O peso de uma escolha.
19 O perigo a solta
Notas iniciais
Os dias escorriam pelos dedos de Elisa que passava-os com um animo misturado. Sentia saudades do irmão e até da mãe. Mas ao mesmo tempo estava feliz por ela não estar mais batendo nela. Desde que a mulher cruzou a porta da casa para ir embora, não se teve mais nenhuma noticia sobre ela. Isso deixava Carlos preocupado. Ele tentava ligar para a esposa, mas era em vão. Ela não atendia. Já se passaram uma semana desde que aquilo ocorreu. Lenny já se instalara no quarto de hospedes que seria sua nova casa. Saia sempre meia hora depois de casa. Para que não desconfiassem que ele pudesse estar morando na casa de uma aluna. Era dedicado e passava mais da metade do seu tempo no quarto estudando. Elisa sempre ficava sozinha nas tarde. Olhava pro vazio que se estendia na casa. Sentia vontade de comer e comer como se isso fosse mudar alguma coisa. Mas não o fazia ao invés disso bebia muita água para evitar a fome. Estava frequentando uma nutricionista. Que lhe passou uma dieta bem rígida e organizada. Que ela estava seguindo. Passava fome, segundo ela. Comia apenas de três em três horas e em pouca quantidade. Abriu mão de seus doces, salgados e as massas que gostava de ingerir. Estava tentando se adaptar e isso era bem difícil. Respirou fundo.
Lewis não lhe mandara uma mensagem sequer, a evitava na escola e não falou mais com ela desde então. As visitas a Ehtan iam sempre bem. O irmão parecia progredir. Mas não era bem assim. Ele era apenas muito inteligente e sabia disfarçar sua crescente ira. Tinha de ficar por mais um tempo naquele lugar e isso o estava deixando louco de verdade. Suas vozes não cessavam. Muito pelo contrário aumentavam constantemente e insistiam em querer o toque de Elisa. As terapias eram sempre a tarde e ele tinha de se comportar bem. As vezes ficava passando os polegares pelas cicatrizes que tinha nos pulsos. O pensamento aéreo, como se estivesse em transe. Isso chamava atenção dos psicólogos. Para eles era como se ele desse quatro paços a frente e um a trás. Não estava de todo longe, mas não estava próximo de sair daquele lugar.
— Ehtan. — uma enfermeira dizia enquanto fazia exames simples. Como pesar, medir a pressão e ver a temperatura. Isso era sempre feito no primeiro dia de cada semana.
— Sim.
— Você emagreceu um pouco. — ela dizia olhando o corpo do rapaz. Ele sorria. Não podia negar que ele era o mais jovem e bonito dali. Tinha um sorriso contagiante e podiam bem tarja-lo como um não paciente. Era exatamente isso que ele queria daquela mulher.
— Gostou? — ele disse se aproximando dela. Seu nome era Sonia. Tinha trinta anos e a cinco trabalhava naquele local. Estava solteira e tinha uma filha pequena de seis anos. Achava que não conseguiria um homem bom, por isso, saia com seu antigo chefe que lhe proporcionava algumas regalias. Ao sentir a aproximação do garoto ela sentiu seu corpo se arrepiar. Fazia muito tempo que ela não se sentia assim. Não percebeu quando o garoto tocou sua cintura.
— Amei o seu perfume. — ele disse sussurrando. E aos pouco ela se entregou a um beijo. Sem pestanejar a mulher se deixou envolver por aquele garoto sedutor e pouco a pouco já não tinha mais controle sobre si.
...
O relacionamento de Elisa progredia dia a dia Lenny era muito atencioso com ela. Estava sempre a disposição de ajuda-la. Mas ao mesmo tempo se mantinha firme na escola. Lá eles eram apenas aluna e professor. Carlos estava cada vez mais abatido e preocupado com o abandono de Sarah. Sentia-se uma escória de como pai. Ia trabalhar bem cedo e voltava geralmente beirando as vinte e três horas. Deixava a filha quase o dia inteiro sozinha sempre, e por diversas vezes pegava um turno aos sábados, na oficina onde o filho trabalhava. Já que fora Carlos quem lhe ensinara a profissão. Aproveitou e explicou ao chefe do rapaz que ele estava doente e que passaria um tempo sem comparecer ao trabalho. Tomando o cuidado de não delatar o fato de o menino ter tentado estuprar a irmã mais nova. Assim se seguiam os dias mais um tempo se passou e quando estava completando um mês e meio da ida de Ehtan ao hospital psiquiátrico ele estava pronto para ir pra casa e ser observado por mais um tempo.
Era um dia de Domingo e Elisa e o pai estavam prontamente indo ao local buscar o filho. Antes disso ele conversaram bastante sobre a presença de Lenny na casa deles. Ficavam a cada dia mais impressionante a reação do garoto, que não se opôs a isso e ficou feliz por ter um dinheiro extra entrando em sua casa. Eles pensavam que ele realmente estava disposto a mudar de conduta e isso os animava ao ponto de achar que o rapaz estava curado.
— Elisa. — o garoto abraçou a irmã, calorosamente e ficou olhando-a. — Você emagreceu.
— Sim, sua irmã perdeu cinco quilos esse mês.
Ele deu um vasto sorriso e passou o braço sobre o ombro da menina e caminharam para fora do local. No caminho ele deu aquela piscadela para uma moça que passava por eles. Era a enfermeira do local que fizera de tudo para que aquele dia chegasse mais rápido para o rapaz. Que se sentia triunfante a cerca de seus planos. Ele estava contente, agora poderia estar livre e por em prática os planos que tinha desde muito tempo atrás.
Quando chegaram na casa havia um almoço preparado para receber Ehtan.
— Bem vindo rapaz. — Leonny disse com um sorriso muito forçado.
— Obrigada, espero que possamos nos dar bem. — ele completou colocando a mochila no sofá.
— Vamos comer? — Carlos propôs se encaminhando a mesa que estava bem posta e com um bom aroma.
Todos se encaminharam a ela com um sorriso e o rapaz notou a falta de uma pessoa. Para que não prejudicasse o tratamento dele a noticia em relação a partida de Sarah havia sido sonegada a ele. Mas como a relação dos dois não era das melhores o rapaz se dignou a não fazer perguntas sobre ela. Depois saberia o que aconteceu.
A refeição foi feita em quase total silencio. Por fora Ehtan era comportado e compreensível, por dentro a presença de Lenny o atormentava. Mas pelos seus planos, logo, logo aquele homem iria se arrepender de ter posto os pés naquela casa. Assim sendo ele lançava sorrisos maldosos para a irmã que inocentemente pensava que poderia em fim ser feliz.
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