Mais tarde naquele mesmo dia, enquanto eu estava fazendo alguns exercícios dentro de casa como puxar alguns pesos e andar na minha esteira ergométrica, senti meu celular vibrar em meu bolso. Eu sabia muito bem quem era, e isso me assustou. Como eu sabia que era Agatha quem me chamava? Acabei por responder a mim mesmo, dizendo que minha conexão através de Agatha era forte por conta de que ela era basicamente uma criação minha, vinda de meu sonho. Com o celular já em mãos, abri nossa conversa e decidi passar um tempo conversando com ela.

—- " Acabei de sair do trabalho, Koda! Tô indo pra casa "

—- " Casa? Você tem realmente uma casa? Tipo... Caraca! Você é uma criação minha e já tem até uma casa e um emprego! "

—- " É claro que sim, bobo. Afinal, acha mesmo que eu sobreviveria sem um trabalho e uma casa? "

—- " Não foi isso o que eu quis dizer! "

—- " Eu sei! Não precisa ficar irritado "

—- " Então me responde direito, poxa "

—- " Bem... Como posso te explicar? Simplesmente, quando eu "nasci", ou seja, quando eu surgi, eu acordei bem do seu ladinho. Eu já sabia quem eu era, como eu surgi e por aí vai. Tudo o que eu fiz foi ficar um tempo morando com minha chefe enquanto eu trabalhava até conseguir dinheiro suficiente para pagar meu aluguel. Ela é muito gente boa! "

—- " Deve ser mesmo. Fico aliviado então em saber que ocorreu tudo bem. "

—- " Então quer dizer que você se preocupa comigo, hein? "

Quando eu li aquilo, senti minhas bochechas queimarem instantaneamente, até mesmo deixei meu celular cair das minhas mãos, mas consegui pegá-lo a tempo. Já que eu estava em pé ainda, caminhei até meu quarto e sentei na minha cama, então a respondi.

—- " É claro que sim! Você é uma criação minha. Eu me sinto responsabilizado por você "

—- " Se sente? Que fofo! Já que é assim, por que não me deixa morar com você? Confesso que é triste morar sozinha, já que você me fez um tanto parecida contigo "

—- " Hey! Não foi culpa minha! Nem sabia que era possível sonhos se materializarem!! "

—- " Mas agora sabe! Então já que tomará a responsabilidade de mim, estou me mudando praí! "

—- " O que?! Mais já!? "

—- " Bem, eu só vou arrumar minhas coisas. Amanhã mesmo estou indo até aí! E não se preocupe, já sei onde você mora. Aliás, já contei que te observava dormindo pela sua janela do quarto? "

—- " VOCÊ OQUE!? "

—- " Brincadeira! Brincadeira! Eu amo suas reações, Koda! "

—- " Não brinque comigo! Meu coração quase parou de bater! "

—- " Sério? É bom saber que eu faço seu coração ficar doidinho por mim "

Acabei não percebendo na hora, mas alguns minutos depois que li aquela mensagem, eu estava me imaginando já ao lado dela. Eu a desejava ao meu lado, na verdade, sempre a quis, afinal, ela era um desejo meu e, agora que Agatha era real, eu a desejava mais do que tudo. Não tinha vergonha de confessar isso a mim mesmo, mas tinha vergonha de dizer a ela,

—- " Ha ha! Muito engraçado! Enfim, vou te deixar fazer as malas. Espero que não seja muita coisa! "

—- " Hey! Não adianta ser um "tsundere" que nem nos mangás que você lê não! E já que aceitou a ideia de me deixar morar contigo, vou indo então! Não é muita coisa mas quero terminar tudo antes de ir dormir. "

-- " Certo então. Boa noite! "

—- " Boa noite, Kodazinho! "

E junto da mensagem, tinha uma foto de Agatha, dando uma piscadinha para a foto, mostrando uma pequena parte de sua língua, fazendo uma careta fofa. Ela segurava o celular com uma mão e com a outra mão fazia um "V" com seu dedo indicador e dedo médio. Aquela foto mexeu com minha mente, com meus sentimentos. Como era possível ela existir? Eu sequer era merecedor de receber Agatha como minha nova amiga e colega de casa? Dessa vez, eu não tinhas as respostas, mas sendo digno ou não, aceitaria ela, Agatha, de bom grado. Como já era tarde e eu estava sem fome, coloquei meus fones de ouvido e pus uma música calma e deitei na minha cama, acabando por ficar admirando a foto que ela me mandou.

Eu sabia que, no dia seguinte, minha vida mudaria. Estava prestes a morar com a minha própria criação, e isso me deixava alegre mas também ansioso. Do que será que ela gosta? Do que ela não gosta? Como deve ser conviver com ela todos os dias? Essas perguntas me rodeavam enquanto eu tentava dormir. Eu me vi no reflexo do celular assim que ele acabou bloqueando, e eu vi meu sorriso bobo, o que me fez ficar envergonhado e rapidamente desbloquear a tela do celular para voltar a admirar Agatha

—-... Quero viver com você logo, Agatha... Boa noite...

E então eu caí no sono. Naquele momento, eu estava tão cansado que nem cheguei a sonhar com nada, pelo menos eu não me lembro de ter sonhado nada. Quando eu acordei no outro dia...