O mundo místico existe lá fora
12 Capítulo 12
Notas iniciais
POV Clara
Depois de ficarmos conversando por bilhetes, conversei com a Kat e percebi que algo estava diferente com ela. Ficava falando sobre dores de cabeça, pensar demais em coisas que não podem existir... Isso me deixa cada vez mais desconfiada sobre o descobrimento dela mesma sobre seus poderes. Tentei evitar pensar sobre essas coisas até o final da última aula, para poder pensar melhor fora da escola.
Passei meu lanche com Max, meu irmão e sua namorada. Rimos muito mas eu fechava os olhos e pensava em Kat, em como seria quando ela descobrisse seus poderes, como ela aprenderia a controlá-los. Max me puxava novamente para o momento em que todos nós éramos normais e estávamos somente no lanche sendo adolescentes. Se ele soubesse...
Voltamos para a classe e passamos as aulas tentando não dormir. Olhava para Kat e ela sempre ficava olhando para a janela, mesmo quando os professores chamavam sua atenção. Pensava sobre como ela iria reagir com tudo o que havia para descobrir e compreender.
Quando a aula finalmente acabou, conversei um pouco mais com Kat.
– Kat, vamos na sorveteria de novo? Acho que eles acabaram de lançar um novo sabor! Nós quatro, que tal? A gente precisa experimentar esse sorvete, Kat! Ah, mudando de assunto, você viu a nova música do McFly? Eles são tão lindos e daqui a pouco eu acho que...
– Clara, — Interrompeu-me Kat, parando de arrumar seu material e olhando para mim como se fosse capaz de arrancar meus dentes se dissesse mais uma palavra — Será que, por um minuto, um momento, você poderia fechar sua boca, por favor? Caso você tenha esquecido não estou muito bem, Ok? Não vou poder ir com vocês. Espero que tenham um bom dia lá na sorveteria.
Não falei mais nada e me encontrei com Max, como sempre, para irmos para a sorveteria provar o novo sabor de sorvete, o qual nem eu sabia de qual sabor era. No caminho até lá, nós conversamos sobre nossas músicas favoritas e filmes da Disney que tínhamos que ver nas noites de sábado e outras coisas. Entre as conversas, cada vez eu me distraia pensando se os Munchkins já tivessem falado com ela, Como eu poderia ajudar naquela hora. Precisava descobrir meios eficientes e rápidos para que ela não desconfiasse de mim. Ela sempre foi esperta, logo iria entender, mas por enquanto precisava esconder isso dela, até ela estar preparada.
– Oi? Clara? Terra para Clara. Tem um cara que gosta muito de você mas você está viajando. Ele queria que você ouvisse o que está falando agora. Ale também mandou avisar que você é muito especial para ele.
Nesse momento, pisquei os olhos e olhei para ele. Aqueles olhos, do tipo que hipnotizam as pessoas. Eram claros e cheios de vida. E seu rosto, seu cabelo, tudo parecia tão irreal quando olhava para ele, como se o mundo parasse quando ele olhava nos meus olhos.
– Acho que vou ter que tirar minha namorada desse universo paralelo.
Ele me puxou pela cintura para perto dele e me deu aqueles beijos calorosos, os quais só ele sabia dar. Era como se o mundo continuasse girando e nós ali, nos beijando na calçada, como se estivéssemos a sós. Coloquei meus braços acima dos ombros dele enquanto ele continuava com os braços na minha cintura. Senti que ele estava mordendo meu lábio inferior e me olhando sensualmente, de um jeito que eu não compreendia como podia ser possível alguém tão perfeito. Quando Max terminou de me beijar, peguei seu boné e comecei a imitá-lo. Ele riu, como sempre, e me abraçou como se fosse a última vez, me fazendo sentir protegida e segura naqueles braços parecidos com asas fortes e robustas.
– Se ainda quiser tomar sorvete, acho melhor a gente correr, ou eu vou pegar primeiro que você, minha rainha.
No último instante, Max começou a correr e eu fui seguindo-o para tentar alcançar aquele menino de uma diferença de altura perfeita, a qual dava para escutar seu coração quando nos abraçávamos. Corri, como se fosse a última coisa que eu faria na minha vida, sentindo aquele vento no rosto, como uma pessoa livre, realmente livre para voar e fazer o que quisesse.
Chegamos à sorveteria quase se jogando nos bancos que ficavam do lado de fora, na calçada. Descansamos, eu nos braços de Max, recuperando o fôlego do tanto que corremos. Ele realmente era um bom atleta, corria muito bem e não ficava tão cansado como eu por exemplo, que preferiria mil vezes ficar em casa tomando chá a praticar algum esporte naquele dia. Mas com Max, eu fazia tudo por ele.
– Pois é minha rainha, nosso reino está nos cansando demais. Deveríamos criar uma pista só para nós e uma competição anual para o povo. Gosta dessa ideia?
– Meu rei, deveríamos criar uma pista de corrida ao redor do parque, onde há diversas maneiras para o povo relaxar depois de correr. O senhor sempre tem novas ideias. — Sentei ao lado dele e dei-lhe um beijo na bochecha, somente pelo afeto e segurança que ele me oferecia. Era meu jeito de agradecer.
– Vem, quero experimentar o novo sabor. Se você quiser, vai ter que levantar.
– Não Max, pega um pouco para mim também. Estou cansada e minhas pernas também.
Ele me deu um selinho e foi buscar nossos sorvetes enquanto eu pensava sobre Kat e o seu destino, que só dependia dela.
– Olha só que legal, o nome desse sorvete é pedaço de amor. Acho que deve ser bom, e também uma indireta para nós, não é?
Virei para trás e vi Max com duas casquinhas de cor rosada e pedaços mais avermelhados em alguns cantos. Peguei uma delas, agradecendo e experimentei.
– Isso é muito bom! A gente tem que vir aqui todo dia agora! — Eu disse enquanto provava mais daquele sorvete delicioso.
– Concordo que é muito bom mas não podemos vir todos os dias aqui, mas quando pudermos viremos. — Disse ele, com a boca meio suja de sorvete no canto de sua boca.
– Deixa eu limpar pra você, tem uma coisa aqui. — Limpei aquele canto com um papel, mas poderia ter limpado de um jeito mais clichê.
– Obrigada. — Agradeceu o loirinho, me dando mais um beijo naquele dia, que parecia tão comum.
Continuamos conversando sobre muitas coisas e decidimos ir até a casa da Kat, embora Max não tenha aceitado logo de cara mas ele compreendeu e fomos depois de terminarmos nossos pedacinhos de céu.
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