O preço da Coroa Amor ,Sedução e ilusão
15 Alianças, Ameaças e Promessas de Sangue
A notícia de que a Rainha da Áustria não apenas impedira a partida do Duque de Suffolk, mas também o aceitara como noivo, ecoou pelos corredores do parlamento como uma explosão.
Na manhã seguinte, o Salão Imperial reuniu os conselheiros para a sessão mais turbulenta do ano. Murmúrios indignados dividiam o recinto entre velhos nobres conservadores e diplomatas pragmáticos.
O Conde von Wertheim bateu o punho na mesa, o rosto avermelhado de descontentamento.
— Esta decisão foi precipitada, Majestade! — bradou o conde. — Trazer um duque inglês para o centro do nosso poder sem a prévia aprovação deste conselho é um risco inaceitável!
Claire, sentada no trono com a postura impecável e o queixo erguido, sustentou os olhares revoltados com um sorriso frio e calmo.
— Precipitada, Lorde Wertheim? — a voz de Claire cortou o salão com autoridade soberana. — Não eram os senhores que, há menos de quarenta e oito horas, exigiam nesta mesma mesa que eu escolhesse um marido para garantir a estabilidade do reino? Pois bem. Eu escolhi. Não era isso que queriam? Que eu casasse?
Os parlamentares que apoiavam a ideia entreolharam-se, balançando a cabeça em aprovação. O velho Conselheiro Von Kinsky deu um passo à frente, ajustando suas lentes de leitura.
— Se me permite a palavra, Majestade — interveio Von Kinsky —, considero o Duque de Suffolk uma escolha extraordinária. Lorde Blackwood demonstrou pulso firme nas negociações de abastecimento e traz consigo o apoio da frota comercial inglesa. Vocês dois juntos não apenas garantem a linhagem, como demonstram uma força política inabalável para toda a Europa.
A reunião prosseguiu com acalorados debates sobre os trâmites do matrimônio. Durante cada minuto das duas horas de sessão, Richard permaneceu em silêncio absoluto. Sentado ao lado de Genevieve, o Rei da Suécia manteve a mandíbula travada, os olhos fixos em Sebastian, que acompanhava tudo da bancada oposta com uma tranquilidade impecável.
Ao término da reunião, os nobres dispersaram-se em pequenos grupos. Richard levantou-se em silêncio e seguiu diretamente para os jardins do palácio. Ele sabia exatamente onde encontrar o noivo da irmã.
Sebastian estava sozinho sob a sombra de um caramanchão de pedra, observando as rosas secas da estação. O som de passos firmes contra o pedrisco fez o duque virar-se devagar.
— Rei Richard — disse Sebastian, fazendo uma inclinação de cabeça perfeitamente formal, sem qualquer deboche na voz.
Richard parou a poucos passos, a figura alta e imponente emanando uma ameaça silenciosa. Ele cruzou os braços sobre o peito e encarou o inglês com olhos gélidos.
— Poupe-me da sua etiqueta diplomática, Suffolk — começou Richard, o tom de voz baixo e perigosamente direto. — Eu conheço o seu tipo. Conheço a reputação da sua família em Suffolk, conheço os jogos de poder do seu pai e sei exatamente o tipo de gente que vocês são. Vocês enxergam reinos como propriedades e casamentos como negócios.
Sebastian manteve o olhar fixo no dele, ouvindo com paciência.
— Vou deixar algo terrivelmente claro para você, Sebastian — continuou Richard, dando um passo à frente. — Eu vou vigiar cada movimento seu. Vou prestar atenção em cada decreto que assinar, em cada suspiro que der nesta corte. E se eu descobrir o menor indício de que você está usando a minha irmã para dar um golpe... se você fizer Claire derramar uma única lágrima por traição... eu acabo com você. Eu o destruo antes mesmo que possa pensar em fugir de volta para a Inglaterra. Eu vou proteger a minha irmã de qualquer golpista.
Sebastian soltou uma risada baixa, balançando a cabeça devagar enquanto ajeitava os punhos do casaco. O olhar que ele devolveu a Richard, no entanto, não era o de um vigarista pego em um flagrante, mas o de um homem completamente farto de julgamentos rasos.
— O senhor fala de proteção com uma propriedade impressionante, Vossa Majestade — rebateu Sebastian, mantendo a voz calma, mas carregada de verdades cortantes. — Mas onde estava essa sua proteção quando Claire passou semanas sufocando na dor do luto nesta corte? Onde estava a sua proteção quando aquele parlamento de velhos a encurralava diariamente como se ela fosse apenas um ventre para dar herdeiros? O senhor estava ocupado demais jogando a sua própria política.
Richard travou a mandíbula, o rosto empalidecendo sutilmente.
— Eu sou o irmão dela! — rosnou o rei sueco.
— E ela é a minha rainha — cravou Sebastian, a intensidade em seus olhos castanhos fazendo o próprio Richard estremecer. — O senhor pode procurar o quanto quiser, Richard. Pode mandar investigar cada canto da minha vida em Suffolk. Mas a única coisa que vai encontrar é um homem que, pela primeira vez na vida, entendeu o verdadeiro significado do amor. Eu amo a Claire. E não há coroa, golpe ou ameaça no mundo que me faça dar um passo atrás.
Os dois homens sustentaram o olhar por um longo e denso minuto. Richard percebeu, no fundo daquela promessa, uma verdade crua que não podia ser forjada. Sem dizer mais nenhuma palavra, o rei deu meia-volta e afastou-se pelo corredor.
Dias se passaram e, do outro lado do Canal da Mancha, o ar do outono trazia notícias douradas.
Na grandiosa Mansão dos Blackwood, em Suffolk, a luz do sol entrava pelas altas janelas da sala de estar. O Duque Stefan Blackwood e sua esposa, a Duquesa Eleanor, recebiam o correio real da Áustria.
Ao abrir o envelope selado com a cera imperial de Hofburg e ler as linhas douradas do convite oficial para o Casamento Real de Sebastian e Claire, o velho duque soltou uma gargalhada ressonante de pura vitória.
— Ele conseguiu! — exclamou Stefan, batendo o papel sobre a mesa de mogno, o rosto radiante de ganância. — Eu sabia! O garoto cumpriu o plano perfeitamente! A coroa da Áustria está praticamente nas nossas mãos!
Eleanor sorriu com elegância aristocrática, ajeitando o colar de pérolas enquanto se levantava.
— Prepare as carruagens e a comitiva, Stefan — disse a duquesa, com os olhos brilhando. — É hora de irmos ao encontro do nosso querido filho... e da nossa nova e poderosa nora.
À noite, o Palácio de Hofburg vestia-se com o silêncio da tranquilidade.
Em seus aposentos privados, Claire aguardava por Sebastian. Ela vestia uma camisola de seda creme, longa e de corte impecável — um traje decente, porém de uma delicadeza acolhedora. Seus cabelos ruivos caíam soltos sobre os ombros.
Quando a porta se abriu suavemente, Sebastian entrou sem a rigidez da casaca diplomática. Ele vestia apenas uma camisa de linho leve com os botões superiores abertos. Ao vê-la, um sorriso quente e genuíno iluminou seu rosto.
— Boa noite, minha rainha — murmurou ele, aproximando-se.
— Boa noite, meu noivo — respondeu Claire, a voz suave.
Eles se sentaram juntos no grande sofá de veludo perto da lareira crepitante. Sobre a mesa de centro, uma garrafa do melhor vinho de Viena e uma pequena bandeja com queijos e uvas aguardavam os dois.
Sebastian serviu duas taças e entregou uma a ela. Eles brindaram em silêncio, os olhos trocando promessas que dispensavam palavras. Claire apoiou a cabeça no ombro largo dele, enroscando os dedos livremente na mão firme de Sebastian.
— O meu irmão conversou com você hoje, não foi? — perguntou ela baixinho, sentindo o carinho dos dedos dele acariciando seus cabelos.
— Apenas uma troca saudável de gentilezas diplomáticas — brincou Sebastian, fazendo-a soltar uma risada leve. — Ele se preocupa com você, Claire. E tem todo o direito de duvidar de mim.
— Ele vai aprender a ver quem você é de verdade — disse ela, inclinando o rosto para receber um beijo suave nos lábios. — Por enquanto... só quero aproveitar esta paz ao seu lado.
Eles passaram a noite assim, trocando carícias, risos bobos e conversando sobre coisas triviais — a decoração do palácio, as travessuras da infância e os planos para os dias que viriam. A tensão da política desaparecera completamente, dando lugar ao calor de um amor recém-descoberto e profundo.
Enquanto isso, no outro lado do castelo, nos aposentos destinados à realeza sueca, o silêncio também reinava.
Richard estava parado junto à janela, encarando a noite fria com uma taça de vinho intocada na mão. Sua mente martelava as palavras de Sebastian.
Genevieve aproximou-se devagar por trás do marido, pousando as mãos delicadamente sobre os ombros dele e encostando a cabeça em suas costas.
— Você continua remoendo a conversa no jardim, querido? — perguntou ela com voz doce e compreensiva.
— Eu não confio nele, Genevieve — confessou Richard, o tom de voz carregado de inquietação. — Os Blackwood são perigosos. Tenho medo de que ele esteja apenas jogando um teatro perfeito para conquistar o trono e machucar a Claire.
Genevieve sorriu suavemente, contornando o marido e tirando a taça de sua mão para colocá-la sobre a mesa. Ela segurou o rosto de Richard com as duas mãos, obrigando-o a olhar para ela.
— Richard, meu amor... preste atenção no modo como aquele homem olha para a sua irmã — disse Genevieve, os olhos brilhando com sabedoria. — Não há teatro no mundo capaz de sustentar aquele olhar. Eles se amam. A dor do luto da Claire começou a se curar justamente porque ele trouxe o fogo de volta para a vida dela.
Ela acariciou a bochecha do marido, selando a conversa com um beijo calmo em sua testa.
— Aceite a felicidade da sua irmã, Richard. Não há nada que você possa fazer para impedir este amor... porque eles já pertencem um ao outro.
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