O poema de todas as almas: Requiescant in pace...

1 Prólogo do meio - o morto que não morre


Notas iniciais
Pois é Mais uma vez Eu venho participando de uns desafio massa Socorro

O vitral da igreja reluzia suas cores no carpete lúgubre; carmesim, púrpura, rosa, verde, amarelo, laranja, azul, marrom. O cômodo menor do que a sala de minha casa tinha alguns bancos de madeira, lustrados, separados em dois corredores que contornavam minha posição demarcada naquele pequeno mapa sacro. À frente, uma bancada aguentava objetos tradicionais, algumas cartas e candelabros, com velas em chamas amarelas em demasia, contrastando a alegria comunal com a pequena angústia que se diria ao ver-me, fiel traslado para a vida. O local possuía um brilho colossal que lhe adentrava, e uma escuridão se contrapunha, também colossal, com as almas tomadas de seus corpos, desconhecidas de algum descanso.

Meu ser deixou de seguir religiões há muito, muito tempo, desde quando ainda era dois: espermatozoide e óvulo. Questiono-me se possuo alguma fé ou se sou mesmo herdeiro da desgraça comunal que condenam a ir ao inferno, casada com o satanismo, seus semelhantes e subgrupos acerca do politicamente incorreto. Contudo, jamais interrompi afazeres e viveres para bagunçar meus pensamentos com aspectos desse patamar, quesitos que não possuem sentido em serem averiguados com boa atenção. Assim como qualquer egoísta banal neste mundo, tenho um objetivo. Único, esquisito, precipitado e, acima de todas as outras coisas simples de tão complexas, impossível. Quase um hermetismo entre o bidimensional e tridimensional.

Nesse lugar, ajoelhei-me diante do altar e tentaria somente mais um dos métodos para meu maior problema de causas irresponsáveis, tolas e mesquinhas. Nenhum outro, senão eu mesmo. Apontei uma faca contra meu peito e o perfurei, rasgando meu coração e sentindo minhas costas se abrindo, a pele ardendo, o sangue escorrendo, os ossos bambos, artérias perdidas. O mais doloroso sentimento sempre seria a apatia. Desimportante de quantas vezes eu anelasse não anelar, sempre acabava intacto, podre, velho: vivo.

Olhei para cima, mais uma vez. A mesma porcaria diária se repetia.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.