O mundo secreto de Alice Slaski

6 Capítulo 4.5 - The End and the Beginnig


Notas iniciais
Gente, desculpa por não ter postado com tanta frequência, mas eu faço prova todo fim de semana, então fica muito complicado pra postar. Além disso, a inspiração me abandonou por uns tempos, e eu até pensei em desistir, mas graças a um amigo, hoje eu consegui postar um novo capítulo. Esse capítulo é dedicado ao Digão, que me fez não desistir da fic, e a vocês, que estiveram esperando durante todo esse tempo. boa leitura! /lett

O rosto refletido no espelho era pálido e pequeno. A luz amanteigada que invadia o quarto através dos vidros sujos da janela do quarto do hotel tornava a face com uma aparência ainda mais quebradiça e espectral, as feições delicadas e pequenas ressaltando mais e mais essa sensação. Havia, no entanto, algo nos olhos amarelos da garota, um misto de furor e desconfiança, que fazia os orbes dourados transmitir a frieza do ouro e a dureza do topázio, suavizados apenas pelos longos cabelos escuros que escorriam pelo corpo.

De repente, um brilho prateado reluziu na cabeleira negra, reduzindo exponencialmente o seu comprimento, fazendo a menina ter um ar mais maduro, e mais perigoso. Ela não gostava muito disso. O cabelo comprido ajudava-a a se destacar menos, mas ela precisaria parecer mais experiente naquele trabalho. Suspirando, guardou a navalha na mochila, e suas mãos chocaram- se contra um objeto volumoso.

Alice retirou com cuidado o artigo retangular, deixando os dedos correrem sobre a superfície de couro trabalhado, abrindo a capa do livro. Anteikirion, a folha de rosto dizia. “A única joia restante da biblioteca de sua família”, o velho dissera. “Ele pertence aos Slaski desde que o mundo é mundo. E, como você é a única sobrevivente, agora ele pertence a você.” Velho... o que ele estava fazendo? Por que ainda não havia contatado Alice? Sua mente voltou- se para aqueles dias enevoados...

“Alice acordou em uma cama macia, o cheiro enjoativo de alecrim invadindo suas narinas. Solomon estava sentado em uma cadeira próxima a ela, aparentemente absorto em um livro, mas não evitou abrir um sorriso ao perceber que a garota acordara.

– Você finalmente abriu os olhos, filha.

– Calado. – A garota sentou-se no leito, a têmpora latejando levemente, deixando-a tonta.

– Vá com calma. – Solomon a entregou uma xícara. – Beba. Você vai se sentir melhor.

– Alecrim? Hugh. Eu odeio alecrim. – Ela afastou a xícara de chá.- Então, até quanto tempo vai ficar me encarando, velho?

– Você devia terminar o chá. Não é só de uma limpeza na boca que você precisa, mas de uma limpeza na alma. – ele suspirou- Seguindo em frente, eu quero um relatório completo sobre o caso.

Alternando entre goles de chá, a garota contou o que havia vivido durante o exorcismo.

– Então foi um djinn, huh? Estranho... Mas isso explica algumas coisas. –Ele franziu o cenho- Mas aquela mulher... Geralmente em casos de possessão, o espírito tenta ligar-se a um corpo cuja personalidade original se assemelhe um pouco com a sua própria. Mas o que Ruby pode ter visto de semelhança com você?

Nada, só que somos duas garotas solitárias contra o mundo, Alice pensou.

– Talvez ela estivesse desesperada demais para se importar com isso, velho.

– É claro que ela estava desesperada, Alice. Todo espírito que tenta a possessão está. Mas isso não deixa de ser preocupante. — Ele encarou a garota.

– Quê?

– Ela tentou possuir seu corpo.

– Nós já sabíamos disso, gênio. E daí?

– E daí? Você não compreende o efeito de uma possessão malsucedida? Parte dela ainda está em você, sua idiota. Ela vai afetar sua maneira de sentir as coisas, e ver o mundo, e sua forma de reagir aos seus impulsos. Vai mudar a sua capacidade de julgamento completamente. Claro, ter a influência de uma pessoa como a Ruby seria muito positivo em uma garota teimosa e agressiva como você, mas no fim, eventualmente, você se tornaria ela. No fim, haveria apenas Ruby, e nenhuma Alice.

– E como eu posso evitar isso?

– Bem, matar o monstro que fez isso com ela ajudaria, mas...

– Então vamos. — Ela se levantou da cama.

– Quê? Espera!- Ele levantou-se, agarrando o braço da garota. — Onde diabos você pesa que vai?

– Caçar um djinn?

– Você enlouqueceu? Você ainda está frágil demais para lutar com um monstro dessa magnitude. Além disso, precisamos fazer uma pesquisa. Nós sabemos pouco demais sobre ele.

– É bastante pra mim. — ela se libertou do braço dele.

– Espera!

– O que é?- ela agarrou o colarinho do padre-Por que você continua me impedindo? AQUELE MONSTRO MATOU A RUBY!

– É assim que começa.

– Que?

–Você. Desde quando você se importa tanto com uma morte?

– Eu não me importo. Eles são só uma parte do caso.

– Então porque você gritou que nós deveríamos caçar aquele djinn por causa da Ruby? Nós vamos caçá-lo de qualquer maneira. Ele provavelmente também está atrás de Andrew.

– Eu não estou nem aí se ele matar Andrew.

– Você está sendo afetada pelos sentimentos dela. Sua mente está tão confusa que você está se esquecendo do básico de ser um caçador de monstros: não importa o caso ou a situação, primeiro nós sabemos o que aconteceu. O principal é a investigação, o resto se divide em estratégia, ação, pensamento rápido e uma pitada de sorte. Primeiro investigamos, depois assassinamos.

Ela sentou-se novamente na cama, amuada.

– Eu sei.

Ele abaixou-se, seu rosto em frente ao dela.

– Eu não faço ideia de como sua cabeça deve estar agora, mas você precisa manter-se focada. Vai me ajudar com a pesquisa?

Ela o encarou.

–Sabe de uma coisa? Você tem razão, velho. E u preciso me manter focada.

– Então, vai me ajudar?

– Claro que não. Faça a sua droga de pesquisa sozinho. Eu vou embora. — Ela levantou-se e começou a jogar suas coisas na mochila surrada.

– Onde você está indo?

Alice piscou.

– Eu já te disse, você está frágil demais.

– Eu não estou nem aí. Eu tenho que esclarecer minhas ideias.

– Você pelo menos sabe para onde vai?

– Mais ou menos. Eu vi nos jornais quando estava vindo para cá que um cara havia morrido em uma cidadezinha no meio do Texas sem um arranhão, com a saúde perfeita.

– Você tem alguma ideia do que isso seja?

–Nenhuma. Mas provavelmente vai ser mais divertido que ficar com você. Me ligue quando encontrar algo.

– Se cuide.

– Pode deixar.”

E lá estava ela. Abotoando a camisa branca, ela foi em direção à janela aberta, respirando profundamente o ar vindo da rua. Ela não sabia como, ou mesmo o quê, mas sabia que algo estava prestes a acontecer. E mal podia esperar para saber o que era.

Notas finais
Deixem um comentário e digam o que acharam! Acompanhem também as outras histórias que fazem parte desse mundo: *A original: http://fanfiction.com.br/historia/591698/Organizacao_Cacadores_de_Monstros_interativa *Outras spinn-offs: http://fanfiction.com.br/historia/594106/Cacadas_mortais_de_Raquel_Kaene] http://fanfiction.com.br/historia/593266/Por_Tras_de_Piper_Lawrence
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.