O nosso novo Capítulo (Turma da Mônica Jovem)

1 Capítulo 1 - Nada fora do Normal..


Naquele dia eram exatamente sete da manhã, o céu da rua ainda estava pálido e um pouco rosado, mas claro o suficiente para leves raios de sol conseguirem atravessar os espaços semi abertos dos estores da janela do quarto .

Fazendo com que Mônica acordasse do seu sono profundo.Não era conhecida por ser uma pessoa muito matutina, era até que bem rabugenta ao ser acordada antes da hora que desejava.

Não tinha nenhum motivo para acordar naquele horário, especialmente num domingo logo no seu dia de folga que podia dormir até mais tarde, além de que os raios de sol nem incomodavam. Era outra coisa que a incomodava. Um sentimento, uma sensação que ela não conseguia explicar, simplesmente não a deixava voltar a dormir.

Após suas tentativas completamente em vão de voltar a adormecer, Mônica não vê outro remédio senão se levantar e começar logo seu dia. Se espreguiça e aos poucos tenta se levantar digo “tentar” pois um braço que a segurava pela cintura a impedia de ficar

completamente sentada na cama, Mônica olha para o lado e se depara com Cebola — agora, seu marido — ainda profundamente adormecido, com o braço firmemente envolta em seu quadril.

-Cê…-chama sua esposa, enquanto o sacode levemente na tentativa de acordá-lo.

Bom, funcionou, Cebola começa a abrir os olhos lentamente, ainda claramente sonolento. piscou algumas vezes, tentando enxergar Mônica ao seu lado. — hmmn.. que horas são..?. — murmurou com a voz roca

Mônica pegou no relógio para mostrar -Sete e meia.

-Sete e meia?! — Arregalou os olhos por um instante, antes de afundar a cabeça no travesseiro — Mônica, é domingo…

-É.. eu sei.

-Então volta a dormir.

-Eu não consigo.

Cebola levantou ligeiramente a cabeça e a encarou, ainda com os olhos semicerrados.

-E por que não?

Mônica ficou em silêncio por alguns segundos.

- Não sei.

Ele a observou por mais um instante, como se esperasse que ela acrescentasse alguma coisa

-Isso foi bastante útil — resmungou.

- Eu tambem queria saber o motivo, é que.. sei lá, não consigo voltar a dormir!

Um pequeno sorriso surge no rosto de Cebola.

-então temos um mistério para resolver logo de manhã?

-Bom.. parece que sim

- Ótimo — ele volta a se deitar — resolvemos isso depois do café.

- Cebola!

- Que foi? eu tô cansado

Depois de alguns minutos, Cebola decide finalmente se levantar e os dois finalmente vão em direção a cozinha.

Cebola ainda parecia funcionar apenas a base de sono enquanto Mônica abre a geladeira, procurando alguma coisa para comer

Mônica fica alguns segundos olhando para dentro, como se procurasse alguma coisa muito específica depois pegou num numa embalagem de salsichas e num danoninho.

Cebola que estava sentado na mesa franziu a testa

-Mônica..

-Oi?

- O que você tá fazendo?

-Meu café da manhã ora

-Isso ou tô vendo, eu quero é saber por que salsicha e danoninho

Mônica olhou para ele como se fosse uma pergunta completamente desnecessária

-Parecia ser uma combinação boa, para variar um pouquinho

-Tá falando sério

-Por que não estaria?

Ela espeta a salsicha num garfo e mergulha no danoninho.Cebola ficou a encarando a cena por alguns segundo com uma expressão de puro horror

-Olha.. eu te amo mas isso é criminoso amor.

- Ah, para de drama — Depois deu uma mordida

Cebola a continuava encarando, incrédulo.

-E então?

Mônica Mastigava tranquilamente — Hmmm isso tá bom.

-Bom?!

-Muito bom na verdade!

-Definitivamente aconteceu alguma coisa com você durante a noite.

Depois de Cebola também terminar de comer seu café da manhã “decente” por suas palavras, -uma torrada com ovo mexido -, os dois se arrumam para finalmente começar o dia.

Depois de terminarem de se arrumar, Mônica pega em seu casaco e bolsa enquanto Cebola procurava as chaves da casa.

- Já que estamos de folga,que tal sair?

-Sair para onde?- Pergunta Cebola a encarando após achar as chaves.

-Ao supermercado. Precisamos fazer algumas compras para casa.

-No nosso dia de folga?

-Prefere ficar em casa o dia inteiro?

Ele pensou por alguns segundos.

-.. Ao supermercado então, mas depois a gente vê um filme tá bom?

-Fechado- disse dando um sorriso e em seguida um beijinho.

Pouco depois, os dois saíram de casa, sem imaginar que aquela simples ida ao supermercado acabaria por tornar o dia um pouco mais estranho do que esperavam.

(...)

O casal já havia chegado ao mercado,Cebola pegou um carrinho enquanto Mônica tirava a pequena lista de compras da bolsa.

— Temos que comprar algumas coisas para casa — disse Mônica, analisando a lista.

No início, tudo corria normalmente. Pegaram arroz, massa, leite, pão e algumas outras coisas que estavam na lista

Até que Mônica parou em frente a uma prateleira.

Cebola, que estava distraído conferindo a lista, quase bateu com o carrinho nela.

-Ei! — reclamou.

-Desculpa amor, mas espera um pouquinho- Mônica ficou olhando para os produtos por alguns segundos.

-O que foi?

- Quero isso.- disse curto e direto como se estivesse hipnotizada apontando para uma caixa de cereais.

Cebola olhou para a caixa e depois para ela

-você nem gosta desses.

-Agora eu gosto.

- Desde quando?

-Desde agora.

- Aham, claro.

Mônica pegou a caixa e colocou no carrinho.

Cebola apenas balançou a cabeça.

Continuaram andando pelo supermercado, até chegarem à parte dos frios e carnes.Assim que passaram pelo corredor, Mônica parou novamente.Seu rosto mudou.

Ela levou discretamente a mão ao nariz e respirou pela boca.

-Mônica?

- Eu estou bem.

Cebola franziu a testa.

- Eu nem perguntei nada.

- Mas ia perguntar.

- ia mesmo.

Ela tentou ignorá-lo e continuou andando, mas o cheiro parecia incomodá-la cada vez mais.

- Vamos para outro corredor.

- Por quê?

- Porque eu quero.

Cebola olhou para ela por alguns segundos, claramente desconfiado, mas acabou seguindo ao lado dela.

- Você está estranha hoje viu

- Eu estou normal.

- Normal? Você acabou de fugir do corredor de carne!

- É porque estava um cheiro ruim

- E dês de quando você se importa com isso?

Mônica abriu a boca para falar mas acabou por ficar em silêncio. Depois disso Cebola decidiu não insistir

Alguns minutos depois, Mônica viu uma prateleira de docinhos e seus olhos foram automaticamente para os pacotes de danoninho.

-Nem pense nisso.-Cebola percebeu

- O quê?- ficou meio sem graça após ser pega babando para o doce

-Você já comeu isso hoje, com SALSICHA.

- e daí?

- E daí que você nem gostava assim tanto de danone

Mônica pegou a embalagem e colocou no carrinho.

-Talvez eu esteja descobrindo novos gostos.

-Cebola soltou uma pequena risada.

- Isso está ficando cada vez mais estranho.

- Para de reclamar.

Eu não estou reclamando. Só estou tentando entender o que aconteceu com a minha mulher durante a noite.

Mônica deu um pequeno sorriso, mas não respondeu.

Os dois continuaram fazendo as compras, entre pequenas discussões e comentários bobos, como sempre.

No fim, Cebola conferiu a lista mais uma vez.

-Acho que pegamos tudo.

- Finalmente.

- Só falta pagar.

- Então vamos.

Enquanto caminhavam até os caixas, Cebola olhou de cantopara Mônica.

Ela parecia distraída com os pensamentos longe dali. Por alguma razão, aquela sensação estranha voltou.Havia alguma coisa acontecendo.

Ele só não fazia ideia do quê.

(...)

No caminho de volta a casa, Mônica permaneceu mas quieta do o normal, depois de alguns minutos soltou um suspiro e disse:

-Cê..

-Hm?

-Me desculpa pelo jeito que estava a agir no supermercado

Cebola a olha rapidamente

-É que.. sei que estava meio estranha.. minha mudança de humor, reclamando dos cheiros, peguei umas coisas que nem costumo comer.. Eu não sei o que deu em mim hoje!. Parece que voltei a ser aquela menina de 7 anos...

Cebola deu uma leve risada.

-Eu já estava achando que você tinha sido substituída por um alienígena durante a noite.

-Eu tô falando sério bobão!

-Eu também!

A careta de mônica logo virou um sorriso

-Só... não sei. Estou me sentindo diferente hoje.

-Talvez esteja só cansada.-Mônica murmurou.

Cebola ficou pensativo por alguns segundos, levando a mão ao queixo.

- Ou talvez…

Mônica olhou para ele desconfiada

Ele teve que segurar o riso para continuar.-Talvez você esteja entrando na menopausa!

Mônica ficou em silêncio por alguns segundos, encarando-o.

-...Você acabou de me chamar de velha?

- Eu não disse isso!

- Foi exatamente isso que você disse!

- Eu só estava tentando encontrar uma explicação!

- Cebola!

Ele começou a rir enquanto Mônica lhe dava um pequeno empurrão no braço.

- Era brincadeira, Mô!

- Muito engraçado.

-Você tem que admitir que foi uma boa teoria.

- Foi a pior teoria que você já teve.

Cebola continuou rindo, enquanto Mônica cruzava os braços, fingindo estar irritada.

Mônica tentou manter a expressão séria, mas não conseguiu segurar a risada por muito tempo.

-você é impossível... — disse, rindo.

Cebola sorriu, satisfeito consigo mesmo.

- Mas consegui fazer você rir.

- Infelizmente.

Os dois trocaram um olhar e, por alguns segundos, esqueceram completamente da discussão. Cebola se aproximou e os dois se beijaram, quase por impulso, o beijo começando a ficar intenso, e o ar fresco do outono começou a ficar quente..

Quando se afastaram, Mônica olhou ao redor.

- Cê...

- O quê?

-Estamos no meio da rua.- disse

-Cebola também olhou em volta e percebeu algumas pessoas passando por eles

- Ah.

Começaram a rir novamente.

- Acho que aqui não é exatamente o melhor lugar.

- Concordo.

Os dois continuaram andando lado a lado, ainda sorrindo pela situação.

(...)

Quando chegaram a casa os dois guardam as compras.- finalmente terminamos — disse Mônica se deixando cair no sofá, estava se sentindo cansada, mesmo não tendo andado muito, o mercado ficava bem perto da casa.

Cebola vai em sua direção e se senta ao lado dela.

-Então.. que filmes vamos ver?

-Qualquer coisa que não seja de terror, o último que a gente era muito violento!

-Mas, foi bem engraçado te ver tomando susto- disse com um sorriso maroto que logo sumiu ao ver a carranca que Mônica lhe fazia.

-Que tal eu escolher o filme desta vez?

-Por mim pode ser, só não vai ser tão legal quanto o que eu escolho…- disse a última parte cochichando.

Mônica pegou no comando e começou a procurar alguma coisa para assistir. Depois de alguns minutos, finalmente encontrou um filme que parecia interessante.

Os dois se acomodaram no sofá e começaram a assistir.

No início, Mônica estava completamente concentrada na história. Comentava algumas cenas, fazia pequenas observações e até ria das partes engraçadas.

Mas, conforme o filme avançava, seus comentários foram ficando cada vez mais espaçados.

Cebola percebeu que ela já não estava tão atenta quanto antes.

— Está com sono? — perguntou.

-Não... -respondeu Mônica, embora tivesse bocejando logo depois.

Cebola soltou uma pequena risada.

- Claro que não.-insistiu

- Estou prestando atenção..

- Aham.

Mônica tentou manter os olhos na televisão, mas as pálpebras começavam a pesar.

Pouco a pouco, foi se aproximando dele até acabar apoiando a cabeça em seu ombro.

Cebola olhou para ela de relance.

-Mônica?

Nenhuma resposta.

Ele sorriu de leve ao perceber que ela já tinha adormecido.

Sem querer acordá-la, Cebola ajeitou-se no sofá para que ela ficasse mais confortável e voltou a olhar para a televisão.

Aquela manhã voltou à sua cabeça.

O jeito estranho como Mônica tinha acordado. Os enjoos. A comida que normalmente nunca escolheria. E agora aquele cansaço repentino.

Talvez fosse apenas coincidência.

Provavelmente era.

Ainda assim, não conseguia deixar de pensar que havia alguma coisa diferente naquele dia.Tentou deixar esse pensamentos de lado e voltou a focar-se no filme.

Quando o filme finalmente terminou, Mônica acorda

-Acabou? — perguntou, ainda sonolenta.

- Há uns dez minutos .

Mônica levantou a cabeça do ombro dele e olhou para a televisão.

-Você podia ter me acordado.

- Você estava dormindo tão tranquilamente que não tive coragem.

- Que bonzinho.

- Eu sei.

O resto do dia passou tranquilamente depois do filme, os dois prepararam o jantar, conversaram sobre coisas aleatórias ate chegar a hora de ir dormir. por algumas horas,Mônica conseguiu esquecer aquela sensação estranha que a acompanhava desde a manhã.

Até que chegou a hora de dormir.

Os dois se prepararam para o dia seguinte. Cebola ia para o escritório da sua empresa, enquanto Mônica ficaria em casa, aproveitando o último dia de folga.

- Boa noite Mô — disse Cebola, já deitado.

- Boa noite Cê

mônica apagou a luz e deitou-se ao lado dele.

Porém, mesmo com o quarto em silêncio, sua cabeça continuava cheia de pensamentos.

Ela voltou a lembrar de tudo.

O enjoo.

A comida estranha.

O cansaço.

Aquela sensação que não a abandonava.

Tudo só poderia significar que Mônica estava..não

-Não pode ser- pensou para si mesma

Mas quanto mais tentava afastar aquela possibilidade, mais difícil ficava ignorar

Talvez estivesse apenas imaginando coisas

Talvez fosse coincidencia.

Mas só havia uma maneira de descobrir

Mônica virou-se para o lado e olhou para Cebola, que já dormia

Ela respirou fundo.

Amanhã, enquanto ele estivesse no trabalho, iria até à farmácia.

Compraria um teste de gravidez.

e finalmente, descobriria se todos aqueles sinais eram apenas coincidência.

...ou se a vida dos dois estava prestes a começar um novo capítulo.