O peso de uma escolha.

10 Persentimentos.


Notas iniciais
Olá a todos, como vão? A leitura tá boa? Obrigada pelos comentários, são lindos.

A mãe sairá tão sorrateiramente que nem fora notada pelos filhos e nem pelo marido que alegremente preparava o material pro trabalho.

Minutos depois o andar de baixo da casa foi tomado por um silêncio absurdo. Elisa tomava seu banho enquanto Ehtan, curioso, fora verificar seu peso. As medidas eram boas, 68,000kg para um metro e setenta e oito. Pegou uma calculadora e fez o cálculo do índice de massa corpórea.

— Sobre aqui, — ele disse ao ver a irmã chegando ao quarto, indicou o objeto que estava perto da porta. — quero saber quanto você pesa.

Obediente ela executou o pedido, a balança marcara 89,195kg. Havia perdido algumas gramas, isso a motivou. Era muito pouco, mas mesmo assim era um passo. Só o fato de ter saído dos noventa quilos, já era motivo para sorrir.

— Muito bem meu amor. — o irmão disse levantando-se pronto para abraça-la. — Pouco a pouco as coisas vão se ajeitando. Vou tomar um banho.

O rapaz ainda estava um pouco febril, sua cara não estava boa e isso era perceptível ao longe.

— Vou ver o que tem pro café. — ela sussurrou enquanto passava pela porta.

Chegando ao andar de baixo notou que o seu celular estava vibrando. Desde o dia em que começara a receber as mensagens de Lewis ela sempre mantêm o aparelho consigo. Isso sem o irmão notar.

' Estou sentindo a sua falta aqui na escola, onde você está?'

'Em casa, meu irmão está doente e eu preciso cuidar dele. '

'Entendi. Que pena, hoje a chata da minha namorada não veio, então poderíamos passar a manhã juntos. Fiz aqui cookies pra nos. ' Essa era nova. Lewis cozinhando? Elisa ria disso baixinho, no fundo se sentia encarcerada. Nenhuma reação feliz poderia ser mostrada, já que havia vigias bem atentos em sua vida.

Verificou o café e guardou bem o celular. Minutos depois o irmão chegou e sentou-se na mesa. Haviam algumas frutas cortadas e suco fresco, torradas com requeijão e um café quentinho. Bem simples, saudável, porém gostoso.

— Posso saber o motivo da felicidade? — Ehtan se pronunciou.

— Não posso estar feliz sem motivo? — a menina falou no mais calmo tom.

— Não por isso, apenas achei inusitado. Continue, seu sorriso é lindo e ilumina meu dia. — ele se inclinou um pouco sobre a mesa e deu um beijo casto nos lábios da irmã, que não esperando por isso se surpreendeu. Após o ato ele parou com o rosto em frente ao dela e deu um leve sorriso. Ela por sua vez baixou a cabeça.

— Tem de parar com isso, sou sua irmã e não sua namorada.

— Se quiser, a partir de hoje será minha namorada. Assumo isso pra quem quiser ouvir.

— Isso é pecado Ehtan, não é correto. — ela disse olhando-o fixamente.

— Você liga pra isso?

— Sim e muito. — ela voltou a comer. Era o que podia fazer naquele momento.

Ele ficou calado e continuou com a refeição. Terminando- a recolheu os pratos e lavou todos, enquanto Elisa os secava, quando terminou, se aproximou do ouvido da irmã e disse baixinho.

— Ainda vou fazer você me desejar a tal ponto que não consiga viver sem mim. — assim dizendo ele subiu as escadas tranquilamente. Deixando a irmã estática no cômodo frio.

A chuva caia lá fora, os pingos eram sorrateiros juntando-se ao vento que fazia, trazendo uma sensação límpida de puro frescor e calmaria. A menina respirava compassadamente, tinha acabado de limpar alguns cômodos e estava bem cansada. Sentou-se no sofá por um instante enquanto o irmão lavava roupa.

' Cabulando aula eim?' De quem era aquele número?

' Quem seria?' De novo a mesma pergunta retórica.

' Seu professor Lenny, pode me chamar assim. Caso você pergunte, seu pai me deu seu número e o do seu irmão. '

Que mania as pessoas tinham de pegar seu número sem permissão.

' Meu irmão está doente e eu estou cuidando dele. '

' Estão sozinhos?'

'Sim'

Ela esperou e as mensagens não vieram mais, suspirou e depois foi tomar um pouco de água. Quando se virou o irmão estava de pé ao seu lado, isso quase a fez derrubar o copo que segurava.

— Que susto. — ela disse por fim.

— Vamos pro quarto assistir alguma coisa? — ele pediu.

O seu celular vibrava em cima do sofá, ato esse que fora notado pelo irmão. Antes que ela pudesse reagir ele rapidamente foi até o objeto.

— Desbloqueia. — ele ordenou entregando o celular a ela.

— Não, são mensagens pra mim, das minhas amigas. — ela relutou contra a ideia.

— Você não pode me desobedecer Elisa, eu sou seu irmão e tenho o direito de proteger você.

— Proteger sim, bisbilhotar a minha vida não. — Elisa nunca desferira esse tipo de palavra contra o irmão. Que surpreso baixou a cabeça mostrando um sorriso irônico.

— Veja como essas garotas estão te influenciando? — ela jogou o aparelho no chão com força, fazendo-o se espatifar e suas peças se separarem.

A menina desviou o olhar do irmão fitando o aparelho. Abaixou- se e o pegou. Até um simples ato como esse era difícil pra ela. O volume do seu abdômen a impedia de ser flexível e ela estava muito incomodado com isso tudo. Não disse uma palavra sequer e rumou pro quarto. Mas o irmão a puxou pelo pulso.

— Não terminamos a nossa conversa.

— Eu não tenho nada a dizer. — o corpo do irmão estava quente, estava com febre novamente.

— Vai se deitar e descansar Ehtan. — ela pediu gentilmente.

— Não. Eu preciso saber quem era que estava te mandando mensagens.

— Já disse que são as minhas amigas.

— Eu sei que você não tem amigas, apenas umas garotas aproveitadoras que são burras demais para conseguirem se virar sozinhas.

Ela ficou quieta, nunca sabia o que dizer quando o argumento do irmão era melhor do que ela poderia dizer.

— Me solta Ehtan.

Ele soltou a menina e ficou vendo-a subir.

Enquanto tudo isso acontecia Carlos estava no restaurante-bar. Leonny estava encostado no balcão enquanto o pai estava arrumando as bebidas.

— O que houve filho, que cara é essa? — Elvis perguntou.

— Elisa não respondeu a minha mensagem. — Lenny disse fazendo Carlos rir.

— Ela deve estar cuidando dos afazeres de casa. — o pai da menina disse sem tirar os olhos dos documentos que avaliava.

— Ela esta sozinha com o irmão e isso muito me preocupa. Ehtan é psicótico, acho que você deveria levar ele em um psicólogo.

Os homens pararam o que estavam fazendo e olharam para o jovem que fitava a tela do celular.

— Você nunca pensou nisso Carlos? Que seu filho poderia ter criado esse transtorno? — Elvis perguntou ao amigo.

— Eu tenho medo que sim, mas no fundo não quero pensar muito nisso. Porém as atitudes dele me são surpresas.

— Eu vou lá. — disse Leonny pegando um casaco que estava sobre uma das mesas. E se encaminhando a porta. — Mando noticia, até mais tarde.

Então ele saiu com pressa, no seu intimo tinha um pressentimento ruim. E mal sabia ele que estava certo.

Notas finais
O que vocês acham da atitude da mãe de Elisa.