Notas iniciais
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Nico queria sair correndo de tão ansioso. Ele mexia os pés sem parar por baixo da mesa à medida que as horas passavam, seu coração estava disparado e apertado, o ar parecia faltar.

– Para de me chutar Nico!- brigou Hazel devolvendo o chute. – Que saco!

–Nico, pare de irritar sua irmã! Onde estão seus modos?- exigiu Hades, Nico começou a mexer os dedos impaciente.

–Acho que vou dar uma volta! – disse se levantando e saindo da mesa sem esperar ter propriamente uma permissão. Ele precisava se mexer.

Nico quase saiu correndo de perto da mesa dos pais e só parou quando já estava a uma distancia segura para olhar seu relógio. Uma hora era o que mostrava os dígitos verdes luminosos em seu pulso, seu coração parecia querer saltar do peito. Ele caminhou cegamente ate uma pilastra do grande salão e se recostou ali enquanto tentava se distrair com a decoração e acalmar sua respiração.

O salão onde era servida a ceia de natal ficava do outro lado da praça a qual a festa iria acontecer. Todos do bairro estavam vestidos com suas melhores roupas, mas tomaram o cuidado para não colocar algo chique de mais ou extravagante, Nico particularmente gostava do estilo de roupa que as pessoas usavam e se lembrou da irmã identificar aquilo como esporte fino. Ele olhou para o teto enquanto respirava pela boca em busca de mais ar para os seus pulmões, uma guirlanda gigante estava pendurada acima de sua cabeça e se ligava a outra por uma fita vermelha trançada a uma prateada e verde ate uma outra pilastra mais a frente, e o padrão se repetia por todo o salão.

Nico então tratou de reparar direito na arvore de natal no meio do salão de festas — a qual as mesas onde a ceia era servida estavam ao redor como uma cerca- a arvore foi decorada somente com enfeites de cor prata, inclusive as luzes, o que Hazel tinha dito que achou a coisa mais linda do mundo, que era como se tivessem decorado a arvore de estrelas e pó de fada. Nico sorriu encostando a cabeça na pilastra e olhou para o segundo andar, onde varias pessoas circulavam e riam enquanto apontava para baixo. O garoto abaixou o olhar novamente para o seu arredor, vendo as mesas das famílias do bairro se organizarem como se estivessem em um grande e luxuoso refeitório, todas separadas, mas de certa forma, todas as mesas estavam ligadas entre si e a conversa fluía em um grande zumbido que se misturava a musica calma tocada pela banda ao fundo do salão.

Ele sentia que aquele era um momento especial, que todos ali podiam estar em suas casa, no conforto de seus sofás e assistindo os especiais de TV, mas escolheram partilhar o momento com os vizinhos em um lugar diferente. Por alguns minutos ele se esqueceu do relógio e apenas ficou observando as crianças correrem entre as mesas, as garotas darem gritinhos e os garotos conversarem em um canto, ele sorria ao ver as mães se inclinarem da mesa de suas famílias para se comunicar com as da mesa vizinha. Era um momento de paz que ele jamais pensou que sentiria ou apreciaria em um lugar tão lotado e barulhento. Nico soltou um riso abafado fechando os olhos ao pensar que ele só podia estar daquele jeito por ter sido possuído pelo espírito de natal, do contrario não acharia o lugar tão bom e bonito.

– Nico! – ele ergueu o olhar ao ouvir o próprio nome e viu Thalia correr ate ele entre as varias pessoas que os separavam. – Nossa Nico! Eles te pegaram também? – ele riu e fez uma reverencia.

– Por essa noite sou um verdadeiro cavalheiro, e a senhorita esta extremamente graciosa! – Thalia lhe deu um soco no ombro antes de alisar o vestido azul claro que vestia. Era tão diferente ver a garota naquelas roupas, usualmente ela estava de jeans rasgados e camiseta de alguma banda de rock.

– Acho que nossos pais estão felizes por termos concordado em sermos “normais” e nos misturarmos... — disse a garota se apoiando na pilastra ao lado dele.

– Eu meio que fugi da mesa, então... – Thalia riu passando o braço pelo pescoço do garoto.

– Eu ao menos dei uma desculpa, disse que estava indo ate a Annie, não suportava mais minha mãe falar com Jason sobre o maldito relógio! – Nico sentiu um frio na espinha ao pensar no próprio relógio e disfarçadamente encarou o mostrador enquanto Thalia continuava a falar do irmão que tinha acabado de voltar da escola militar. Vinte minutos. — ... Ele se recusa a mostrar o tempo, mas minha mãe jura que lembra de ter anotado que seria mais ou menos nesse fim de ano que aconteceria. Eu sinto tanto por ele... ela o esta enchendo de perguntas!... Nico! Esta me ouvindo? – perguntou a garota lhe apertando a bochecha.

– Ai! –reclamou se afastando de Thalia e segurando o rosto.

– Escutou o que eu disse? – perguntou colocando as mãos na cintura e batendo o pé. Odiava ser ignorada.

– Olha Thalia, tenho uma coisa muito seria para fazer agora... eu tenho...- ele olhou ao redor, conhecia a todos os que o cercava, não podia ser ali que iria encontrar seu destino. – Tenho que sair daqui! – e sem dizer mais nada Nico correu para fora do salão, deixando Thalia boquiaberta e confusa para trás.

Assim que pisou fora do salão Nico quis voltar. Estava frio e o vento carregava alguns flocos gelados de neve que grudava em sua roupa e pele, mas ele não podia voltar para dentro, não podia encontrar a pessoa que era destinado naquele tumulto. Ele fechou o casaco e desceu as escadas que dava para o meio fio, atravessou a rua e parou ao pisar no terreno da praça onde a festa ocorreria.

Estava linda, ele tinha de admitir. As arvores cheias de pisca piscas coloridos e alegres, varias guirlandas e visgos pendurados pelo lugar e em pontos estratégicos para que qualquer jovem casal que passasse ter de se beijar ou abraçar assim como manda a tradição. Ele olhou para o palco montado em uma das extremidades, a banda já afinava os instrumentos para o show, na ponta oposta da praça tinha também alguns brinquedos como cama elástica e piscina de bolinhas para as crianças.

– Uau...- foi o que conseguiu dizer ao se sentar em um banco e ver os últimos detalhes serem organizados.- O prefeito caprichou desta vez...- Nico olhou para cima e percebeu um visgo, na mesma hora se levantou ficando vermelho e deu passos pesados olhando para o chão para longe de qualquer lugar onde aquelas coisas pudessem estar. Seria constrangedor de mais ser submetido a aquelas armadinhas em forma de frutinhas brancas e folhas verdes em seu primeiro encontro com a pessoa que dedicaria à vida.

Quando finalmente pode encontrar um lugar sem nenhum visco a vista ele se sentou novamente. Olhou o relógio, seis minutos. Seu coração voltou a se contorcer no peito e Nico olhou para o chão. Seis minutos ate a pessoa aparecer. Parecia estranho pensar isso, mas, será que se ele ficasse dentro do salão seria a mesma coisa? A pessoa ainda o encontraria? Ou melhor, a pessoa o encontraria ali? Nico começou a se preocupar com isso. E se a pessoa não pensasse em ir ate a praça antes da hora? Tecnicamente, era para ele estar no salão, com seus pais e comendo, não sozinho na praça sentado no banco mais afastado do palco e dos brinquedos.

– Posso me sentar aqui? – perguntou alguém, Nico apenas acenou que sim sem interromper os pensamentos.

Será que o destino podia fazer isso? Levar a pessoa a ir procurá-lo fora do salão? Nico bateu na própria testa ao perceber que a pessoa nem se daria conta do que estava fazendo, que ela estaria tão no escuro quanto ele. Afinal, eles não se conheciam nem nada, a pessoa não podia adivinhar nem quem era a sua família ou não, então de que adiantaria ficar la dentro ou ali fora? Ele suspirou e olhou para frente, as portas do salão estavam abertas, mas ninguém se atrevia a sair, uma geada de neve fina caia sobre seu cabelo e ombros, mas ele não se importou. Agora ele estava um pouco mais relaxado, não importava onde estivesse, nem que ele tivesse pegado um ônibus para Ohio a pessoa o encontraria no memento que seu relógio marcasse zero. Como no impulso ele olhou para o mostrador, três minutos. Nico soltou uma risada nervosa ao se endireitar no banco e olhar para os lados. A qualquer momento ele veria a pessoa. Alguns segundos e sua vida teria um novo sentido.

– Hum... sei que devo estar incomodando, mas por que você esta aqui? Não devia estar na festa? – perguntou o estranho e Nico o olhou. Era um garoto um pouco mais velho, os olhos verdes e cabelo negro.

– Muita gente, estava abafado de mais... — o garoto concordou.

– Também achei. – disse sorrindo e mexendo nos cabelos. Nico sentiu o rosto aquecer ao reparar como o garoto era bonito e desviou o olhar para a escadaria do salão, e la identificou uma garota de vestido azul claro que apontava em sua direção e gritava algo por cima do ombro, em segundos ela começou a correr para a praça pulando os degraus.

– Meu Deus! Como ela consegue correr e pular com aqueles saltos? – perguntou o garoto, Nico o olhou e viu e ele tinha os olhos arregalados para a corrida de Thalia. – Cara... me fala que ela não ta vindo para ca com aquele olhar assassino!- Nico se voltou para Thalia novamente e se colocou de pé.

– Se eu disser que sim, você vai correr? – o garoto o encarou e sorriu.

– Não... acho que eu te ajudo se ela tentar te matar, você me deixou sentar aqui. – Nico riu. – Antes que você morra, sou Perseu Jacson, mas me chame de Percy. – disse esticando a mão e Nico a apertou.

– Nicolas di Ângelo, ou só Nico se preferir. – disse voltando o olhar para Thalia que estava a alguns metros, ela gritou sobre o ombro novamente, alguns adolescentes a seguia rindo.

– Foi um prazer conhecer você, pena que é hora de sua morte...- disse o garoto rindo. – Pelo menos ela é bonita...

– Interessado Percy? Se eu sobreviver eu apresento vocês... — o garoto sorriu se levantando e colocando as mãos no bolso do casaco.

– Se você sobreviver prefiro te conhecer melhor. – disse despreocupadamente encarando os adolescentes que seguiam Thalia, Nico abriu e fechou a boca chocado sentindo o rosto corar. Ele realmente tinha dado em cima dele? Nico olhou para o pulso, quinze segundos.

– Francamente, você é muito bonito Percy, mas não é você... – disse levantando o pulso para o garoto ver o tempo, Percy sorriu de lado.

– Mas ainda podemos ser amigos não acha? – disse o garoto levantando o pulso para ele também, faltavam trinta segundos para ele. – Na expectativa?- Nico fechou os olhos.

– Quase morrendo. – disse sinceramente e sentiu o corpo ser jogado para trás ao ser atingido por Thalia.

– Nunca mais me deixe falando sozinha! Seu idiota! – disse a garota ao segura-lo pelos ombros. – Ai meu deus! Nico, seu mostrador do relógio esta vermelho! – gritou a garota pegando o pulso de Nico e olhar a marcação. – Oito segundos... ai meu deus! Por que não me contou?! – Nico sorriu de lado fechando os olhos de novo.

– Não conte a ninguém cara de pinheiro, não quero ser o show particular da minha família. – Thalia riu e abraçou Nico com força.

– Ai meu deus, só pode ser brincadeira! – disse a garota rindo. – Comedor de grampo, vem aqui, me da o celular! – gritou a garota se afastando de Nico, o garoto ficou no mesmo lugar.

– Por que esta fechando meus olhos Thalia? Eu tenho que ir...

– Cala a boca e vem! – Thalia soltou mais um risinho. – Fecha os olhos! Agora! – Nico escutou alguém bufar. – Agora, só abram quando eu disser já! Três...- o coração de Nico começou a pular no peito de novo. – Dois...- ele limpou as mãos no sobretudo. – Já! – Nico abriu os olhos e seus pés pareceram perder o chão ao mesmo tempo em que focava o garoto a sua frente.

Ele tinha a consciência de que ainda estava de pé naquele mesmo lugar, encarando o desconhecido como um idiota. Mas o que sentia era totalmente diferente. Nico sentia como o tivessem tirado do chão e retirado tudo o que o prendia ali, todas as correntes invisíveis que ele julgava ter foram rearranjadas, reorganizadas, algumas ate mesmo desapareceram e novas surgiram, mas todas as que ficaram estavam juntas e entrelaçadas a outra corrente que ligava ao garoto loiro a sua frente. Era como se tudo nele, toda a historia que ele tivesse imaginado ou estivesse destinado houvesse arrumado um jeito de se unir as mesmas coisas correspondentes do garoto.

E então ele voltou à realidade ao mesmo tempo que o loiro. Os olhos azuis o analisaram assim como ele fazia com o outro, e em um instante ele sentiu que era abraçado pelo garoto como se fosse uma bóia salva vidas e se viu correspondendo com a mesma intensidade. O mundo pareceu parar por um instante, mas isso foi o bastante para ele decorar o cheiro e a sensação de ser abraçado por aquela pessoa. Foi o bastante para se ter certeza que aquele seria o seu porto seguro, que poderia confiar a vida a aqueles braços. O tempo pareceu voltar a correr e eles se separaram sem graça, mas Nico podia sentir a ligação entre eles, algo forte e inquebrável que ele sentia que poderia quebrar qualquer barreira que os impedisse de ficarem juntos. Em um súbito ataque de felicidade Nico levou a mão a boca e começou a rir, o garoto o olhava sem entender muito bem o que estava acontecendo.

Nico achava graça, não era isso que imaginava... francamente, pensou que seria uma cena daquelas descritas em romances, que ele seria transportado a uma nova dimensão, que seria atacado por beijos de arrancar o ar dos pulmões... mas quilo... ele ergueu os olhos e encarou o loiro que mexia as mãos sem graça.

– Qual seu nome?- perguntou ainda rindo sem motivo, o garoto se forçou a sorrir apesar do evidente nervosismo.

– Jason... Jason Grace...

– Não me diga que é irmão da Thalia... – o garoto deu um sorriso pequeno acenando que sim e Nico bateu na própria testa. Que piada era esse destino, viveu metade da vida ao lado da garota e nunca estava presente quando o irmão vinha a visitar nas férias da escola interna. — Porra... Meu Deus... – murmurou e voltou a rir. – Sou Nico... Mas você já deve saber muito de mim... – Jason o encarava confuso, mas por fim abriu um sorriso de verdade, Nico sentia que ele queria se aproximar, mas estava nervoso com sua reação. Para falar a verdade, ele mesmo não sabia como agir, e ser observado por vários adolescentes só piorava a situação. De repente Nico se sentiu exposto e sem graça, a felicidade ainda estava lá, mas a timidez voltando a aparecer.

– Muito bem povo! Deixem eles se conhecerem, vai acontecer com a gente também!- disse Thalia afastando todo mundo e puxando Leo pela camisa.

– Mas o meu também é hoje! Olha meu relógio!

– Você tem três horas ainda Valdez! Vamos os deixar ter esse momento! – Nico os observou se afastarem e ouviu Jason soltar uma risada.

– Odeio que Thalia me leia tão bem... Mas adoro esses momentos que isso serve para me livrar de momentos constrangedores sem que eu me constranja mais. – Nico o olhou.

– Pensei que ela só fazia comigo... – disse ainda sem graça. – Eu não esperava que tanta gente estivesse por perto...

– Queria que fosse só a gente? – perguntou Jason se aproximando e acenando para que Nico o seguisse em uma caminhada pela praça.

– Eu tinha muitas idéias de como isso ia acontecer, mas devo admitir que não esperava isso... – Jason o olhou pelo canto do olho.

– Eu imaginava algo mais emocionante, tipo fogos imaginários, um ataque de paixão espontânea, encontrar um novo sentido para a vida... – Nico riu acenando que concordava. – Mas a única coisa que mudou foi que agora eu tenho a certeza de que, se eu vou ter tudo o que planejei para minha vida ou não, quero que você esteja ao meu lado...

– Eu também sinto isso... – disse Nico e sentiu Jason segurar sua mão timidamente, ele sorriu ao apertá-la. – Eu sinto que estamos ligados de uma maneira forte...- Nico riu. – E cara... isso é tão simples de sentir e tão complicado de explicar! – Jason concordou sorrindo.

– Acho pregaram muitas peças em nós durante todos esses anos não acha? – Nico acenou que sim. – Tantos anos que eu venho visitar Thalia, que sei que você mora lá do lado, sei seu nome, conheço sua família, já fui em sua casa quando você, por coincidência, estava na casa dos tios ou de algum amigo e tudo mais... mas eu nunca cheguei a te conhecer de verdade e pessoalmente! Isso é tão estranho! Você praticamente já é parte da minha vida a metade de minha existência e eu só te conheci oficialmente agora!

– E estamos destinados a ficar a vida inteira juntos. – disse Nico rindo de novo e sendo acompanhado por Jason.

– Você ri muito...- comentou o loiro ao pararem ao lado de uma arvore cheia de pisca pisca azul enrolado por todo o tronco e bolas de luz branca penduradas nos galhos.

– Na verdade, não. – disse rindo de novo. – Acho que é por que estou nervoso e não sei bem o que fazer... Eu não costumo rir ou sorrir assim normalmente. – Jason tocou o rosto de Nico perto dos lábios, o que pegou o garoto desprevenido, mas ao contrario do que faria normalmente, ele apenas ergueu o olhar para Jason sem se afastar.

– Você fica bonito sorrindo, de verdade, chega a ser contagiante... – Nico sorriu envergonhado. – É disso que eu estou falando, mesmo esse fica bonito em você... – Jason sorriu também e Nico respirou fundo ao encarar os olhos cor de céu do garoto por detrás dos óculos de armação dourada.

– Deve ser horrível usar óculos enquanto neva... deve ficar sempre embaçado ou molhado...- comentou tombando a cabeça para o lado e Jason tirou os óculos e colocou no rosto de Nico.

– Nem é tão ruim, é só se acostumar... – Nico ajeitou os óculos e encarou o palco.

– Sua visão não é tão ruim... — disse se virando para o loiro que o encarou pensativo. — O que?

– Você fica fofo de óculos...- disse sorrindo e Nico tirou os óculos.

– Cala a boca...

– Não, serio, fica uma gracinha! Como nenhuma garota tentou colocar um em você? – perguntou Jason voltando a colocar os óculos e Nico deu de ombros voltando a andar.

– Sua Irmã a minha, Bianca, me obrigavam a usar quando éramos pequenos, mas quando fiquei maior que elas, elas pararam de tentar me fazer colocar coisas como orelhinhas de gato, óculos ou amarrar meu cabelo. – Jason bateu o dedo no lábio pensativo.

– Tenho que achar as orelhinhas de gato...- Nico o olhou de canto e deu um soco fraco em seu ombro. – E você? Só falamos de mim ate agora!

– Eu não tem nada a se descobrir, desde que meu pai se mudou para esse bairro eu fui matriculado na escola militar interna. – ele olhou para Nico pegando a mão do garoto com mais confiança. – Por isso não nos vimos quando minha família se mudou, eu já estava na escola.

– Deve ter sido difícil... Ficar longe da família...

– No início eu pensava que eles haviam me abandonado ou não queriam me ver por perto, mas toda semana eu recebia cartas, uma de cada um, falando como sentiam minha falta e de como estavam orgulhosos por eu estar em uma escola tão boa como aquela. – Jason riu e Nico o olhou. – Eu me lembro que Thalia quis muito ficar lá quando foi me visitar em um feriado, disse que o lugar era de mais por ter aula de arco e flecha, esgrima e montaria. Eu passei a gostar mais de lá depois disso. Entendi aos poucos e lá era um lugar que me garantiria um futuro só de eu ter pisado, imagina se me formasse?! Por isso eu passei a ver os pontos positivos, as coisas que eu mais gostava... Hoje posso dizer que aquele lugar é como um lar para mim, e francamente, tenho e fiz amigos muito maneiros lá. – Jason olhou para Nico que tinha ficado muito quieto e percebeu o olhar de admiração do garoto para ele.

– Você sabe esgrima?- perguntou Nico animado e lhe apertando a mão. – Cara! Eu sempre quis aprender a usar espada, qualquer uma ou tipo! Nossa! Dever ser muito legal!- Jason o encarou de cenho franzido e depois riu dos olhos brilhantes do garoto.

– Eu te ensino a usar uma espada um dia desses. – disse Jason e Nico parou de andar para poder encará-lo de frente.

– Serio? – o loiro acenou que sim, Nico abriu um sorriso tão grande que Jason sentiu que seu coração ia explodir, sem perceber ele já estava tocando o rosto de Nico. – Jason?- sussurrou depois de um tempo sentindo o toque novo.

– Você é muito bonito, devia ser pecado... – soltou Jason sem pensar, Nico olhou em seus olhos e riu.

– Disse o super man loiro. – Nico colocou a mão sobre a de Jason em seu rosto. –Francamente, eu estou surpreso por você ser a pessoa que estou destinado, eu não achei que teria tanta sorte. Eu sou uma pessoa extremamente pessimista, então eu esperava de tudo... Menos você. – Nico tirou a mão de Jason de seu rosto delicadamente e continuou a segura-la. – Eu prevejo algumas garotas me odiando por ter você preso a mim pelo resto da vida, vai ser ate divertido ver elas nervosas por isso. – eles continuaram a se olhar por um momento. Ao longe podia se ouvir o barulho do show que estava começando. De algum jeito haviam ido para uma parte mais afastada da praça, a que dava para a avenida principal e tinha mais arvores com luzes por ser mais fechada, ao contrario da área onde o evento de natal acontecia.

– Será... Você se importa se eu beijar você agora? – perguntou Jason ganhando uma coloração nova no rosto. Nico nada respondeu, mas levou a mão ate o pescoço de Jason o puxando para perto e colando os lábios.

Mantiveram o beijo calmo ate o fim, apenas sentindo o toque o calor das bocas naquele carinho novo para os dois. Quando se separaram Nico sorriu e apertou a mão de Jason que ainda estava entre as suas e soltou seu pescoço.

– Se importa se fizéssemos isso mais vezes? –perguntou Nico tentando sufocar a timidez. Jason tocava os próprios lábios e sorriu calorosamente.

– Posso fazer isso de novo sem te perguntar? – perguntou apertando a mão de Nico. Nenhuma pergunta foi propriamente respondida, mas em poucos segundos Nico se via com o corpo junto ao de Jason em um abraço quente e confortável enquanto riam do quanto pareciam bobos fazendo aquelas perguntas. Jason afastou o abraço apenas o bastante par ver o rosto de Nico e lhe beijar a testa.

– Me acharia doido por dizer que parece que te conheço a vida toda? – perguntou Nico fechando os olhos ao sentir Jason lhe acariciar o rosto.

– Sim. – disse rindo. – Mas me estranharia se eu dissesse que sinto que nasci só para te ter comigo como estamos agora? – Nico franziu o cenho.

–Acho que isso nos faz gays...

– É, acho sim. Isso e o fato de sermos dois caras que acabaram de se beijar... – Nico sorriu negando com a cabeça e se afastou de Jason para poder olhá-lo com mais atenção. Ele era de fato um dos caras mais bonitos que conheceu na vida, os cabelos loiros pouco maiores que o esperado de alguém em uma escola militar, o lábio com a cicatriz, os olhos azuis por trás dos óculos, o corpo definido... Nico sorriu internamente ao pensar que tirou a sorte grande ao estar ligado a aquela pessoa e esticou a mão para tocar o rosto de Jason com carinho.

– Sabe quanto tempo tem que estamos juntos Grace? – perguntou Nico segundos depois de Jason tombar a cabeça em direção a sua mãos e fechar os olhos apreciando o carinho recebido.

– Não faço a mínima ideia...- murmurou ao abraçar Nico pela cintura de forma leve e que permitia ao outro continuar com o carinho.

– Quatro horas... – disse Nico ao olhar no relógio do celular, o que o fez ter curiosidade de olhar o próprio no pulso. Ele se afastou que Jason um pouco e olhou para os marcadores que a vida inteira eram verdes, mas que naquele momento tinha o sinal do infinito em um azul claro. Curioso ele pegou o braço de Jason para ver e perceber que ele tinha o mesmo sinal. – Imagino a reação da minha mãe... acho que vou esconder isso um pouco...

– Por quê?- perguntou Jason parecendo chateado.

–Quero aproveitar isso um pouco mais, ter só pra mim esses momentos e você... assim que eu abrir a boca ou eles verem meu pulso vão querer se meter e não será a mesma coisa...- Jason acenou que sim pensando na reação da mãe ao ver a contagem de poucos minutos em seu pulso.

– Então ficaremos em segredo por enquanto? – perguntou levando Nico pela mão ate um bando e se sentando ali.

– Não. Segredo não, apenas não vamos contar para ninguém, se alguém souber ou descobrir, ótimo, se não, não abriremos a boca. – Jason riu e olhou par ao céu, os fogos começavam a estourar. – Já passa da uma da manha...

– Então já estamos propriamente no dia 25... – disse sentindo Nico deitar a cabeça em seu ombro e passando o braço por trás das costas do garoto. – Você é o melhor presente de natal que já ganhei Nico...

– Digo o mesmo... – disse Nico olhando as cores se espalharem pelo céu e sentindo a neve se acumular em seus ombros.

– Então você ficou com um cara no fim, não é Nico?- disse um voz e Nico levantou a cabeça do ombro de Jason franzindo o cenho. – Então eu tinha chance! – riu-se o garoto.

– Quem e você?- perguntou Jason confuso.

– Percy, conheci Nico poucos minutos antes de você. – disse rindo e se sentando do outro lado de Nico, que voltou a se sentar e o olhou.

– Achou a sua cara metade? – Percy coçou a bochecha.

– Acho que esta na moda casais com um loiro e um moreno...- comentou o garoto ao olhar para Nico e sorrir. – O nome dele é Luke. – Nico abriu e fechou a boca três vezes antes de cair na gargalhada, os dois garotos o olharam como se ele fosse doido.

– E... Ele já te contou...- disse uma voz divertida que Nico conhecia muito bem.

– Vou te zuar pelo resto da vida! –disse se inclinando sobre o colo de Jason ao apertar a barriga pelas risadas. – “Eu nunca vou ficar com um cara!”, “ Isso não vai acontecer!”, “ Eu fujo do pais!”... – Luke olhava sem graça para Percy.

– Desculpe por isso... – o moreno apenas deu de ombros. – Tudo bem Nico! Você venceu! Mas você também ficou com um cara!

– É, mas eu nunca disse que não ficaria com um de jeito nenhum a infância inteira! – disse apontando o dedo, Luke deu de ombros sem graça e entregou o refrigerante a Percy.

– Então você não queria ficar com um cara?- apesar de parecer, não era uma pergunta, Percy mais parecia considerar o fato. – Que peça a vida te deu Luke! – disse rindo.

– Você também não...- murmurou Luke batendo na própria testa. – Mais um Nico não!

– Tenho que te contar nuns podres desse ai Percy, você vai ter material de chantagem pelo resto da vida! – Luke pareceu perder a cor e Jason riu só para não se sentir excluído, Percy sorriu maldoso.

– Eu disse que a gente ia ser amigo... – murmurou Percy batendo o punho com Nico.

– Eu mereço... — murmurou Luke olhando para o céu.

– A propósito, esse é Jason. – disse Nico apontando para o loiro.

– prazer cara e boa sorte, como amigo esse ai é um cú, imagina como namorado! – Nico lhe apontou o dedo e Jason riu da infantilidade dos dois, dava para perceber que eram amigos de muito tempo. — De qualquer jeito, vamos Percy, tenho que te apresentar ao resto do pessoal, achei que não conhecia Nico, e eu já estou me arrependendo de descobrir que não era o caso... Jason... -Luke cumprimentou com um aceno, Percy se levantou num pulo e caminhou ao lado de Luke com as mãos no bolso do casaco em direção do palco onde o show estava a acontecendo.

– Minhas férias de inverno serão divertidas... – observou Jason.

– Se gostar de jogar vídeo game e sair para zuar com esses caras, pode apostar! – disse Nico se pondo de pé. – Vamos ver o show agora, já deve estar no fim, e o povo deve estar se perguntando onde estamos... – Nico ofereceu a mão a Jason que aceitou e se levantou.

– Só uma pergunta Nico...- começou Jason ao ver Nico começar a andar. – O que somos? Tipo... Nesse momento? – o garoto o olhou sem entender e Jason suspirou. – Somos namorados, amigos, conhecidos? – Nico ponderou um pouco.

– Porque nomear? – perguntou olhando a neve cair sobre Jason. – Vamos deixar acontecer, temos a vida inteira para usar o rotulo que convier, mas por que agora no inicio? Ficaremos juntos. Só isso que importa. Seremos amigos, seremos amantes, seremos irmãos... você é minha outra metade Jason, escolhida antes mesmo de nós dois nascermos. Não importa o que vier ou o nome que der, nos completamos. – Nico esticou a mão e pegou a de Jason entrelaçando os dedos. — Vamos aprender a ler uma o outro, conviver, entender... isso ninguém mais vai fazer ou se capaz. Mas para isso, precisaremos de tempo, e por ter nos encontrado tão cedo, teremos isso de sobra, então por agora... – Nico se inclinou para Jason depositando um selinho em seus lábios. – Só vamos nos deixar levar. Essa noite somos ficantes, amanha amigos novos, daqui um mês seremos melhores amigos, daqui um ano namorados e por assim vai se quiser dar um nome. Mas nós sempre seremos metade de uma mesma coisa. Almas gêmeas. E pra mim, esse é o único rotulo que eu preciso. – Jason abriu um sorriso para Nico sentindo o coração se encher pela mesma coisa terna e doce que quando o viu sorrir entusiasmado mais cedo.

– Então não precisamos nomear...- disse apertando a mão do garoto que sorriu satisfeito. – Mas antes de irmos ver seus amigos... quero ser o primeiro a dizer, feliz natal Nico! – sussurrou encostando as testas. – Que esse seja o primeiro de muitos que passaremos juntos. – Nico sentiu como se estivesse flutuando e segurou o rosto de Jason entre as mãos sem separar as testas.

– Feliz natal Jason... E obrigado por me dar o melhor presente!

Notas finais
Oi de novo! espero q tenham gostado da historia! Eu dividi em dois pq a fic ficou enorme, espero q não tenham se importado com isso. Agora meu terceiro presente (ou não), Vai ter continuação! ushasuhasuh! Postarei no dia 31 a continuação e o fim da fic! Felizes? Mais uma coisa, comentem!!!! Agora vou aproveitar a festa aqui em casa :3, sugiro q façam o mesmo meus queridos! Feliz natal!!!!