O mistério da Ilha - Os perseguidos.
4 Um dia, pós outro.
Notas iniciais
Gabriel estava jogado no meio de uma plantação de arroz, com pequenos arranhões na pele, no momento ele ficou meio atordoado e ficou deitado por alguns minutos.
— Puta que pariu, tudo por causa de uma pomada pra espinha. – Ele tava estirado no chão olhando o céu, e percebia que o sol já estava indo embora. – Bem... Vamos lá Gabe, parece que você é a pessoa que mais conhece essa ilha agora. – Se levantou queixando de algumas dores, todo sujo de terra, e não percebeu que mais dez passos, cairia em um abismo direto a margem da cachoeira. Olhou ao seu redor, e de fato percebeu que foi um milagre ele esta vivo ainda. Mas quando olhou pra cima não acreditou, era um barranco enorme, cheio de pedras e buracos que nem conseguia enxergar onde ele tava momentos antes da queda. — A parte boa é que eu não morri, a parte ruim é que eu não tenho ideia de onde eu esteja sendo impossível eu subir esse barranco novamente. Só quero saber onde ta o meu chinelo. – Começou a se movimentar pela terra e avistou seu calçado. Ele mancava um pouco e foi resgata-lo, porém foi surpreendido por um grito.
— AAAAAAAAAAAH MEU PÉ!!! – Alex gritava um pouco mais longe do local de gabe.
— Parece a voz do Alex. Mas onde esse marginal tá? Certeza que está aprontando mais uma. – Gabriel pegou seu chinelo e foi em direção aos gritos. – ALEX É VOCÊ?
*EM OUTRA PARTE DA ILHA *
Caminhava apressado e sozinho pelo vilarejo da ilha, era um bosque bem agradável cheio de flores lindas. Mais pra frente tinha uma pequena capela, deu uma grande vontade de entrar lá, mas foquei nesse jogo que o Martinato propôs. Comecei a ficar meio zonzo de novo mas não me abalei, cheguei em uma ponte enorme e linda, ela era bem cumprida com uma cor meio amarelada e branca . Comecei atravessar ela e notei que era muito alto, olhei pra baixo e vi o rio com correntezas e a tontura aumentou ainda mais. Sentei por três minutos, e sai correndo pela ponte que parecia não ter fim. Enfim cheguei na outra parte da ilha, já era um local com mais matos e cheio de folhas secas jogadas, me enfiei pelo mato até ouvir um barulho estranho, parecia um sussurro.
— Mata... mata... – Essa voz era meio sombria, porém muito baixa. Olhei em volta e não enxerguei nada. – Tem alguém ai? Sem brincadeiras por favor. – Minha visão ficou turva e meu corpo ficou bem pesado, comecei a ver vários vultos pretos pela floresta, me aproximei de uma arvore com as mãos esticadas e pude ver uma faixa com sangue em um galho.— Que ta acontecendo comigo? – Ouvi um grito bem perto de mim, e na hora já veio o Alex na minha mente, fui andando meio torto em direção ao grito, a sensação de mal estar piorava cada vez que chegava mais perto. – ‘’Meu pé aaaaaai MEU DEUS ‘’ – Alex gritava cada vez mais alto e eu só queria chegar até ele, porém tudo escureceu.
Acordei e pude ouvir gritarias ao redor da ilha, um cheiro de queimado horrível e fumaças tomando o espaço da parte da floresta, dava pra ver as chamas bem próximo de onde eu estava, levantei assustado e sai correndo até lá, só me lembro do Alex gritado. Fui em direção ao fogo e dei de encontro com uma faca cheio de sangue, e rastros de pegadas , continuei correndo e vi o Gabriel parado na frente desse fogo apenas olhando.
— Que ta acontecendo Gabriel? Cadê o Alex? – Cheguei desesperado.
— Ouvi um grito e também suspeitei que fosse o Alex, porem de repente...— Gabriel parecia transtornado com a situação.
— Que houve? – Comecei a chacoalhar ele.
— Gritos de desespero, fogo subindo. Eu não conseguia ajudar mais ele. Foi horrível. – Gabriel não obtinha reação, até que começou a chegar um monte de gente, jogaram água no incidente e fomos todos retirados de lá.
A ilha era muito distante de tudo, a única segurança era um posto médico e uma pequena delegacia, onde a maioria das vezes ficava apenas um policial cuidando, era difícil ter alguma coisa lá.
O grupo se juntou em um salão perto da igreja, todos abalados pela morte de Alex. Ninguém tinha entendido nada, uns acharam que foi suicídio, outros que a Ilha era perigosa de ficar.
— A ilha é tranquila pessoar. – Patrick encostado na parede com um cigarro de palha.— Só uma vez que foi diferente. – Todos olharam para ele. – Foi bem parecido com a historia que tão vivenu, um bando de gente jovem se hospedaram aqui, mas mortes misteriosas começaram a surgir, e eu fui uma das pessoa que se salvaram. Porem fico com receio quando jovens vem para essa Ilha. Acredito que a morte de seu amigo foi dele memo, aquele cabra não tinha uma cara boa.
— Como ousas falar assim do meu amigo, seu babaca! – Martinato furioso se caminhava até ele. – Ele tinha um gênio estranho, mas jamais faria isso. Pra uma pessoa que nunca viu ele, não é estranho ficar falando essas coisas sem saber? – Ele chegava mais perto do Caipira— Ou sabe de alguma coisa e não quer contar pra gente?
— Ele tem razão, Martinato – Mesquita já estava do lado dele.— Assim mesmo falando sem conhecer, nós sabemos que o Alex tinha problemas na faculdade, e com a mente dele. Estávamos tentando ajudar ele nessa luta pelas drogas. Infelizmente sabíamos que algo trágico podia acontecer mais cedo ou mais tarde. – Colocava suas mãos aos ombros de Martinato, que abaixava a cabeça apenas.
— Uceis tem que tomar mais cuidado com as coisas que falam. – Patrick encarava Martinato e logo depois saia pela porta de vidro.
Ligamos pra Família de Alex, foi horrível. A mãe dele chorava muito no telefone, mais triste ainda foi ver o corpo dele indo embora por um barco até São Paulo, já que o navio tinha ido embora. Os turistas ficaram assustados com a situação e resolveu dar partida também, ficando apenas os formandos na ilha.
Assim mesmo o Alex não sendo muito próximo de ninguém, só do Martinato e do Mesquita, todos estavam muito abalados.
— Pessoal, sei como é difícil uma perca dessa. Ainda mais que ele era da nossa sala e estava aqui pra curtir como todos. Mas temos que continuar nossa viagem, acho que se ficarmos todos aqui só lamentando, é melhor acabar a viagem por aqui. – Saucedo discursava com o grupo.
— Ele tem razão, faz dois dias que estamos aqui e ainda não curtimos. Essa festa vai ser pro Alex... E pro Lyu que não veio. – Pietro com um cuturno, shorts azul claro, sem camisa e com uma bandana vermelha cobrindo seus cabelos castanhos, apoiava Saucedo.
— Só pro Alex – Julia completava e saia pra fora do salão. – Vamos curtir!
Todos foram saindo apoiando a causa, só ficava Eu, Martinato e Mesquita no salão.
— Eu sei que estão passando, mas tudo que falaram é verdade. Vamos curtir por ele. – Dava apoio pros dois.
— È... tem razão. Vai ser tudo por ele mesmo. – Martinato saiu do salão com passos pesados.
— Relaxa, vou ficar junto com ele, já já vai cair na real. – Mesquita foi atrás e fiquei sozinho.
Três dias se passaram até a morte de Alex, já era o quarto dia na Ilha, e só íamos ficar mais três. Infelizmente não foi como esperávamos, então decidimos fazer uma festa, pra curtir de verdade a partir de então. A festa aconteceria naquele salão que dava espaço para a piscina . O clima parecia que já estava bem melhor, Martinato parecia estar melhor, porém dava uma sensação que guardava algum segredo, mas seguia tranquilo com sua cerveja na mão, na parte de fora do salão.
Yash com seus cabelos loiros, um avental de cozinheiro azul fazia o churrasco pra todos. Bebemos muito, parecia que todos precisavam esquecer muita coisa e seguir em frente. A Julia estava conversando com o Saucedo, parecia que ela estava incomodada com alguma coisa e resolveu sair de lá, ele ficou apenas olhando ela e dando uma pequena risada.
Gabriel recuperado do tombo e da visão horrível que teve, bebia bastante com sua namorada, e os dois se beijavam muito. A mesma coisa fazia o outro casal (Everthon e Mary).
Enfim parecia que a paz tinha chego pra todos nós. E para Erick também, olhei de relance pra dentro do salão, onde tem vários banquinhos de cimento, e ele beijava a Gilabel, pensei em ir zoar ele mas fiquei na minha. Sai do salão e vi aquele espaço maravilhoso, estávamos mesmo no paraíso, não tinha como acontecer mais nada de ruim naquele lugar, só coisas boas, andei até a piscina, desci as escadas que dava em um gramado lindo, parecia um Camp, e encontrei a Julia sentada. Dessa vez eu que fui até ela.
— Quer dizer que vamos nos encontrar sempre nas nossas brisas? – Cheguei perto dela com uma lata de cerveja e sentei.
— Acho que sim. – Julia deu uma risadinha e deitou no gramado, olhando as estrelas. – Veja que lindo esse lugar, essas estrelas... Tudo mágico.
— Sim – Deitei ao lado dela e fiquei vendo as estrelas também. – Parece que elas querem nos falar tanta coisa né ? Conseguem enxergar tudo.
— O Alex faz parte dessas estrelas agora.
— Sim... – Ficamos sem resposta, então ela virou o rosto na minha direção
— Hey, porque nunca conversamos tanto na faculdade? – Virei meio assustado e tímido.
— Não sei... Talvez você tinha uma historia diferente, ficava mais com o Lyu. – Fui sincero.
— Chega de falar do Lyu, por favor. Ele foi a pior pessoa que eu pude conhecer. Me fala de você. Porque nunca foi falar comigo? – Ela insistia na pergunta.
— Eu... Não sei te responder essa pergunta. Sò posso te falar que no dia do navio, comecei te enxergar diferente, nem sei como. – Gaguejei umas três vezes e voltei olhar para as estrelas.
— Eu também. – Ela continuava me encarando, colocou suas mãos brancas em meu rosto fazendo eu olhar pra ela novamente.— Você é uma pessoa do bem. – Nos encaramos por um minuto e avançamos nossas cabeças para um beijo.
— Oi pessoal. To atrapalhando não né? – Saucedo chegava do nada, completamente bêbado. Se jogou no meio de nós dois.
— Com licença, preciso ir ali. – Levantei e fui saindo.
— Espera rapaz, não quero atrapalhar o casalzinho não. – Ele ficava olhando só pra Julia.
— Não existe casal nenhum aqui. – Respondi seco.
— Ate porque o casal era Lyu e Julia né? Estranho que ele sumiu do nada, passou nem uma semana e já estão ai juntinhos. – Saucedo começou a levantar junto de um discurso. – Parecia toda apaixonada nele, vivia só com ele, o cara some, e você já se entrega a outro. Você é uma puta! – Saucedo bêbado falava na cara dela, seguido de um tapa na cara.
— Você não fale assim de mim, seu imundo. – Julia saia correndo chorando.
Saucedo ficou la parado, pondo a mão no rosto, depois de uma pancada na cara. Deu uma leve risada e olhou pra mim.
— A culpa é sua Rodrigo. Péssimo amigo você é. Começo ate suspeitar sobre a morte do Alex e esse sumiço do Lyu. – Ele me encarava compulsivamente.
— Culpa minha? Repete? – Comecei ir ate ele encarando.
— Culpa sua sim! – Foi ele falar, e virei um soco na cara dele. Começamos sair na porrada no meio do gramado, ele me deu dois socos e me empurrou no chão. E imendou mais três. Consegui sair de baixo dele, empurrando, ficamos em pé novamente, e dei um soco na boca do estomago e mais duas no rosto fazendo-o perder o ar. Ele começou a andar pelo gramado e achou um pedaço de madeira e foi com tudo pra cima de mim. Quando Everthon e os outros chegaram separando a briga.
— Tão malucos? – Everthon entrava no meio dos dois.— Calma pessoal, estamos aqui pra curtir.
Senti uma raiva estranha e ao mesmo tempo fiquei pensativo depois de tudo que ele falou. Yash e mais uma turma me tiraram do gramado. Saucedo ficou la sentado, falando que tava tudo bem.
Henrique chamou Ana Be pra ficar lá no gramado também, e lá se formava mais um casal.
Eveh estava muito chapada, uma garota de pele clara, e um rosto sensivel, cabelos bem longos e loira. Foi andando pela trilha sozinha até o chalé. Cantarolava toda torta e perdeu o rumo da trilha, entrando em um parquinho que tinha perto do local. Sentou no balanço e de repente viu algo. Se levantou e foi indo de encontro a essa coisa, onde tinha uma outra armadilha, que tampava o gramado e embaixo era um grande buraco, Evelyn caiu.
— Oi Eveh, esta tudo bem agora. – Ela olhou pra cima e só viu um corpo com uma mascara. – Bem vindo ao meu jogo.
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