O mistério das quatro
3 CAPÍTULO 3 – Invasão
— Luana... Voce acredita em fantasmas? – ela falou depois de alguns minutos em silencio
— É claro que não!
Estávamos agora sentadas na cama de frente uma para a outra, sem entender absolutamente nada do que estava acontecendo por ali.
— Acredita em algo sobrenatural?
— Nada de sobrenatural Marina! Porque pergunta?
— É que – ela hesitou — assisto muito filmes então vou te fazer uma pergunta, e com isso, pode ser que descubramos um pouco do que está acontecendo.
— Fala logo...
— Que dia é hoje? – ela se levantou indo até o outro lado do quarto
— 14 de janeiro de 2013 , o que isso tem a ver¿
— O que? Sério? Você está brincando comigo!
— Porque criatura?
— Luana... nós estamos em 1996!
—Muito engraçadinha. – revirei os olhos
Marina foi até mim e me puxou pela mão arrastando-me até a porta de seu quarto e então apontou a um calendário colado atrás dela.
— Acha que eu tenho um calendário com essa data por quê?
Observei calada o que só poderia ser um sonho.
— Não vai falar nada?
—Eu estou em um sonho. Não tem outra explicação! – pensei uns instantes — Aquela casa ali, tem alguma história sinistra sobre ela?
— Ahn...tem... a lenda das quatro. Já ouviu falar?
— Já sim... Minha mãe me contou ela ontem.
— Entao...ela no futuro, é abandonada?
— Sim — falei entrando na conversa mesmo sem acreditar que ela poderia ser real- ela é muito velha e podre, totalmente abandonada. Mas ontem à noite alguém acendeu uma fogueira por lá, teve algum movimento por ali ontem.
—Fogueira? — Ela falou espantada – Então é verdade!
—O que é verdade?
—Elas quem te prenderam aqui.
— Elas quem minha filha¿
—Vou explicar com bastante calma, porque pelo jeito, sei mais do que essa história que sua mãe te contou — Ela voltou a sentar na cama e eu a segui sentando ao seu lado — Foi a muito tempo, e ninguém sabe realmente quando, mas essas quatro “amigas” não eram realmente tão “amigas”. Elas haviam se conhecido a pouco tempo, e os pais de apenas duas delas que apareceram para procurar as filhas, as outras duas nunca foram procuradas pelos pais, nem nunca ninguém soube quem eram seus pais. Segundo os pais delas, após conhecerem essas duas estranhas, elas passaram a ficar sempre enfurnadas em seus quartos, e sempre que saiam, era com essas duas novas conhecidas. Os pais não confiavam nas garotas, e as achavam muito esquisitas.
— Mas esquisitas em que sentido?
—Parece que eram góticas, mas os pais as classificavam como demoníacas. Acho que por causa das roupas escuras.
—Quanto preconceito.
—Pois é, coisa da época, mas eu não acabei. Depois que as meninas desapareceram ninguém na cidade que conhecia a história queria comprar a casa, então sempre vinham pessoas que desconheciam dos fatos, e compravam, mas sempre reclamavam de quatro jovens que aparecia e faziam fogueiras perto da casa. Sempre que os donos da casa acordavam, tinha uma fogueira recém-apagada e às vezes encontravam velas também. Pessoas que pesquisavam sobre o mistério delas, percebam que as reclamações do aparecimento de garotas lá eram sempre em luas cheias.
—Não achei vela nenhum lá, então essa sua história é muito fajuta.
—Eu não disse que era sempre que encontravam as velas, e sim, às vezes.
—Ok, mas ninguém sabe o que houve com elas?
— Ninguém! Mas dizem que elas estão sempre a procura e alguém que nunca acham.
— E quem diz isso?
—Começou com uma mulher que se dizia bruxa, ela conhecia a minha avó, e fazia questão de sempre falar dessas garotas.
—Quanta besteira. Não acredito em nada disso.
—Não? Então me diz como você veio parar 17 anos no passado.
—Eu estou sonhando – falei com dúvida – Mas se estou presa ao passado, como vim parar aqui¿
—Eu não faço ideia. Você não acredita nessa história, mas acredita estar no passado, vai entender.
—Talvez eu seja a garota que elas estão procurando ué!
—Ora Luana... Hora você acredita, hora não... Assim fica difícil.
—O que quer que eu pense? É difícil de acreditar em tudo isso, mas também não tem outra explicação.
—Temos que fazer algo. Você não pode ficar aqui.
—E por onde começamos? Eu não tenho ideia do que temos que fazer.
—Dã! A casa né?! Temos que ir para lá. Deve ter alguma resposta nela.
— E se não tiver?
—Ai nós pensamos em algo.
—Então vamos. – falei sem confiança me levantando
—Não podemos ir agora, a minha mãe não vai me deixar sair essa hora, e outra, como vamos entrar na casa do prefeito?
—Achei que você tinha um plano, já que deu a ideia né! – reclamei — Daremos um jeito. Que horas os seus pais dormem?
—Dez,dez e meia...
—Acho que vou indo na frente, já que ninguém me vê mesmo...
—Mas então volte quando for onze horas, para que eu vá com você.
—Porque você simplesmente não em encontra lá?
—Eu...Tenho medo de ir só. – ela sussurrou
—Ai meu Deus – era só o que me faltava — Está bem, venho te buscar em uma hora.
Desci as escadas e sai pela porta da sala para a noite fria e escura, caminhando em direção à casa que aparentemente um dia estaria abandonada.
Eu não fazia ideia do que deveria fazer ou do que estava acontecendo exatamente, mas precisava fazer algo, pois ficar parada não ia ajudar em nada. Parando em frente à casa notei que para a casa de alguém importante, ela não tinha nenhuma segurança.
—Entrar aqui vai ser moleza.
Decidi que andaria até o ponto que havia achado uma fogueira, dei então a volta na casa e ali encontrei a mais bela plantação de rosas que já vi. Eram tão vermelhas que pareciam pintadas á mão. Vi dali a porta da casa e decidi que precisava entrar se queria descobrir algo. Subiu para a varanda e olhei pelas janelas se havia alguém por perto. Ninguém. Forcei a maçaneta com as minha mãos tremendo e suadas de nervosismo. Ela estava destrancada, por sorte. Entrei para a sala da casa divinamente mobiliada com móveis antigos.
— E agora?
Olhei para todos os lados e não sabia o que eu deveria fazer. Escutei então, vozes que vinham da cozinha.
— Mamãe, eu tenho certeza que ás vi. Estavam subindo para o sotão. Eu juro mamãe!
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