Notas iniciais
S2

Já haviam se passado dois dias desde que eu soube que eu vou morrer (ou não) antes, Já havia passado o casamento de Vanessa foi assim:

Havia a levíssima embriaguez de andarem juntos, a alegria como quando se sente a garganta um pouco seca e se vê que por admiração se estava de boca entreaberta: eles respiravam de antemão o ar que estava à frente, e ter esta sede era a própria água deles.
Andavam pelo altar sem tirar os olhos um do outro, eles podiam estar mudos, mas seus olhares já diziam tudo. O tempo podia estar húmido, mas as lágrimas de seus olhos que escorriam nas suas bochechas molhavam seus lábios imóveis, deixando-os molhados.

Depois de um longo discurso que o padre fazia antes de casa-los, chegou a hora dos votos, primeiro foi Stuart, e logo depois foi à vez de Vanessa, então Stuart abriu um papel que estava no bolso da cartola e começou a ler:

“Vida
É o amor existencial.
Razão
É o amor que pondera.
Estudo
É o amor que analisa.
Ciência
É o amor que investiga.
Filosofia
É o amor que pensa.
Religião
É o amor que busca a Deus.
Verdade
É o amor que eterniza.
Ideal
É o amor que se eleva.
Fé
É o amor que transcende.
Esperança
É o amor que sonha.
Caridade
É o amor que auxilia.
Fraternidade
É o amor que se expande.
Sacrifício
É o amor que se esforça.
Renúncia
É o amor que depura.
Simpatia
É o amor que sorri.
Trabalho
É o amor que constrói.
Indiferença
É o amor que se esconde.
Desespero
É o amor que se desgoverna.
Paixão
É o amor que se desequilibra.
Ciúme
É o amor que se desvaira.
Orgulho
É o amor que enlouquece.
Sensualismo
É o amor que se envenena.
Finalmente, o ódio, que julgas ser a antítese do amor, não é senão o próprio amor que adoeceu gravemente.*”

Quando Stuart terminou, guardou o papel novamente o papel que estava no bolço, então, na vez de Vanessa, ela também pegou um papel que se encontrava no bolço e então fez o mesmo e começou a ler:

“Mulheres que amam de menos...

Eu quero dar meu depoimento. Creio ter um problema. Se mulheres que amam demais são aquelas que sufocam seus parceiros, que não confiam neles, que investigam cada passo que eles dão e que não conseguem pensar em mais nada a não ser em fantasiosas traições, então eu preciso admitir: sou uma mulher que ama de menos.

Eu nunca abri a caixa de mensagens do celular do meu marido.

Eu nunca abri um papel que estivesse em sua carteira.

Eu nunca fico irritada se uma colega de trabalho telefona pra ele.

Eu não escuto a conversa dele na extensão.

Eu não controlo o tanque de gasolina do carro dele para saber se ele andou muito ou pouco.

Eu não me importo quando ele acha outra mulher bonita, desde que ela seja realmente bonita. Se não for, é porque ele tem mau gosto.

Eu não me sinto insegura se ele não me faz declarações de amor a toda hora.

Eu não azucrino a vida dele.

Segundo o que tenho visto por aí, meu diagnóstico é lamentável: eu o amo pouco. Será?

Obsessão e descontrole são doenças sérias e merecem respeito e tratamento, mas batizar isso de ‘amar demais’ é uma romantização e um desserviço às mulheres e aos homens. Fica implícito que amar tem medida, que amar tem limite, quando na verdade amar nunca é demais. O que existe são mulheres e homens que têm baixa auto-estima, que tem níveis exagerados de insegurança e que não sabem a diferença entre amor e possessão. E tem aqueles que são apenas ciumentos e desconfiados, tornando-se chatos demais.

Mas se todo mundo concorda que uma patologia pode ser batizada de ‘amor demais’, então eu vou fundar As Mulheres que Amam De Menos, porque, pelo visto, quem é calma, quem não invade a privacidade do outro e quem confia na pessoa que escolheu pra viver também está doente.**”

Quando Vanessa havia acabado, eu podia ouvir pelo menos vinte e quatro pessoas chorando e limpando as lágrimas com os lencinhos que as pessoas entregavam para as que estavam chorando.

O padre, logo depois que Vanessa guardou o papel, continuou a falar:

– Eu Stuart Baker, recebo-te por minha esposa a ti Vanessa Voyl, e prometo ser-te fiel, amar-te e respeitar-te, na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, todos os dias da nossa vida.

Vanessa continua:

–Eu Vanessa Voyl, recebo-te por meu esposo a ti Stuart Baker, e prometo ser-te fiel, amar-te e respeitar-te, na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, todos os dias da nossa vida.

E o resto você já deve saber, os dois se casam e depois tem a festa do casamento, ficamos na festa, eu fiquei sentada, meio tristinha por causa da má notícia, várias vezes, os noivos me chamaram para dançar, mas em todas às vezes eu negava, sem dar satisfações. E a noite terminou assim, eu fiquei sem fazer nada, até a hora de ir embora, mas no dia seguinte eu tive uma linda e mágica surpresa que iam havia feito para mim:

Eu não fazia ideia do que ia acontecer naquele dia, mas, como dizem, tudo é possível. Pedro havia feito outra surpresa para mim, mas desta vez, ele não me levou para a praia, mas sim para um parque aonde havia coisas para fazer um piquenique e um lugar aonde dava para ver o pôr-do-sol perfeitamente, ele me levou para lá com a mesma faixa com que me levou para a praia, aonde me pediu em casamento! Primeiro, ele fez um suspense, para depois me pedir em casamento, antes do pedido, ele ficou me distraindo para não pensar na notícia de alguns dias atrás, e ele conseguiu, por incrível que pareça, sim, ele conseguiu. Mas no final do dia, exatamente quando o sol estava se pondo e ele me pediu em casamento, ele me disse que ele convenceu a inspetora dizendo que eu iria morrer, mas antes de morrer, eu queria me casar com ele, e ele conseguiu convence-la, ou seja, eu vou me casar, amanhã...

Por isso, essa noite, eu fui a um bar para ter uma despedida de solteira incrível, eu me diverti a noite inteira, e até me esqueci do meu talvez futuro e triste destino. Ah, o Pedro faz tudo para que eu seja feliz.

Notas finais
S2