O parar do relógio
6 Páscoa
Notas iniciais
Na opinião de Nico, ele havia sido traído. Não importava o que os pais, irmãs, cunhada, sogros e amigos dissessem, para ele aquilo era traição. Jason escondia o rosto nas mãos na tela do computador, a chamada do skype já tinha sido colocada no mudo há muito tempo pelo moreno. Não queria ouvir discursos, o plano não era aquele. Jason olhou para a câmera com os olhos tristes e irritados, mas Nico continuava irrefutável em sua decisão de não ouvir nada que ele tivesse a dizer.
– Você disse que ficaria na escola comigo, Jason. Mas você voltou para esse lugar e tem semanas que não te vejo! – Jason mexeu os lábios e depois jogou as mãos para cima antes de começar a digitar uma ordem para que Nico colocasse áudio. – Não quero desculpas! – Jason fez gestos parecendo irritado e pronto para enforcar alguém, mas por fim subiu a manga da blusa que usava onde o símbolo de infinito azul do relógio brilhava, Nico encarou aquilo e tocou o próprio pulso por simples costume antes de suspirar e ligar o áudio.
– ...E eu juro que quando eu chegar ai para o almoço de páscoa eu vou te jogar na parede e nem o próprio cristo vai me afastar de você! – Nico sorriu de deboche daquilo e Jason corou um pouco. – Devia avisar que ia ligar essa merda para eu ter parado de falar.
– Não seria dividido. – respondeu o garoto e depois apoiou a cabeça na mão encarando a imagem do namorado na tela. – E eu acho que vou gostar se você fizer isso.
– Você sabe que voltar não foi decisão minha, assim que meu relógio parou e minha mãe descobriu da gente ela refez minha matricula para o segundo semestre do ultimo ano aqui na academia.
– Thalia me disse, mas isso não muda o fato que você deveria estar comigo, não com esse bando de garotos que ficam te babando! – Jason riu bagunçando seus cabelos.
– Alguns realmente pediram para ficar comigo quando voltei, mas o relógio agora fica descoberto e eles pedem desculpa logo. – Nico começou a brincar com uma mecha do cabelo que caia em seus olhos e Jason suspirou. – Eu sou seu Nico, não importa se estou do seu lado ou no ártico, você é o único para mim.
– Meu pai falava isso também, ai Hazel apareceu aqui em casa. – Jason bufou e encarou Nico mais uma vez irritado.
– Acha que eu faria isso? Serio? Com meses de namoro?
– Não sei, faria? – perguntou Nico e Jason fechou os olhos jogando a cabeça para trás.
– Eu que deveria estar preocupado, Bianca diz que você passa quase o tempo todo com Percy trancado no quarto.
– Percy é de Luke, nunca faria isso!
– E eu sou seu! Por que acha que eu te trairia? – Nico desviou o olhar e Jason suspirou. – Sinto sua falta caveirinha.
– Eu também. – Nico encarou a tela novamente e tocou o rosto de Jason. – Vai ficar quanto tempo?
– Foi sorte eu conseguir passar o domingo ai Nico, tenho que votar para a escola no mesmo dia. – Nico fez um bico e Jason riu. – A vida é assim.
– Não é tempo o bastante! – resmungou e Jason negou coma cabeça.
– Está carente? É isso?
– Três meses praticamente sem ver meu namorado, o que você acha?
– O lado bom é que ninguém está nos assistindo e dando palpite na nossa relação. – disse Jason sorrindo e Nico lhe apontou o dedo do meio.
– Eu estou saindo daqui há uma hora, chego ai durante a noite. Vai estar acordado?
– Vai fugir para minha casa como no ano novo?
– Pensando seriamente no assunto. – Nico sorriu e um vulto apareceu atrás de Jason, apoiando os braços ao redor do pescoço do loiro em um abraço que fez Nico ranger os dentes. – Will! Estou conversando com meu namorado!
– Ah! Então esse é o tal Nico? – um rosto angelical apareceu na tela de Nico, os cabelos loiros como os de Jason, mas que caiam em ondas e olhos azuis. – Nossa, Jason, ele é lindo!
– E tem dono, vaza Solace! – disse Jason o empurrando para fora da tela e os dois loiros começaram a discutir, Nico não entendia bem o que estavam discutindo, mas se sentia sem graça. Ninguém alem de Percy e Jason havia dito que ele era bonito.
– Tudo bem! Vou embora! Que chateação, não pode nem admirar as coisas.
– Não meu namorado! – gritou Jason e Nico pôde ver Will desaparecer atrás de Jason. – Desculpa Nico.
– Quem é esse? – perguntou curioso e ainda surpreso com a cena que se desenrolou.
– Um dos caras que pediu para ficar comigo, depois de ver que não tinha chance ficamos amigos do nada. – Jason bateu o dedo no lábio por um instante e sorriu. – Foi tipo o que aconteceu com você e Percy. – Nico acenou que sim. – Então hoje à noite?
– Estarei te esperando com a janela aberta, então não faça barulho de novo! – disse sorrindo e Jason revirou os olhos.
– Então até lá, tenho de ir agora. – Jason mandou um beijo para a câmera e a tela ficou negra mostrando que a chamada caiu, e em alguns segundos a tela inicial do programa apareceu. Nico se levantou da cadeia e foi até a janela, se apoiando no parapeito e encarando o céu com poucas nuvens, eram duas da tarde. Seu celular vibrou e ele o pegou antes mesmo que o toque começasse, já sabia quem era.
– Luke quer saber se quer que ele leve alguma coisa para almoço amanhã. – disse a voz de Percy e depois riu. – Ele está dizendo que tem que fazer seu pai pensar que ele é responsável, mas acho que isso não vai acontecer. – Nico ouviu o som de tapa e Percy resmungou.
– Como estão as coisas ai? – perguntou a voz de Luke e Nico começou a rir ouvindo Percy gritar do outro lado da linha. – Serio, eu estou cortando a relação de vocês dois, não quero dividir meu namorado ou meu melhor amigo com ninguém, nem entre vocês!
– Não seja ciumento, Luke. – disse ainda rindo e mais uma vez o telefone pareceu ser disputado.
– Nico, posso dormir ai hoje? Luke esta um porre!
– Jason vai ver hoje durante a noite Percy, mas se você não se importar de segurar vela... – Percy soltou um grunhido.
– Não, se eu quiser ver pornô vou no X-videos. – Nico sentou o rosto corar, não havia feito sexo com Jason ao fim de tudo o que passaram nas comemorações de fim de ano e se sentiu estranho e ansioso quanto ao assunto. – Mas sabe Nico, transar no dia que Jesus reviveu pode ser pecado...
– Achei que não podia ser feliz só na sexta feira da paixão ...
– Três dias para Jesus conseguir fazer o char voltar à vida, você não pode fazer nada enquanto isso. Se empanturre de chocolate com seu namorado, apenas.
– E você e Luke? – perguntou Nico revirando os olhos quando ouviu uma risadinha de Percy.
– Nós não somos adeptos a feriados religiosos. – Nico ouviu um gemido vindo de Percy e preferiu pensar que era de dor. – Mas você e Jason são santinhos, nada de safadezas!
– Percy, vai tomar no... – Nico parou ao ouvir uma risada. – Esquece. Pior é que você vai.
– Entre você e o Jay, quem é o passivo?
– Adeus, Percy! – Nico desligou o telefone sem dar tempo de resposta e escondeu o rosto nos braços.
***
Naquela noite Nico havia ficado acordado esperando ouvir Jason escalar ate sua janela, mas depois de meia noite ele desistiu de esperar, ele deveria ter repensado se valia a pena ir visitar o garoto durante a noite e ficou em casa. Nico se virou na cama fechando os olhos e sentindo o peito apertar. Mesmo compreendendo estava magoado.
– Pensei que tinha dito que ficaria acordado até eu chegar. – Nico despertou lentamente sem se dar conta direito onde estava, mas assim que sentiu os braços fortes de Jason ao seu redor se aconchegou melhor e nem se deu ao trabalho de abrir os olhos
– Achei que não vinha mais. – respondeu ainda sonolento e sentiu o pescoço sendo beijado.
– Você está cheirando a sabonete. – disse Jason e soltou um riso abafado. – Senti falta disso. – Nico se virou para ficar de frente ao loiro e apenas moveu a cabeça para cima e teve seus lábios tomados em um beijo lento.
– Dorme comigo? – perguntou apertando a camisa do outro entre os dedos e Jason lhe beijou a testa.
– Vim para isso, não é? – Nico acenou que sim inspirando o cheiro de Jason e soltou um suspiro, moveu as mãos sorrateiramente pelo peito do namorado por baixo da blusa e o puxou para si, colando totalmente os corpos e embaralhando as pernas por de baixo do cobertor.
– Me tocar desse jeito vai dificultar que eu durma, Nico. – disse Jason puxando Nico para si apertando seus glúteos, o que fez o garoto abrir os olhos e encarar o azul dos do namorado que estavam na sua frente.
Os dois garotos se encararam por mais alguns segundos, mas as mãos continuavam a se mover, as de Nico decorando os músculos do tronco do namorado, as de Jason apertando a carne de Nico entre os dedos com tamanha força que quase era doloroso. As respirações eram descompassadas e as mentes se desligaram. Os dois agora estavam se beijando com ferocidade, buscando mais contato, mais no que segurar, as línguas estavam tão fora de controle que por vezes erravam a boca um do outro e passeavam pelo queixo e pescoço, beijos eram distribuídos e suspiros ouvidos. Nico se agarrava em Jason enquanto o loiro se colocava por cima, as pernas separadas com o loiro entre elas, distribuindo beijos por seu peito enquanto o moreno puxava os cabelos dourados entre os dedos e sentia a ereção de Jason contra a sua. As roupas, Nico nem sabia quando havia as tirado até que ficasse só de cueca, muito menos descobriu o paradeiro das de Jason, mas aquilo não era importante. Uma mordida em seu ombro e suas mãos desceram de encontro ao quadril do namorado, enfiando as unhas ate se sentir satisfeito com a quantidade de carne nas mãos.
Em alguma parte do cérebro de Nico ele sabia que não deveriam estar fazendo tal coisa, Jason acabara de chegar, era páscoa, estava de madrugada e os pais do menino poderiam ouvir... Mais uma ficção dos membros e os dedos de Jason invadiram sua boca enquanto a do loiro trabalhava nos mamilos que Nico nunca imaginou que pudessem um dia lhe dar tamanha sensação de prazer. Sua língua agora girava ao redor dos dedos de Jason, ele podia sentir a saliva escorrendo de sua boca para o queixo, mas sabia o que estava por vir. Agora ele sentia as mãos de Jason migrarem para seu membro, o apertando e acariciando.
– Não...posso fazer...barulho...arg... –- murmurou sentindo Jason fazer uma trilha de beijos por sua barriga e os dedos abandonarem sua boca, um tremor passou por seu corpo ao sentir a cueca lhe ser tirada, mas em uma respiração ele foi embora. Nico queria aquilo, queria sentir Jason em si. Ele não tinha a mínima ideia de como tinham parado ali, o que fariam depois, mas esses pensamentos eram sussurros em sua mente enquanto Jason lhe masturbava e massageava sua entrada.
– Eu queria ter uma mão livre agora... – arfou Jason enfiando um dedo em Nico e o observando fazer uma careta de desconforto. – Essa imagem deveria se registrada. – o loiro se inclinou para frente, beijando o namorado enquanto enfiava o segundo dedo em sua entrada e passava a fazer movimentos de vai e vem.
Nico reencontrou suas mãos e se sentia desconfortável com os dedos em si, mas estava se acostumando com aquilo, levou as mãos aos ombros de Jason e cravou suas unhas ali para aliviar a frustração de não poder reclamar da dor por ter a boca ocupada. Jason retesou todo o corpo e enfiou de uma vez os dedos dentro do namorado, que não conteve o gemido entre o beijo ao sentir uma onda de prazer com aquilo. Jason se separou no namorado continuando com os movimentos enquanto Nico arfava, ele havia acertado sem querer o ponto de Nico e se sentiu endurecer bem mais ao ouvir o gemido de prazer vindo dele.
– Não posso aguentar mais Nico... – murmurou se ajeitando entre as pernas do menino e levantando levemente o quadril dele para se encaixar ali, Nico apenas acenou que sim e Jason colocou a outra mão na própria boca, lubrificando os dedos com o máximo de saliva que depois passando em seu membro e novamente na entrada do namorado.
Nico fechou os olhos sentindo a glande de Jason ser pressionada em sua entrada, soltou um suspiro e apertou os lençóis com as mãos e os pés, sentiu Jason começar a entrar em seu corpo, uma sensação de queimação em sua entrada, como se estivesse sendo aberto a força, mas o garoto se concentrava ao máximo para relaxar, queria aquilo, sabia que iria doer mas que poderia aproveitar. Quando se sentiu totalmente preenchido por Jason o loiro voltou a beijá-lo. A sensação de ter algo dentro de si era estranha acima de tudo, mas em determinado ponto já estava incomodando ficar parado com aquilo dentro de si. Nico passou a mexer o quadril, se afastando e indo de encontro ao de Jason, que suspirou em seu ouvido algumas vezes e gemeu antes de começar a acompanhar o movimento. Começaram devagar, tentando apreciar cada sensação, mas não era o bastante, e em algum ponto as estocadas se tornaram ferozes enquanto Jason apertava as coxas de Nico pela parte de trás, empurrando os joelhos do menino contra o peito arfante.
O moreno tinha as duas mãos na boca, mordendo vez ou outra para conter os gemidos altos e as lagrimas desciam por sua face. O corpo de Nico queimava, parecia que fora jogado em uma fogueira que ao mesmo tempo era gostosa e impossível de aguentar. Ele não conseguia abrir os olhos, seu corpo inteiro chacoalhava pelas investidas de Jason e sua cabeça ia e vinha no travesseiro, estava cada vez mais difícil conter o gemido. Foi quando ouviu o de Jason, um gemido alto que mais parecia um rugido, o corpo de Nico inteiro se arrepiou e ele teve de apertar mais as mãos na boca para não gemer com ele ao abrir os olhos e ver a expressão de puro êxtase no loiro. Aquilo era golpe baixo. Ele agora não conseguiria se conter mais, levou uma das mãos ao próprio membro e passou a se masturbar, jogando a cabeça mais para trás e puxando com a outra mão o cobertor para dentro da boca, e mordendo com toda sua força. Nico se sentiu explodir em sua própria mão, seu corpo tremeu por algum tempo até relaxar novamente, Jason agora estava parado ainda dentro de si, e quando abriu os olhos o garoto viu o loiro com as duas mãos sobre a boca, o rosto vermelho como se estivesse com uma febre alta, e se deixando inclinar para trás Jason caiu sentado na cama de Nico, saindo do corpo do garoto e ejaculou enquanto tampava a própria boca, mas os múrmuros ainda podiam ser ouvidos. Nico fechou os olhos para recuperar o ar, permanecendo na mesma posição.
Quando finalmente se sentiu com um pouco de força se apoiou nos cotovelos para olhar Jason, ele tinha a cabeça jogada para trás enquanto arfava, Nico o cutucou com o pé, os olhos estavam pesando, o loiro o encarou ainda respirando pela boca e o moreno indicou seu lado da cama com a cabeça e deixando o corpo cair sobre o colchão novamente sem forças. Em instantes ele sentiu Jason deitar-se ao seu lado e segurar sua mão. Ficaram em silencio, Nico virado para o lado e Jason encarando o teto em busca de um pouco mais de ar e energia. Quando Nico sentiu que tinha forças para se mover novamente se virou para Jason, descansando a cabeça em seu peito e o loiro o abraçou de maneira precária enquanto tentava de alguma forma cobrir os dois corpos.
Nico tinha o pressentimento que tinha de dizer algo, mas seus olhos pesavam. Sentiu Jason beijar-lhe os cabelos que deveriam estar empastados de suor e se deixou cair na inconsciência.
***
Na manhã seguinte Nico despertou assustado e se sentando na cama. Seu quadril doía de forma que ele voltou a se deitar choramingando e acariciando o local. Ainda sonolento ele olhou ao redor e estranhou o cheiro se suor com algo misturado ali, se virou para o lado e encontrou Jason de costas para si e virado para a parede. Nico então se deu conta de onde estava ao esfregar os olhos e do que haviam feito. Seu rosto ardeu como se tivessem jogado água quente ali, e por puro impulso o escondeu contra as costas de Jason, o abraçando. O loiro murmurou algo e apertou as mãos que o envolviam antes de se virar ou se dar conta de onde estava. Nico sentiu Jason virar na cama e o soltou do abraço, o loiro abriu os olhos devagar ao ficar de frente a si e bocejou. Por um segundo Nico perdeu totalmente todos os pensamentos, observou a expressão tranquila de Jason e lhe tocou o rosto com carinho pensando que queria todos os dias acordar e vê aquela mesma cena.
– Bom dia... – murmurou Jason o puxando pela cintura. Nico sorriu para ele.
– Bom dia, e estamos ferrados! – Jason o olhou confuso e depois para a situação em que estavam, Nico começou a conter o riso a medida que Jason se lembrava do que haviam feito.
– Vamos para o inferno!
– Se meu pai permitir que tenhamos uma morte rápida! – disse Nico rindo. – Se tivermos acordado ele ou minha mãe, estamos na lista de Thanatos. – Jason gemeu tampando o rosto com a mão. – E você vai ter de me ajudar a levantar, me limpar e vestir. – Jason o olhou de canto de olho. – Meu quadril dói. – Jason fez uma expressão de tristeza e culpa, mas antes que dissesse algo Nico colocou um dos dedos em sua boca. – Ontem foi perfeito, mesmo que agora vamos ao inferno. Percy já tinha me dito que ia doer no outro dia, mas que eu me acostumaria com a dor depois.
– Já estava planejando se o passivo? – perguntou Jason sorrindo e recebeu um tapa. – Desculpe!
– Vamos arrumar essa bagunça e nos limpar antes que meus pais ou alguma de minhas irmãs apareçam para me chamar para o café. – Jason acenou que sim e se levantou da cama, esticando os braços acima da cabeça ao caminhar até a janela e Nico o observou ainda deitado. Era uma visão maravilhosa. – Quando morarmos sozinhos, vou exigir que você só ande pelado pela casa. – Jason o olhou franzindo o cenho e depois negou com a cabeça.
– Ainda bem que você tem um banheiro no quarto, quer que eu te carregue até lá? – Nico o olhou com raiva pelo sorriso de deboche que Jason exibia, mas depois sorriu.
– Quero. – Jason franziu o cenho. – Você ofereceu, agora me carregue e me de um bom banho. – o loiro negou coma cabeça e pegou Nico no colo, o moreno rodeou sua cintura com as pernas e os ombros com os braços, Jason o segurava pelo quadril e ao ficarem de pé Jason o beijou.
– Você é lindo... – murmurou ao se separaram e Nico descansou a cabeça em seu ombro.
Os garotos tomaram o banho juntos, Jason tentou ajudar Nico a se vestir, mas o moreno já estava começando a se acostumar com a dor e enquanto se vestia com dificuldade o loiro trocava aos lençóis da cama e os jogava na roupa suja.
– Sua mãe não vai perceber? – perguntou e Nico negou coma cabeça.
– Ela manda tudo para a lavanderia de quinze em quinze dias, mal toca ou olha para as roupas. – Jason acenou que sim e ouviram alguém bater na porta.
– Vocês dois... – murmurou uma voz arrastada que Nico reconheceu sendo de Hazel. – Vou matá-los... – Jason encarou Nico e depois a porta. – Desçam para o café e não façam nenhum comentário. – os dois garotos ouviram passos arrastados se afastarem e saíram do quarto.
Na cozinha Bianca e Hazel estavam sentadas lado a lado e pareciam cansadas, Hades e Maria as olhavam confusos mas não comentaram, cumprimentaram Jason e agradeceram por ele não ter tentado quebrar os vidros das janelas daquela vez. Durante o café Nico podia sentir as irmãs o olharem para ele, a raiva era perceptível e até Jason estava sentindo aquilo. Quando acabaram voltaram para o quarto e dez minutos depois a porta foi aberta pelas duas meninas.
– Você tem sorte de eu amar você... – disse Hazel fechando a porta atrás de si e Bianca cambaleou até o pufe do irmão e se deixou cair ali, com a cabeça jogada para trás, Jason que arrumava a própria mochila que havia trago na noite anterior as olhou confuso. – Da próxima vez que fizerem essas coisas, comuniquem para que a gente durma de fone! – Nico encarou a irmã sem fala por alguns segundos antes de começar a rir. Jason deu as costas e começou a mexer sem motivo na mochila.
– Obrigada por não terem gemido, mas a cama range, gente! – disse Bianca. – Serio, não sei onde vocês estavam com a cabeça! – Nico podia ver Jason ficando cada vez mais vermelho e deu um tapa na bunda do loiro, que retesou as costas antes de olhá-lo assustado.
– Nico!
– Tem vergonha do que fizemos? – perguntou e depois olhou para Hazel. – Você não pode reclamar, você e Frank são mais barulhentos ainda. – Hazel deu de ombros.
– Vocês dois não tem jeito, francamente! – disse Bianca encarando os irmão e depois riu. – Mais um segredo de família? – perguntou olhando para Nico e o garoto acenou que sim junto a Hazel. – Papai e Mamãe ficariam chocados se soubessem da metade das cosias que rolam nesses três quartos. – Hazel riu e Nico olhou para Jason e coçava a bochecha.
– Agora que já fizeram a reclamação, dêem o fora! – comandou o garoto apontando para a porta, Bianca bufou e saiu, Hazel a seguiu, mas parou na porta.
– Se quer continuar sendo virgem aos olhos do nosso pai, pelo menos até as festas acabarem, sugiro que não desça ou suba escadas, de preferência finja estar mancando! – Nico abriu a boca e a fechou enquanto Jason começava a rir. – Até, meninos. – acenou saindo e Nico encarou Jason.
– Acha engraçado? – perguntou cruzando os braços e Jason não conseguiu responder, apertava a barriga enquanto ria e se deixou cair no pufe. Nico se sentou em seu colo e o segurou pela frente da camisa preta que usava. – Você vai ser o passivo da próxima! – Jason não conseguia responder, e Nico o puxou para frente ate que estivessem se beijando. Jason ainda ria no inicio, mas depois puxou Nico mais contra si enquanto o garoto rodeava seu pescoço com os braços.
– O que fizemos deve ser segredo absoluto, seremos castrados se descobrirem que transamos na páscoa!
– Não é como se a gente tivesse planejado. – respondeu Jason tirando os cabelos de Nico do rosto. – Mas para uma primeira vez, acho que fomos bem. – Nico olhou em seus olhos por detrás dos óculos e depois se inclinou para frente novamente, beijando os lábios com ternura.
– Foi muito bom, Jay. – o loiro sorriu e depois o abraçou.
– Então nada de chocolate, certo? Já valeu como presente de páscoa. – Nico se afastou e o encarou.
– Se não me der pelo menos um ovo de meio quilo eu juro que você não vai receber esse tipo de presente de boas vindas até a próxima páscoa! – Jason riu. – Estou falando serio! Exijo meu chocolate!
– Eu sei! Você vai ganhar o maldito chocolate. – Nico sorriu e se levantou do colo de Jason e o ajudou a se levantar também.
– Vamos descer, pegue tudo por que não vamos voltar aqui tão cedo. – Jason pegou a mochila e a jogou nas costas. – Agora, fingir que estou com o pé torcido. – Jason bagunçou o cabelo de Nico e saiu primeiro do quarto, o moreno sorriu para a porta e depois o alcançou no corredor. – Sabe, depois de ontem, não tenho mais medo que você vá me trocar.
– Agora você acha isso? Serio? – perguntou Jason o encarando e parando de andar. – Você ainda estava com isso na cabeça?
– Todo mundo tem suas crises. – e deu de ombros. – Mas sei que você me quer tanto quanto te quero agora, desculpe por antes. Foi... Gay, infantil, e... ridículo falar aquelas coisas. – Jason suspirou e o encarou.
– Você é um idiota, juro que se fosse qualquer outra pessoa duvidando de mim assim eu já tinha cortado relações ou ficado com raiva. – Nico inclinou a cabeça sem entender o porquê com ele era diferente e Jason sorriu. – Não consigo ficar com raiva de você, eu tentei durante seu ataque, tentei ignorar você e desligar na sua cara cada vez que você fingia não me ouvir. – Nico estreitou os olhos e cruzou os braços na frente do corpo.
– Eu realmente não ouvia, te coloquei no mudo. – um nervo pulsou na testa de Jason. – E se fizesse isso eu ficaria com mais raiva ainda!
– Eu sei, isso era o que mais me dava vontade de desligar. – Nico deu um soco no braço do namorado e recebeu um empurrão. – Mas eu já dei meus próprios ataques de ciúme, então eu tive paciência. – o loiro ajeitou a alça da mochila.
– Não vou mais duvidar de você. – Jason sorriu e passou um braço por sobre o ombro de Nico.
– Eu também não. Confiança total? – perguntou erguendo um punho e Nico bateu com o seu.
– Ou algo próximo a isso. – Jason negou com a cabeça e desceram a s escadas para ajudar com os preparativos do almoço.
Jason foi embora durante a tarde, tendo Thalia tagarelando em sua cabeça por ter ficado o tempo inteiro com Nico e nem ter ido vê-la. Os garotos se despediram com um abraço e Jason se foi levando um ovo de cada um de sua família e um de Nico, já o moreno ficou com um dado pelo namorado. Naquela noite Jason entrou no Skype, mas faltou conversa por Nico estar devorando todo o ovo e dando respostas curtas, o loiro desistiu de conversar em certo ponto e passou a comer o seu próprio presente enquanto via Nico com o seu, e de alguma forma uma competição para ver quem terminava o ovo primeiro se iniciou.
Naquela noite nenhum dos dois dormiu, mas diferente da noite anterior quando se entregaram ao prazer, aquela foi ao arrependimento de comer tanto chocolate.
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