Notas iniciais
Não estamos seguros em lugar nenhum.
Estava correndo pela pequena floresta da ilha, olhava pra trás e pude ver uma pessoa com uma mascara estranha atrás de mim. A sensação era péssima, parece que quando mais me esforçava mais a pessoa se aproximava. Olhei pra frente e pude ver Patrick com sua faca com um olhar aterrorizante, fiquei no meio dessas duas pessoas, olhei pra trás e a pessoa mascarada começou a dar risada e foi tirando a mascara lentamente, eu não acreditava, a pessoa atrás da mascara era eu mesmo, mas com uma expressão completamente diferente. Fiquei assustado e fui andando pra trás, quando senti uma faca nas minhas costas, Patrick me matava, e o meu outro eu falava que o Rodrigo bonzinho acabava de morrer.— NÃO! – Acordei assustado, e pude ver que estava na área da recepção, onde tinha uma pequena televisão velha e três sofás rústicos.— Calma Rodrigo, tá tudo bem agora! – Julia estava com alguns curativos e uma bolsa de água fria, ela pressionava na minha testa.— Ele acordou pessoal! – Ana Be também ajudava nos curativos. – Como você está?
— Òtimo! –
Martinato interrompeu.— Levanta! –
Do carinho que recebi quando acordei, foi para o extremo da brutalidade ao ser puxado por ele. – Você lembra o que falou quando estava meio inconsciente? Que tem mais de um assassino, e que a pessoa pra piorar estudou com a gente, e planejou tudo isso?
— Lembro de tudo! –
Estava meio machucado, porém eu também estava preocupado com a situação. — Antes de eu brigar com o Patrick, ele falou que é apenas o ‘’ajudante’’ da pessoa por trás de tudo isso mesmo. E que essa pessoa, estudou e se formou com a gente.
— Ou seja... Essa pessoa está exatamente nesse momento aqui? –
Grasi reforçou minhas palavras.— Em quem podemos confiar então?
— Calma pessoal, vamos manter a calma e não entrar em paranoia. Esse Patrick diz isso, mas também pode estar mentindo! –
Gilabel parecia calma.— Temos que estar juntos e espertos, apenas. Não podemos nos revoltar um com o outro.
— Todos estão aqui? –
Erick fingindo que também está calmo para impressionar Gilabel, se impõe. — Sim! –
Mesquita segurando sua arma se colocava na frente.— Quer dizer... O Yash lembrou que existe algum gerador nessa recepção, e foi junto com Saucedo e Pietro em busca de luz. –
Sua expressão mudou.— Porém já faz muito tempo que eles foram!
— Você disse que o Saucedo foi junto? –
Martinato pegava sua arma novamente.— Eu não confio nesse muleque! Vamos atrás deles agora! – Ele olhava pra todos. – Ok... A mesma formação que ant...
— Cala a boca Martinato. –
Grasi interrompeu.—Chega de querer ficar mandando em tudo! –
Ela ia até o armário e pegava uma arma. – To cansada de ficar aqui parada sem fazer nada. –
Carregava a arma e mirava em martinato.— Alias eu sei mexer nisso melhor que qualquer um aqui. Por isso eu vou junto!
— Eu também vou! –
Ana Be já pegava sua arma. – Eu também cansei de ficar aqui. –
A diferença que ela não sabia mexer na arma, e disparou sem querer, por pouco não acertou o Henrique.— Ops!
— Acho que isso foi um convite pra eu eu ir junto. –
Henrique olhou pro lado, e via a marca da bala na parede. — Beleza. Mesquita é melhor você ir no meu lugar! –
Martinato pegou o posto dele e ficou na janela, ele tinha mudado muito, ele sempre foi muito sério, mas agora estava com uma expressão de raiva.— Vamos logo! –
Grasi pegou a dianteira e foi na frente.— Se perceberem que devem atirar, não pensem duas vezes. –
Sem olhar pra trás, Martinato deu seu último recado. Mais uma vez o grupo se dividia, a energia estava cada vez pior, tinha um psicopata lá fora nos rodeando, e um possível suspeito entre nós. Fui mancando até o armário e fiquei pensando por alguns minutos. Quatro amigos meus tinham morrido, e eu sabia que o Lyu foi um deles, mas não sabia como falar pra Júlia isso. Não parava de lembrar do meu sonho, e esses apagões? Será que sou eu o psicopata? Será que se eu não fizesse alguma coisa nesse exato momento, tudo isso acaba? Peguei a arma e fiquei olhando pra ela. Comecei a chorar muito, não conseguia mais segurar.— Vamos sair dessa. – Júlia me abraçava por trás e sentia uma certa confiança. – Somos fortes, ninguém mais tem que morrer. Vamos sair daqui e começar uma nova etapa das nossas vidas... – Me sufocava saber que o Lyu morreu, e que na realidade ele sempre amou ela mesmo. Isso foi tão forte que eu precisava falar. – E apesar de tudo, essa viagem teve algo de interessante...
— O Lyu sempre te amou. –
Interrompi e continuei falando.— Ele morreu Júlia. –
No mesmo momento ela tirou as mãos de mim, e pude ouvir um espanto dela. Sem olhar pra trás continuei. – O Patrick me contou na ponte, logo depois que você saiu correndo. – Virei. – Me perdoe!
Júlia ficou sem reação no momento, os olhos dela enchiam de água— Não é culpa sua. –
Saiu lentamente. – Preciso só ficar um pouco sozinha.
Fiquei sozinho com a arma na mão e tudo aquilo me deixou muito mal, mas ao mesmo tempo me deixou mais forte. Quatro amigos meus tinham morrido e eu não podia ficar quieto morrendo de medo. Carreguei a arma e sem olhar pra ninguém abri a porta da recepção e fui indo atrás de Patrick.— Onde você vai? Ficou louco? –
Martinato junto com Everthon me interrompeu e me empurrou pra trás novamente.— Precisamos pegar vivo esse caipira de merda, só assim vamos ter a chave de tudo isso! –
O único jeito era esse.De repente chegou um carro com um som extremamente alto parando na frente da casa que estávamos. Já era quase fim de tarde, parecia que o tempo não passava de jeito nenhum. Todos abaixaram e olharam discretamente para a janela. — È ele! Vamos atirar! –
Gilabel Apontava a arma junto com todos.— NÃO! Temos que pegar ele vivo! –
Mandei ela abaixar a arma. O carro saiu a milhão novamente, Gilabel começou a atirar mas foi em vão.— PORRA ERA A NOSSA CHANCE! –
Ela ficou puta e sentou no sofá.— Calma Gilabel! – Erick foi conforta-la mas piorou.
— Calma o caralho! Somos ratos no seu buraco, onde um filho da puta quer nos matar! E outra, não me enche o saco você também, ficamos uma vez e apenas isso. –
Nem deixou o Erick sentar. Deixou o coitado desolado.— Mas eu só queria te ajudar... –
Erick falou sozinho. –Foda-se também!. –
Ficou junto com os outros. * PERTO DO PORÃO*— Ouviram esse barulho de carro?
Ana Be caminhava ao lado de Henrique.— Sim. Mas devemos seguir a nossa trajetória agora. De fato o Saucedo me assusta. –
Mesquita na frente comandava o grupo.— Além dele todos nós somos. Um bando de jovens burgueses que gastou fortuna em uma festa mequetrefe em uma ilha isolada de todos. Está até parecendo aqueles filmes do Jason. Somos um bando de idiotas! –
Grasi com seu ar de menina doce, resmungava e ficava dando cobertura.— Pelo menos se morrermos, morreremos juntos. –
O garoto ruivo e um óculos do Harry potter tentava descontrair. — Está até parecendo eu em mesquita? –
Henrique dava uma risada, até que foi surpreendido com um barulho mais pra baixo. – O que foi isso?
— Vamos descobrir! –
O grupo foi andando na mesma formação. Mesquita ficava na frente e começava a sentir um cheiro estranho, abriu a porta e caía em um lugar fedido e com goteiras. Dava pra se ouvir barulhos de ratos andando pelos buracos e tuneis. Entraram e viram um ferro meio solto, chegaram mais perto e dava entrada para um túnel subterrâneo.— Pessoal. Acho que estamos mais enrascados que achávamos!
— Eu tenho certeza. –
Ana Be pegava um pequeno mapa que estava em cima de uma prateleira. Existia vários caminhos por esse túnel subterrâneo. Onde a pessoa podia aparecer por vários lugares sem ser visto. – Temos que voltar e avisar todos! –
De repente a porta se fechou com tudo e pode se ouvir um barulho de tranca. Logo em seguida uma sombra apareceu, todos começaram a atirar. Porém tiros do lado de lá apareceram em direção á eles.— Parem de atirar! – Todos se esconderam em atrás de um cômodo da casa.
— Cacete! –
Henrique colocava a mão em seus braços.— Meu Deus!? Você está sangrando! –
Ana Be desesperada olhou os braços dele todo ensanguentado. — Acho que sim. –
Ele ainda fazia graça, mas estava fraco.— Grasi veja onde esse túnel pode parar. Precisamos levar ele até a enfermaria agora! –
Mesquita mirava na porta.— Calma porra! –
Grasi abria o mapa— Esse túnel está perto do porão. Tá falando se entrarmos e virar na terceira direita, caímos na estrada, nessa estrada tem uma cruz perto, deve ser a merda da enfermaria!
— Òtimo! Vamos ter que entrar nesse túnel então! –
Continuava mirando na porta. – Henrique, consegue se mexer?
— Acho que sim! –
Ele tampava o braço com um pano.— O túnel não é muito grande. Vamos ter que ir nos arrastando! –
Um barulho na porta surgiu novamente. –No três a gente vai. Um. Dois. Três! AGORA!
Grasi foi na frente com o mapa, depois Henrique com um pano no braço, seguido de Ana Be. Mesquita esperou todos entrarem, e lentamente foi indo até o túnel, porem sempre com sua arma na mira da porta. Tudo ficou em silêncio. Ele entrou e fechou o portãozinho de ferro. Logo em seguida a porta se abriu lentamente, só aparecia uma bota preta e uma luva, pegou a bolsinha que era da Ana be. Logo atrás estava Patrick dando risada.— Voltei pessoal! Não achei nada! –
Saucedo voltava meio afobado.— Ouviram tiros também?
— Sim! Ficamos preocupados. Você sumiu por um bom tempo! –
Yash estava sentado em um cano entediado— Demorou tanto que achamos o porão. –
Pietro ascendia um cigarro.— Carreguem bem a arma então, pois odeio porões! –
Saucedo foi na frente e deu um chute na porta, abrindo na hora.— Bora achar esse gerador e sair desse inferno!
Os três entraram no porão, Yash segurava uma lanterna pois estava tudo escuro, era um péssimo lugar. Os três ficaram juntos e cada um com sua arma apontando para um canto.— ACHEI PORRA! – Yash deu um grito emocionado.
— Boa Yash! – Saucedo deu um sorriso mas foi interrompido por um barulho forte na porta. – Quem ta ai!? Não vou repetir duas vezes. –
Começou a atirar junto com Pietro. Yash tentava abrir a caixa do gerador que parecia preso.— Rápido Yash!
Tudo começou a ficar em câmera lenta. Patrick entrava no quarto escuro, Saucedo e Pietro perceberam que a bala tinha acabado, estava difícil de ver algo. Pietro resolveu sair correndo e Saucedo começou entrar em uma briga corporal. Yash continuava fixamente tentando abrir a caixa do gerador.
— Finalmente nos encontramos! –
Saucedo dava dois socos na cara de Patrick em meio a escuridão. Objetos começavam a cair. Estava na vantagem e começou a dar vários outros murros nele, porém se descuidou e levou uma joelhada no estomago. Patrick levantou pegou uma barra de ferro e deu com tudo nas costas dele, caindo inconsciente. Yash conseguiu abrir a caixa e ligou o gerador. Todas as luzes se ascenderam de uma vez. Porém quando ele virou as costas, estava Saucedo desacordado no chão e Patrick com o ferro na mão. — Falam que você é o frutinha que cozinha pra essas crianças chatas e mimadas! Parece ser muito esperto também. Devia pegar essa arma e atirar em mim agora.
— Nesse momento eles devem estar ligando para a policia. Você pode me matar, mas será preso! –
Yash pegou a arma e tentou atirar, mas Patrick segurou.— Esse é o problema dos viadinhos de hoje em dia. Falam demais! Seria uma pena se esse gerador queimasse. –
Deu uma cabeçada em Yash seguido de um murro no estomago. Caiu sem ar no chão. — Você adora cozinhar né Yash? –
Pegou o álcool que estava perto dos ferros e jogou no corpo todo de yash, ele tentava levantar mas não conseguia.— O foco é queimar o gerador tá? –
Ascendeu um cigarro deu duas tragadas e jogou no yash que no mesmo momento começou a pegar fogo. Ficou desesperado tentou levantar mas caiu.— Lentamente Patrick pegou o extintor de incêndio e admirava Yash gritando e o fogo matando ele aos poucos. O fogo subiu no gerador que queimou. Logo em seguida Patrick ligou o extintor abaixando o fogo. – Opa! Continua vivo aí? –
Pegou a lanterna e yash estava todo queimado, mas ainda vivo, porém completamente deformado, sua respiração era de dor, ele não conseguia nem falar. — Vou te deixar aí pensando na vida ok? –
Saiu e arrastou Saucedo com ele.
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