O ninho

3 Lei de Murphy


Notas iniciais
Rodada 3. Tema: Meme "SURPRISE, BITCH" ( https://media.giphy.com/media/l0MYBbEvqqi1kfuyA/giphy.gif )

Nenhum plano é perfeito. Principalmente, quando seu plano consiste em improvisar e torcer para tudo dar certo.

— Ramaldes? — perguntei, abismada. Quando pensei numa viagem para o primeiro lugar disponível, me imaginei em uma cena típica de filmes: Eu iria parar num lugar exótico ou romântico e aproveitaria para conhecer toda a cultura do lugar. Calhava-me bem uma ida a Paris, a Veneza ou a Fernando de Noronha. Nunca pensei que ia parar em uma cidade desconhecida do interior. — Tem certeza de que não há outro vôo em que posso embarcar antes?

— Sim, senhora. — a atendente me disse.

Senti-me extremamente tentada outro vôo além desse, mas isso seria uma trapaça quanto a minha proposta. A vida é uma vadia.

— Ok… — Suspiro. — Poderia me dar uma passagem para este vôo, por favor?

— Claro! Passaporte?

Sigo no automático até o avião, tentando focar no positivo e pensar que ainda poderei aproveitar a viagem. Só preciso ver o lado positivo. Por exemplo, eu estou viva e bem disposta.

Pouco depois, descubro que eu preferia estar morta. Vou na última fileira do avião, onde há maior turbulência e é muito perto dos banheiros. Além disso, fiquei ao lado de uma criança que não consegue se comportar e também é extremamente barulhenta. Eu gosto de crianças e tentei ser simpática, mas ele não foi muito receptivo.

Minha única saída foi dormir durante todo o vôo. Acordei com um péssimo torcicolo e mais cansada do que quando entrei no avião, mas ainda acho que esta foi o melhor que eu poderia ter feito.

Finalmente, chego em Ramaldes. A cidade é um pouco maior do que eu esperava, mas ainda possui o caráter simples que previ. Continuo com meu pensamento positivo, achando que pode haver algo interessante para ser feito. No entanto, preciso primeiro perguntar sobre um lugar para dormir.

Não foi uma surpresa quando descobri que não há muitos hotéis pela cidade. Decidi aceitar as recomendações e ir para o hotel mais famoso do local. Afinal, isso seria um ponto positivo para minha viagem.

Ao chegar ao hotel, fiquei maravilhada com a sua estrutura. Ele era belíssimo! Imediatamente, lembrei-me de meu filho. Queria que ele estivesse comigo. Enquanto faço o check-in, decido ligar para ele e matar a saudade.

— Alô, mãe? Como você está? O vôo correu bem?

— Oi, mãe! Está tudo bem comigo, mas o vôo não foi muito bom. Mas, agora, eu estou com uma sensação de que as coisas vão melhorar! Você tem que ver esse hotel! Mais tarde, eu posso mandar algumas fot…

Não consegui acabar a frase quando olhei para a porta principal do hotel.

— Mãe? Mãe? Tá tudo bem? — meu filho perguntou, preocupado.

Eu tentei respondê-lo, mas minha voz não saia. Acho que perdi qualquer habilidade de raciocinar quando vi o pai de meu filho a entrar pela porta do hotel.

E pensar qie tudo começou tão bem...