O paraíso

2 A primeira pessoa


Às 2h03 de uma madrugada de inverno, 58 anos atrás, uma cesárea de emergência trouxe ao mundo Takami Keigo. Takami Tomie, sua mãe, tinha 20 anos de idade, um quadro de pré-eclâmpsia e nenhum acompanhante à espera de notícias do lado de fora sala de cirurgia. O socorrista responsável pela ambulância que a levou para o hospital compartilhou com as enfermeiras que havia um homem na casa dela, provavelmente o pai do bebê, porém o sujeito se recusou a acompanhá-la. O socorrista considerou o homem um grande babaca.

Tomie passou nove dias na UTI; depois, treze dias na enfermaria. Durante a internação, a recepção do hospital registrou apenas uma ligação em seu nome. Um homem, provavelmente o pai do bebê, perguntou se ela estava viva. A recepcionista confirmou. Ele perguntou se a criança estava viva. A recepcionista confirmou. Ele perguntou se a criança era um menino. A recepcionista negou. “É uma menina.” O homem encerrou a chamada.

No dia da alta, uma enfermeira entregou para Tomie o formulário de registro de nascimento e, com um sorriso encorajador, pediu para ela dar um belo nome para sua bela filha. Tomie, uma criatura calada e nervosa, esboçou o primeiro sinal de firmeza visto pela equipe médica ao escrever Keigo no alto da página. Na hora do almoço, as enfermeiras debateram o porquê de Tomie dar um nome masculino para a filha. A recepcionista, sentada nas proximidades, ouviu a conversa e opinou:

— O pai queria um menino. Ela está tentando agradá-lo.

A conclusão não poderia estar mais longe da realidade. Contudo, a referida criança cresceu e elaborou a mesma explicação: minha mãe me deu esse nome para agradar o meu pai. Por conta disso, mesmo depois de se entender como um menino, a criança continuou a odiar o nome Keigo.

*

Hawks estreitou os olhos para a estranha mulher. Por anos, aquele nome fora usado como uma arma contra sua figura pública — “o filho de um vilão”, “o rejeitado pela mãe” e “o fantoche da Comissão” eram os epítetos de Takami Keigo. Poucas pessoas ousaram tratá-lo assim pessoalmente. Pelo menos, enquanto estava vivo. Agora, neste lugar desconhecido, o nome soou como um sinal de alerta. Se esse fosse o inferno, ser chamado de Keigo seria a cereja do bolo.

— E eu aqui pensando que você era otimista — disse a mulher.

Hawks abriu a boca para responder, mas a voz ficou entalada na garganta.

— É normal não conseguir falar no início. Dê um tempo.

Para confirmar suas suspeitas, Hawks mentalizou:

Está ouvindo meus pensamentos?

— Você pensa muito alto, criança.

Hawks bufou, colocando-se de pé. Ela não parecia muito mais velha do que ele.

Quem é você?Aonde estamos?

A mulher o estudou por um momento. O sorriso gentil ainda dobrava seus lábios finos, mas o brilho aquoso nos olhos dela prenunciou uma torrente de lágrimas.

— Você está morto, Keigo. Estamos no paraíso e eu sou a sua primeira pessoa.

*

Hawks pouco entendia sobre vida após a morte. Sabia que algumas religiões acreditavam em reencarnação; outras, em um sono eterno; e outras, em céu e inferno. Nunca soube no que deveria acreditar, mas o gosto amargo da decepção o invadiu ao olhar ao redor. Uma eternidade vagando na floresta não soava como um paraíso para ele.

A mulher riu.

— Cada pessoa tem o seu paraíso. — Ela ergueu os braços. — Esse é o meu.

Um vento forte balançou as copas das árvores. O farfalhar das folhas se misturou a risada dela e vibrou através das penas de Hawks. Com um pouco mais de atenção, ele sentiu o zumbir de abelhas em uma colmeia, o gorgolejo de um riacho e o rastejar de um pequeno animal entre os arbustos. A terra era fria sob a planta de seus pés enquanto os raios solares aqueciam seu pescoço. Não era um lugar ruim, porém algo nas sombras das árvores despertou um vazio dentro dele. Sentia-se isolado. Sozinho.

O sorriso da mulher diminuiu.

— É uma pena. Gostaria que tivesse sido feliz aqui.

Antes que Hawks pudesse elaborar uma pergunta, a mulher se virou e começou a caminhar.

— Vamos lá! Você precisa encontrar o seu paraíso. Cinco pessoas estão à sua espera nessa jornada. Cada uma delas teve um papel importante na sua vida. Eu sou a primeira e quero fazer um bom trabalho de boas-vindas.

Espera! Ele correu atrás dela. Não estou entendo nada. Nem sei quem é você!

— Eu morri antes de você nascer — disse ela, de costas para ele. — Nasci em uma família pobre. Aos 14 anos, larguei a escola para trabalhar em uma fábrica de sabão. Lá, conheci um rapaz e me casei com ele. Foi um bom casamento no início, mas as coisas mudaram depois do nascimento da nossa filha. Brigávamos o tempo todo. Pedi o divórcio e acho que foi a coisa mais corajosa que fiz na vida. — Ela olhou para Hawks por cima do ombro. — Na minha época, mulheres divorciadas eram uma vergonha. Se tivesse filhos, pior ainda. Mas não me permiti sentir medo. A felicidade da minha filha dependia de mim.

Entraram em uma trilha de terra batida. Hawks se colocou ao lado da mulher. Ela balançou o balde de flores para frente e para trás, placidamente.

— Fiz de tudo para minha filha ter um bom futuro. E deu certo! Ela cursou faculdade de odontologia e montou o próprio consultório. Chamava Clínica Sorria Mais. — A expressão da mulher se encheu de carinho. — O nome dela era Yumako.

Hawks aquiesceu, sem entender aonde aquela história pretendia chegar.

— Yumako se casou com um médico. Ele era de uma boa família e os dois estavam apaixonados. Eu não podia estar mais satisfeita. Dei meu trabalho como mãe por concluído e pedi demissão da fábrica. Usei minhas economias para comprar um pedacinho de terra nas montanhas. Sempre quis morar perto da natureza.

A trilha os conduziu para um jardim. Tulipas amarelas, azaleias vermelhas, hortênsias azuis e dezenas de flores das mais variadas formas e cores se misturavam nos canteiros. Mais além, duas árvores de cerejeira no auge da floração emolduravam uma cabana. As paredes de madeira eram de um suave tom de amarelo e o telhado cor de chumbo se projetava como um chapéu de palha.

Hawks deteve seus passos. A voz até então perdida borbulhou para fora dele em um chiado rouco:

Essa... casa...

— Sim — disse a mulher. — Essa é a casa da sua mãe. A sua casa.

Hawks a encarou.

Quem... é... você?

A mulher encontrou seu olhar e só então ele percebeu que o dourado dos olhos dela correspondia aos dele.

— Eu sou Ukai Towa, a mãe da mãe da sua mãe.

*

A cabana se localizava nos arredores de um parque florestal em Fukuoka. Era pequena, simples e bem-arrumada. Towa não precisava de mais do que isso. Passava a maior parte do tempo no jardim, vivendo seu paraíso na terra. Não acumulou uma fortuna em vida, mas morreu satisfeita por deixar a propriedade como herança para a neta. Towa acreditava que Tomie seria tão feliz ali quanto ela fora.

*

Diante dos olhos arregalados de Hawks, as flores do jardim murcharam. A terra absorveu os ramos secos ao mesmo tempo em que cuspiu uma cerca de arame farpado. A copa rosada das cerejeiras definhou para um emaranhado de galhos finos antes dos troncos tombarem e desaparecerem. Buracos se abriram nas paredes da cabana e uma parte do telhado voou com o vento. Assim, a paisagem cheia de vida e cor se transformou numa cópia fiel do triste cenário onde Hawks passou sua primeira infância.

O pânico acelerou a respiração dele.

— Esse é o inferno? Estou sendo punido?

— Pelo que deveria ser punido? — indagou Towa, e ele não conseguia vê-la como mais do que uma estranha, mesmo sendo sua bisavó.

Como explicar para ela que não via a mãe desde os sete anos de idade? Que pensou em procurá-la algumas vezes, mas sempre achava algo mais urgente com o que se preocupar? Que um dia recebeu o telefonema de um advogado informando que Ukai Tomie falecera sozinha dentro de casa, vitima de um ataque cardíaco, e seu corpo estava à espera de um funeral? Hawks não derramou lágrimas sobre o túmulo da mãe. Estava desolado; não pela morte dela, e sim por não ter o que lamentar. Tomie era uma completa desconhecida.

— Fui um péssimo filho.

— Todos carregamos arrependimentos, Keigo. Não podemos mudar o que aconteceu, estamos mortos. Aqui temos a chance de entender a nossa história e aceitá-la. Esse é o céu, um lugar de conclusões. O inferno só existe para aqueles que julgam merecê-lo.

Hawks encarou a cabana dilapidada.

— O que aconteceu?

Lágrimas umedeceram os cílios de Towa.

— Eu cometi um erro.

*

Takami Yumako tinha 37 anos quando entrou nas estatísticas de mortes causadas por uma epidemia de gripe. Deixou para trás a mãe, o marido e uma filha pequena. Arrasada, a mãe se isolou nas montanhas. O marido encontrou uma nova esposa e seguiu a vida. A filha, Tomie, nunca entendeu por que a mãe foi embora.

Aos 8 anos, Tomie brincava com seus irmãozinhos quando a madrasta pediu para ela preparar uma mala. No mesmo dia, o pai de Tomie a levou para uma visita na casa da vovó Towa. “Venho te buscar quando as coisas melhorarem”, prometeu. Tomie não sabia do que ele estava falando, mas, com o tempo, concluiu que as coisas não melhoraram. O pai nunca voltou.

Towa sabia que viver naquela região não era o ideal para uma criança. Os vizinhos mais próximos eram todos idosos. A escola ficava a uma longa caminhada de distância e Tomie frequentemente fugia das aulas. Vender a propriedade e se mudar para a cidade era uma opção. Contudo, as duas amavam o mundinho seguro e solitário que criaram naquele pedaço de terra.

Após a morte da avó, Tomie, então com 19 anos — sem família, sem amigos e sem a miníma ideia do que fazer consigo mesma —, contentou-se em permanecer na cabana.

*

— Falhei com ela — disse Towa, depois de contar sua história. — Devia ter incentivado Tomie a explorar o mundo, voar com as próprias asas. Tudo o que fiz foi ensiná-la a se isolar.

— Então ela se envolveu com o primeiro idiota que conheceu.

— Sim.

— E eu nasci.

— Sim.

Hawks sempre imaginou que o passado da mãe escondia uma história triste. Receber uma confirmação agora não fazia diferença.

— Está enganado — disse Towa. — Essa não é apenas a história da sua mãe. É a sua história. A nossa história. Somos partes uns dos outros. Os meus erros deram origem aos erros de Tomie; os erros dela criaram os seus. Um efeito dominó. Entender isso faz toda a diferença.

— Para que me sinta menos culpado? — zombou ele.

— Para que não se sinta tão sozinho. — A suavidade nos olhos de Towa o deixou pequeno e indefeso. — Somos uma família. A sua dor também é minha, Keigo.

Dessa vez, o nome martelou uma ferida exposta.

— A senhora nem sabe quem eu sou! Minha mãe me vendeu e foi embora. Acredite ou não, nunca lamentei por isso. Fui mais feliz sem ela do que com ela. Família? É uma palavra vazia para mim. Construí a minha vida sozinho. Apenas eu. Hawks.

Esperou uma réplica à altura de sua explosão. Contra as expectativas, o sorriso gentil voltou a enfeitar o rosto de Towa.

— Há um laço a nos unir. Você tem razões para rejeitá-lo, mas gostando ou não ele sempre existirá.

— Do que está falando?

Towa acenou a mão, convidando-o a acompanhá-la. Atravessaram a terra seca do jardim; pilhas de pneus e garrafas de cerveja ocupavam o espaço das flores. Towa indicou a janela da sala de estar. Hawks olhou pelo buraco no vidro sujo.

O interior da cabana destoava da miséria exterior. O cômodo estava limpo e organizado, com porta-retratos nas paredes brancas e um tapete felpudo no piso de madeira. Um desenho infantil passava na televisão, mas as duas ocupantes do sofá o ignoravam. Towa afagava a volumosa massa de cabelos da menina deitada em seu colo. Dois globos oculares flutuavam no ar.

Um suspiro escapuliu pela boca de Hawks.

— Mãe?

A pequena Tomie não o ouviu. Sua atenção se concentrava na avó, que contava uma história interessante. A história da família Ukai.

*

No alvorecer da era das peculiaridades, quando o caos das meta-habilidades se alastrou pela Terra, um jovem morador de Hita, cidade de Kyushu, descobriu que conseguia ver através dos olhos de um filhote de cormorão. A ave vivia em um criadouro no qual seria treinada para a prática de pesca, atividade conhecida como ukai.

O jovem era o primeiro de sua família a desenvolver o que, na época, chamavam de anormalidade. Com medo do julgamento, manteve as visões em segredo. Um dia, porém, durante o treinamento dos pássaros, o pescador sofreu um mal súbito. Pelos olhos da ave, o jovem viu o homem resfolegar e empalidecer. Uma mão trêmula esfregou o peito enquanto a outra tentou pegar o celular. Antes de alcançar o aparelho, o homem desmaiou em sua pequena canoa. Sozinho e à deriva, ele morreria sem ter a chance de receber ajuda.

Incapaz de ignorar, o jovem correu para as margens do rio Mikuma e contou para um grupo de pescadores o que havia visto. Assustados com o relato, os homens fugiram gritando: “Ele é um anormal, ele é um anormal!” O jovem continuou a implorar por ajuda, mas ninguém ousava se aproximar dele. Foi então que algo surpreendente aconteceu.

Uma revoada de cormorões se assomou no céu. Formaram uma nuvem de penas negras e produziram um barulho ensurdecedor de grasnados e bater de asas. Com sua peculiaridade, o jovem viu as aves cercarem a canoa, fincarem as patinhas nas bordas e a empurrarem até a margem do rio. Após concluírem o trabalho, os animais se dispersaram. Apenas um ficou para trás e, com inquestionável familiaridade, pousou aos pés do jovem.

O pescador recebeu atendimento médico. O jovem recebeu a temida rejeição da família. O cormorão ficou ao lado dele, lembrando a cada bater de pálpebras que aquele poder maldito poderia ser útil. Poderia salvar vidas.

*

— O que aconteceu depois, obachan?

— Ele mudou seu sobrenome para Ukai, que significa “aquele que sustenta a liberdade”, e passou o resto da vida usando sua peculiaridade para o bem dos outros. Nenhuma geração da nossa família foi célebre ou rica, Tomie. Mas preservamos a história do nosso patriarca como um tesouro. Ele era um homem exemplar.

Tomie ergueu a cabeça do colo da avó e se sentou, um beicinho nos lábios.

— Posso mudar o meu sobrenome, obachan? Quero me chamar Ukai também.

— Takami tem o seu próprio valor, criança.

— Ukai. — A menina saboreou as sílabas. — Gosto desse sobrenome. E gosto do nome dele. Vou batizar meu filho com o mesmo nome.

— Você é jovem demais para pensar em filhos. Além do mais, está presa na sina da nossa família. Minha mãe, eu e sua mãe, todas só concebemos meninas.

— Não me importo. Menina ou menino, meu primeiro filho vai se chamar...

*

啓 (Kei) – “iniciar”, “guiar” ou “deixar ir”.

悟 (Go) – “compreensão”, “despertar” ou “iluminação”.

Keigo.

O guia para o despertar.

*

— Achei que ela estava brincando — disse Towa.

A cena continuou dentro da sala. Avó e neta discutiram se seria ou não adequado uma menina se chamar Keigo. Uma ideia infantil e um tanto idiota. Ainda assim, um peso saiu dos ombros de Hawks. De repente, o principal símbolo da desconexão entre sua mãe e ele se tornou uma história que atravessou gerações. Ele não era apenas um garoto solitário jogado no mundo; era uma peça de um elaborado quebra-cabeças cuja imagem final poderia ser menos terrível do que imaginou.

Família.

— Aonde ela está?

Towa sorriu.

— Ela está no paraíso.

*

Acabana mudou outra vez. Os buracos mal remendados, as manchas de sujeira e as pilhas de lixo desapareceram. O telhado voltou a ser um chapéu de abas largas. A terra engoliu a velha cerca de arame e devolveu a exuberância dos canteiros de flores. As cerejeiras brotaram do chão, cresceram e logo espalharam suas copas largas. As folhas foram do verde para o marrom, depois cederam lugar às flores cor-de-rosa, que se dispersaram na brisa.

Um movimento atraiu o olhar de Hawks de volta para a janela. O vidro era novo e limpo. Através dele, Hawks viu uma versão de sua mãe que nunca conheceu: sem olheiras sob os olhos, sem bochechas encovadas, sem ombros esqueléticos se curvando para dentro de si. Estava no sofá com uma bacia de pipoca no colo. Seu perfil era jovem e bonito; os olhos exibiam um brilho de contentamento ao encarar a televisão.

Obachan—chamou ela, e Hawks se assustou com o volume firme de sua voz —, o filme jávai começar.

Towa se inclinou para a janela.

— Me dê um minuto.

Hawks arregalou os olhos.

— Ela é... real?

— Tão real quanto você e eu — respondeu Towa. —Gosto de pensar no céu como uma casa com vários quartos. Cada porta esconde um paraíso. Ou um inferno. Você escolhe em qual deles vai ficar. — Ela passoua mãopela madeira lisa da parede da cabana. — Tomie e eu escolhemos ficar aqui.

Hawks assistiu sua mãe relaxar contra o sofá. O mais leve dos sorrisos erguia os cantos da boca dela. Felicidade não era um conceito aplicável a Tomie em vida, mas, no céu, poderia ser. Perceber isso pintou um sorriso semelhante no rosto dele.

— Posso falar com ela?

— Não.

O sorriso dele cedeu.

— Esse não é o lugar das conclusões? Tenho coisas para dizer a ela. Coisas importantes.

Pesar dominou a expressão de Towa.

— Esse não é o seu paraíso, Kei... Hawks. Sabe a casa com muitos quartos? No momento, você está vagando pelos corredores. Apenas suas cinco pessoas podem interagir com você. Quando concluir sua jornada, vai encontrar um belo paraíso e esperar a próxima etapa.

— Próxima etapa?

— Você está na primeira. Eu estou na segunda. Depois daqui... bem, vamos ver o que acontece.

Hawks voltou a observar a mãe. Uma necessidade nunca antes sentida plantou nele o desejo de olhá-la nos olhos, tocar suas mãos e descobrir se o laço entre eles ainda tinha salvação. Na impossibilidade, contentou-se em tocar a parede da cabana.

— Você parece bem, mãe — sussurrou. — Que bom.

Uma rachadura surgiu na parede. Hawks saltou para trás. A rachadura se espalhou como o trincar de um lago congelado. Estendeu-se pelo jardim, pelo céu, pela imagem de sua mãe na sala e pela figura de Towa.

— O que está acontecendo?

— Nosso tempo acabou — disse Towa. — Você encontrará sua próxima pessoa.

Sem outro aviso, o mundo se partiu em pedaços.