O menino que pisou na lua
2 Sentença de vida
No dia seguinte, Noah desceu as largas escadas de mármore de sua mansão, assobiando e cantarolando, o que obviamente confundiu os serviçais, que se entreolhavam querendo saber porque raios alguém com uma bactéria no cérebro estava de tão bom humor.
— Bom dia, Malorie! — ele disse à governanta. Noah sorria, os feixes de luz do Sol fazendo seus ondulados cabelos loiro escuros reluzirem. — O que temos para o café?
— Pão integral, creme de ricota e iogurte desnatado, seu preferido!- Malorie sorria, nervosa. A expectativa e a confusão eram grande demais.
Malorie sempre fora amiga — e empregada — próxima da família, e quando os pais de Noah faleceram, ela o criara como se fosse seu filho. Mirando seus olhos raros e negros, se recordou de quando deitava junto a ele na grama do jardim, para olhar as estrelas no céu escurecido.
— Ótimo.
— Noah..? Estou procurando um jeito de perguntar isso sem ser indelicada, mas.. sei da notícia que recebeu ontem e agora estou te vendo assim, tão feliz, o que aconteceu?
— Você Deveria saber Malorie. Nada me derruba. Não tem por quê se preocupar.
A convicção com que ele disse aquilo a deixara tão perplexa, que ela achou melhor não discutir, e pôs se a recolher a mesa, com a ajuda de outra suas cozinheiras.
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Na faculdade de Washington, nada de novo: Noah O'Kennel era inevitavelmente o solteiro mais cobiçado do lugar. E , consequentemente atraía farejadoras de dinheiro de longe, como Jessika Lewis.
Jessika era alta, magra, classe média, uma bela morena de olhos verdes. Interesseira, desde o ensino médio jamais saíra do pé de Noah. O seguira até a faculdade.
— Bom dia, No
Pasme, ela chamava ele de "No". "NO"!!!
— Bom dia.
— Faz tempo que a gente não se encontra... — disse, enrolando o cabelo e acariciando a perna de um jeito estranho.
— Estranho, não? Nossas aulas não batem.
Naquele verão, ele tinha decidido se dar uma trégua dela, então se inscrevera em aulas diferentes.
— Sabe, as vezes eu tenho a impressão de que você me evita. — Ela se aproximava cada vez mais, fazendo com que Noah recuasse, vermelho, até o armário. O corredor já se esvaziara. Todos estavam em suas aulas.
— Jessika... estamos atrasados — ela fixou o olhar nele.
— Mas isso pode mudar hoje, — ela pôs sua perna entrelaçada a ele...
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