O preço da Coroa Amor ,Sedução e ilusão
12 Fogo, Ouro e Desejo
O murmúrio no Salão do Parlamento era ensurdecedor. Pela primeira vez desde a tragédia, Richard e Genevieve assentavam-se ao lado de Claire na bancada real, conferindo uma imponência ainda maior à mesa do conselho. Contudo, a presença da realeza sueca não inibiu a ousadia dos parlamentares austríacos.
O Conde von Wertheim levantou-se, desdobrando um documento solene.
— Majestade, a presença do Rei Consorte da Suécia e de sua esposa apenas reforça a nossa pauta — começou o conde, com a voz ressonante. — A estabilidade da Áustria não pode depender da solidez de reinos vizinhos. A coroa precisa de um herdeiro e de uma aliança matrimonial imediata. Tocar nesta ferida é nosso dever patriótico.
Claire sentiu o sangue ferver. Ela olhou para Richard, que mantinha uma postura rígida, e depois para Sebastian, sentado mais ao fundo. O jovem duque permanecia em silêncio absoluto, mas seus olhos castanhos acompanhavam cada movimento da rainha com uma atenção cortante.
— Senhores — interrompeu Claire, a voz gélida e pausada —, já expressei minha posição sobre a precipitação deste assunto.
— Com o devido respeito, Majestade — interveio outro parlamentar —, se a senhora não indicar uma lista de pretendentes, este conselho será obrigado a selecionar os nomes pelas províncias.
A pressão, os olhares julgadores e a insistência descabida fizeram o limite de Claire ruir. Cansada de ser tratada como uma peça de xadrez desprovida de vontade, ela bateu a mão espalmada sobre a mesa, fazendo os copos de cristal tilintarem.
— Chega! — esbravejou Claire, colocando-se de pé, o olhar faiscando de pura raiva. — Se a minha vida pessoal é a única coisa que impede este parlamento de trabalhar pelo povo, que assim seja! Podem começar os trâmites burocráticos. Que os reinos enviem seus retratos e suas propostas! Eu aceito conhecer os pretendentes!
Um burburinho de vitória percorreu o salão.
No fundo da sala, a mandíbula de Sebastian travou no mesmo instante. Suas mãos fecharam-se em punhos sob a mesa, e uma onda avassaladora de ciúme descontrolado queimou em seu peito. Ver a perspectiva de Claire nos braços de outro homem — de um príncipe qualquer escolhido por burocratas — fez seu sangue pulsar com fúria. No entanto, ele manteve a boca fechada, sustentando o olhar queimante sobre ela em silêncio.
À noite, a tempestade lá fora parecia espelhar a balbúrdia no Palácio de Hofburg.
Claire estava em seus aposentos, vestindo uma camisola de seda branca e um roupão verde-musgo. Ela escovava os cabelos ruivos diante da penteadeira quando a porta da varanda — que dava acesso aos corredores externos e aos jardins privados — foi aberta bruscamente.
A brisa fria entrou, acompanhada por uma figura alta e imponente.
Claire deu um salto da cadeira, assustada, apenas para encontrar Sebastian fechando a porta de vidro com força. Ele vestia uma camisa preta entreaberta no peito e trazia os olhos selvagens, desprovidos de qualquer polimento diplomático.
— Ficou maluco?! — sussurrou Claire, a voz misturando choque e indignação. — Como se atreve a invadir os aposentos reais a esta hora?! Se os guardas o virem aqui...
— Que os guardas venham! — interrompeu Sebastian, encurtando a distância entre eles com passos largos e decididos. A aura de perigo que ele emanava fez Claire dar um passo para trás até que suas costas tocassem a borda da penteadeira. — Ficou louca você, Claire! Que decisão absurda foi aquela no parlamento?!
— É a minha decisão! — rebateu ela, erguendo o queixo e tentando manter a autoridade. — Sou a rainha! Faço o que for preciso para calar a boca daquele conselho!
— Aceitar pretendentes?! — vociferou ele, a voz grave descendo para um tom terrivelmente próximo e sufocante. — Entregar a sua mão, o seu corpo e este reino para qualquer príncipe medíocre que o parlamento escolher? Você não pode casar com qualquer um, Claire! Não pode!
— E por que não?! — desafiou ela, o peito subindo e descendo aceleradamente, os olhos verdes encarando os dele com igual paixão e raiva. — O que importa a você com quem eu me caso, Sebastian?! Você não é nada meu!
— Porque nenhum deles vai olhar para você como eu olho! — rugiu Sebastian, perdendo completamente o controle. — Nenhum deles conhece o seu fogo, e nenhum deles vai desejar você da maneira como eu desejo!
Antes que Claire pudesse formular uma resposta, Sebastian avançou. Ele segurou o rosto dela com as duas mãos, enterrando os dedos nos longos cabelos ruivos, e selou seus lábios nos dela em um beijo urgente, faminto e arrebatador.
Claire soltou um pequeno suspiro de surpresa contra a boca dele, mas não recuou. Pelo contrário: suas mãos voaram para os ombros de Sebastian, agarrando o tecido firme de sua camisa enquanto o puxava para mais perto. O beijo não trazia hesitação; era uma colisão violenta de desejo reprimido, raiva e uma atração avassaladora que vinha sendo alimentada há semanas. Sebastian a prensou suavemente contra a penteadeira, aprofundando o contato com a língua, enquanto Claire correspondia com uma entrega apaixonada que fez todo o resto do mundo desaparecer.
Quando o ar se fez necessário, eles se separaram devagar, as respirações descompassadas chocando-se no espaço mínimo entre seus rostos. Os olhos castanhos de Sebastian queimavam com um brilho intenso, enquanto os de Claire estavam marejados e surpresos pela força daquele momento.
Sebastian deu um passo para trás, recuperando o fôlego. O tom desafiador sumira; em seu lugar, havia apenas o respeito de um homem rendido.
Ele curvou-se em uma reverência lenta, profunda e impecável diante dela.
— Boa noite, Vossa Majestade — disse ele, a voz rouca e aveludada.
Sem esperar resposta, Sebastian abriu a porta da varanda e desapareceu na noite, deixando Claire sozinha no quarto iluminado pela luz das velas.
A jovem rainha levou os dedos aos lábios entreabertos, sentindo o gosto dele e o formigamento do beijo. Ela caminhou devagar até a cama e deixou-se cair sobre os travesseiros, um sorriso bobo e encantado surgindo em seu rosto. O luto e a dor pareciam ter dado lugar a uma eletricidade nova que incendiava sua alma.
No quarto de Sebastian, Thomas quase derrubou a garrafa de vinho ao ver o patrão entrar pela varanda, com a camisa desalinhada e os cabelos bagunçados.
— Pelos céus, meu lorde! Onde o senhor estava?! — perguntou o criado, aflito.
Sebastian encostou a cabeça contra a madeira da porta, fechando os olhos enquanto um sorriso vitorioso e genuíno desabrochava em seus lábios.
— Eu fui até os aposentos da rainha, Thomas.
Thomas arregalou os olhos em puro horror.
— O senhor o quê?! Se a guarda real o pegasse, seria executado por traição! O que aconteceu lá?!
Sebastian abriu os olhos, encarando o criado com uma intensidade vibrante.
— Eu a beijei, Thomas — confessou ele, a voz transbordando uma satisfação profunda. — E ela me beijou de volta. Com a mesma urgência, com a mesma paixão.
ele caminhou até a mesa, servindo-se de uma taça com as mãos levemente trêmulas de adrenalina.
— Não há mais trâmites burocráticos, nem pretendentes de província que possam mudar isso. Ela é minha, Thomas. E eu sou dela. E agora... o verdadeiro jogo começou.
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