​As portas do Grande Salão de Festas abriram-se para revelar um cenário de tirar o fôlego. Centenas de candelabros de cristal iluminavam o teto afrescado, fazendo refletir a luz dourada sobre o chão de mármoro polido. A nobreza austríaca e os embaixadores estrangeiros preenchiam o espaço em trajes exuberantes, taças de cristal e risos polidos, celebrando a fartura da terra enquanto a orquestra real preenchia o ar com a suavidade de uma valsa clássica.

​No topo da escadaria principal, Claire surgiu.

​O silêncio espalhou-se por alguns segundos como uma onda. Ela estava verdadeiramente estonteante. Trajava um vestido de seda negro e esmeralda — uma sutil homenagem à transição entre o luto e a esperança do reino —, com um corpete ajustado bordado em fios de ouro que desenhavam ramos de videira. O tecido valorizava sua postura ereta, e a chama intensa de seus longos cabelos ruivos caía em cachos perfeitos sobre os ombros pálidos, coroados pela tiara de rubis da dinastia Mackenzie.

​Afastado junto ao balcão de bebidas, Sebastian congelou por um fração de segundo. O olhar do novo Duque de Suffolk percorreu cada detalhe da jovem rainha. O cinismo habitual que ele carregava nos olhos castanhos deu lugar a uma apreciação involuntária e densa. Ela não era apenas uma peça em seu jogo de poder; era a mulher mais fascinante daquele salão.

​Claire desceu os degraus com graciosidade, cumprimentando os lordes e diplomatas que a cercavam com elogios sobre a organização e a fartura do evento. Tudo fluía com perfeição, até que a música mudou para uma peça de ritmo mais envolvente e cadenciado.

​Antes que qualquer nobre local pudesse se aproximar, uma sombra elegante cortou o espaço. Sebastian colocou-se diante da rainha, vestindo um traje negro sob medida, com detalhes prateados no punho e a camisa de linho impecável. Ele estendeu a mão enluvada, fazendo uma reverência impecável — e propositalmente dramática.

​— Conceder-me-ia esta dança, Vossa Majestade? — a voz de Sebastian ressoou baixa, banhada em pura audácia. — Ou teme que a nobreza pense que a rainha está dançando com o próprio 'diabo inglês'?

​Claire encarou a mão estendida, os olhos verdes faiscando. Ela sabia que recusar diante de todo o parlamento criaria um mal-estar diplomático desnecessário.

​— Seria uma pena estragar a noite de todos recusando um pedido tão... desesperado, Lorde Suffolk — respondeu ela com um sorriso doce e venenoso, pousando a mão delicadamente sobre a dele.

​Sebastian a conduziu para o centro do salão. No instante em que a música começou e ele a puxou pela cintura para o primeiro passo de dança, o mundo ao redor pareceu desaparecer, reduzido apenas ao ritmo dos seus passos e à tensão que faiscava entre os dois.

​— Devo admitir, minha rainha... — murmurou Sebastian, inclinando-se ligeiramente enquanto a girava pela pista —, o vestido é impecável. Quase consegue disfarçar o fato de que a senhora passou a semana inteira querendo mandar cortar a minha cabeça.

​— O vestuário é para o meu povo, Lorde Blackwood — rebateu Claire, mantendo a postura perfeita e o olhar fixo no dele. — Quanto à sua cabeça, garanto que mantê-la sobre os ombros me é muito mais útil. Afinal, preciso de alguém no parlamento para me lembrar diariamente do quão rasa pode ser a futilidade masculina.

​Sebastian soltou uma risada abafada e aveludada, conduzindo-a com uma precisão impecável que surpreendeu a jovem soberana.

​— Futilidade? E eu que pensei que a senhora tinha ficado impressionada com o meu discurso sobre deveres reais. Notei que não tirou os olhos de mim durante metade do banquete ontem.

​— Ah, não se iluda — disparou Claire com um brilho debochado nos olhos. — Eu apenas estava observando de perto para ter certeza de que o senhor não iria roubar os talheres de prata. Dizem que libertinos falidos costumam ter hábitos peculiares quando frequentam festas de verdade.

​Sebastian aproximou-se um pouco mais durante um passo mais largo, a mão firme em sua cintura fazendo o corpo de Claire colar-se momentaneamente ao dele. Sua respiração quente roçou o ouvido da rainha.

​— Cuidados com as palavras, Claire... — sussurrou ele, trocando o tratamento formal com uma ousadia calculada. — Um homem 'devasso e falido' pode acabar ensinando a você que nem todas as batalhas deste reino se vencem com decretos e papelada.

​O uso de seu primeiro nome fez a espinha de Claire estremecer, mas ela sustentou o olhar, erguendo o queixo com desdém fascinante.

​— Tente a sorte, Sebastian — murmurou ela de volta, a voz num tom terrivelmente baixo e provocante. — Mas lembre-se de que, neste jogo, quem dita as regras sou eu. E se tentar dar um passo além do que a etiqueta permite, farei questão de que sua volta para a Inglaterra seja feita a nado.

​A música caminhou para os acordes finais. Sebastian a girou uma última vez, trazendo-a de volta para um alinhamento perfeito antes da reverência final. Ele curvou-se, mas segurou a mão de Claire por um segundo a mais do que o necessário, levando os nós dos dedos dela aos seus lábios sem desviar os olhos dos dela.

​— A dança foi um deleite, Majestade — disse ele com um sorriso sombrio e sedutor. — Mas esteja avisada: eu sou um péssimo nadador. Pretendo ficar por aqui até ter o que vim buscar.