensinou, foquei na minha respiração antes de entrar. É eficiente quando se trata de manter a mente em ordem.
Entrei mantendo a postura de mafioso para disfarçar meu desconforto de estar estar nessa situação, me acomodei em uma poltrona de frente para a psicóloga, ''o que eu não faço pela Skarlet?'' pensei enquanto também me lembrava do que vivi com ela nesses últimos dias... depois de tudo o que aconteceu é normal ela ter me pedido isso, ela só quer cuidar da mente.
-- boa tarde, senhor Vance -- ela me cumprimentou enquanto guardava os pápeis que devem ser anotações sobre os outros pacientes que ela tem. Será que o sobre a Skarlet está ali? -- boa tarde, doutora -- cumprimentei de volta, mantendo a voz estável, não quero parecer nervoso ou inseguro, mas será que...? Não, minha postura está impecável.
-- vamos começar a sua consulta -- ela iniciou desviando a atenção para mim -- Vance, conversei com a senhorita Skarlet sobre isso e quero saber o seu lado agora. O que você sente quando está com ciumes da Skarlet? -- quando ela me fez essa pergunta, eu olhei para a minha mão, a mesma que a Skarlet arranhou por medo... medo do meu ciume, do meu controle sobre ela... medo de mim... eu devia mentir sobre como eu me sinto? Não... eu prometi que trataria do meu ciumes e... que se não fosse por mim que... fosse por ela, pela Skarlet.
-- eu sinto que... não posso perde-la, mas também não posso a destruir pela minha falta de autocontrole. Ela que invadiu meu galpão, bagunçou minha rotina e me deu um chode de realidade necessário... não posso a ferir pelo meu medo de sentir, ainda mais depois do que passamos juntos e pelo o que eu fiz -- confesssei sentindo desconforto em falar, mas sentindo uma leveza, como se o peso dos pensamentos que eu tava carreagndo tivesse sumido.
Quando voltei o meu olhar para a doutura, ela estava com os olhos levemente arregalados, o silêncio da biblioteca é total tirando o som da minha prória respiração. O que eu falei que a deixou assim? -- certo... e o que causa a sua forte necessidade de desapego e controle? teve algo na sua infância ou adolescência que te marcou? -- ela perguntou enquanto se ajustava na poltrona, foi para disfarçar a reação? De qualquer forma.
-- quando eu era criança, eu tinha os melhores brinquedos que o dinheiro pode comprar, mas eu tinha o que eu mais gostava... um carrinho azul, um azul bem brilhante, rodinhas pretas e bem feitas e vidros escuros feitos de plático resistente. Aí eu o perdi, eu fiquei mal na época... até comecei a detestar o azul que tanto adorava -- contei enquanto olhava para o teto -- e depois dessa perda algo mudou além disso? -- ela perguntou num tom compreensivo.
Me escorei melhor na minha poltrona e continuei a olhar para o teto, tentando me lembrar de algo mais -- meus pais não souberam o que fazer, as vezes eu os contrariava, tirei notas cada vez melhores para provar que eu não estava mal. Depois de um certo tempo eu comecei tiro ao alvo, eu sempre gostei, mas nunca me apeguei a mais nada depois do carrinho... até eu encontrar a Skarlet -- terminei o relato voltando meu olhar para a psicóloga, ela estava solene, processando tudo o que eu disse.
-- a perda do carrinho foi como um luto invisível... como você está se relacionando com seus pais atualmente? -- ela perguntou em tom acolhedor, parando um pouco para pensar faz um tempo que não os vejo -- estou de bem com eles, mas faz tempo que falei com eles -- respondi olhando o relógio -- nosso tempo está quase acabando, mesmo para falta de costume o senhor foi bem processando o que sente -- ela comentou se levantando para sair da sala.
-- até a próxima consulta, Vance -- ela falou saindo da biblioteca -- até respondi, me escorando novamente, eu sobrevivi em uma consulta, não foi tão ruim como eu imaginava que ia ser.
Me levantei, saindo da biblioteca fui ao ateliê de Skarlet. Quando eu entrei lá estava no cavalete uma pintura secando, um céu a noite em um tom de azul escuro, uma lua cheia, estrelas alinhadas, nuvens fofas e árvores verdes assim como as do jardim interno.
-- então é isso que minha artista estava aprontando durante minha consulta? -- perguntei indo até Skarlet que estava na frente da pintura, ela tava toda suja de tinta -- quando é o significado da pintura? -- perguntei enquanto eu passava o polegar por cima da bochecha dela, suja de tinta preta.
-- a noite é bela mesmo sendo escura e a lua realça essa beleza trazendo um pouco de luz -- ela falou indicando os detalhes da pintura -- as nuvens trazem leveza e as árvores da um toque natural -- ela explica ainda mostrando os detalhes.
então eu sou a noite escura e você a luz que ilumina minha vida? -- olhando nos olhos dela, a puxando para mais perto -- eu nunca pensei sobre isso, mas vai ser assim agora. Eu sou a luz da lua e você é minha noite escura -- ela falou como se estivesse performando em um teatro.
-- agora que determinamos o significado da sua arte, vá tomar um banho, você está toda suja de tinta -- falei enquanto mexia nos cachos dela e sorri tendo uma ideia que vai fazer ela ir correndo para o chuveiro -- vá antes que eu mesmo vou te dar banho -- ela sorriu, dando passos para trás saiu correndo disparada para o banheiro do quarto. Só ela para fazer uma coisa dessas, pensei a seguindo com passos calmos.
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