Notas iniciais
Eaiii povooo!!
Essa é minha tentativa de escrever minha primeira história original... vou estar postando um capítulo novo toda segunda e espero que vocês gostem.
Se quiserem comentar para eu saber o que estão achando, eu agradeço muito, mas o principal é que vocês se divirtam e aproveitem a história rsrs
Até!

E se a sua vida estivesse por um fio? Sem saber pra onde correr, o que fazer, o que você faria? Dizem que quando você esta para morrer, toda sua vida passa na sua cabeça como um filme. No meu caso, comecei a me questionar, POR QUE ISSO ESTA ACONTECENDO COMIGO? Não sou nenhuma pessoa importante, não sou rico ou famoso, não fiz nada de errado pra ninguém... Porém, a vida tem um plano para cada um de nós, e no meu caso, esse plano começa em uma noite chuvosa, acompanhado de uma mulher. O problema é que eu estou de joelhos e ela esta apontando uma COLT 1911 para a minha cabeça. Olho para cima, tentando ver o seu rosto, mas o capuz negro cobre metade do seu rosto, deixando transparecer apenas um sorriso meio desapontado, quando ouço o barulho do gatilho sendo puxado e, após isso, tudo o que resta é o vazio ...

Como isso foi acontecer, eu também não sei, mas vou contar o que me lembro.

Sabe aquele dia que você acorda de mau humor já sabendo que tudo o que você fizer dali pra frente vai dar errado e que não valeria nem a pena levantar da cama? Sim , eu estava parecendo mulher de TPM, com fome, em dia de limpar a casa e lavar a roupa. Acha que estou exagerando? Então vamos lá.

Levanto da cama, ainda com aquele olhar sonolento sem ver quase nada, e bato com o dedinho no pé da cama. Aquela dor que sobe do seu pé, passando pela sua espinha, indo até a parte de trás do seu pescoço, e tudo isso por que bateu uma partetão pequena do seu corpo mas que dói como o diabo te chicoteando. Sento na cama, ainda com dor, respiro e penso que não tem como ficar pior; Pego a toalha que estava jogada ao lado do meu computador e vou pro banho, afinal de contas, é o primeiro dia de aula e diferente de muitos que pensam que depois de dois meses de férias vão voltar a reencontrar os amigos e ter a vida “perfeita” da escola, eu só penso em terminar tudo isso de uma vez. Ligo o registro e fico ali parado, sentindo a agua batendo em minha cabeça e escorrendo por todo meu corpo, perdido em meus pensamentos; Alguns sobre como eu vou fazer pra continuar sendo “invisível na escola” e outros sobre todos os jogos que eu comprei e ainda tenho que zerar...

Lembra que eu disse que deveria ter ficado na cama? Ai vai o segundo motivo. No meio do banho, eu começo a sentir um cheiro de queimado. Saio de debaixo do chuveiro, mal dando tempo de virar para vê-lo pipocando e saindo fumaça de dentro. Resistência do chuveiro queimada. Meu estado? Cheio de sabão por que fiquei no mundo da lua ao invés de tomar banho como uma pessoa normal.

Como nada na minha vida patética é normal, eu nem esquento mais a cabeça com isso, apenas saio do banheiro passando a toalha, tirando o sabão e vejo as horas no celular que,para a minha surpresa, sim, estou atrasado (novidade). Pego o uniforme que estava em cima da minha cama todo embolado, composto de uma blusa social branca com o emblema da escola no peito esquerdo e uma calça preta, me visto com toda pressa e desço as escadas pulando com um pé só por que tenho que calçar os sapatos. Vou correndo para a cozinha e vejo que o idiota aqui esqueceu de fazer algo pra comer de manhã...

Vamos relembrar o meu ótimo dia ate agora? Com sono por que fui dormir tarde jogando um novo MMORPG, sem o dedinho do pé direito, que perdi no pé da cama, chuveiro queimado e com fome. Dia perfeito,não? Já que esta tudo na merda mesmo, só pego a minha mochila que eu deixei no sofá da sala e vou em direção a porta para finalmente pegar o caminho da escola.

Do lado de fora mal consigo abrir os olhos por causa do sol (aquele efeito dos nerds que passar a vida inteira no escuro só jogando e quando saem de casa, os olhos doem por causa da luz). Bem isso que esta acontecendo comigo agora, mas consigo ver a silhueta de uma pessoaparada em frente a minha casa:

— Atrasado de novo, Lucas. Seeu eu não venho na sua casa todos os dias te buscar, você já teria desistido da escola...

Quando meus olhos finalmente se acostumam com a claridade, percebo o Daniel, meu melhor e único amigo, parado com os braços cruzados em uma pose de desaprovação me olhando como se fosse comer a minha alma:

— Foi mal- olho para baixo tentando pensar em alguma desculpa- é que...

— Sem desculpas! – sou interrompido por ele, já avançando em minha direção pra me dar um tapa na cabeça e me arrastar pra escola. – vamos logo. Já estamos muito atrasados.

Como já não tenho mais os meus pais e moro sozinho, o Daniel tem sido meu pai e meu irmão ao mesmo tempo. Ele é quem pega no meu pé, me ajuda e tenta fazer de mim uma pessoa responsável.

Eu nunca conheci meu pai. Já minha mãe... Bem, eu lembro do rosto da minha mãe, dos seus olhos azuis que era as coisas mais belas que eu já vi nesse mundo, mas não consigo me lembrar o que aconteceu com ela. Lembro de uma noite estrelada. Nosso carro capotado ao meu lado, pegando fogo, e uma pessoa encapuzada, vestida com um manto negro, à segurando pelo pescoço apenas utilizando o braço esquerdo. Suas mãos pareciam presas de um animal selvagem após capturar sua vítima; Não soltava de maneira nenhuma. A facilidade com que ele conduzia o corpo era assustadora, parecia que ela não pesava nada!!!

Ele caminhava lentamente, arrastando o seu corpo pelo chão e vindo em minha direção com o braço direito erguido para frente, em um gesto que parecia tentar alcançar alguma coisa, cada vez mais perto. Eu estava caído, sentado no chão em estado de choque vendo tudo aquilo. Minha mãe ali, coberta de sangue sendo arrastada como uma boneca sem vida e aquela criatura se aproximando, seus dedos finos perto do meu olho como se quisesse tira-lo de mim, fazendopressão nas laterais do meu globo ocular para tira-lo como uma garra.

Meu coração acelera e eu não sei o que fazer estou prestes a gritar quando me dou conta que estou deitado em uma cama de hospital, suando muito, com o coração acelerado, uma agulha levando algo que provavelmente é soro para as minhas veias. Como vim parar aqui? Minhas roupas sumiram, não tenho nenhum ferimento nem sangue pelo meu corpo. Será que tudo não passou de um sonho? Tudo o que sinto é uma dor forte vinda do meu olho direito que está no lugar correto. A porta do quarto em que eu estou se abre e um médico entra:

— Como você está se sentindo? -Ele olha para a prancheta em sua mão, procurando pelo meu nome- LucasOhara, estou correto?

Apenas aceno com a cabeça que sim, sem dizer nenhuma palavra. Estou com tantas questões na minha cabeça. Onde estou? Como vim parar aqui? Onde está a minha mãe? E o outro cara? Porém guardo-as para mim mesmo enquanto o doutor continua a falar:

— Aparentemente você esta apenas com alguns hematomas pelo corpo e milagrosamente nenhuma fratura ou lesão mais grave. Você se lembra do que aconteceu?

Faço que não com a cabeça, novamente sem emitir um único ruído e pensando se tudo aquilo que aconteceu, realmente não passou de um pesadelo.

— Sinto informar que sua mãe faleceu. Vocês estavam a bordo de um veículo em alta velocidade. Ela perdeu o controle e o carro acabou capotando. – Vejo nos olhos dele que está escondendo alguma coisa — Sinto muito pela sua perda.

Naquele momento, tudo o que eu sentia era um misto de medo e confusão. Eu tinha certeza que aquele sonho tinha sido real, mas quem acreditaria em mim? Diriam que eu estava louco, me internariam e tudo apenas pioraria, então resolvi guardar só pra mim.

Depois disso tudo, tive que voltar para a minha casa; Agora, um garoto de 16 anos, totalmente sozinho. Uma casa sem vida, onde passo a maior parte do meu tempo, praticamente, trancado no quarto. Não saía, não me divertia, até que no ano passado, o Daniel apareceu do nada e grudou em mim. Se tornou um irmão e vem me animando desde então.

Ele é o aluno modelo da escola. Um aluno alto, mesmo com o uniforme da escola consegue ficar bonito, seu cabelo comprido para um homem. Aquele tipo de garoto que todas as garotas querem, tira sempre as maiores notas sem nem se esforçar, o melhor nos esportes; é praticamente o aluno perfeito. Ainda me pergunto por que ele anda comigo, ao invés de andar com os populares da escola.

— Acha bonito dormir na aula né seu vagabundo?- Acordo e dou um pulo pra trás com o susto do tapa que o meu melhor amigo deu na minha cabeça- Ainda é a primeira aula e você já esta dormindo!!

— Ninguém merece. Ainda é a aula de Português dessa velha chata?

— Olha o respeito!!- e lá vem outro tapa- Ela deu um intervalo de 5 minutos. Você não presta atenção na aula nem em nada, por isso sempre passa de raspão nas matérias. Tanto potencial e fica aqui dormindo.

Tarde demais. Mal escuto o resto do sermão do Daniel,pois já coloquei os meus fones e aumentei o volume do system of a down até não ouvir mais ninguém; visto a minha blusa de frio azul, coloco o capuz e começo a observar a sala e pensar um pouco enquanto a professora volta para a sala e continua sua matéria.

Fico observando a divisão da sala. Acho que toda escola tem suas divisões: Os populares, com suas belezas e o desprezo por todos os outros estampados na testa. Os nerds, com o rosto enfiado no caderno copiando cada palavra que a professora fala, as pessoas normais, algumas viajando em seus pensamentos, outras tentando prestar atenção na aula, outras conversando entre si. E eu? Infelizmente não me encaixo em grupo nenhum, então apenas continuo ouvindo minhas músicas e sendo um ser “invisível”.

Meu dia todo é assim, até que finalmente da 16h o sinal da saída resolve tocar e o momento mais feliz do meu dia começa: A hora de voltar pra casa, me trancar no quarto e virar a noite jogando no computador.

— Vai ir pra casa, ou vai continuar dormindo na escola, como você faz durante as aulas? – e lá vem o meu amigo de novo, tirando meus fones- Não sabia que você curtia system

— É uma boa banda. Me ajuda a não ouvir nada dessa escola chata- respondo já me levantando, pegando minha mochila, que eu não abri durante todo o dia e indo em direção a saída da classe.

— Vamos ir juntos pra casa?

— Hoje não. Tenho que passar no mercado pra comprar comida (no caso, um monte de besteira).- começo a contar o dinheiro que eu ganho por causa de uma bolsa da escola.

— Tudo bem, amanhã nos vemos na escola então. – ele lança um olhar meio triste e preocupado, mas eu relevo, pensando que é apenas pelo fato de não irmos para casa juntos, porém ele sabia muito mais...

Dou de ombros, recoloco meus fones e começo o caminho para o mercado para comprar muita besteira pra comer, por que com toda a certeza eu virarei a noite jogando o novo mmorpg lançado hoje de madrugada chamado The World. Eu já havia deixado baixando em casa para que quando eu chegasse, apenas sentaria na frente do computador,iria abrir uma lata de Pringles e começava minha nova aventura.

As vezes me sinto mais vivo dentro do mundo dos jogos do que no próprio mundo real. Lá pelo menos eu sou alguém, um mundo onde as pessoas me reconhecem, gostam de mim e querem estar ao meu lado, mesmo que por interesse, enquanto no mundo real, eu sou um nada.

Chego no mercado, encho a cestinha com bolinhos de chocolate, salgadinhos, duas lasanhas de micro-ondas , um galão de refrigerante de 3L e lá no fundo da loja, encontro a minha preciosa Pringles. Vou para o balcão e pago as contas e vejo que tudo esta indo bem, que aquela maré ruim de hoje de manhã havia acabado, porém quando olho em um dos bolsos da minha calça, percebo que não encontro a chave da minha casa; corrigindo, a ÚNICA chave da minha casa. Na mesma hora me vem na cabeça a imagem dela em cima da mesa, dentro da escola.

— Comemorei muito cedo. Tinha que acontecer algo pra estragar tudo- falo comigo mesmo já irritado por que terei que voltar todo o caminho.

Corro o mais rápido que consigo, já que as sacolas do supermercado ficam batendo nas minhas pernas, atrapalhando meus movimentos, torcendo para a escola ainda se encontrar aberta. Sinto uma gota cair na minha mão, olho para cima e me deparo com nuvens totalmente negras, pesadas e carregadas:

— Tá de sacanagem com a minha cara, né?- aquela pequena veia na testa começa a pulsar, transparecendo o ódio que estou sentindo- Tudo de ruim já acontecendo e agora isso?

Naquele exato momento, um raio corta o céu e atinge o para- raio preso ao topo de um arranha- céu, então, por um reflexo involuntário, rapidamente abaixo a cabeça após o susto que levei com o estrondoso trovão; só então percebo que deixei algo escapar. Havia uma figura em cima do edifício, algo que fez com que todos os pelos do meu corpo se arrepiassem e minhas pernas travarem, me fazendo parar de correr naquele exato momento.

Fico com medo de olhar novamente e confirmar que lá está a mesma figura de manto e capuz preto, olhando para mim. O mesmo ser que eu via segurando minha mãe pelo pescoço em minhas lembranças e que em seguida vinha em minha direção para retirar meu olho e, por fim, provavelmente me matar. Meu coração acelerado quase saltando para fora do meu corpome tornando imóvel por uns 10 segundos, que para mim pareceram anos, até o momento em que uma gota de suor frio escorre pela minha testa, crio coragem e ergo minha cabeça.

Nada.

— Será que foi só minha imaginação? — retruco- deve ser isso mesmo. Ando muito estressado e começando a ver coisas

Porém, aquilo não saia da minha cabeça e um resquício de medo permanecia em mim, mas mesmo com tudo isso chegueina escola e ao mesmo tempo, a chuva desaba. O portão principal está aberto, entretanto tudo está escuro, por exceção da minha sala que emanava uma luz fraca de seu interior.

Aquela sensação de pavor volta a aparecer, crescendo gradualmente a medida que me aproximo do local, mas logo é substituída por um suspiro de alívio ao ver que era apenas uma lanterna que o zelador deve ter esquecido. Vou para a minha mesa e facilmente encontro o molho de chaves:

— Finalmente vou ir para casa, jogar muito a noite toda e esquecer toda essa loucura.

Coloco a chave no bolso e sigo meu caminho, dessa vez em direção ao meu lar. Não ligo para chuva, apenas quero chegar logo. Todavia, mesmo com tudo caminhando nos eixos, um formigamento me deixa inquieto e com um pouco de medo. Cogito estar ficando paranoico e dou risada de mim mesmo, quando sou envolto por uma dor insuportável vinda do lado esquerdo do meu rosto. Minhas sacolas voam das minhas mãos etodo meu corpo é arremessado em movimento giratório para um beco paralelo a rua em que estava, e antes de bater com as costas no chão e ralar todo o meu braço direito no asfalto, consigo ver o assassino de minha mãe, com as mesmas roupas arrumando o corpo após um chute perfeito.

Um golpe e eu vim parar tão longe? Passo a mão na minha boca que esta com um gosto estranho e vejo que esse gosto é do meu próprio sangue. Meu corpo não move. Estou petrificado de medo perante aquela figura fantasmagórica. O meu pior pesadelo se tornando realidade. Tudo o que eu achava ter sido fruto do meu pensamento é confirmado naquele instante e eu tinha certeza que do mesmo modo que a minha mãe, eu também iria morrer nas mãos dele.

Meu medo é enorme. Lágrimas escorrem do meu rosto, pressentindo que era o meu fim e que minha hora havia chegado, mesmo assim, tento arrumar meu corpo dolorido e levantar. Péssima ideia. Estou tão fraco que não aguento meu próprio peso e tudo que consigo fazer é ficar de joelho, torcendo por uma morte rápida e indolor.

Consigo ver a pessoa se aproximando lentamente, abrindo o manto, exibindo duas pistolas semiautomáticas. Ele tira uma delas do coldre, aponta para a minha cabeça e engatilha. Tento pelo menos ver o rosto do meu assassino, no entanto, tudo que vejo é um sorriso meio desapontado.

Abaixo a cabeça e ouço o barulho do gatilho sendo puxado, fecho os olhos bem apertados. O vazio.

Eu queria que tudo terminasse ai. Não tinha nada a perder mesmo, poderia morrer que ninguém nem sentiria minha falta. Só que uma coisa me incomoda. Eu vou mesmo morrer como um zé ninguém? Sem nem ao menos conseguir me defender? SEM NEM TENTAR?

O medo é substituído por completo ódio. Raiva de não conseguir fazer nada, de ser um fantasma para todos e de ser fraco. Se eu tivesse forças, minha mãe não teria sido morta. Esse merda que esta à minha frente é o culpado por tudo isso e eu vou me vingar.

Meu corpo se move sozinho. Uma sensação de queimação no meu olho direito, então, abro meus olhos, levanto a minha cabeça e me assusto. Tudo se move em câmera lenta e eu consigo ver claramente a bala saindo do cano da arma e vindo para a minha testa. Tento mexer meu corpo, mas ele se move tão lento quanto a bala, felizmente isso é o suficiente para desviar parcialmente. O projétil raspa na minha bochecha, queimando e com a dor, fecho o olho direito e tudo volta a se mover rápido.

O assassino parece assustado com o que acabou de acontecer, mais do que eu, no entanto, ele ainda move a mão para apontar a arma para mim. Não sei de onde veio essa força mas esqueço a dor no rosto abro o olho e tudo volta a se mover em câmera lenta. Apoio as duas mãos no chão e giro meu corpo com a perna esquerda esticada, acertando a arma na mão dele. Aproveitando o movimento do meu corpo, lanço minha outra perna por cima e acerto o rosto, ficando apenas com uma das mãos no chão e a outra no ar acompanhando o resto dos meus membros. Consigo ver cada detalhe. A arma sendo jogada para longe, o meu pé passando e levando consigo o capuz que rasgou e ficou preso no meu sapato, revelando um rosto angelical de uma menina que aparentava ter 17 anos como eu.

Olhos verdes como esmeraldas, cabelo preto e comprido liso e uma pele clara e sem nenhuma imperfeição. Seus lábios se movem e eu consigo entender ela falando “parabéns” e dando um sorriso, quando o meu corpo sente uma dor como se uma corrente elétrica passasse por tudo; fecho os olhos pela sensação e quando abro, ela já não se encontra lá e tudo voltou a se mover normalmente.

As minhas forças já estavam esgotadas e a dor volta a tomar conta, então apago ali mesmo em um beco com a chuva caindo sobre mim.

Acordo pulando da cama. Calma, como vim parar na minha cama? Vou até o banheiro, tropeçando no lençol, olho no espelho e vejo um band-aid na minha bochecha. Meus braços e minha barriga estão com curativos e enfaixados e a dor praticamente sumiu. COMO DIABOS TUDO ISSO ACONTECEU? Calma, O QUE ACONTECEU ONTEM?

Olho no celular e percebo que se passaram 3 dias. EU DORMI POR TRÊS DIAS!!!!Me arrumo mais rápido que tudo e corro para o colégio, pensando em falar de tudo isso com Daniel. Ele é inteligente e vai me dar uma explicação plausível pra tudo que vem acontecendo. Estou tão focado nisso que mal vejo um Honda Civic 2010 vindo em minha direção; novamentea queimação e tudo fica em câmera lenta, eu vejo cada detalhe de tudo a minha volta e consigo pular para frente, rolando e desviando do carro. Tudo volta a se mover normalmente:

— Eu estou louco!! Estou completamente louco!!- e continuo correndo para a escola.

Chego, novamente atrasado, abro a porta:

— Atrasado senhor Ohara- o professor de matemática fala, continuando a escrever na lousa, sem nem se dar ao trabalho de olhar para mim- sente-se aqui na frente. A aluna nova sentou no seu lugar.

— Aluna nova? — mal acredito em quem vejo, quando olho para o meu lugar e uma fúria misturada com pavor envolveu meu corpo.