Notas iniciais
Boa leituraa!! Obs: A Mônica não conhecia o do contra antes!

–Bom, eu sou o Do Contra, eu era de Miami, mas meus pais arranjaram um emprego aqui e tive que me mudar. Aprendi a língua portuguesa e vim estudar aqui também.

Que nome estranho, pensei consigo mesma. Mas por bem o que tinha de estranho tinha de bonito, ele era um gato. Enquanto pensava no fundão da sala, me toquei que o sinal já havia tocado e eu havia ficado sozinha... Todos tinham ido para o intervalo, inclusive o Do contra.

Nem a Magali havia me esperado, fiquei puta da vida. Aliás, ela tinha algo para me contar, estava esperando isso desde a primeira aula.

Fui até o pátio, encontrei a Magali conversando com Cascão, eles pareciam bem íntimos, então cheguei na mesa em que eles estavam e sentei-me na cadeira ao lado da Magá.

Eles estavam tão estranhos comigo, era como se não mais me conhecessem... Ficaram me olhando tão sérios que eu comecei a ficar assustada. Pareciam me comer com os olhos.

Eu perguntei o que havia acontecido... Eles não responderam. Insisti, e continuei sem uma resposta.

Então, resolvi retirar-me da mesa. A escola não era mais a mesma, tudo havia mudado, era sombria, diferente de como eu entrei. Haviam milhares de avisos espalhados pelas colunas do teto, sim, a escola se tornou imensa. Fiquei ainda mais assustada.

Fui caminhando pelos corredores. Todos me olhavam estranho, como se eu não mais fizesse parte dali.

Quando me viro para observar mesmo que de longe, Magali e Cascão continuavam sentados e suas expressões eram as mesmas de antes...Claro, passou-se tão pouco tempo, não podia ter mudado tão rápido assim.

Eu pensei que não houvesse mais problema algum. Mentindo para eu mesma. Minha escola estava sombria, o que parecia um alarme imediato para eu sair dali.

Sigo o caminho do corredor, meus passos estão mais apressados, quando vejo Marina.

–Marina!! — Eu grito.

–Estou morrendo, estou morrendo. — Ela diz

–Você não quer ser igual a mim, ou ver as coisas que eu vi. Saia daqui imediatamente Mônica!- Me olhou nos olhos como um relâmpago, relâmpago branco, pois sua expressão já não era a mesma...Ela me transmitia dor.

É lógico que não obedeci, sempre fui ousada e muito curiosa e sabia que uma hora ou outra iria me dar muito mal por isso. Eu queria continuar meu caminho pela escola, afinal era um ambiente novo, e eu gosto sempre de explorar novos ares e lugares. E...continuei! Sabendo que havia algo de errado...

Avistei um banco e corri para sentar-me, já estava cansada de passear aquilo tudo, a escola era grande.

Pensei comigo: Será que Marina estava realmente morrendo...O quão convincente ela pode ser enganando a todos com suas encantadoras mentiras?

Ela engana a todos. Mas para mim, deixo escapar um sorriso sarcástico. Sempre fui meu psicótica, pouco sentimental...Nunca derramei uma lágrima pela morte de meus pais. Pois se eles partiram, o motivo? A hora deles havia chegado. E eu, até agora, mesmo nova. Espero a minha.

Ouço uma voz me chamando:

–Mônica, Mônica!

Procuro o lugar de onde ela vem...era Cebola. Argh, tão irritante. Será que eu não poderia ficar um pouco sozinha? Ele me chama para o canto de onde havia me chamado.

Ele me dá calafrios, piscando seus olhos e dizendo feito um louco:

– Há algo de errado aqui Mônica você sabe, você sabe! Você precisa de mim, você não pode sair sem mim, eu mataria por você.

– Ok, poupe-me logo dessa história que não me comove e conte-me o que está acontecendo aqui! Preciso de uma resposta para toda essa esquisitice.

Depois disso, ele não mais respondeu, apenas parou calado, apertando meu braço forte. Eu pedi para ele me soltar repetidas vezes, mas não me ouviu. Então...sim, eu fui obrigada a matá-lo. Ele me apertava forte, desta vez no pescoço.

Fazendo o máximo de esforço possível para desfazer-me de suas mãos puxei um pedaço de madeira pontuda que estava no ''canto'' daquele pequeno lugar que nós estávamos.

Enfiando em seu braço, onde ficava uma veia muito importante ligada ao coração. Pude sentir seus braços moles em mim, já não mais me apertava como antes.

Eu fiquei lá um pouco, vendo-o sangrar. Nunca gostei dele, só achei que seríamos bons amigos. Porém, de tudo aquilo que ele me havia feito desde a infância, não dava, simplesmente NÃO!

Talvez, eu fosse presa depois...Mas e daí? Dei uma risadinha. Ao menos fiz o que tanto ele merecia, e ninguém tinha o poder de me impedir naquele momento e hora.

Se foi tão jovem, que pena. Nossa, que coincidência, seu sangue está combinando com meu vestido vermelho favorito. Peguei um potinho que guardava em meu bolso e coletei um pouco de sangue. Iria ficar ótimo como maquiagem para o halloween.

Sai dali, fui caminhando como se nada estivesse acontecido, afinal, nada aconteceu. Só fiz o que tinha de ser feito.

Vi o Do Contra, olhava para ele, observando-o, até quando ele começou a me olhar também, fazendo meus olhos queimarem, de amor...Era como um Brad Pitt moreno, sem dúvidas.

Ele acenou para mim e veio caminhando em minha direção. Ele parecia normal, o clima ruim não o havia afetado. Ele do meu lado, e eu do lado dele. Começamos a conversar sobre diferentes assuntos, era como se nos conhecêssemos a décadas. Coincidência, talvez?! Ou destino?

Depois de meia hora de conversa, ele foi se despedindo. Eu estava tipo "não, por favor, fique aqui", mas não demonstrei.

– Tchau Mônica, até. — Foi a última coisa que eu ouvi até aquele momento. Eu estava perdida.

Eu queria fazer tantas perguntas... Dizer o quanto foi estranho a maneira que nos conhecemos, não apresentados da forma que devia ser. Tudo tão rápido.

Eu sei que ele admira minha calça apertada , meus cabelos médios e escuros... Eu sou má? Não senti nenhum remorso em ter matado alguém. Ah ah ah... meu amiguinho...C-Cebola. Quase não consigo pronunciar esse nome .

O tédio já estava me matando, de certa forma... Aquela escola estava uma m-e-r-d-a! Todos caminhando para lá e para cá com os seus rostos afogados em falta de expressão.

Parecia mais um formigueiro. Eu não estava muito ligada nas horas... e quando resolvi olhar já tinha passado da hora de eu retornar a sala. Oh , droga. Agora vou ficar aqui nesse inferno esperando o próximo horário para entrar. Ok, se é assim...

Não queria ficar parada em pé esperando, resolvi correr, corri o mais rápido que pude, ignorando as batidas rápidas do meu coração que só faltou por sair pela boca. Sem problemas, eu colocaria para dentro novamente! Há alguma razão para que eu não consiga ficar parada. A todo momento eu me sinto tão insatisfeita.

Há um medo que eu tenho, um sentimento muito ruim... Que não posso controlar. Me contive de baixo de uma árvore enquanto a brisa leva do vento bailava suavemente em meus cabelos lisos.

Fiquei lá por uns segundos pensando na vida...o que havia acontecido, e sobre o mundo, o universo. Seriamos nós um holograma ou o sonho de alguém real?

Enquanto eu pensava, uma multidão de pessoas correndo me interrompeu:

–Temos um suicida, temos um suicida!

Claro que não iria deixar isto passar, acompanhei a correria que mais parecia uma maratona por pessoas correndo lado a lado umas atrás das outras.

Me entrosei no meio, bem na frente, e era a Marina...

–Marina! — Gritei em pânico

Nesse meio tempo eu já achei que ela havia morrido...Ela devia gostar de enrolar ou chamar atenção.

Mas, lá estava ela...não mais atendia e nem correspondia a minha voz. Já era tarde. Deitada feito um bebê, tão imóvel, parecia dormir profundamente...

Olhando ao redor, pude ver uma arma...O tiro havia saído pela culatra, literalmente.

Viraram-na de costas e o sangue caia como uma cachoeira. Quanto sangue, pensei.

Quando voltei em si, saí andando. Quando fui para um lugar mais cheio,vi as pessoas me olhando estranho. Como se eu fosse culpada de um crime...

–Não fui eu! — Falei.

O pior aconteceu. Carmen tinha me visto...Vadia. E nesse meio tempo aproveitou-se para contar o que parecia ser uma novidade a todos. Sempre tive vontade de matar Cebola, mas sempre mantendo isso comigo implicitamente.

Saindo em disparada, corri dessa vez bem mais rápido que antes quando fui para a árvore...não conhecia essa minha velocidade. Todos me xingavam bem alto, de todos os nomes que eu nem sequer sabia que existiam. Que porra é essa? Pensei comigo. Mas...nada podia fazer, se eu parasse de correr, com certeza iriam me linchar, ou me queimar na fogueira, como faziam com as bruxas.

Vi um buraco fundo no muro, levava a um outro lugar, o que parecia ser fora da escola. Eu me enfiei lá. Mas quando percebo estava entalada, com metade do meu corpo para fora.

Sim, eu estava fodida, com todas as letras e significados. Senti diferentes mãos frias, não sei como explicar...Me puxarem. Eu tentei debater minhas pernas, bela tentativa, mas falhou.

Apaguei ali mesmo, estava sufocada. O buraco era muito estreito, dificultando minha passagem.

Acordei em uma sala fechada, repleta de espelhos e com um homem me encarando de pé ao meu lado...

Notas finais
Deem reviews!!!
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.