O menino da van

3 Chorando se foi...


Notas iniciais
Oie! O título desse capítulo é o nome de uma música do Kaoma que foi um hit dos anos 90. Você já ouviu? Procure no YouTube! A Victória já tinha até sonhado que a dançava com o Davi. Como diria o poeta, não existe o amar sem sofrer né? Espero que gostem. Beijos da Nat!

Estava esperando minha mãe no banco em frente à escola, ao lado de uma menina que também voltava de van alguns dias na semana comigo. Conversávamos sobre algo aleatório, quando o Davi chegou.

— Posso conversar contigo em particular? — perguntou.

Eu estremeci. Uma ansiedade que era ao mesmo tempo boa e ruim tomou conta da minha mente, e a adrenalina do meu corpo. Boa, pela expectativa de ele falar algo sobre mim, sobre nós, mas ruim exatamente pelo mesmo motivo: o que eu teria de fazer então? Beijá-lo? Mas eu nem sabia beijar!

Ele baixou a cabeça e, falando meio envergonhado, perguntou:

— A sua amiga Camila tem namorado?

Banho de água fria que dizem, não é? A Camila era a minha melhor amiga na escola. Tentando disfarçar minha decepção, respondi que sim — o que era a verdade.

Mas sabem a Lei de Murphy? "Nada é tão ruim que não possa piorar"

— E a Patrícia? — perguntou ele depois.

Patrícia era a irmã gêmea da Camila, que eu não conhecia muito bem e, portanto, não sabia a resposta. Não podia deixar de pensar no quão insignificante eu era, por ele preferir até a irmã gêmea da minha amiga do que eu.

Respondi que não sabia, mas que perguntaria à Camila no dia seguinte. Depois de ele agradecer e ir embora, fui juntando os cacos do meu coração pelo chão.

Podia ser que ele não tivesse reparado que eu gostava dele, afinal, nunca falei nada. Assim, era possível que ele não fosse insensível. No entanto, uma coisa era certa: todo o carinho que ele demonstrava por mim era nada além de amizade.

Voltei para o banco e a menina perguntou:

— Coração partido, né?

Se ele não reparou, alguém havia reparado. Senti vergonha e respondi que não, tentando ao máximo disfarçar que estava prendendo o choro.

Primeiro amor e eu já descobria como era sentir dor de cotovelo. E como doía! Chorei muito depois de chegar em casa.

No dia seguinte, contei para a Camila o que havia acontecido. Como é esperado de uma grande amiga, ela ficou visivelmente comovida. Disse que sentia muito e contou-me que a Patrícia tinha namorado, o que admito que foi um alívio.

Falei para ela que, se quisesse ficar com ele, eu teria de entender e não ficaria no caminho. Foi quando a Camila me deu uma lição que trago comigo até os dias de hoje: não se mexe com o menino que a amiga gosta. Eu chamo isso de "regra da quinta série", embora eu a tenha aprendido na sétima.

Décadas mais tarde, eu rememorei com a Camila aquela conversa. Ela nem lembrava mais que tinha acontecido! Para mim, foi um momento muito marcante: uma das primeiras provas de amizade e lealdade que eu recebi na vida.

Desde os 12 anos de idade, jamais pensei em desrespeitar essa regra. Gostaria de poder dizer que todas as minhas amigas também a respeitaram comigo. Isso teria evitado muito sofrimento, mas, infelizmente, nem todo mundo aprendeu direitinho as regras éticas da quinta série…

Notas finais
Amiga talarica não dá, né? Eu queria que todas as mulheres respeitassem essa regra da 5a série. Acho que o mundo seria um lugar mais feliz. Alguma vez você já sofreu com a traição de alguma amiga? Porque eu já :( Nos vemos no próximo capítulo! Mal posso esperar para contar o que aconteceu depois. Vocês não vão acreditar.